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Jafar ibne Alfurate

(Redirecionado de Ja'far ibn al-Furat)
Abul Fadal Jafar ibne Fadal ibne Alfurate
Nascimento 921
Morte 1001
Nacionalidade Reino Iquíxida
Califado Fatímida
Progenitores Pai: Fadal
Ocupação Vizir
Religião Islamismo

Abu Alfadal Jafar ibne Alfadal ibne Alfurate (Abu'l-Fadl Ja'far ibn al-Fadl ibn al-Furat - lit. "Abul Fadal Jafar, filho de Fadal, filho de Alfurate"; 921 - 1001) foi um membro da burocrática dinastia Banul Furate, que serviu como vizir do Reino Iquíxida do Egito de 946 até o fim da dinastia reinante, em 969, e continuou servindo ao Califado Fatímida desde então.

BiografiaEditar

Jafar nasceu em 921, o herdeiro de uma dinastia burocrática, a Banu Alfurate, que tinha ocupado posto seniores na burocracia fiscal de Bagdá desde o reinado do califa abássida Almutadide (r. 892–902) e tinha ascendido até tornar-se uma das duas principais facções dentro da elite administrativa abássida nas primeiras décadas do século X. O pai de Jafar era Fadal (m. 938), que tinha mantido vários postos nos ministérios fiscais do Califado Abássida, e tinha servido como vizir por alguns meses em 932 e 937, antes de retirar-se ao Egito, governado desde 935 por Maomé ibne Tugueje.[1] Lá, Jafar tornou-se vizir em 946, sucedendo ao antigo rival de seu pai, Abu Baquir Maomé.[2] Jafar manteve o posto continuamente sob os emires iquíxidas Unujur (r. 946–961) e Ali (r. 961–966), bem como sob Cafur, que, após muito tempo como poder atrás do trono, tornar-se-ia emir em seu próprio direito (r. 966–968).[1]

Após a morte de Cafur em 968, Jafar permaneceu no ofício, mas enfrentou uma situação crítica. A sucessão passou para o infante de Ali, Amade, e Jafar, em aliança com o gulam Xamul, líder do exército, parecia determinado a assegurar o papel da regência sobre o jovem governante. Jafar conseguiu neutralizar o rival potencial Iacube ao prendê-lo e forçando-o a fugir à corte fatímida, mas sua posição era instável: carecia de uma base de poder fora da burocracia; os agentes fatímidas agitaram tumultos entre os beduínos; o exército foi dividido em facções mutuamente antagonistas (os Iquixídias (Ikhshidiyya), recrutados por Maomé ibne Tugueje, e os Cafúrias (Kafuriyya), recrutados por Cafur, e os Sacaliba ou Rume, soldados-escravos europeus/bizantinos); e o tesouro estava vazio devido à várias baixas inundações do rio Nilo que causaram crises famélicas.[3][4][5]

 
Dinar do califa fatímida Almuiz Aldim Alá (r. 953–975)

No final, tropas amotinadas saquearam seu próprio palácio, forçando Jafar a esconder-se.[6] Ele foi preso no outono de 968 sob ordens de Haçane, tio e regente prospectivo do jovem emir. No começo de 969, contudo, quando Haçane partir para a província da Palestina, ele foi libertado e nomeado governador do Egito.[7] Nesta função, ele supervisionou as negociações com o general fatímida Jauar, o Siciliano durante a conquista do Egito mais tarde no mesmo ano.[1][8]

Jafar continuou no ofício por algum tempo sob o governo de Jauar, mas foi demitido pelo califa fatímida Almuiz Aldim Alá (r. 953–975) em favor de seu rival Iacube.[9] Após a morte de Iacube em 991, a ele foi novamente oferecido o posto de vizir, mas resignou-o após alguns meses.[10] Ele morreu em 1001. Como o historiador do vizirado Dominique Sourdel escreve, Jafar "deixou atrás de si a reputação de um patrono generoso dos poetas e estudiosos [...] mas também de um excêntrico que tinha adquirido uma coleção de cobras e escorpiões que aterrorizaram seus vizinhos". Seu filho Abulabás foi nomeado vizir pelo califa fatímida Alfaquim (r. 996–1021) em 1014/1015, mas foi executado após alguns dias.[1]

Referências

  1. a b c d Sourdel 1986, p. 767–768.
  2. Brett 2001, p. 218–219.
  3. Brett 2001, p. 298.
  4. Kennedy 2004, p. 315–316.
  5. Bianquis 1998, p. 117.
  6. Bianquis 1998, p. 117–118.
  7. Bianquis 1998, p. 118.
  8. Brett 2001, p. 300, 303.
  9. Brett 2001, p. 306, 332.
  10. Kennedy 2004, p. 327.

BibliografiaEditar

  • Bianquis, Thierry (1998). «Autonomous Egypt from Ibn Ṭūlūn to Kāfūr, 868–969». In: Petry, Carl F. Cambridge History of Egypt, Volume One: Islamic Egypt, 640–1517. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-47137-0 
  • Brett, Michael (2001). The Rise of the Fatimids: The World of the Mediterranean and the Middle East in the Fourth Century of the Hijra, Tenth Century CE. The Medieval Mediterranean 30. Leida: BRILL. ISBN 9004117415 
  • Kennedy, Hugh N. (2004). The Prophet and the Age of the Caliphates: The Islamic Near East from the 6th to the 11th Century (Second ed. Harlow, RU: Pearson Education Ltd. ISBN 0-582-40525-4 
  • Sourdel, D. (1986). «Bughā al-Kabīr». The Encyclopedia of Islam New Edition, Volume I: A–B. Leida e Nova Iorque: BRILL. ISBN 90-04-08114-3