Jacques Paul Migne

Jacques Paul Migne
Nascimento 5 de setembro de 1800
Saint-Flour
Morte 24 de outubro de 1875 (75 anos)
Paris
Sepultamento Cemitério de Montrouge
Cidadania França
Ocupação editor, jornalista, padre católico, tradutor, teólogo, presbítero
Religião Igreja Católica

Jacques Paul Migne (Saint-Flour, 25 de outubro de 1800 - 24 de outubro de 1875) foi um padre francês que publicou edições de baixo custo e amplamente distribuídas de obras teológicas, enciclopédias e textos dos padres da Igreja, com o objetivo de prover uma biblioteca universal para os sacederdotes católicos.[1]

Ele nasceu em Saint-Flour e estudou teologia em Orléans. Foi ordenado em 1824 e colocado a cargo da paróquia de Puiseaux, na diocese de Orléans, onde suas simpatias monarquistas ultracatólicas estavam fora de sintonia com o patriotismo local e o novo regime do Rei-cidadão. Em 1833, após ter caído em desgraça com o seu bispo por causa de um panfleto que publicou, ele foi para Paris e, no dia 3 de novembro, fundou um jornal chamado L'Univers religieux, que ele pretendia manter livre de qualquer influência política: ele rapidamente juntou 1800 assinantes e foi editado por 3 anos. O jornal se tornaria depois o órgão ultramontano de seu co-editor, Louis Veuillot, L'Univers.

Uma edição completa da patrologiaEditar

 
Capa da Patrologiae cursus completus de Migne

Migne se convenceu do poder da imprensa e o valor intrínseco da informação bruta amplamente distribuída. Em 1836 ele abriu sua grande editora, a Imprimerie Catholique, em Petit Montrouge, no 14º arrondissement de Paris. Lá, ele produziu rapidamente numerosas obras religiosas para uso do baixo clero a preços populares que garantiam a ampla circulação. Os mais famosos deles foram: Scripturae sacrae cursus completus ("Curso completo na sagrada escritura"), que juntava um amplo repertório de comentários sobre cada um dos livros da Bíblia, e Theologiae cursus ("Curso teológico"), cada um em 28 volumes entre 1840-5. Também Collection des auteurs sacrés (100 volumes, 1846-8) e Encyclopédie théologique (171 volumes, 1844-6).

As três grandes sérias que garantiram a sua reputação foram as do Patrologiae cursus completus, a série latina (Patrologia Latina) em 221 volumes (1844-5); a série grega (Patrologia Graeca), publicada inicialmente em latim (85 volumes, 1856-7), então publicada com o texto grego e a tradução latina (165 volumes, 1857-8). Embora os estudiosos terem sempre criticado-as, estes textos apressadamente editados, quase sem custo e amplamente distribuídos foram muito lentamente sendo substituídos por edições críticas no último século e meio. Embora o papel barato dos originais torne-os frágeis hoje, o escopo da Patrologia ainda faz dela única e valiosa sempre que o equivalente moderno não exista. Ela é muito mais completa do que qualquer outra coleção patrística e literatura subsequente jamais feita e é improvável que haja algo similar novamente. Para conseguir criar tanto em tão pouco tempo, Migne re-imprimiu o melhor ou a mais recente edição disponível. Na PG, as traduções latinas foram muitas vezes feitas na Renascença antes de qualquer texto grego ter sido impresso e, por isso, não representam o original com precisão. Os índices são úteis para localizar referências nas obras patrísticas. A coleção agora está disponível em digitalmente em algumas bibliotecas e existe uma versão online como um serviço por assinatura.

Disputas com as editoras estabelecidas e com a hierarquia católicaEditar

Migne passou por cima do sistema estabelecido no mercado editorial com suas assinaturas diretas. Sua Imprimerie Catholique se desenvolveu até se tornar a maior editora privada da França. Tragicamente, porém, para Migne, na noite de 12-13 de fevereiro de 1868, um devastador incêndio, que começou nas impressoras, destruiu a empresa de Migne, que naquele momento produzia também objetos religiosos. À despeito de suas apólices de seguro, Migne só conseguiu recuperar uma pequena parte do que perdeu. Logo em seguida, Mons. Georges Darboy, arcebispo de Paris, proibiu que o negócio continuasse e chegou até a suspendê-lo de suas funções sacerdotais. A guerra franco-prussiana de 1870 causou ainda mais problemas para ele. Então, a cúria do Papa Pio IX produziu um decreto condenando o uso das receitas da missa para a compra de livros, e na qual Migne e suas publicações foram particularmente nomeadas.

Migne morreu sem jamais ter recuperado sua prosperidade. Sua Imprimerie Catholique passou em 1876 para as mãos dos irmãos Garnier ("Garnier Fréres").

A Patrologia Latina e a Patrologia Graeca (juntamente com a Monumenta Germaniae Historica) estão entre as grandes contribuições do século XIX para o estudo acadêmico dos patrísticos e sobre a Idade Média. Dentro da Igreja Católica, as edições de Migne foram responsáveis por colocar pela primeira vez nas mãos dos padres muitos textos originais.

Referências

  1. Claude Langlois e François Laplanche, eds. (1992). La Science catholique: 'L'Encyclopédie Théologique' de Migne (1844-1873) entre apologétique et vulgarisation (em francês). Paris: Cerf 

Ligações externasEditar