Javier Lozano Barragán

Javier Lozano Barragán (Toluca, 26 de janeiro de 1933) é um cardeal mexicano da Igreja Católica Romana, presidente-emérito do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde.

Javier Lozano Barragán
Cardeal da Igreja Católica
Presidente Emérito do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde
Hierarquia
Papa Francisco
Atividade eclesiástica
Diocese Diocese de Roma
Serviço pastoral Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde
Nomeação 31 de outubro de 1996
Predecessor Dom Fiorenzo Cardeal Angelini
Sucessor Dom Zygmunt Zimowski
Mandato 1997 - 2009
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 30 de outubro de 1955
Capela do Pontifício Colégio Pio Latino-americano
por Dom Carlo Confalonieri
Nomeação episcopal 5 de junho de 1979
Ordenação episcopal 15 de agosto de 1979
Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe
por Dom Ernesto Cardeal Corripio y Ahumada
Nomeado arcebispo 7 de janeiro de 1997
Cardinalato
Criação 21 de outubro de 2003
por Papa João Paulo II
Ordem Cardeal-diácono (2003-2014)
Cardeal-presbítero (2014- )
Título São Miguel Arcanjo (2003-2014)
Santa Doroteia (2014- )
Brasão
Coat of arms of Javier Lozano Barragan.svg
Lema TESTES RESURRECTIONIS
Dados pessoais
Nascimento Toluca
26 de janeiro de 1933 (88 anos)
Nacionalidade mexicano
Funções exercidas -Bispo-auxiliar da Cidade do México (1979-1984)
-Bispo de Zacatecas (1984-1996)
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Juventude e educaçãoEditar

Nascido em Toluca, Estado do México, Lozano Barragán estudou para o sacerdócio em Zamora, Michoacán, e na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, onde se doutorou em Teologia e foi ordenado presbítero por imposição das mãos de Dom Carlo Confalonieri, então secretário da Congregação para os Seminários e Universidades, na Capela do Pontifício Colégio Pio Latino-americano.[1]

EpiscopadoEditar

Em 5 de junho de 1979, Lozano Barragán foi eleito bispo-auxiliar da Arquidiocese do México e preconizado com a sé titular de Tinisa da Numídia. Sua consagração se deu em 15 de agosto seguinte, na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, presidida por Dom Ernesto Cardeal Corripio y Ahumada, arcebispo do México, tendo Dom Miguel Darío Cardeal Miranda y Gómez, arcebispo emérito, e Dom José Esaúl Robles Jiménez, bispo de Zamora, como co-consagrantes.[1][2]

Em 28 de outubro de 1984, foi eleito bispo da Diocese de Zacatecas, sufragânea da Arquidiocese de San Luis Potosí, a qual regeu por doze anos. Em 1996, ele foi para o Vaticano, onde, em 31 de outubro do mesmo ano, foi eleito presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde, renunciando oficialmente à Diocese de Zacatecas em janeiro de 1997, ocasião em que recebeu o título de arcebispo ad personam.[1][2]

CardinalatoEditar

Em 21 de setembro de 2003, foi anunciada a sua criação como cardeal pelo Papa João Paulo II, no Consistório de 21 de outubro, em que recebeu o barrete vermelho e o título de cardeal-diácono de São Miguel Arcanjo.[1][2]

Ele foi um dos cardeais eleitores que participaram do conclave de 2005, o qual selecionou o Papa Bento XVI. Este, por sua vez, reafirmou Dom Lozano na presidência do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde.[1][2]

Em 18 de abril de 2009, o Papa Bento aceitou a renúncia de Dom Lozano por força da idade e escolheu o bispo polonês Dom Zygmunt Zimowski para substituí-lo.[1][2]

Após servir dez anos como cardeal-diácono, ele foi promovido a cardeal-presbítero de Santa Doroteia pelo Papa Francisco em consistório no dia 12 de junho de 2014.[1][2]

OpiniõesEditar

AbortoEditar

O cardeal Barragán tem expresso forte oposição ao aborto, especialmente em relação ao RU-486, que tem efeitos abortivos sobre o concepto.[3]

João Paulo IIEditar

O cardeal Lozano Barragán esteve entre os primeiros a promover a canonização do Papa João Paulo II depois da morte deste, em abril de 2005, afirmando que a recuperação de um menino com leucemia terminal que o Papa abençoou, em 1990, é um milagre atribuível a João Paulo II.

SIDA e contracepçãoEditar

Em 2006, foi reportado que o cardeal Barragán estaria estaria preparando um relatório para o Papa Bento no qual afirmava que o uso de preservativos era o mal menor quando uma das pessoas é infectada com SIDA.[4] Todavia, a questão foi minimizada quando o cardeal declarou que não tinha autoridade para dar diretivas doutrinais definitivas. Além do que, em 2009, o Papa Bento XVI afirmou que a disseminação da SIDA "não pode ser vencida pela distribuição de profiláticos: ao contrário, eles a ampliam".[5][6]

EutanásiaEditar

O cardeal Barragán tem intervindo publicamente em casos de eutanásia de alto perfil, notoriamente com Terri Schiavo e Eluana Englaro, os quais ele descreveu audaciosamente como assassinatos.

Homossexuais e transsexuaisEditar

Em dezembro de 2009, um website publicou uma declaração do cardeal Barragán no qual ele dizia que, enquanto a Igreja considerava a homossexualidade um insulto a Deus, isto não justificava a discriminação contra pessoas gays e transsexuais. O cardeal citou a Carta aos Romanos de São Paulo (Romanos 1: 26-27), apontando que os que os homossexuais e os transsexuais nunca entrarão no reino dos céus. Posteriormente, ele esclareceu que isto não significa que um indivíduo homossexual não possa ser salvo, uma vez que a existência de falta grave requer não apenas assunto grave, mas também total conhecimento e consentimento, e que a homossexualidade é, amiúde, causada pela educação e pelo ambiente, e não por falta pessoal.[7] Dizendo que as pessoas não nascem homossexuais, ele atribuiu a homossexualidade a causas como educação e falha no desenvolvimento da identidade do indivíduo durante a adolescência.[8]

O porta-voz da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, SJ, disse que o website não deve ser considerado uma autoridade no pensamento católico "sobre questões complexas e delicadas como a homossexualidade". Para a diretriz que a Igreja Católica sobre a matéria, ele citou o Catecismo da Igreja Católica, 2357-2359, o qual afirma que, enquanto "os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados", aqueles que têm tendências homossexuais "devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza" e que "evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta".[7]

ConclavesEditar

Referências

  1. a b c d e f g The Cardinals of the Holy Roman Church
  2. a b c d e f Catholic Hierarchy
  3. «Cord.Barragan, Ru486 e' un crimine» (em italiano). http://www.ansa.it. 2 de dezembro de 2009. Consultado em 9 de outubro de 2019 
  4. «Vatican Clarifies Its Condom-AIDS Study». https://zenit.org (em inglês). 25 de abril de 2006. Consultado em 9 de outubro de 2019 
  5. «Entrevista concedida pelo Santo Padre Bento XVI aos jornalistas durante a viagem aérea para a África». http://w2.vatican.va. 17 de março de 2009. Consultado em 9 de outubro de 2019 
  6. «Pope: Condoms no help in AIDS fight». https://www.upi.com (em inglês). 17 de março de 2009. Consultado em 9 de outubro de 2019 
  7. a b «Cardinal: Statement on Gays Was Misrepresented». https://zenit.org (em inglês). 4 de dezembro de 2009. Consultado em 9 de outubro de 2019. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2009 
  8. Agence France Press: Gays 'will never go to heaven': cardinal (em inglês)

Ligações externasEditar

 
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Precedido por
Mario Revollo Bravo
 
Bispo Titular de Tinisa da Numídia

5 de junho de 1979
28 de outubro de 1984
Sucedido por
Mario Picchi, S.D.B.
Precedido por
Rafael Muñoz Nuñez
 
Bispo de Zacatecas

28 de outubro de 1984
31 de outubro de 1996
Sucedido por
Fernando Mario Chávez Ruvalcaba
Precedido por
Fiorenzo Angelini
 
Presidente do
Pontifício Conselho para a
Pastoral no Campo da Saúde

7 de janeiro de 1997
18 de abril de 2009
Sucedido por
Zygmunt Zimowski
Precedido por
Joseph-Léon Cardijn
 
Cardeal-Diácono de
São Miguel Arcanjo

29 de novembro de 2003
12 de junho de 2014
Sucedido por
Michael Czerny, S.J.
Precedido por
criação do titulus
 
Cardeal-Presbítero de
Santa Doroteia

12 de junho de 2014
atualidade
Sucedido por
incumbente