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VidaEditar

Jean Baudrillard nasceu em Reims, nordeste da França, em 27 de julho de 1929. Segundo declarou em entrevistas, seus avós eram camponeses, e seus pais eram funcionários públicos. Durante os seus estudos do ensino médio no Lycée Reims, ele entrou em contato com a patafísica (através do professor de filosofia Emmanuel Peillet), que é considerada crucial para a compreensão do pensamento posterior de Baudrillard.[2] Ele se tornou o primeiro de sua família a cursar uma universidade quando se mudou para Paris e ingressou na Sorbonne.

Enfrentou uma época bastante conturbada em seu país, durante a depressão da década de 1930. Sua biografia é de difícil acesso, tanto pela inexistência de documentos sobre ele, quanto por sua personalidade reservada, pois resguardava exageradamente sua privacidade.[3]

Sociólogo, poeta e fotógrafo, este personagem polêmico desenvolve uma série de teorias que remetem ao estudo dos impactos da comunicação e das mídias na sociedade e na cultura contemporâneas.[3] Partindo do princípio de uma realidade construída (hiper-realidade), o autor discute a estrutura do processo em que a cultura de massa produz esta realidade virtual.

Suas teorias contradizem o discurso da "verdade absoluta" e contribuem para o questionamento da situação de dominação imposta pelos complexos e contemporâneos sistemas de signos. Os impactos do desenvolvimento da tecnologia e a abstração das representações dos discursos são outros fenômenos que servem de objecto para os seus estudos.[1] Sua postura profética e apocalíptica é fundamentada através de teorias irônicas que têm como objectivo o desenvolvimento de hipóteses e polêmicas sobre questões actuais e que refletem sobre a definição do papel que o homem ocupa neste ambiente.

Para Baudrillard, o sistema tecnológico desenvolvido deve estar inserido num plano capaz de suportar esta expansão contínua. Ressalta que as redes geram uma quantidade de informações que ultrapassam limites a ponto de influenciar na definição da massa crítica. Todo o ambiente está contaminado pela intoxicação midiática que sustenta este sistema. A dependência deste “feudalismo tecnológico” faz-se necessária para que a relação com dinheiro, os produtos e as ideias se estabeleça de forma plena. Esta é a servidão voluntária resultante de um sistema que se movimenta num processo espiral contínuo de auto-sustentação.[3]

A interactividade permite a integração de elementos que antes se encontravam separados. Este fenómeno cria distúrbios na percepção da distância e na definição de um juízo de valor. As partes envolvidas encontram-se tão ligadas que inibem a representação das diferenças transmitida por elas. A máquina representa o homem que se torna um elemento virtual deste sistema. As representações são simuladas num ambiente de redes que fornecem uma ilusão de informações e descobertas. Tudo é previamente estabelecido: “O sistema gira deste modo, sem fim e sem finalidade”, diz o autor. Devido à sociedade tecnocrática e ao poder dominador dos meios de comunicação, a vida humana acaba se tornando uma "realidade virtual".

Como poeta e fotógrafo, desenvolveu, em paralelo ao seu trabalho teórico, intensa atividade artística, com inúmeras exposições pela França e pelo mundo.

Baudrillard consolidou a fama em 1991, com a provocação de que a Guerra do Golfo "não ocorreu", argumentando que nenhum lado poderia cantar vitória e que o conflito não alterou nada no Iraque.[3] Dez anos depois, no ensaio "O Espírito do Terrorismo", voltou a causar controvérsia, ao descrever os ataques de 11 de Setembro de 2001 nos E.U.A. como expressão da "globalização triunfante combatendo a si mesma". Sobre o episódio, escreveu no ano seguinte Réquiem para as Torres Gémeas.[1]

A imagem fotográfica afasta ou atrai a população da realidade? A questão foi levantada por Baudrillard em São Paulo, em 2000, num seminário sobre imagem e violência.

Baudrillard foi uma fonte de inspiração das irmãs Wachowski na trilogia de Matrix. O personagem hacker Neo (Keanu Reeves) guardava seus programas de paraísos artificiais no fundo falso do livro Simulacros e Simulação, de Baudrillard. O filósofo dizia não gostar do filme, considerando Matrix como uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade. "Os diretores se basearam em meu livro, mas não o entenderam", disse o filósofo certa vez.[1]

Faleceu em 2007, aos 77 anos de idade.[1]

Principais obrasEditar

  • O sistema dos objetos. (1968).
  • A Sociedade de Consumo. Lisboa, Edições 70 (1970).
  • Espelho da Produção. (1973)
  • O efeito Beaubourg: implosão e dissuasão (1977)
  • A L'Ombre des majorités silencieuses ou la fin du social; L' extase du socialisme. Éditions Denöel/Gonthier, (1978). Em português: À sombra das maiorias silenciosas, o fim do social e o surgimento das massas. São Paulo, Brasiliense, (1985).
  • Simulacres et simulation. Paris, Éditions Galilée (1981). Em português: Simulacros e Simulação. Lisboa, Relógio d'Água, (1991).
  • Les Stratégies Fatales. Paris, Grasset & Fasquelle, (1983). Em Português: As Estratégias Fatais. Lisboa, Estampa, (1990). Edição no Brasil, Rio de Janeiro, Rocco, (1996).
  • Esquecer Foucault. Rio de Janeiro, Rocco, (1984).
  • Partidos Comunistas: paraísos artificiais da política. Rio de Janeiro, Rocco, (1985).
  • América. Rio de Janeiro, Rocco, (1985).
  • A Transparência do Mal: Ensaio sobre os fenômenos Extremos. Campinas, Papirus, (1990).
  • Da Sedução. Campinas, Papirus, (1991).
  • Cool Memories. Rio de Janeiro, Espaço e Tempo (1992).
  • Moralités postmodernes. Paris, Galillé, (1993). Em português: Moralidades pós-modernas. Campina-SP, Papirus, (1996).
  • Para uma crítica da economia política do signo. Lisboa, Edições 70, (1995).
  • Cool Memories II. São Paulo, Estação Liberdade, (1995).
  • Tela Total: mito-ironias do virtual e da imagem, Porto Alegre, Sulina, (1997).
  • O Paroxista indiferente. Rio de Janeiro, Pazulin, (1999).
  • A troca impossível (1999)
  • O lúdico e o policial (2000)
  • Cool Memories III. São Paulo, Estação Liberdade, (2000).
  • A Ilusão vital. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, (2001).
  • Power Inferno ; Requiem pour les Twins Towers ; Hypothèse sur le terrorisme ; La violence du Mondial, éditions Galilée, (2002) - Em português: Power Inferno; Réquiem para as Twins Towers ; Hipóteses sobre o terrorismo ; A violência do global Porto Alegre, Sulina, (2003).
  • De um Fragmento ao Outro, São Paulo, Zouk, (2003).
  • L’Ange de Stuc - O anjo de estuque; poesia e fotografia Edição bilíngue - Porto Alegre, Sulina, (2004).

EntrevistasEditar

Referências

  1. a b c d e «Morre o filósofo Jean Baudrillard». O Globo. Globo.com. Consultado em 27 de julho de 2012 
  2. Francois L'Yvonnet, ed., Cahiers de l'Herne special volume on Baudrillard, Editions de l'Herne, 2004, p.317
  3. a b c d «Jean Baudrillard - Biografia». UOL - Educação. Consultado em 27 de julho de 2012 

Ligações externasEditar