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Jeronymo Ribeiro

Jerônymo Ribeiro (Lamas, Penela, 17 de março de 1854Cachoeiro de Itapemirim, 5 de outubro de 1926) foi um importante educador português e divulgador da Doutrina Espírita no Brasil.

BiografiaEditar

Jerônimo Ribeiro (Jerônymo Ribeiro) casou-se dia 30 de abril de 1877 com Maria Rosa da Conceição Oliveira, natural de Podentes, concelho de Penela, nascida em 13 de abril de 1860. Emigraram para o Brasil antes de 1888.

Jeronymo e esposa fixaram-se em São Paulo e progrediram a ponto de possuírem um armazém de produtos alimentícios, azeites e vinhos, etc. No dia 15 de setembro de 1888 nasceu-lhes a filha Alice.

Em 1904, D.Maria Rosa e a filha Alice transferem-se para Coimbra por motivo de doença grave. Em 1905, a filha Alice casa-se, contra a vontade do pai, com o Sr. José Maria Barbosa Tamagnini de Matos Encarnação. Por este motivo, rompe-se o relacionamento entre o pai e a família, que daí para frente só se comunicariam através de cartas.

Em 1900 contata Anália Franco que desenvolvia um trabalho missionário. Esta criaria em 1901 a Associação Feminina Beneficente e Instrutiva do Estado de São Paulo, para o amparo de crianças carentes. O trabalho da missionária influenciaria daí em diante a vida de Jeronymo Ribeiro.

Colaborou intensamente com o trabalho de Anália Franco reforçando os ideais de caridade, abnegação e compaixão pelos necessitados. Médium de grandes qualidades, muito contribuiu para a divulgação do Espiritismo, através da audição mediúnica e da psicografia.

Muito viajou por São Paulo e Rio de Janeiro através do Vale do Paraíba, motivado pela venda de revistas espíritas e angariar donativos para o amparo de doentes mentais, velhos e crianças. De trem chega ao Espírito Santo, Vitória, de onde realizaria incursões a Minas Gerais, Juiz de Fora, e a Pernambuco. Todos os recursos angariados eram destinados ao auxílio dos mais carentes, sem contudo deixar de fora a iluminação dos mesmos pelo esclarecimento espírita através das obras de Allan Kardec.

Por volta do ano de 1912, seguindo orientações espirituais em reuniões dirigidas por Cairbar Schutel, se instala na cidade de Cachoeiro de Itapemirim. Recebido por Pedro da Rocha Costa, é apresentado ao grupo de companheiros que havia formado o Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade que não possuía sede própria, e no dia 13 de abril de 1913 é eleito presidente da entidade.

Com apoios da diretoria, renomeia a entidade para Associação Espírita Beneficente e Instrutiva, seguindo a linha do trabalho desenvolvido por Anália Franco. Para espanto de todos, com o seu dinamismo e dedicação, inicia a campanha pela construção de uma sede própria, que é inaugurada em 14 de julho de 1913.

Mantém a partir daí um albergue noturno para viajantes que funcionava nos fundos da entidade, além das reuniões mediúnicas, doutrinárias e outras tarefas de caridade. Implanta em 1916 a Liga Brasileira Contra o Analfabetismo e mais tarde a Liga Espírito-Santense, visando combater esta deficiência junto a adultos e crianças. A prefeitura chega a destinar posteriormente verbas mensais para o sustento do trabalho, uma vez que este era prestado gratuitamente à população.

Ainda no ano de 1916 funda o jornal espírita Alpha, que no ano de 1923 é aprimorado para o formato de revista, sendo esta a primeira publicação de cunho espírita do estado.

Em 1918 fundou o Asilo Deus, Cristo e Caridade para abrigar, órfãos, velhos e doentes mentais no Sítio Santa Fé, redondeza de Amarelos, a quatro quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim.

Em lombo de mula e às vezes a pé, descalço para não gastar os sapatos, viajava pelas montanhas das redondezas buscando recursos para amparar a obra já em funcionamento, dedicando-se a serviços manuais de cantaria, carpintaria e qualquer outro que pudesse render donativos para a entidade beneficente.

Como reconhecimento pelo trabalho pioneiro, o então governador do estado Nestor Gomes solicitou ao "Seu Jerônymo", como era chamado, que recebesse doentes mentais de todo o estado, por não haver nenhuma instituição no Espírito Santo para assumir a responsabilidade. Para tal, passa a receber verbas estaduais para a manutenção da obra.

Em 1922 com a permissão da prefeitura, constrói um cemitério anexo ao asilo, para que fossem enterrados os pacientes que faleciam nas dependências do mesmo, uma vez que o número de atendidos ultrapassava 80 só entre doentes mentais, fora idosos e crianças.

Por trabalhar na cura de enfermos, sofria perseguição da classe médica. Na época os preconceitos religiosos também geraram acusações. Todas estas dificuldades foram vencidas com muito esforço, abnegação, e por fim, com o reconhecimento, por parte da sociedade e das entidades governamentais, dos fins de "utilidade pública" do trabalho. Os resultados da dedicação, com índices de cura ultrapassando 40%, tornaram incontestável a seriedade do empreendimento.

Juntamente com Pedro da Rocha Costa (Vovô Pedrinho), foi reconhecido por toda a comunidade como apóstolo do bem, legando a posteridade o exemplo do trabalho pregado e praticado nos modelos de Jesus Cristo.

Uma vez declarou: "…Eu, nada quero da terra, a não ser o amor do meu próximo, o carinhoso conforto aos que sofrem!!! Os que sofrem com paciência e resignação, são meus companheiros, são o meu próximo. Eu vivo exclusivamente para estes! Custe o que custar, seguirei a Jesus, sejam quais forem as barreiras…"

Jerônimo Ribeiro, desencarnou a 5 de outubro de 1926, em Cachoeiro de Itapemirim, aos 72 anos de idade.

BibliografiaEditar

  • Palhano Jr., Lamartine, "Dossiê Jeronymo Ribeiro", 298 págs, FESPE, 1993