João Carlos, Príncipe da Beira

aristocrata brasileiro

João Carlos Pedro Leopoldo Borromeu Francisco Xavier de Paula Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança[2] (Rio de Janeiro, 6 de março de 1821 - Rio de Janeiro, 4 de fevereiro de 1822) foi o terceiro filho do então Príncipe Regente do Brasil, D. Pedro de Alcântara, herdeiro da coroa portuguesa, depois Imperador do Brasil como D. Pedro I, e Rei de Portugal e Algarves como D. Pedro IV, e de sua primeira esposa Maria Leopoldina da Áustria.

João Carlos
Príncipe da Beira
Príncipe da Beira
Período 6 de março de 1821 - 4 de fevereiro de 1822
Antecessor(a) D. Miguel
Sucessor(a) D.ª Maria da Glória
 
Nascimento 6 de março de 1821
  Paço de São Cristóvão, Rio de Janeiro, Brasil
Morte 4 de fevereiro de 1822 (0 ano)
  Rio de Janeiro, Brasil
Sepultado em Convento de Santo Antônio, Rio de Janeiro
Nome completo  
João Carlos Pedro Leopoldo Borromeu Francisco Xavier de Paula Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Habsburgo-Lorena[1]
Casa Bragança
Pai Pedro I do Brasil & IV de Portugal
Mãe Maria Leopoldina da Áustria
Brasão

BiografiaEditar

João Carlos nasceu em 6 de março de 1821 no Paço de São Cristóvão, sendo o primeiro varão do herdeiro da Coroa portuguesa, recebeu o título de Príncipe da Beira que até aí pertencia à sua irmã mais velha, D.ª Maria da Glória. Por sua morte, com pouco menos de um ano, retomou o título de Princesa da Beira a sua irmã, que viria a tornar-se a Rainha D.ª Maria II de Portugal. Sua morte não pode ser atribuída à maldição dos Braganças, pois seu irmão mais velho, D. Miguel de Bragança, Infante de Portugal, considerado por muitos autores como Príncipe da Beira (nascido e morto a 24 de abril de 1820, ao morrer carregou consigo o castigo associado à Maldição dos Bragança.

Pelo seu pai, o Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, D. Pedro de Alcântara, era membro da Casa de Bragança e seu nome era precedido pelo honorífico "Dom" ("Senhor" ou "Lorde") desde o nascimento. Era neto do rei português João VI. Sua mãe era a arquiduquesa Maria Leopoldina da Áustria, filha de Francisco II, último monarca do Sacro Império Romano-Germânico. Por sua mãe, João Carlos era sobrinho de Napoleão Bonaparte e primo dos imperadores Francisco José I da Áustria e Maximiliano do México.

D.ª Leopoldina, grávida de D.ª Januária (que nasceu em 11 de março de 1822) e acompanhada dos dois filhos (a infanta D.ª Maria da Gloria e o Príncipe da Beira D. João Carlos), teve que abandonar rapidamente a cidade com destino à Fazenda Real de Santa Cruz para se protegerem da sanha do General Jorge Avilez, Comandante das tropas portuguesas acantonadas no Rio de Janeiro, para que o D. Pedro, na altura Príncipe Real Regente do Reino do Brasil, retornasse a Lisboa. Este acto veio a dar origem ao chamado Dia do Fico, de 9 de janeiro de 1822 [3] e D.ª Leopoldina nunca perdoou ao general português, pois por causa dessa fuga veio a falecer no dia 4 de fevereiro de 1822, o pequenino Príncipe da Beira, D. João Carlos, nascido a 6 de março de 1821, portanto com 11 meses e dois dias.  

Em uma carta Dona Leopoldina relatou ao seu pai, o Imperador Francisco I a causa da morte de seu neto:

“Morreu-me o meu filho de uma espécie de mal curada inflamação do fígado, em convulsões durante 28 horas. Tudo isto motivado por nossa forçada fuga para Santa Cruz, distante 12 milhas. A pobre criança sofreu horrivelmente de um calor de 98º graus (36ºC), de modo que se pode atribuir a isto a prematura morte. Não lhe posso esconder a minha dor, somente a religião, a firme confiança no Altíssimo, que tudo faz para o bem dos homens, me dão alguma resignação e sossego, mas é preciso tempo. Como vai acabar isto, só Deus o sabe, nós ficamos aqui, não há mais dúvida alguma, e parece-me que para sempre…”

Dom Pedro igualmente comunicou ao Rei Dom João VI a causa da morte de seu neto:

“Meu pai e meu senhor. Tomo a pena dar a Vossa Majestade a mais triste notícia do sucesso que tem dilacerado o meu coração. O príncipe D. João Calos, meu filho muito amado, já não existe.

Uma violenta constipação cortou o fio de seus dias. Este infortúnio é o fruto da insubordinação e dos crimes da divisão portuguesa. O príncipe já estava incomodado quando esta soldadesca rebelde tomou as armas contra os cidadãos pacíficos desta cidade; a prudência exigiu que eu fizesse partir imediatamente a princesa e as crianças para a fazenda de Santa Cruz, a fim de as pôr ao abrigo dos sucessos funestos de que esta capital podia vir a ser o teatro. Esta viagem violenta, sem as comodidades necessárias, o tempo que era úmido, depois de grande calor do dia, tudo enfim se reuniu para alterar a saúde do meu caro filho, e seguiu-se-lhe a morte.

A divisão auxiliadora, pois, foi a que assassinou o meu filho e neto da Vossa Majestade. Em consequência, é contra ela que levanto minha voz. Ela é responsável na presença de Deus e ante Vossa Majestade deste sucesso, que tanto me tem aflito, e que igualmente afligirá o coração de Vossa Majestade.”

Foi sepultado no mausoléu do Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro.[4]

TítuloEditar

  • 6 de março de 1821 – 4 de fevereiro de 1822: Sua Alteza Real, o Príncipe da Beira

Precedido por
D. Miguel
Príncipe da Beira
1821 - 1822
Sucedido por
D. Maria da Glória

Ligações externasEditar

ReferênciasEditar

  1. https://www.genealogics.org/getperson.php?personID=I00025371&tree=LEO
  2. «Joao, Prince of Beira, Infant of Portugal : Genealogics». www.genealogics.org. Consultado em 12 de outubro de 2021 
  3. Kaiser, Glória, Dona Leopoldina, Editora Nova Fronteira, 1997
  4. «PRÍNCIPE JOÃO CARLOS PEDRO LEOPOLDO BORROMEU DE BRAGANÇA». CANAL APAIXONADOS POR HSTÓRIA. 29 de julho de 2020. Consultado em 12 de outubro de 2021 

BibliografiaEditar

  • Kaiser, Gloria - Dona Leopoldina, Editora Nova Fronteira, 1997


  Este artigo sobre uma pessoa é um esboço relacionado ao Projeto Biografias. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.