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João Gomes de Oliveira Guimarães

João Gomes de Oliveira Guimarães (Mascotelos, 29 de Dezembro de 1853Tagilde, 20 de Abril de 1912), mais conhecido por abade de Tagilde, foi um sacerdote católico, político e historiador português. Foi um dos pioneiros em Portugal dos estudos de história local e um dos principais especialistas portugueses em diplomática e epigrafia. Foi candidato a deputado, presidente da Câmara Municipal de Guimarães e regedor da Paróquia de São Salvador de Tagilde. Foi organizador da colectânea de documentos históricos Vimaranis Monumenta Historica e sócio distinto da Sociedade Martins Sarmento.

BiografiaEditar

Nasceu na casa dos Abreus, em Bugalhós de Baixo, freguesia de São Vicente de Mascotelos, filho de Jacinto Gomes de Oliveira e de sua esposa Maria Alves de Abreu Pereira, proprietários abastados. Depois de concluir os seus estudos primários na sua terra natal, matriculou-se no Liceu de Coimbra, transferindo-se em 1867 para o Liceu de Braga, onde a sua origem rural, ao tempo uma raridade entre as elites que frequentavam o ensino liceal, lhe granjeou a alcunha de o Santo Amaro, referência à sua terra de origem.[1]

Excelente aluno, terminou o curso liceal em 1872 e inscreveu no ano imediato no curso de Teologia do Seminário de Braga. Concluiu os estudos teológicos em 1875 e no ano seguinte foi ordenado presbítero. Ao longo da década imediata, essencialmente como autodidacta, dedicou-se ao estudo da História, o que o obrigou a adquirir conhecimentos nas áreas da paleografia, da diplomática e da epigrafia, técnicas que considerava imprescindíveis na investigação histórica. Nesta época ligou-se ao grupo que gravitava em torno de Francisco Martins Sarmento e, logo depois da sua fundação, da Sociedade Martins Sarmento.

Depois de ter sido candidato a deputado, foi eleito presidente da Câmara Municipal de Guimarães. Em 1877 foi nomeado pároco de São Salvador de Tagilde, paróquia onde permaneceria até à sua morte em 20 de Abril de 1912.[1] Esta longa permanência naquela localidade, aliada a ter-se tornado uma figura pública, levou a que ficasse conhecido por abade de Tagilde, título com o qual assinou muitos dos seus escritos.

Obras publicadasEditar

Ao longo de cerca de 30 anos de activa colaboração, o Abade de Tagilde publicou cerca de 1500 páginas em artigos na Revista de Guimarães, a maior parte da série Apontamentos para a História de Guimarães, abordando aspectos da história da cidade de Guimarães. Iniciou a produção de monografias sobre história local das freguesias do concelho de Guimarães, mas publicou apenas a referente a Tagilde. Desse projecto resultou um vasto conjunto de documentos referente às origens e à história das freguesias de Guimarães, actualmente à guarda da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento. Publicou as seguintes monografias[2]:

  • Guimarães e Santo António (1895);
  • Guimarães e Santa Maria: História do culto de Nossa Senhora do Concelho de Guimarães (1904);
  • Monografia de Tagilde;
  • Apontamentos para a história do Concelho de Guimarães (1902);
  • Vimaranis Monumenta Historica (1908, 2 vols);
  • Vimaranis Monumenta Historica a saeculo nono (1929; póstumo).

Notas

Ligações externasEditar