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João Gonçalves do Nascimento

João Gonçalves do Nascimento
Nascimento 1844
Morte 21 de dezembro de 1916 (72 anos)

João Gonçalves do Nascimento (??, 1844 - Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1916) foi um médium espírita brasileiro. Foi, ao mesmo tempo, médium receitista, sonâmbulo, psicógrafo e vidente.

BiografiaEditar

Despachante da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro, a autoria de suas curas era atribuída ao espírito do Dr. Dias da Cruz, professor da Faculdade de Medicina, falecido na década de 1870. Os feitos do médium causaram tamanho impacto que o próprio filho de Dias da Cruz, o médico homeopata Francisco de Menezes Dias da Cruz, converteu-se ao espiritismo.[1]

Integrou a Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade e liderou a dissidência que conduziu à fundação, de acordo com a tradição sob a orientação do próprio espírito Ismael, do Grupo Espírita Fraternidade, que presidiu.

Ali respondeu pelo setor de atendimento aos doentes. Entre os que atendeu, um dos nomes mais famosos talvez tenha sido o médico e político Dr. Adolfo Bezerra de Menezes. Por volta de 1882, Bezerra de Menezes, já figura pública destacada, procurou o médium devido a uma dispepsia que havia cinco anos o incomodava, não obstante haver recorrido aos seus mais destacados colegas médicos. Nas suas próprias palavras, mais tarde:

"Eu não acreditava nem deixava de acreditar na medicina medianímica, e confesso que propendia mais para a crença de que o tal médium era um especulador".

Servindo-se de um amigo de confiança, e em circunstâncias que não permitiam fraude, Bezerra de Menezes obteve a receita solicitada, acompanhada de uma descrição do seu mal e das causas determinantes. Surpreso, seguiu o tratamento prescrito, obtendo a cura no curto espaço de três meses. E afirmaria:

"Nada me impressionou mais do que ver um homem, sem conhecimentos médicos, com proficiência anatômica e fisiológica, sem claudicar, como bem poucos médicos o podem fazer."

Posteriormente, o médium atendeu a segunda esposa de Bezerra de Menezes, incorretamente diagnosticada como portadora de tuberculose pelos médicos à época, também vindo a obter a sua cura.[2]

Quando da fundação da Federação Espírita Brasileira, João Gonçalves do Nascimento ali colaborou, como médium receitista, sonâmbulo, psicógrafo e vidente

Anos mais tarde transferiu residência para o bairro do Engenho Novo, onde continuou a receber doentes em quantidade, repercutindo por todo o país os diagnósticos e as curas obtidas por seu intermédio. Moléstias tidas como incuráveis desapareciam em apenas alguns dias de tratamento mediúnico, levando um sem número de atendidos a estudarem o Espiritismo e a ele aderirem.

Por muitos anos ainda, o médium foi cercado por um sem número de necessitados, de todas as classes sociais, até que, ou desgostoso ante a reiterada perseguição das autoridades sanitárias, que chegaram a processar o seu companheiro Dr. Domingos de Barros Lima Filgueiras, ou tendo sentido que alcançara uma idade que lhe exigia menor atividade, promoveu a compra de uma farmácia que pertencera aos primeiros médicos homeopatas do Brasil, Bento Mure e Vicente Martins, a ela passando a dedicar quase todo o seu tempo. Desde então, até ao seu falecimento, Nascimento passou a atender com menos freqüência aos que o procuravam.

"Rotsen", pseudônimo de destacada figura do movimento espírita na cidade do Rio de Janeiro, que privou da amizade do médium, sendo por ele convertido, testemunhou-lhe no Reformador a obra missionária, afirmando:

"Os seus serviços à causa da propaganda da Doutrina Espírita foram notáveis e reais, e não se lhe pode negar o primeiro e principal papel nesse ramo da mediunidade curadora, assim como o Dr. Joaquim Carlos Travassos o de fundador do primeiro Grupo – Confúcio – e o de primeiro tradutor para a língua vernácula das obras de Allan Kardec, e a Augusto Elias da Silva o de primeiro fundador de uma Federação Espírita, a Brasileira, e do seu órgão – Reformador."

Referências

  1. GIUMBELLI, Emerson. "Kardec nos Trópicos". in Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 3, nº 33, junho de 2008, p. 14-19.
  2. SOARES, Sylvio Brito. “Vida e Obra de Bezerra de Menezes.” Rio de Janeiro: FEB, 1963. 152p. il. p. 53-61.

BibliografiaEditar

  • WANTUIL, Zêus. Grandes Espíritas do Brasil.

Ver tambémEditar