João Luís de Orleães-Longueville

João Luís de Orleães, Duque de Longueville (em francês: Jean Louis Charles d'Orléans, duc de Longueville); 12 de janeiro de 16461694) foi um nobre francês pertencente à Casa Orleães-Longueville, ramo bastardo da Casa de Valois-Orleães.

João Luís de Orleães-Longueville
Retrato de João Luís de Orleães-Longueville
Duque de Longueville
Duque de Estouteville
Príncipe Soberano de Neuchâtel
Reinado 1672 – 1694
Predecessor Carlos Paris
Sucessor Maria Ana
Regente (1) Ana Genoveva de Bourbon
(2) Maria de Nemours
(3) Luís II de Bourbon-Condé
 
Casa Orleães-Longueville
Nome completo Jean Louis Charles d’Orléans, Duc de Longueville
Nascimento 12 de janeiro de 1646
Morte 1694 (48 anos)
Pai Henrique II de Orleães-Longueville
Mãe Ana Genoveva de Bourbon
Brasão

Foi Duque de Longueville, Estouteville, Príncipe de Châtellaillon, de Orange e de Valangin, Conde de Saint-Pol e de Tancarville. Foi também príncipe soberano de Neuchâtel e par de França. É um dos casos históricos de incapacidade legal por causa de demência.

BiografiaEditar

João Luís era o filho mais velho de Henrique II de Orleães-Longueville (1595-1663) e de Ana Genoveva de Bourbon, Mademoiselle de Condé (1619-1679). Ana Genoveva era uma princesa do ramo Bourbon-Condé, filha de Henrique II, Príncipe de Condé.

Em 1668, João Luís redige um Testamento ológrafo pelo qual faz de seu irmão mais novo Carlos Paris (1649-1672) e dos seus eventuais descendentes, seus herdeiros universais. No entanto, fora antes definido que a sua mãe, Madame de Longueville, deveria após a morte do duque, assegurar a sucessão aos primos maternos, os Príncipes de Conti, nomeadamente a Francisco Luís, chamado de o Grande Conti (1664-1709)[1].

Em 1669, foi ordenado sacerdote e, a partir dessa data, passa a ser chamado o Abade de Orleães. Quando viajava em Itália, a sua saúde mental dá sinais de grandes alterações, ao ponto de, em 1690, ele ter feito a doação dos seus últimos bens ao irmão (que falecera há mais de 18 anos!). Seis meses mais tarde, os seus familiares obtêm o reconhecimento da sua incapacidade legal como « insano » e por lettre de cachet[2] é encerrado num mosteiro onde vem a falecer em 1694.

Entretanto, em 1672, ele foi proclamado Príncipe de Neuchâtel, após a morte do irmão, deixando a regência entregue a sua mãe e, depois, à sua meia-irmã mais velha Maria Ana de Orleães e, por fim, ao Príncipe de Condé. À sua morte, segue-se uma crise sucessória qui só é ultrapassada a 10 de janeiro de 1696 com a proclamação de Maria Ana como princesa de Neuchâtel (ela herdara anteriormente os Condados de Saint-Pol, de Tancarville de Dunois, bem como o Ducado de Estouteville).

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

FontesEditar

  • (em francês) Geoffroy-Poisson, Simone - Entre philosophie et droit : le principe de la liberté de tester. Le testament olographe sous l’Ancien Régime in Revue de la B.P.C., 2003, http://www.philosophiedudroit.org/geoffroy,%20liberte%20de%20tester.htm#_ftn34, que cita como principais fontes:
    • (em francês) Denisart, Jean-Baptiste - Collection de décisions notables, Paris, 1771;
    • (em francês) du Fresne, Jamet, de la Gueffière et Nupied - Journal des principales audiences du Parlement avec les arrêts qui y ont été rendus et plusieurs questions et règlements placés selon l’ordre des temps, depuis l’année 1622 à 1701 (tome III), Paris, 1757, volume IV, livro XI, Cap. 1, folhas 611 e seguintes;
    • (em francês) Ricard, Jean-Marie - Traité des donations entre vifs et testamentaires, Paris/Clermont-Ferrand, 1783, Parte I, Cap. 3, secção 3, n° 145 ; Parte III, Cap. 1, n° 30.

ReferênciasEditar

  1. É graças a este testamento que, por vontade de Luís XIV, Francisco Luís, o Grande Conti (1664-1709) é escolhido como Principado de Orange, em março de 1702 após a morte de Guilherme III de Orange-Nassau, e depois dele o filho (Luís Armando II) e o neto (Luís Francisco I), até 1731 (cedência a Luís XV). De facto, João Luís de Longueville descendia dos condes de Neuchâtel da Casa de Bade-Hochberg. Estes, por sua vez, descendiam, por via materna, da Casa de Chalon que tinha como ascendentes os antigos príncipes de Orange. Quanto a Luís XV, ele descendia pelo menos duas vezes dos Orleães-Longueville e, por isso, dos Chalon de Orange, pela sua mãe Maria Adelaide de Saboia.
  2. carta que servia para transmitir uma ordem específica do rei, permitindo por exemplo, o encarceramento sem julgamento, o exílio ou o internamento de pessoas julgadas como indesejaveis pelo poder.