João de São Tomás

João de São Tomás, nascido João Poinsot (Lisboa, 9 de julho de 1589 - Fraga, 17 de junho de 1644) e conhecido na Bélgica por João Peixoto e por todos como Doutor Profundo[1], foi um dominicano, filósofo e teólogo da segunda escolástica seiscentista. Frequentou a Universidade de Coimbra, de onde saiu bacharel. Dedicou boa parte de sua vida à licenciatura nos conventos por onde passou. Também ocupou posição como conselheiro de Estado sob Filipe IV (r. 1621–1665).

João de São Tomás
Nascimento 9 de julho de 1589
Lisboa
Morte 17 de junho de 1644 (54 anos)
Fraga
Progenitores Mãe: Maria Garcês
Pai: Pedro Ponçote
Ocupação dominicano

BiografiaEditar

João nasceu em Lisboa, em 9 de julho de 1589, filho mais novo de Maria Garcês e de de Pedro Poinsot. Sendo sua mãe portuguesa e seu pai flamengo, embora natural de Viena de Áustria[2], que era secretário do Cardeal Alberto, Arquiduque da Áustria e vice-rei de Portugal.

Ele e seu irmão Luís frequentaram a Universidade de Coimbra,[3] onde se formou bacharel em Bíblia em fevereiro de 1608[4] com apenas 16 anos de idade e na qual recebeu o grau de mestre em Artes[2].

Nesse mesmo ano parte com a família para a Bélgica e frequenta a Universidade de Lovaina onde se forma novamente em bacharel. Aí, por influência de seu amigo e professor Tomás de Torres, afeiçoou-se pela Ordem dos Dominicanos. Com uma carta de recomendação dele, desloca-se a Madrid e em 17 de julho de 1609, tomou o hábito no Convento Real de Nossa Senhora de Atocha. Em 1610, substituiu seu nome para São Tomás.[5]

João passou algum tempo no convento seguindo seus estudos em teologia e então lecionou em vários conventos da ordem, que exerceu durante cerca de 17 anos, primeiro em Madrid e depois em Plasencia (sudeste de Espanha)[1]. Em 1630, foi nomeado à cátedra régia de Vésperas da Universidade de Alcalá e em 1633, em Benavente, foi elevado a doutor em teologia.[6] Em outubro de 1641, ocuparia a cátedra de Prima em sucessão de Pedro de Tapia. À época, dedicou boa parte de seu tempo a escrever suas obras filosóficas, teológicas e pastorais, foi comumente consultado para dirimir questões morais, eclesiásticas, espirituais e políticas e até serviu como qualificador e sensor do Tribunal da Inquisição[7] dos Reinos de Castela, e Aragão[2].

Em maio de 1643, se tornou confessor régio de Filipe IV (r. 1621–1665) e conselheiro de Estado. Isso, apesar de ser expressamente contra a sua vontade, esgotados todos os argumentos de rejeição, entre eles a alegação do facto de ser português que era, pois seria má política tê-lo no palácio do Rei de Castela, a braços com a Guerra da Restauração de Portugal[1].

Em 17 de junho de 1644, faleceu em Fraga, Huesca, quando acompanhava o rei em sua campanha contra a Catalunha.[8]

ObrasEditar

Os escritos de João de S. Tomás podem dividir-se em três grupos: filosóficos, teológicos e pastorais[1]. Mas uma das suas facetas é a de semiólogo, que começou a ser desbravada nos anos 60 por Herculano de Carvalho, numa obra que acabaria por ter repercussão e continuidade internacional no trabalho de John Deely[9].

  • Artis Logicae prima Pars de Dialecticis institutionibus, quas Summulas vocant. Compluti. 1631.
  • Artis Logicae secunda Pars in Isagogen Porphirii, Aristotelis Categorias, & Periherminias ac Posteriorum libros. 1632.
  • Naturalis Philosophiae prima pars, quae de natura in communi, e jusque assectionibus disserit. Matriti. 1633.
  • Ejusdem 2. Pars in VIII. Iibros Physicorum. Matriti 1633.
  • Ejusdem 3. Pars quae de Ente mobili corruptibili agit ad libros Aristotelis de ortu, & interitu cum decem tractatibus de Meteoris. 1634.
  • Ejusdem 4. Pars, quae, de Ente mobili animato ad libros Aristotelis de Anima. 1635.

Cursus Philosophicus Thomisticus secundum exactam, veram, et genuinam Aristotelis, et Doctoris Angelici mentem et in diversas partes distributus. 1663.

Cursus Theologici in Primam Partem D. Thomae Tom. 1. scilicet à quaest. 1. usque ad quaest. XV. 1637.

Cursus Theologici in Primam Partem quaest. XV. usque ad XXVII. Tom. II. 1643.

Cursus Theologici Tom. III. à quaest. XXVII. usque ad sinem primae Partis. 1643.

Cursus Theologici in Prim. secund. D. Thomae à quaest. I. usque ad XXI. inclusive Tomus primus. 1645.

Cursus Theologici Tomus II. 1661.

Cursus Theologici in secund. secund. D. Thomae Tomus unicus, hoc est de Fide, Spe, & Charitate; de Homicidio, Religione, Oratione, Voto cum quilousdam expostivis quaestionibus. 1649.

Cursus Theologici Tomus VII. 1663.

Cursus Theologici Tomus VIII. De Sacramentis in genere, de que Venerabili Eucharistiae Sacramento, & de Paenitentia disputationes. 1667.

Speculum sine macula, id est, Tractatus de approbatione, authoritate, & puritate doctrinae D. Thomae Aquinatis. 1658.

Explicaccion de la doctrina Christiana. Valença. 1644. Traduzida na língua Portuguesa Lisboa na Officina Craesbeckiana. 1654.

Practica y consideracion para ayudar a bien morir. 1645.

Breve Tratado y muy importante que por mandado de su Magestad escrevió el Reverendissmo Padre Fr. Juan de Santo Thomaz para saber hazer una confession General. 1644.

Brevis, & expedita methodus sacrae Generalis disponendae peccatorum exhomolegis Philippi IV. Hispaniarum Regis Catholici jussa à Reverendissimo P. Fr. Joanne à S. Thoma edita[2].

Os Dons do Espírito Santo[10]

Referências

BibliografiaEditar

  • Maia, Américo Paulo dos Santos Freitas (2014). A in-Habitação de Deus na Alma em Graça nos Escritos Teológicos de João de São Tomás, O.P. (1589-1644). Roma: Editora Pontifícia da Universidade Gregoriana 
  • Deely, John (1994). «What happened to philosophy between Aquinas and Descartes?». The Thomist. 58 (4): 543–568. Consultado em 17 de junho de 2011 
  • Deely, John (2008). Descartes and Poinsot: The Crossroad of Signs and Ideas. Scranton, PA: University of Scranton Press. ISBN 9781589661745 
  • Deely, John (2009). Augustine and Poinsot: The Protosemiotic Development. Scranton, PA: University of Scranton Press. ISBN 9781589661738 

Ligações externasEditar