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Joaquina de Pompéu
Nascimento Mariana
Cidadania Brasil

Dona Joaquina Bernarda da Silva de Abreu Castelo Branco Souto Mayor de Oliveira Campos, (Mariana, 20 de agosto de 1752 - Pompéu, 1824), foi uma fazendeira e senhora de escravos de Minas Gerais, Brasil.

Assim como Dona Beja e Chica da Silva, Joaquina tornou-se uma personalidade da cultura popular, pois fatos reais de sua vida misturam-se a lendas, recriando uma imagem controversa. Mas sem duvidas ela foi uma das mulheres mais influentes do século XVIII e XIX. Ficou conhecida por alguns como Joaquina do Pompéu, Soberana do Oeste Mineiro, Baronesa do gado, Sinhá Braba, Grande Dama do Sertão, "Heroína Mineira da Independência do Brasil" dentre outros títulos, conhecidos pela cultura oral. Sua fama perdura, sustentada pela larga gama seus descendentes.

Índice

Origem da família Abreu Castelo BrancoEditar

Dona Joaquina era filha do Padre Jorge de Abreu Castelo Branco, advogado, formado na Universidade de Coimbra e de Dona Jacinta Teresa da Silva, nascida na Ilha do Faial.

Estudos publicados por Deusdedit Campos demonstraram que a família Abreu Castelo Branco é uma antiga família portuguesa. O pai de Dona Joaquina era filho de José Rabello Castelo Branco e de Isabel Maria Guedes. Por parte de mãe, era neto de Dona Damiana Josefina Margarida de São José casada com Don Pacheco Ribeiro, filho de Ana Angelica e Bernado de Viana do Castelo.[1]

CasamentoEditar

Precocemente demonstrou ter uma personalidade independente. Aos 11 anos era prometida do comerciante Manuel de Souza e Oliveira, mas se recusou a brindar com o noivo. Aproximou-se do capitão-mor Inácio de Oliveira Campos e declarou que era ele o seu escolhido. A vontade da moça sobressai e eles se casam em 20 de Agosto de 1764. Joaquina contava com apenas 12 anos e o Capitão com trinta anos. Do casamento teve 10 filhos.

  • Anna Jacinta de Oliveira Campos
  • Felix de Oliveira Campos
  • Maria Joaquina de Oliveira Campos
  • Jorge de Oliveira Campos
  • Joaquina de Oliveira Campos
  • Isabel Jacinta de Oliveira Campos
  • Inácio de Oliveira Campos
  • Anna Joaquina de Oliveira Campos
  • Antônia Jacinta de Oliveira Campos
  • Joaquim Antônio de Oliveira Campos

Inicialmente, o casal residiu em Pitangui, depois construiu um sobrado na terra adquirida por eles em Pompéu. Nesse D. Joaquina se tornou uma fazendeira próspera e rica, com grande prestigio social, mostrando-se superior ao marido na administração da fazenda, já que Inácio, acostumado à vida nômade, não tinha como se dedicar integralmente. Ele era capitão das ordenanças, por isso era a sua responsabilidade de manter a ordem nas vilas e capturar fugitivos da lei. O que exigia muitas viagens.

Vale apenas ressaltar que o Capitão mor Inácio de Oliveira Campos pertencia a um clã de bandeirantes paulistas. Era filho de Inácio de Oliveira e Ana Campos Monteiro.  Seu avô, Antônio Rodrigues Velho, foi um importante desbravador e fundador de Pitangui, onde exerceu a função de juiz ordinário.

PioneirismoEditar

Numa sociedade patriarcal era difícil para uma mulher acender profissionalmente . Elas eram consideradas incapazes de assumirem o controle comercial e político, pois na aristocracia brasileira, estas eram atribuições dos senhores da época.  

O trecho publicado pelo livro Nosso Seculo reforça esta ideia. A família patriarcal era o mundo do homem por excelência. Crianças  e mulheres não passavam de seres insignificantes e amedrontados, cuja maior aspiração eram as boas graças do patriarca. A situação de mando masculino era de tal natureza que os varões não reconheciam sequer a autoridade religiosa dos padres. Assistiam à missa, sem a menor manifestação daquela humildade cristã do crente (própria, aliás, das mulheres), assumindo ares de proprietário da capela, protetor da religião, bom contribuinte da igreja [2] .

No entanto Joaquina se impôs e se igualou a figura masculina implantando o seu matriarcado. Tornou-se uma mulher de negócio.  Aumentou consideravelmente o patrimônio da família e ganhou prestigio junto as importantes figuras políticas da época.  Era sempre lembrada pelas autoridades regionais que a pediam auxílios em momentos difíceis. Joaquina estava sempre pronta a atender os apelos.  Ajudou cientistas estrangeiros que esteve no Brasil a serviço do rei,  alimentou os encarcerados, socorreu os famintos e hospedou viajantes em seu sobrado.

Segundo Agripa Vasconcelos, Pompéu foi um importante núcleo da civilização agrária das Gerais de onde partiam tropas carregando gêneros alimentícios para diversas localidades de Minas. Principalmente em Vila Rica d'Ouro Preto, onde mandava boiada para vender carne barata durante a fome que atingiu a capital da Capitania de Minas Gerais em 1786.[3]

Conforme mostrado por Campos. A gestão de tão imenso território exigia valentia. Joaquina precisava desloca-se constantemente para tratar de seus negócios, porém as estradas eram assobradas por assaltantes que matavam qualquer viajante desprevenido. Assim em 1799, foi lhe concedido o direito de portar pistolas e outras armas para a sua defesa[1].

Influência na CorteEditar

Um fato que marcou a vida de Dona Joaquina foi a mudança da corte portuguesa para o Brasil. A família real fugia das tropas de Napoleão, que invadiu Portugal, por isso os nobres tiveram que atravessar o oceano às pressas. Na ocasião do desembarque, o Rio de Janeiro encontrava-se despreparado para receber mais de 15 000 pessoas vindas de Portugal. Em 20 dias esgotaram-se todas as reservas alimentícias. O Vice-Rei do Brasil então pediu auxílio ao governador de Minas Gerais que, sem dinheiro e receoso de que os mineiros desconfiados não mandassem mercadoria a crédito, se lembrou de Dona Joaquina. A fazendeira atendeu o pedido, mandou suprimento e dinheiro. Assim D. Joaquina obteve fama. Durante anos a fazendeira sustentou a nova capital do Reino do Brasil. Qualquer pedido que ela fizesse ao Regente era atendida imediatamente.

De acordo com Agripa Vasconcelos, tamanha era a sua influência que ela obteve do rei Carta Branca. O que dava a ela total liberdade de ação, sendo imune a censura, processo e penas.[3]

Dona Joaquina manteve uma amizade duradoura e fiel com a Casa Real Brasileira, até mesmo em uma grande crise, que culminou com a Independencia do país. Ela esteve pronta a auxiliar a monarquia, oferecendo abrigo para os soldados e doações para patrocinar a campanha.

HerançaEditar

Quando morreu deixou em seu testamento "11 fazendas, 40 mil cabeças de gado, centenas de escravos, baixelas de prata, bandejas, barras de ouro e outros tesouros".[4]Além de uma imensa área territorial de 48.400km2 que hoje abrange as cidades de Abaeté, Dores do Indaiá, Bom Despacho, Pitangui, Pompéu, Pequi, Papagaios, Maravilhas e Martinho Campos. Segundo Vasconcelos as áreas somadas eram maiores do que a Bélgica, Suíça, Holanda, Dinamarca e El Salvador. Sua fortuna hoje seria de aproximadamente 2 bilhões de reais.

Descendentes de Dona JoaquinaEditar

Pela importância, influência e contribuição ao país. A família de Dona Joaquina pode ser comparada a família de Médici da Italia. Vários políticos importantes, juristas e outras autoridades de Minas Gerais e de todo o Brasil são seus descendentes (CAMPOS 2003):

Homenagem à matriarcaEditar

Inaugurado no dia 20 de agosto de 2011 na cidade de Pompéu, o Centro Cultural Dona Joaquina do Pompéu resgata a história de uma das mulheres mais empreendedoras do Brasil no século XIX, matriarca de toda a uma região de Minas Gerais.[5]

O complexo arquitetônico é composto por quatro espaços: Casarão, Anexo Administrativo, Anfiteatro e Espaço Cultural. O Casarão, espaço de maior destaque, é uma réplica do Solar do Laranjo, obra construída em 1871, por Antônio Cândido de Campos Cordeiro, bisneto de Dona Joaquina às margens do Rio Paraopeba (área atualmente inundada pelo lago da hidrelétrica Retiro de Baixo). Com dois pavimentos, abriga o Museu da Cidade de Pompéu. O Museu conta ainda, com rico acervo fotográfico e coloca a disposição dos visitantes livros que documentam toda a genealogia do casal do Pompéu, mostrando os mais de 80.000 descendentes. Dois quadros da famosa artista plástica mineira Iara Tupinambá compõem a galeria do Museu. O pavimento térreo é destinado a exposições itinerantes e do artesanato de Pompéu, conhecido em toda a região por sua diversidade e qualidade. O Centro Cultural Dona Joaquina do Pompéu, uma das melhores opções de Turismo Histórico e Cultural da cidade de Pompéu, tem total acessibilidade (elevadores para idosos e deficientes), guia interno e acesso gratuito, e está aberto para visitação pública.

Referências

  1. a b CAMPOS, Deusdedit Pinto Ribeiro de. Dona Joaquina do Pompéu: Sua história e sua gente. Belo Horizonte: Roma, 2003.
  2. Nosso Século (1980). Sociedade Patriarcal. São Paulo: Abril Cultura. 96 páginas 
  3. a b VASCONCELOS, Agripa. Sinhá Braba - Dona Joaquina do Pompéu. Editora Itatiaia, 1966.
  4. NORONHA,Gilberto Cézar de. As Duas Faces da Matriarca. Revita de história da Biblioteca Nacional.14 de julho de 2008.
  5. «Centro Cultural Dona Joaquina». camaramunicipaldepompeu.mg.gov.br. Consultado em 10 de julho de 2015. Arquivado do original em 26 de junho de 2015 

BibliografiaEditar

  • Pompéu na História[ligação inativa]
  • CAMPOS, Deusdedit Pinto Ribeiro de. Dona Joaquina do Pompéu: Sua história e sua gente. Belo Horizonte: Roma,2003.
  • RIBEIRO, Coriolano Ribeiro e Jacinto Guimarães . Joaquina do Pompéu. Belo Horizonte. 1997
  • VASCONCELOS, Agripa. Sinhá Braba - Dona Joaquina do Pompéu. Editora Itatiaia, 1966.
  • VASCONCELOS, Agripa. A vida em flor de Dona Beja: romance do ciclo do povoamento nas Gerais. Ilustrações de Yara Tupynambá. 5. ed. Belo Horizonte (MG): Ed. Itatiaia, 1988. 461 p., il., 21 cm. (Sagas do país das Gerais; v. 3).
  • NORONHA,Gilberto Cézar de. As Duas Faces da Matriarca. Revita de história da Biblioteca Nacional.14 de julho de 2008.
  • WERNECK,Gustavo Pela história da Dama do Sertão. Jornal Estado de Minas. ago.2011.