Abrir menu principal

Johannes Aventinus

historiador humanista renascentista, filólogo da Baviera
Johannes Aventinus
Gravura de Johannes Aventinus
em um livro alemão de 1854
Nascimento 4 de julho de 1477
Abensberg
Morte 9 de janeiro de 1534 (56 anos)
Regensburg
Nacionalidade Alemanha alemã
Alma mater Universidade de Ingolstadt
Ocupação historiador, filólogo

Johannes Aventinus (latim para "João de Abensberg";[1] Abensberg, 4 de julho de 1477 — Regensburg, 9 de janeiro de 1534) era o pseudônimo de Johann Georg Turmair ou Thurmayr, um humanista renascentista, historiador e filólogo bávaro. É o autor dos Anais da Baviera (1523), um registro valioso da história antiga da Alemanha.[2][1]

TutorEditar

Após estudar em Ingolstadt, Viena, Cracóvia e Paris, Aventinus voltou a Ingolstadt em 1507 e em 1509 foi nomeado tutor de Luís e Ernesto, os dois irmãos mais novos de Guilherme IV, duque da Baviera (r. 1508–1550), todos os três filhos de Alberto, o Sábio. Aventinus manteve esta posição até 1517, escreveu uma gramática em latim (Rudimenta grammaticae latinae; 1512) e outros manuais para facilitar o aprendizado de seus alunos, e em 1515 viajou pela Itália, com Ernesto. Em seu zelo pela aprendizagem, ajudou a fundar a Sodalitas litteraria Angilostadensis (fraternidade literária de Ingolstadt), sob cujos auspícios vários manuscritos antigos foram trazidos à luz; contudo, ela logo deixou de existir (1520).[1][3]

Historiador da BavieraEditar

Em 1517, Guilherme o nomeou historiador oficial da Baviera e o encarregou de escrever uma história do país.[3] Muitas das fontes importantes que Aventinus coletou para este fim foram preservadas apenas em suas cópias. Ele procurou dar um tratamento crítico a essas fontes ao escrever uma história completa da Baviera, Annales Bojorum ("Anais da Baviera"). Sua versão condensada em alemão dela, a Bayerische Chronik, é a primeira história importante no idioma alemão.[3]

A ReformaEditar

 
Placa sepulcral de Aventinus na abadia de Santo Emerano, Regensburg.

Aventinus se manteve católico ao longo de sua vida; tinha simpatia pelos humanistas, e pelas opiniões dos reformadores. Rejeitou a confissão auricular, objetou as peregrinações e indulgências, e se opôs, em linguagem violenta, às reivindicações de hierarquia, quando excessivas.[3] Demonstrou forte antipatia pelos monges, e por conta disso, foi preso em 1528, mas seus amigos logo providenciaram a sua libertação. O restante de sua vida foi um pouco instável, e morreu em Regensburg.[1]

Anais da BavieraEditar

Os Anais, que estão em sete volumes, relatam a história da Baviera em conjunto com a história geral desde os primeiros tempos até 1460, e o autor mostra simpatia pelo Império em sua luta contra o papado. Teve cuidado na criação de seu trabalho, e até certo ponto antecipou a historiografia moderna.[1] Outra consequência de sua não conformidade foi que os Anais só foram publicados após 1554.[3] Muitas passagens foram omitidas nesta edição de Ingolstadt, uma vez que elas refletiam sobre os católicos romanos.

A edição mais completa foi publicada na Basileia em 1580 por Nicholas Cisner. Aventinus, que tem sido chamado de "Heródoto bávaro", escreveu outros livros de menor importância, e uma edição completa das suas obras foi publicada em Munique (1881-1886).[1]

Genealogia teutônicaEditar

Em sua Chronik, Aventinus fabricou uma sucessão de reis teutônicos que remonta ao Grande Dilúvio, governando sobre vastas áreas da Alemanha e regiões circunvizinhas até o século I a.C., e os envolveu em inúmeros eventos da história bíblica e clássica.

Estes governantes e suas façanhas são em sua maioria fictícios, embora alguns sejam derivados de figuras mitológicas, lendárias ou históricas. Exemplos destes últimos são Boiger, Kels II e Teutenbuecher, cujo reinado em conjunto é dado como em 127-100 a.C., e que se baseiam no rei Boiorix dos cimbros, o rei sem nome dos ambrones e o rei Teutobod dos teutões.

      Dinastia de Tuitsch

      Dinastia de Mader

      Dinastia de Breno III

      Afiliação dinástica desconhecida

Governante Governante Governante
Tuitsch 2214–2038 Adalger 1377–1328 Mader 644–589
Mannus 1978–1906 Larein 1328–1277 Breno II e Koenman 589–479
Eingeb 1906–1870 Ilsingo 1277–1224 Landein, Antör e Rögör 479–399
Ausstaeb 1870–1820 Breno I 1224–1186 Breno III 399–361
Hermano 1820–1757 Hecar 1186–1155 Schirm e Breno IV 361–263
Mers 1757–1711 Frank 1155–1114 Thessel, Lauther e Euring 279–194
Gampar 1711–1667 Wolfheim Siclinger 1114–1056 Dieth I e Diethmer 194–172
Schwab 1667–1621 Kels I, Gal e Hillyr 1056–1006 Baermund e Synpol 172–127
Wandler 1621–1580 Alber (e outros seis sem nome) 1006–946 Boiger, Kels II e Teutenbuecher 127–100
Deuto 1580–1553 Walther, Panno e Schard 946–884 Scheirer 100–70
Alman 1553–1489 Main, Öngel e Treibl 884–814 Ernesto e Vocho 70–50
Baier 1489–1429 Myela, Laber e Penno 814–714 Pernpeist 50–40
Ingram 1429–1377 Venno e Helto 714–644 Cotz, Dieth II e Creitschir c. 40–13

LegadoEditar

Luís I da Baviera mandou construir um busto em homenagem a Aventinus no templo de Walhalla.

Notas

  1. a b c d e f Encyclopædia Britannica (1911) entrada para Aventinus (em inglês) , volume 3, página 53
  2. James Wood, ed., The Nuttall Encyclopædia, 1907; uma biografia moderna em inglês é G. Strauss, Historian in an age of crisis: the life and work of Johannes Aventinus, 1477-1534, 1963.
  3. a b c d e   Herbermann, Charles, ed. (1913). «Johannes Thurmayr». Enciclopédia Católica (em inglês). Nova Iorque: Robert Appleton Company 

Referências

Ligações externasEditar

Leituras adicionaisEditar

  • Heinrich Beck, Dieter Geuenich, Heiko Steuer, Dietrich Hakelberg, ed. (2004). Zur Geschichte der Gleichung "germanisch – deutsch": Sprache und Namen, Geschichte und Institutionen. Col: Reallexikon der Germanischen Altertumskunde – Ergänzungsbände. Berlim: W. De Gruyter. ISBN 9783110175363. OCLC 54825128 

Ligações externasEditar