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Jonas

profeta do Antigo Testamento
(Redirecionado de Jonas (profeta))
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Jonas
יוֹנָה, Yonah
O profeta Jonas pregando em Nínive, por Gustave Dore, cerca de 1883.
Nascimento Século IX a.C.
Gete-Héfer, território da Tribo de Zebulom, Reino de Israel.
Morte Século VIII a.C.
Cidadania israelita
Progenitores Pai: Amitai
Ocupação Profeta da Bíblia

Jonas (do hebraico יוֹנָה [Yonah]; em latim Ionas) foi, segundo a Bíblia, um profeta israelita da Tribo de Zebulom, filho de Amitai, natural de Gete-Héfer. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II, Rei de Israel Setentrional. (II Reis 14:25; Jonas 1:1) Crê-se que tenha sido o escritor do livro bíblico do Antigo Testamento que leva o seu nome.

Índice

Narrativa BíblicaEditar

Jonas é comissionado pelo Deus de Israel, segundo a Bíblia, para ir a Nínive, capital da Assíria. A sua missão era admoestar (censurar) os assírios que devido a sua crueldade (segundo a moral israelita) e ao muito derramamento de sangue, iriam sofrer a ira divina caso não se arrependessem dentro de quarenta dias. Os assírios eram famosos, por exemplo, por decapitar os povos vencidos, fazendo pirâmides com seus crânios. Crucificavam ou empalavam os prisioneiros, arrancavam seus olhos e os esfolavam vivos. Temendo pela sua vida, Jonas foge rumo a Társis, no sudoeste da Península Ibérica (na moderna região da Andaluzia)[carece de fontes?]. Situa-se a aproximadamente 3.500 km do porto de Jope (a moderna Tel Aviv-Yafo).

Segundo o relato bíblico, durante a viagem acontece uma violenta tempestade. Esta só acaba quando Jonas é lançado ao mar. Ele é engolido por um "grande peixe [em grego këtos]" (Jonas 1:17) e no seu estômago, passa três dias e três noites. Sentindo como se estivesse sepultado, nesta situação arrependido reconsidera a sua decisão. Tendo se arrependido, é vomitado pelo "grande peixe" numa praia e segue rumo para Nínive.

 
Pintura do profeta Jonas na Capela Sistina, Vaticano, por Miguel Ângelo (1471-1484).

Segundo o Livro de Jonas, os habitantes de Nínive (e povoados dependentes) mais dados à superstição e ao temor das divindades, teriam mostrado-se arrependidos de sua conduta sanguinária fazendo jejum e vestidos de sacos sarapilheira. Jonas se mostra desgostoso pela não destruição de Nínive e acaba por ser repreendido por isso. Cerca de cem anos depois, Naum, profeta israelita do Antigo Testamento, avisa que Nínive será destruída.

Narrativa do "grande peixe"Editar

Em Jonas 2:1, os textos do Torá e do Antigo Testamento da Bíblia, originalmente escrita em hebreu refere-se a nenhuma espécie em particular, mas somente a um dag gadol (דג גדול), ou tradução livre "grande peixe". Posteriormente, sendo traduzido ao grego, o termo utilizado foi kētei megalōi (κήτει μεγάλῳ) ou "peixe gigantesco". O termo kêtos já era utilizado em outros contos, sendo esses animais ("monstros-marinhos") associados às baleias.

Este assunto e discutido minuciosamente por W.R.Bradlaugh em "The Christian´s Armoury", pag 433[1], do qual traduzimos o seguinte:

“O Canis carcharias[2], um tubarão ou cão do mar, é conhecido por frequentador dos mares por onde um navio tem de passar, viajando de Jope a qualquer porto espanhol. Segundo todos os livros modernos de zoologia, um Carcharias tem o comprimento normal de 10 metro, quando adulto.”

Possivelmente, o autor referia-se a um tubarão-branco,

“O célebre naturalista frances Lacepede diz que o cão do mar pode engolir animais muito maiores que um homem sem os mutilar. As suas próprias palavras no “Histories des poissons” são as seguintes: “Os cães do mar têm uma queixada inferior com quase dois metros de extensão semicircular, o que nos deixa compreender como podem engolir animais inteiros tão grandes como eles mesmos”

“É bem conhecido de todos os zoólogicos que a voracidade dos cães do mar, e mesmo de toda a família dos tubarões, é tal que nunca mastigam o seu alimento, mas engolem tudo sem mastigar. Blumenbach, o eminente zoólogo alemão, no seu “Manual de Historia natural”, como autoridade científica, afirma que se têm apanhando cães do mar com o peso de 5 toneladas, e que já foi encontrado até um cavalo inteiro no estomago de um cão do mar.

“O naturalista Muller confirma essa afirmação de Blumenbach, e descreve um tubarão encontrado na Ilha Margarida que tinha engolido um grande cavalo sem o multilar!”

 
O profeta Jonas saindo do "grande peixe". Dore, 1883.

“O distinto ictologo, Gunter, fala de um destes tubarões em que se encontrou inteira uma vaca marinha do tamanho de um boi.”

“Outro naturalista, M. Brunich igualmente autoridade científica, assevera que foi capturado no mediterrâneo um tubarão, perto de Marselha, em que havia dois atuns com o peso de quinhentos quilogramas, e além deles, um homem completamente vestido, sem a sua roupa ser rasgada.”

“É evidente por isso, que na suposição de que esta espécie de tubarão seja o “grande peixe” mencionado na narrativa, nao existe nenhuma impossibilidade fisíca em ele ter engolido Jonas. É interessante notar que Plinio (50 d.C) escreveu a respeito do esqueleto de um monstro marinho com o comprimento de 13 metros, cujas costelas eram mais altas do que as do elefante da India. O esqueleto, acrescenta ele, foi trazido a Jope, uma cidade da Judéia, e exposto em Roma por M. Scaurus ( de "Science siftings" Nov.6.1897)".[3]

Mas para mostrar que não é impossivel mesmo uma baleia engolir um homem, podemos nos referir ao caso de um marinheiro ser engolido por uma baleia e depois achado vivo dentro do corpo morto desse animal. O caso foi traduzido do "Cotton Factory Times" [4]2 de agosto de 1891, e publicado no Boletim Evangélico de Novembro de 1934.

Acreditam no relato literal do "grande peixe", procuram identificar que espécie de ser marinho seria. Para uns terá sido um Cachalote, para outros, seria um Grande Tubarão-branco. Recentemente, foi sugerido um outro candidato - o Tubarão-baleia.[5]

Supostas conexões com lendasEditar

O professor e autor Henry C. Trumbull[6] tem sugerido que a história de Jonas seja a inspiração por trás da figura mitológica de Oannes, um ser metade homem metade peixe, encontrado na Biblioteca de Assurbanípal. Segundo o historiador babilônico Beroso, este ente Oannes viria do Golfo Pérsico a fornecer sabedoria aos homens. Ele tem sido também identificado com os deuses aquáticos assírio e babilônico, respectivamente Dagom e Enki.

Segundo o Dr. Hermann V. Hilprecht, nas inscrições assírias, a letra J das palavras estrangeiras torna-se em I ou, simplesmente, desaparece. Daí, pode-se supôr que a palavra Oannes para o deus-peixe seja derivada do nome Jonas, escrito Ioannes na tradução grega de Yohanan ou Yonah, em hebraico.[7]

A história de Jonas pode ter sido, dessa forma, mitificada, com o passar dos anos, pelos assírios ou pelos babilônios após a conquista de Nínive por Nabopolassar, em 612 a.C., mais de 300 anos antes de Beroso.

Ver tambémEditar

Referências

  1. R.Bradlaugh, W. The Christian´s Armoury. [S.l.: s.n.] pp. pag 433 
  2. Smithsonian Magazine https://www.smithsonianmag.com/science-nature/sharks-were-once-called-sea-dogs-and-other-little-known-facts-180952320/
  3. «"Science siftings"». Nov.6.1897  Verifique data em: |data= (ajuda)
  4. «Cotton Factory Times». 2 de agosto de 1891 
  5. "Monstros gentis das Profundezas" - Tubarões-baleia, National Geographic, Dezembro de 1992, Vol. 182, pág. 120-139
  6. H. Clay Trumbull, Journal of Biblical literature, Volumes 11–12, Society of Biblical Literature and Exegesis (U.S.), 1892
  7. Trumbull, ibid., p. 58

Ligações externasEditar