Jorge Brum do Canto

Jorge Júdice Limpo Brum do Canto OSEGCIH (Lisboa, 10 de Fevereiro de 1910Lisboa, 7 de Fevereiro de 1994) foi um cineasta português.

Jorge Brum do Canto
Nome completo Jorge Júdice Limpo Brum do Canto
Nascimento 10 de Fevereiro de 1910
Lisboa, Portugal Portugal
Nacionalidade Portugal Portugal
Morte 7 de fevereiro de 1994 (83 anos)
Ocupação Cineasta

BiografiaEditar

Jorge Brum do Canto nasceu em Lisboa, a 10 de Fevereiro de 1910, filho de Salvador Manuel Brum do Canto (Açores, 1885 - Lisboa, 3 de Novembro de 1918), duma família com raízes açorianas e madeirenses, e de sua mulher Berta Júdice Rocha Rosa Limpo (Quelimane, 1894 - Lisboa, 12 de Abril de 1976), de ascendência Italiana pela avó materna.

Em Lisboa faz o liceu e ingressa na Faculdade de Direito, curso que não concluiria. Ainda criança começa a publicar textos sobre cinema, em 1925 faz um primeiro papel no cinema (em O Desconhecido de Rino Lupo), em 1927 é O Século que o tem como crítico cinematográfico onde, a partir do ano seguinte, assinaria uma página semanal, O Século Cinematográfico, que duraria até 1929. Seria entretanto redactor e/ou colaborador de várias revistas de cinema que então floresceram (Cinéfilo, Kino, Imagem).

Fascinado pelo vanguardismo francês,[carece de fontes?] aos 18 anos de idade realiza o filme A Dança dos Paroxismos, cuja rodagem arranca nos últimos dias de 1929.[1] O filme, produzido pela firma Mello, Castello Branco, Lda., só teve uma exibição pública em Novembro de 1930, voltando a ver projectado a 27 de Outubro de 1984, na Cinemateca Portuguesa, que possui o negativo e as únicas cópias existentes. Dois anos depois tenta uma nova fita, que ele próprio produz (Paisagem), mas que nunca completara por razões financeiras. Até 1935 filma alguns documentários, mas o profissionalismo só ocorreria nesse ano,[carece de fontes?] quando é autor do roteiro de As Pupilas do Senhor Reitor, de Leitão de Barros,[2] a que se segue, em 1936, O Trevo de Quatro Folhas, de Chianca de Garcia, filme em que é assistente geral.

Em 1936-1937, no meio de vicissitudes de produção várias, realiza a sua primeira longa-metragem, A Canção da Terra, filme que seria recebido como um acontecimento. A carreira de Brum do Canto estava lançada e até os primeiros anos da década de 1950 rodaria mais seis longas-metragens. De 1953 a 1959 interrompe os seus trabalhos no cinema e até à residência em Lisboa, fixa-se na ilha de Porto Santo, onde possui largas propriedades, dedicando-se à administração agrícola e à pesca desportiva, uma das suas paixões. Voltaria ao cinema na década seguinte com três filmes. A 17 de Abril de 1967, foi feito Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico.[3] Em 1973 o grande público descobre-o como actor, em peças teatrais na RTP, onde faz, com grande sucesso, O Grande Negócio, de Paddy Chayefsky, e 12 Homens em Conflito, de Reginald Rose (ambas dirigidas por Artur Ramos). Ainda como actor voltaria à RTP em 1975 na série Angústia para o Jantar, de Jaime Silva.

As suas paixões pela pesca e pela culinária deixaram também alguns registos públicos, nomeadamente como director gráfico e responsável pela secção de pesca da revista Diana e como co-autor (a partir da 23.ª edição) de O Livro de Pantagruel, de sua mãe, Bertha Rosa Limpo.

Sobre Jorge Brum do Canto foi realizada, em 1982, a média-metragem Jorge Brum do Canto para a RTP (série Quem é Quem, realizador João Roque) e a Cinemateca Portuguesa, em 1984, editou um catálogo (com organização literária de José Matos-Cruz).

A 9 de Junho de 1994, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique a título póstumo.[3]

HomenagemEditar

Possui desde 1994 uma rua com o seu nome no Bairro do Caramão da Ajuda, Lisboa.

FilmografiaEditar

Como realizadorEditar

  • O Crime de Simão Bolandas (1984)
  • Cruz de Ferro (1967)
  • Fado Corrido (1964)
  • Retalhos da Vida de Um Médico (1962)
  • Chaimite (1953)[4]
  • Ladrão, Precisa-se!… (1946)
  • Um Homem às Direitas (1945)
  • Fátima, Terra de Fé (1943)
  • Lobos da Serra (1942)
  • João Ratão (1940)[5]
  • A Canção da Terra (1938)
  • A Hora H (1938)
  • Berlengas (1934)
  • A Doença dos Ulmeiros (1934)
  • A Obra da Junta Autónoma das Estradas (1934)
  • O Bicho da Seda (1934)
  • Abrantes (1933)
  • Nada de Novo… em Óbidos (1933)
  • Sintra, Cenário de Filme Romântico (1933)
  • Uma Tarde em Alcácer (1933)
  • Fabricação de Mangueiras (1932)
  • A Dança dos Paroxismos (1929)[1]

Como actor (nos seus filmes)Editar

  • A Dança dos Paroxismos
  • A Hora H (como membro da Orquestra Aldrabófona)
  • Chaimite[4]
  • Fado Corrido
  • A Cruz de Ferro

Ver tambémEditar

Referências bibliográficas

  1. a b RTP, A Dança dos Paroxismos [em linha]
  2. RTP, As Pupilas do Senhor Reitor [em linha]
  3. a b «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Jorge Brum do Canto". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 16 de fevereiro de 2016 
  4. a b RTP, Chaimite [em linha]
  5. RTP, João Ratão [em linha]

"RAMOS, Jorge Leitão". Dicionário do Cinema Português (1962-1988). Editorial Caminho, SA, Lisboa, 1989

Ligações externasEditar