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Jorge Goulart
Em cena do filme Tudo Azul (1951).
Informação geral
Nome completo Jorge Neves Bastos
Nascimento 16 de janeiro de 1926
Origem Rio de Janeiro
País  Brasil
Morte 17 de março de 2012 (86 anos)
Gênero(s) Marchinha
Samba
Extensão vocal Tenor
Período em atividade 1943-1983
Gravadora(s) RCA Victor
Star
Continental
Todamérica
Mocambo
Copacabana
Som Livre

Jorge Goulart, nascido Jorge Neves Bastos, (Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 1926 - Rio de Janeiro, 17 de março de 2012[1]) foi um cantor brasileiro.

Biografia e CarreiraEditar

 
Jorge Goulart no cinema (1958).

Nascido e criado em Vila Isabel, filho do jornalista Iberê Bastos e da dona de casa e ex-cantora de rádio Arlete Neves Bastos. Era neto do Visconde de Niterói. Estudava no Colégio Pedro II, onde passou a interessar-se por política, mas com o tempo decidiu seguir os passos da mãe, e abraçou a carreira musical.

Através do pai, que escrevia sobre o mundo dos espetáculos, teve contato com os nomes e em evidência. Conheceu, em 1943, o compositor Custódio Mesquita e passou a divulgar com exclusividade suas músicas. Conheceria também o cantor Petra de Barros e por ele seria levado à Rádio Tupi. É quando passa a adotar o sobrenome artístico Goulart, por sugestão da atriz Heloísa Helena, tirado de um fortificante, o Elixir de Inhame Goulart, que todos comparavam a sua voz possante.

Entre as músicas de Custódio que divulgava, estava o samba Saia do Caminho, em parceria com Ewaldo Ruy, que gravaria, em 1945, na RCA-Victor, mas não chegou a ser lançada. Custódio faleceu e Ewaldo preferiu destiná-la a Aracy de Almeida, com alterações pequenas na letra para que pudesse ser cantado por mulher.

Devido a compromisso com a gravadora, lançaria, nesse ano, dois discos, que foram fracasso de vendas, não devido à qualidade das músicas ou deficiência do acompanhamento: A Volta / Paciência / Coração e Nem Tudo É Possível / Feliz Ilusão. É que, sem nenhuma necessidade, fez um decalque absoluto de Nelson Gonçalves, que também era da RCA-Victor. Essas gravações estão no presente CD. como registro histórico, por serem as suas primeiras, e para servir de contraste à sua verdadeira voz, uma das mais originais, expressivas e belas que a música brasileira teve e terá.

Durante quatro anos ficou longe do disco. Se a atuação nas rádios (Tupi, Globo, Tamoio) não rendia muito, no espetáculo Um Milhão de Mulheres, no Teatro Carlos Gomes, durante dois anos, foi figura destacada e com rendimentos muitas vezes superior. Findo o mesmo, voltaria às casas noturnas, até ser levado pelo compositor Wilson Batista a gravar duas músicas dele na Continental, para o carnaval de 1950: Misss Mangueira (com Antônio Almeida) e Balzaqueana (Com Antônio Nássara), esta uma marcha que o Brasil inteiro cantou e foi 2º lugar, na categoria, no concurso oficial de músicas carnavalescas.

Daí em diante, torna-se rapidamente um grande astro. Realiza um de seus sonhos, atuar no cinema, quando participa do filme Também Somos Irmãos, da Atlântica, dirigido por José Carlos Burle. É contratado pela Rádio Nacional e atua em grande número de filmes musicais: Carnaval no Fogo (1949), Não É Nada Disso (1950), Aviso Aos Navegantes (1951), Tudo Azul (1952) e muitos outros. No disco marca êxitos memoráveis: Mundo de Zinco, Cais Do Porto, Samba Fantástico, Laura, Cabeleira do Zezé, A Voz do Morro, e inclusive versões, Dominó, Jezebel, Smile. É eleito o Rei do Rádio de 1952.

Em 1958, a convite do presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado de Nora Ney e outros artistas, organizou uma caravana artística com a finalidade de preparar a reaproximação com a U.R.S.S. e a China Popular. Os resultados são excelentes, tanto que nos dez anos seguintes retornariam seguidamente aos países socialistas, aí gravam vários LPs., bem como estenderiam suas excursões à Bélgica, Áustria, França, Portugal e África. Foi um longo e importante trabalho de divulgação da música brasileira, com a preocupação em muitas ocasiões, de levar outros cantores, instrumentistas, dançarinas e passistas.

Colaborou por seis anos com o Império Serrano. Puxava seus sambas só com o megafone, dispensando quaisquer pagamentos em favor da mesma e contribuindo para a divulgação dos compositores do morro. Fez o mesmo na Imperatriz Leopoldinense e na Unidos de Vila Isabel.

Por causa de sua participação no Sindicato dos Radialistas, foi impedido, pelo golpe civil-militar de 1964, de continuar na Rádio Nacional, tendo a única saída de atuar no exterior: Portugal, Israel e outros países da Europa.

Em 1983 teve de extrair a laringe. Ficou curado, mas sem "seu instrumento de trabalho". Chegava ao fim sua notável carreira. Ficaram, porém, os discos para perenizar sua arte.

Seu primeiro sucesso foi Xangô, de Ary Barroso e Fernando Lobo. Foi artista da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, onde alcançou fama nacional. Jorge foi um dos grandes divulgadores das músicas de alguns dos principais sambistas brasileiros, além de puxador das escolas de samba Império Serrano, Imperatriz Leopoldinense e Unidos de Vila Isabel. Foi também o primeiro intérprete da música A Voz do Morro, de autoria de Zé Kéti.

Vida PessoalEditar

Aos dezoito anos engravidou sua namorada, e foi obrigado por sua família a assumir este compromisso e casar-se. Foi pai de uma menina, a quem batizou de Maria Célia. Após dez anos do matrimônio,o casal desquitou-se. Após outros relacionamentos, Jorge conheceu em 1952, no camarim do Copacabana Palace Hotel, a famosa cantora Nora Ney, que também estava desquitada. Em poucos meses de amizade e parceria musical iniciaram um namoro. Em 1953 decidiram morar juntos, onde Jorge ajudou a esposa na criação dos dois filhos dela, Hélio e Vera Lúcia. Com o tempo, com consentimento de sua ex-mulher, conseguiu a guarda de sua única filha, Maria Célia, e a criou junto de sua esposa. Após trinta e nove anos vivendo juntos, Jorge e Nora oficializaram a união em uma cerimônia na Igreja Presbiteriana Unida, a qual o casal frequentava há alguns anos, após terem tornado-se evangélicos.

Durante muitos anos atuou na política do Partido Comunista, tendo sido exilado do Brasil, tendo morado em diversos países com a esposa, a filha e os enteados.

MorteEditar

Faleceu aos 86 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória.

DiscografiaEditar

  • 1945 A Volta/Paciência, Coração
  • 1945 Nem tudo é póssível/Feliz ilusão
  • 1948 Alfredo/Caso perdido
  • 1948 Meu amor/Fiquei louco
  • 1949 Noites de junho/São João
  • 1949 Fantoche/Minha Maria
  • 1950 Miss Mangueira/Balzaquiana
  • 1950 Ai! Gegê
  • 1950 São Paulo/No fim da estrada
  • 1950 Marcha do América/Marcha do Madureira
  • 1955 Brasil em Ritmo de Samba
  • 1977 Jubileu de Prata - (com Nora Ney)
  • 1980 Oh! As Marcinhas - (com Emilinha Borba)

Referências

Ligações externasEditar