José Boiteux

município brasileiro do estado de Santa Catarina
Disambig grey.svg Nota: Para o jornalista e historiador, veja José Artur Boiteux.

José Boiteux é um município do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Localiza-se a uma latitude 26º57'30" sul e a uma longitude 49º37'41" oeste, estando a uma altitude de 240 metros. Sua população segundo estimativas do IBGE em 2021 era de 5019 habitantes.[4]

José Boiteux
  Município do Brasil  
Símbolos
Bandeira de José Boiteux
Bandeira
Brasão de armas de José Boiteux
Brasão de armas
Hino
Gentílico josé-boatense
Localização
Localização de José Boiteux em Santa Catarina
Localização de José Boiteux em Santa Catarina
José Boiteux está localizado em: Brasil
José Boiteux
Localização de José Boiteux no Brasil
Mapa de José Boiteux
Coordenadas 26° 57' 28" S 49° 37' 40" O
País Brasil
Unidade federativa Santa Catarina
Municípios limítrofes Benedito Novo, Dona Emma, Doutor Pedrinho, Ibirama, Itaiópolis, Presidente Getúlio, Vitor Meireles e Witmarsum
Distância até a capital 237 km
História
Fundação 26 de abril de 1989 (33 anos)
Administração
Prefeito(a) Adair Antônio Stolmeier (PP, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [1] 405,519 km²
População total (est. 2021) 5 019 hab.
Densidade 12,4 hab./km²
Clima Mesotérmico úmido
Altitude 240 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2000 [2]) 0,771 alto
PIB (IBGE/2008[3]) R$ 47 787,472 mil
PIB per capita (IBGE/2008[3]) R$ 9 528,91
Sítio www.pmjb.sc.gov.br (Prefeitura)
camarajoseboiteux.sc.gov.br (Câmara)
Centro de José Boiteux 2008

José Boiteux apresenta traços culturais diferenciados dos demais municípios do Alto Vale do Itajaí, pois possui historicamente na constituição de sua gente a participação da etnia indígena Laklãnõ-Xokleng, que habitava a região muito antes da chegada dos colonizadores, bem como das demais etnias, como a italiana, alemã, portuguesa e afrodescendentes que posteriormente ajudaram a formar o rico caldeirão cultural que caracteriza o município hoje.[5]

Cachoeira José Boiteux

As arquiteturas diferenciadas do município destacam-se através da Barragem Norte, do antigo moinho de farinha localizado em Barra da Anta, da igreja localizada no centro da cidade e das residências históricas. As tradições gastronômicas são mantidas pelos descendentes de italianos, que contribuíram com a música e a dança tradicional de seus antepassados. O vinho e a cachaça artesanal são produtos coloniais de raríssima qualidade. Entre os eventos realizados destacam-se a Festa do Índio e a Festa do Município.[5]

HistóriaEditar

Tradicionalmente habitada por indigenas laklãnõ-xokleng, kaingang e guarani, a região começou a ser colonizada por descendentes de europeus em 1920, com descendentes de alemães trazidos de Rio do Sul. A região foi palco de vários conflitos por terras entre os colonos alemães e os indígenas, que acabaram sendo mandados para reservas indígenas afastadas. Por este e outros fatores, em 1926 foi criada a área indígena Ibirama-La Klãnõ, que abrange parte do território municipal.

Nos anos de 1940 e 50, José Boiteux possuía um número bastante elevado de indústrias, isso no ano que conseguiu sua primeira emancipação e, quando do início dos projetos de contenção de enchentes no vale do Itajaí, para efeitos de análise, devem-se considerar que tais indústrias, com pequena produção mercantil – a maioria delas não evoluiu e foram extintas no período compreendido entre 1960 e 1990, fatos que culmina com a construção da Barragem Norte, que desmantelou a economia local (FRAGA, 1997), sobretudo na área da Barra do Rio Dollmann e da reserva Indígena Duque de Caxias.

A Terra Indígena Laklãnõ-Xokleng abrange cerca de 40.522,90 ha da área do município e possuía segundo estimativas do Siasi/Sesai do ano de 2013, 2057 habitantes, que equivale a aproximadamente 40% da população do município, sendo o restante descendentes de europeus.[6]

TurismoEditar

 
Camping das Cachoeiras em José boiteux sc

José Boiteux se destaca pela sua natureza, em especial suas belas cachoeiras, dentre as quais, três delas merecem ser destacadas por sua grande beleza natural: Cachoeira do Rio Laeisz, Cachoeira Wiegand e Cachoeira do Encontro.[7]

A cachoeira do Rio Laeisz é a mais impressionante e maior entre as cachoeiras de José Boiteux. A queda despenca no início do cânion do Rio Laeisz e sua altura aproximada é de uns 40 metros. A cachoeira e os paredões do cânion formam um cenário belíssimo. Abaixo da queda forma-se uma piscina natural que começa bem baixinha e fica bem profunda abaixo da queda.[8][9]

Já a cachoeira Wiegand tem cerca de 20 metros de altura. Seus destaques são a plataforma natural de pedra, o jacuzzi natural (na parte superior) e o fato de poder entrar atrás da queda (na parte inferior).[10]

A cachoeira do Encontro é formada, como o próprio nome explicita, pelo encontro de dois rios que formam duas cachoeiras, lado a lado, que caem separadas em um mesmo local, formando também uma belíssima piscina natural.[8]

No município e na comunidade indígena existem agências de trilhas e caminhadas com profissionais que guiam turistas pelo interior, no caso da agência existente junto a comunidade indígena é possível conhecer também o interior da terra indígena, através das trilhas existentes.[11][12]

A trilha da Sapopema é feita junto a mata atlântica com guias da própria comunidade, contando a história do povo indígena, conhecendo diversas espécies de árvores entre elas a árvore da Sapopema, que era usada para comunicação entre os indígenas na mata. [13] [14]

É possível conhecer também, nas trilhas realizadas com a agência da comunidade, as Cabanas Laklãnõ/Xokleng; Kapug (comida típica); Artesanato indígena; História e Memorial.[15] [16]

Outra trilha tradicional é a Basílio Priprá, que fica na Aldeia Palmeira e além de contar a história da comunidade, permite conhecer o prédio histórico Dr. Eduardo, oportunizando conhecer também outros aspectos da cultura Laklãnõ-Xokleng e visitar a loja de artesanato indígena existente no local.[17][18]

A hospedagem pode ser realizada na cidade, que possuí restaurantes e pousadas com a rica culinária local, ou em campings próximos as principais atrações.[19]

PersonalidadesEditar

O educador indígena Nanblá Gakran, nascido no município, membro do povo Laklãnõ-Xokleng, foi um linguista indígena brasileiro de destaque, primeiro integrante indígena do Brasil a obter um doutorado em linguística no país pela UNB, e o segundo a obter um mestrado na mesma área junto a UNICAMP, pós doutor pela UFSC. [20][21]

Foi professor do departamento de História da UFSC e do curso de pedagogia indígena Xokleng junto a FURB e das escolas indígenas existentes na terra indígena Laklãnõ-Xokleng localizadas no município.[22][23]

Especialista de destaque mundial no estudo e pesquisa da gramática e língua Laklãnõ, foi um dos desenvolvedores do alfabeto desta nação, e mesmo atuando em diversas instituições governamentais e de educação fora do município, foi nela que passou a maior parte de sua vida, dedicando-se a educação de jovens e adultos, bem como na formação de professores, missão que exerceu até a sua morte.[24]

Também atuou como membro (conselheiro) do Conselho Estadual dos Povos Indígenas de Santa Catarina CEPIN/SC. Membro do Fórum Estadual da Educação FEE/SC e membro (conselheiro) do Conselho Estadual da Saúde CES/SC. [25][24]

Ver tambémEditar

Referências

  1. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  2. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  3. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  4. IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (31 de dezembro de 2017). «José Boiteux». Conheça Cidades e Estados do Brasil. Consultado em 07 de agosto de 2022  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  5. a b «AMAVI - Perfil: José Boiteux». www.amavi.org.br. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  6. «Terra Indígena Ibirama-La Klãnõ | Terras Indígenas no Brasil». terrasindigenas.org.br. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  7. Trilha, Família na (9 de maio de 2021). «José Boiteux - Camping em um paraíso para quem ama cachoeiras.». FamiliaNaTrilha. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  8. a b Aladim, Luana (15 de outubro de 2021). «Cachoeiras em José Boiteux: um refúgio no interior de Santa Catarina». Blog Quanto Custa Viajar. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  9. Design, Pensa e Cria-Estúdio de (25 de abril de 2020). «JOSÉ BOITEUX : CACHOEIRA DO RIO LAEISZ». Rota Terrestre. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  10. Prandi, Jair (18 de janeiro de 2021). «Cachoeiras de José Boiteux - Santa Catarina». Viagens e Caminhos. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  11. Gakran, Nanbla. «Aspectos morfossintaticos da lingua laklãnõ (Xokleng) Je». Consultado em 7 de agosto de 2022 
  12. Sant'Anna, Fernandes, Ainá (2019). «Caminhando na trilha da Sapopema: prática, cultura e conhecimento entre os Laklãnõ/Xokleng». Consultado em 10 de agosto de 2022 
  13. «Trilha da Sapopema Vale Europeu». Ativa Aventuras. 25 de junho de 2020. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  14. Sant'Anna, Fernandes, Ainá (2019). «Caminhando na trilha da Sapopema: prática, cultura e conhecimento entre os Laklãnõ/Xokleng». Consultado em 7 de agosto de 2022 
  15. «Aldeia indígena pode ser visitada para conhecer cultura e histórias». Mistura com Camille Reis. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  16. Daronco, Clarice. «Aventura e conhecimento». Jornal do Médio Vale. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  17. «Aldeias indígenas podem ser visitadas para conhecer a cultura e as histórias de José Boiteux». Portal do Observatório do Turismo de Santa Catarina. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  18. Imprensa. «Comarca de Ibirama, na Semana do Meio Ambiente, vai visitar terra dos índios Xokleng». PJSC. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  19. «Camping das Cachoeiras - Portal Municipal de Turismo de José Boiteux». turismo.pmjb.sc.gov.br. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  20. Cardoso, Maísa (20 de dezembro de 2019). «Interculturalidade e formação de professores: o indígena em questão». Pimenta Cultural: 68–81. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  21. «Morre o Professor Nanbla, primeiro indígena a se tornar doutor em linguística». www.nsctotal.com.br. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  22. ESPINDOLA, Marcia Sarda (28 de junho 2021). «Comunidade Xokleng perde Nanblá Grakam». FURB/Notícias. Consultado em 07 de agosto de 2022  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  23. SeTIC-UFSC (27 de junho de 2021). «Nota de Pesar: falece Nanblá Gakran, ex-professor da licenciatura intercultural indígena na UFSC». Notícias da UFSC. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  24. a b Redação (27 de junho de 2021). «Morre Nanblá Gakran, primeiro indígena a se tornar doutor em SC, aos 58 anos». O Município Blumenau. Consultado em 7 de agosto de 2022 
  25. «Nanblá Gakran – KAMURI». Consultado em 7 de agosto de 2022 

Ligações externasEditar


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