Joseba Beloki

ciclista espanhol


Joseba Beloki Dorronsoro (Lazcano,[1] Guipúscoa (País Basco, Espanha), 12 de agosto de 1973) é um exciclista espanhol. Foi profissional desde 1998. Desde então destacou como um bom escalador e um velocista de alto nível, especializado em voltas por etapas. Em 2002 ficou segundo no Tour, declarando-se vaga o primeiro posto numa resolução da União Ciclista Internacional que desclassificou por dopagem a Lance Armstrong.[2][3]

Joseba Beloki
Joseba Beloki.jpg
Informação pessoal
Nome nativo Joseba Beloki Dorronsoro
Nascimento 12 de agosto de 1973 (48 anos)
Lazkao
Estatura 178
Cidadania Flag of Spain.svg Espanha
Ocupação ciclista desportivo (d)
Informação equipa
Equipa atual retirado
Desporto ciclismo
Disciplina estrada
Tipo de corredor Escalador
Equipas profissionais
1998-2000
2000
2001-2003
01.2004-08.2004
08.2004-12.2004
2005-2006
Euskaltel-Euskadi
Festina
ONZE
Brioches La Boulangère
Saunier Duval-Prodir
Liberty Seguros-Würth
Maiores vitórias
Voltas de uma semana:

Volta à Catalunha MaillotVolta.png (2001)

Estatísticas
Joseba Beloki no ProCyclingStats

BiografiaEditar

Nascido em Lazcano, ainda que estabelecido desde a infância na cidade de Vitoria, Beloki iniciou-se no ciclismo aos 9 anos de idade nas fileiras do clube Iturribero de Vitoria.

Época douradaEditar

Beloki tem conseguido subir ao pódio do Tour de France em três ocasiões: como segundo em 2002 e como terceiro em 2000 e 2001. Na Volta a Espanha foi terceiro em 2002 e levou o camisola de líder durante três dias em 2001. É, junto com Federico Martín Bahamontes e Pedro Delgado, o segundo ciclista espanhol com mais pódios no Tour de France, só superado pelos cinco de Miguel Induráin. É um dos cinco ciclistas espanhóis, junto com Luis Ocaña (1973), Pedro Delgado (1989), Miguel Induráin (1991) e Carlos Sastre (2008), que têm conseguido finalizar no pódio de Volta e Tour no mesmo ano (2002). Entre suas vitórias encontram-se a Volta às Astúrias de 2000, a Volta à Catalunha de 2001 e a Clássica de Alcobendas de 2003.

Grave queda e consequênciasEditar

 
Beloki em Alpe d'Huez '03, junto Zubeldia, Armstrong, Hamilton e Basso

Em 14 de julho de 2003 marcou sua carreira desportiva. Durante a nona etapa do Tour, Beloki descia ao porto da Rochette (8 quilómetros a meta) junto a Lance Armstrong, líder com 40 segundos de vantagem sobre o guipuzcoano, enquanto perseguiam a Alexandre Vinokourov. Numa curva, perdeu o controle da sua bicicleta ao passar a sua roda traseira com um trecho de asfalto derretido pelo sol. Beloki sofreu uma dura queda, rompendo-se o fémur, o cotovelo e o pulso direito.[4] Armstrong esteve a ponto de sofrer as mesmas consequências, mas conseguiu girar bruscamente para ir parar a um atalho fora de estrada. As lesões provocariam que Beloki ficasse de baixa para o resto da temporada.

Com a desbandada do ONZE de Manolo Saiz ao final da temporada de 2003, Joseba optou, depois de muita expectação, por assinar pela equipa francesa Brioches La Boulangère,[5] o qual causou um notável desconcerto, ao tratar até momento de uma esquadra sem grandes expectativas nem orçamento.

Supunha-se que Beloki estava completamente recuperado de suas lesões, mas cedo começou a evidenciar-se que a recuperação ia demorar em se completar mais do esperado. Tomou em abril a saída da corrida de casa, a Volta ao País Basco, mas teve que se retirar na primeira etapa. Finalmente, não foi capaz de tomar a saída no Tour de France já que, depois de discussões com os dirigentes da equipa, abandonou a esquadra.[6] Beloki alegou que os responsáveis por Brioches La Boulangère não lhe davam permissão para utilizar os corticoides (substâncias submetidas a restrição pela legislação antidopagem) que, segundo ele, precisava para curar a sua asma [3]. Depois deste episódio, o corredor basco assinou para o que restava de temporada, e outro ano mais, com a equipa espanhola Saunier Duval.[7] Correria a Volta a Espanha, na que deixaria boas sensações durante a primeira semana. Mas finalmente tudo pareceu ficar num espejismo e Beloki abandonaria a corrida prematuramente.

A última polémica ao redor de Beloki produziu-se no inverno de 2004, já que numa surpreendente operação, o ciclista guipuzcoano decidiu voltar junto a seu antigo diretor Manolo Saiz, pagando de seu bolso a cláusula de rescisão de seu contrato com Saunier Duval.[8]

Começou no ano 2005 novamente com grandes expectativas, com o Giro d'Italia, o Tour de France e a Volta a Espanha no calendário. Mas depois dos primeiros meses de competição Beloki seguia sem poder completar uma única corrida entre os primeiros classificados: as consequências da queda no Tour de France de 2003 seguiam fazendo reduzir o seu rendimento, quiçá não tanto pelos danos físicos mas por problemas psicológicos. Por conseguinte foi incapaz de terminar o Giro, mas pese a isso Manolo Saíz o inclui na equipa do Liberty para o Tour de France, voltando assim a reencontrar-se com a corrida que truncou sua progressão. Durante os primeiros dias Joseba consegue manter-se nos primeiros postos da classificação mas quando chegam as etapas de montanha acusa sua falta de forma e tem que apelar a sua força de vontade para conseguir acabar o Tour numa discreta posição. Na Volta a Espanha, cai-se no prólogo, revivendo assim velhos fantasmas, mas por fortuna a queda desta vez não tem consequências graves e pode continuar. Nas seguintes etapas vemos a um Joseba bastante recuperado, trabalhando como gregário para Roberto Heras e mostrando sua melhor forma nos últimos anos.

Começou no ano 2006 bastante bem, sem ganhar nenhuma etapa mas fazendo um papel interessante em várias corridas, como o Volta à Romandia.

Operação PuertoEditar

Em 22 de maio de 2006 conheceu-se a Operação Puerto, uma investigação da Guarda Civil que destapou uma trama de dopagem organizado para desportistas de elite, com o doutor Eufemiano Fuentes como cabeça. Todos os desportistas clientes da rede de Fontes figuravam nas carteiras sanguíneas, conversas intervindas ou manuscritos com nomes em chave. No relatório detalhado enviado pelo instituto armado ao juiz instrutor do caso (Antonio Serrano), Joseba Beloki foi identificado pela Guarda Civil como o ciclista depois dos nomes em chave JB e Blk,[9][10] além de figurar seu nome completo nos manuscritos de Fuentes.[10] Nos papéis de Fuentes, concretamente no Documento 28 referido a Joseba Beloki, figuravam anotações de HMG-LEPORI, IGF-1, trechos de testosterona, hormona de crescimento, EPO e anabolizantes em coordenação com a programação de extrações e reposições sanguíneas, segundo detalhava a Guarda Civil em seu relatório ao juiz.[10]

Devido ao seu envolvimento na trama, a organização impediu a Beloki (junto a outros muitos ciclistas) de participar no Tour de France de 2006. Pouco depois, no entanto, o Julgado de Instrução n.º 31 de Madrid (encarregado da Operação Puerto) certificou por escrito que não existia nenhuma imputação contra ele. [11] Isto se devia a que a investigação do juiz Serrano se centrava num suposto delito contra a saúde pública, não na trama de dopagem, que não foi pesquisada pelo juiz ao não ser a dopagem delito na Espanha nesse momento,[12] motivo pelo qual Beloki declarou ante o juiz como testemunha, não como imputado. Ao ser absolvido judicialmente, Beloki podia competir em adiante com normalidade, já que não estava imputado em nenhum delito penal e o juiz Serrano se negou (salvo excepções) a que as provas acumuladas pela Guardia Civil (carteiras sanguíneas, documentos, gravações de vídeo e audio...) fossem facilitadas a organismos desportivos internacionais (UCI, AMA) para estudar as provas e impor em caso de estimá-lo oportuno as sanções desportivas apropriadas.

RetiradaEditar

Em 21 de dezembro de 2007, depois de ter permanecido sem competir durante toda a temporada, anunciou sua retirada do ciclismo profissional.[13] Depois passou a escrever na revista Ciclismo a Fondo e a colaborar na Rádio Euskadi como comentarista na retransmissão radiofónica de diversas corridas de ciclismo. Também é diretor da equipa Cafés Baqué e habitual corredor de maratonas. O seu melhor tempo (2:47:55) registou-o na sua segunda maratona, o que correu em Berlim em 2011.[14]

PalmarésEditar

Resultados em Grandes Voltas e Campeonato do MundoEditar

Durante a sua carreira desportiva conseguiu os seguintes postos nas Grandes Voltas e nos Campeonatos do Mundo em estrada:[15]

Corrida 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Giro d'Italia Ab.
Tour de France 3.º 3.º 2.º Ab. 75.º
Volta a Espanha Ab. Ab. 3.º Ab. 40.º
  Mundial em Estrada 45.º 112.º

―: Não participa
Ab.: Abandono

EquipasEditar

ReferênciasEditar

  1. «Diário de Notícias de Álava (25-3-11): A bicicleta de Joseba Beloki». Consultado em 12 de julho de 2011. Cópia arquivada em 14 de julho de 2011 
  2. [1]
  3. [2]
  4. Uma queda deixa a Joseba Beloki fora do Tour
  5. Beloki correrá com a equipa francesa A Boulangere
  6. Beloki deixa a equipa A Boulangere e não correrá o Tour
  7. Beloki correrá a Volta com o Saunier Duval
  8. Joseba Beloki desvincula-se do Saunier Duval para fichar pelo Liberty Seguros
  9. Cadena SER, ed. (12 de julho de 2006). «Informe da Guarda Civil (Capítulo III)». Consultado em 12 de março de 2009 
  10. a b c Cadena SER, ed. (12 de julho de 2006). «Informe da Guarda Civil (Capítulo IV)». Consultado em 12 de março de 2009 
  11. El Diario Basco, ed. (26 de julho de 2006). «Beloki, Nozal, Davis, Contador e Paulinho, exculpados». Consultado em 13 de março de 2009 
  12. O Mundo, ed. (10 de março de 2007). «O juiz archiva a 'operação Porto' que deixou sem correr a 54 ciclistas suspeitos». Consultado em 13 de março de 2009 
  13. Uriarte, Mikel (22 de dezembro de 2007). «Joseba Beloki põe fim a dez anos de corrida». ABC. Consultado em 26 de novembro de 2015 
  14. Beloki, Joseba (2 de outubro de 2011). «25 S Maratona de Berlim». Ciclismoafondo Blogs. Consultado em 25 de agosto de 2012. Cópia arquivada em 28 de agosto de 2012 
  15. Urtekaria (ed.). «Palmarés completo de Joseba Beloki». Consultado em 17 de outubro de 2009 
  16. Até a 20 de junho
  17. Desde 21 de junho

Ligações externasEditar