Juan Carlos da Espanha

Rei da Espanha (1975-2014)
(Redirecionado de Juan Carlos I)

João Carlos I (nome completo em espanhol: Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias; (Roma, 5 de janeiro de 1938) foi Rei da Espanha de 1975 até sua abdicação em 2014. Em 2020, autoexilou-se de Espanha devido a uma investigação num caso de corrupção. [1]

João Carlos I
Rei da Espanha
Reinado 22 de novembro de 1975
a 19 de junho de 2014
Entronamento 27 de novembro de 1975
Antecessor(a) Afonso XIII (deposto em 1931)
Sucessor(a) Filipe VI
 
Esposa Sofia da Grécia e Dinamarca
Descendência Elena, Duquesa de Lugo
Cristina da Espanha
Filipe VI da Espanha
Casa Bourbon
Nome completo Juan Carlos Afonso Vítor Maria de Bourbon e Bourbon-Duas Sicílias
Nascimento 5 de janeiro de 1938 (82 anos)
  Roma, Itália
Pai João, Conde de Barcelona
Mãe Maria das Mercedes de Bourbon-Duas Sicílias
Religião Catolicismo
Assinatura Assinatura de João Carlos I

Nasceu na Itália durante o exílio do seu avô, o rei Afonso XIII de Espanha, sendo filho do infante Juan, Conde de Barcelona e sua esposa a princesa María de las Mercedes de Borbón-Dos Sicilias. Afonso XIII havia reinado em Espanha até 1931, quando foi deposto e a Segunda República Espanhola foi instaurada. Por expresso desejo de seu pai, a sua formação fundamental desenvolveu-se em Espanha, onde chegou pela primeira vez aos dez anos, procedente de Portugal, onde residiam seus pais desde 1946, na vila atlântica do Estoril, e foi aluno interno num colégio dos Marianistas da cidade suíça de Friburgo. [2] [3]

O ditador Francisco Franco foi quem, em 1969, nomeou João Carlos como o futuro rei, após Espanha já ter extinto a monarquia.[4] Após a morte de Franco, conseguiu fazer a transição pacífica do regime franquista para a democracia parlamentar, gerando o consenso entre os diversos partidos políticos, incluindo regionais, e, segundo sondagens de opinião, uma grande popularidade entre os espanhóis. [2] [3]

Contudo, alguns incidentes, principalmente durante os últimos anos de seu reinado, levaram o rei a perder parte da popularidade e fazer com que a monarquia fosse questionada. [5]

Em 2 de junho de 2014, o primeiro-ministro Mariano Rajoy recebeu do monarca a sua carta de abdicação.[6][7] Sucedeu-lhe o seu filho, Filipe VI, após a aprovação de uma lei orgânica tal como estabelece o artigo 57.5 do texto constitucional espanhol.[8] Em 11 de junho de 2014, o parlamento espanhol aprovou sua abdicação, com 299 votos a favor, 19 contra e 23 abstenções.[9]

VidaEditar

Juventude e educaçãoEditar

 
Juan Carlos de Bourbon junto com seu pai e seu irmão Afonso.

João Carlos nasceu em Roma, onde o rei Afonso XIII e toda a corte espanhola estavam vivendo em consequência da proclamação da Segunda República Espanhola. A sua infância foi inteiramente ocupada pelos interesses políticos do seu pai e do general Francisco Franco. Por desejo expresso de seu pai, sua educação fundamental foi desenvolvida na Espanha, à qual ele chegou pela primeira vez aos dez anos, de Portugal, onde os Condes de Barcelona residiam desde 1946, na cidade Atlântica do Estoril, e depois de seu estágio como aluno interno na escola marianista na cidade suíça de Friburgo. Juan Carlos mudou-se para Espanha em 1948 a fim de ser educado na terra natal dos seus ancestrais, para tal seu pai teve de convencer Franco a permitir isso. [2] [3]

Juan Carlos iniciou os seus estudos no Instituto San Sebastián e em 1954 terminou o bacharelato no Instituto San Isidro, em Madrid. Desde 1955 estudou nas Academias e Escolas Militares dos três Exércitos, onde adquiriu o grau de Oficial. Nesta etapa realizou a sua viagem de práticas como guarda-marinha no navio escola "Juan Sebastián Elcano", e obteve o seu título de piloto militar. [2]

Em março de 1956, o irmão mais novo de João Carlos, Alfonso, faleceu devido a um acidente evolvendo uma arma na Villa Giralda, a casa de veraneio da família no Estoril, em Portugal. Logo após o incidente, a imprensa divulgou que a arma teria sido manuseada por Juan Carlos no momento do acidente. Josefina Carolo, empregada da mãe de Juan Carlos alegou que o monarca havia puxado o gatilho sem saber que a arma estava carregada. Este fato não é referido na sua biografia oficial e é um assunto de controvérsia.[10]

Em 1957, Juan Carlos passou um ano na escola naval de Pontevedra e depois na escola aérea em San Javier. Entre 1960 e 1961 completou sua formação na Universidade Complutense de Madrid, onde cursou Direito Político e Internacional, Economia e Finanças Públicas. [2]

CasamentoEditar

 
Príncipe Juan Carlos da Espanha e a princesa Sofia da Grécia e Dinamarca durante sua cerimônia de casamento.

Em 14 de maio de 1962 contraiu matrimônio em Atenas com SAR a princesa Sofia da Grécia, filha dos reis da Grécia de então. Ela era ortodoxa mas, devido ao casamento, converteu-se ao catolicismo romano. Depois das bodas, os príncipes começaram a residir no Palácio da Zarzuela, nos arredores de Madrid.

Vida políticaEditar

Príncipe de Espanha: 1969-1975Editar

O regime de Francisco Franco tinha chegado ao poder durante a Guerra Civil Espanhola, que tinha corroído republicanos, anarquistas, socialistas, comunistas e apoiado pelos soviéticos e por Estaline, ditador comunista, e contra os conservadores, monárquicos, nacionalistas e fascistas. Com o último grupo, em última análise emergentes, foram bem sucedidos com o apoio do vizinho Portugal e as grandes potências europeias do Eixo de Itália e a Alemanha nazista. Apesar da sua aliança com monárquicos, Franco não estava ansioso por restaurar a monarquia deposta, estando ele no poder, preferindo estar à cabeça com um regime próprio como Chefe de Estado para a vida. Apesar dos apoiantes partidários de Franco geralmente aceitarem este regime, muito rapidamente iniciaram um debate sobre quem iria substituir Franco quando ele morresse. As facções monárquicas exigiram a devolução de uma monarquia absoluta de linha dura, e posteriormente Franco concordou que o seu sucessor seria um monarca.

O herdeiro do trono da Espanha foi Juan de Bourbon (Conde de Barcelona), o filho do falecido Afonso XIII. No entanto, Franco via-o com extrema desconfiança, acreditando que ele fosse um liberal que se opunha ao seu regime. Franco considerou então dar o trono para o primo João Carlos Afonso, Duque de Anjou e de Cádiz. Afonso tinha casado com uma neta de Franco, em 1972 e era conhecido por ser um fervoroso franquista. Em resposta, João Carlos começou a utilizar o seu segundo nome Carlos para fazer valer o seu pedido à herança do ramo Carlista da sua família.

Em última instância, Franco decidiu ignorar a geração e escolheu como sucessor o príncipe Juan Carlos. Franco esperava que o jovem príncipe poderia ser preparado para assumir a nação, embora continuando a manter a natureza ultraconservadora do seu regime. Em 1969, Juan Carlos foi oficialmente designado herdeiro e foi dado o novo título de Príncipe de Espanha (e não o tradicional de Príncipe das Astúrias). Como condição de ser chamado como herdeiro aparente, ele teve de jurar fidelidade a Franco e ao Movimento Nacional, o que fez com pouca hesitação.

Juan Carlos reuniu-se com Franco e consultou-o muitas vezes ao mesmo tempo que o herdeiro aparente, e muitas vezes, realizava funções oficiais e cerimoniais de Estado, a par do ditador, o que provocava a ira dos republicanos moderados e mais liberais, que esperava que traria a morte de Franco, numa era de reforma. Durante esses anos, Juan Carlos apoiou publicamente o regime. No entanto, à medida que os anos progrediam, começou a reunião com líderes da oposição política e exilados, que foram lutar para levar a reforma liberal do país. Ele também teve conversas secretas com o seu pai pelo telefone. Franco, por seu lado, desconhecia as ações do príncipe e negou as alegações de que Juan Carlos foi, de qualquer forma, desleal à sua visão do regime.

Durante os períodos em que Franco esteve incapaz, temporariamente, em 1974 e 1975, Juan Carlos foi agindo como Chefe de Estado. Perto da morte, em 30 de outubro de 1975, Franco deu o controle total a Juan Carlos. Em 22 de novembro, após o falecimento de Franco, as Cortes Gerais proclamaram Juan Carlos como rei da Espanha e, em 27 de novembro, ascendeu ao trono espanhol numa cerimónia chamada de Unção do Espírito Santo, uma missa que foi o equivalente a uma coroação, na Igreja dos Jerónimos, em Madrid.

"Rei de todos os espanhóis" (1975-2014)Editar

 
Juan Carlos recebendo Nicolae Ceauşescu, em 1979.

Depois da morte do anterior Chefe de Estado, Francisco Franco, Juan Carlos foi proclamado rei a 22 de novembro de 1975, e pronunciou nas Cortes a sua primeira mensagem à nação, na qual expressou as ideias básicas do seu reinado: restabelecer a democracia e ser rei de todos os espanhóis, sem exceção.

A transição para a democracia, pilotada por uma nova equipe, começou com a Lei da Reforma Política em 1976. Em maio de 1977, o Conde de Barcelona, seu pai, transmitiu ao rei os seus direitos dinásticos e a Chefia da Casa Real espanhola, num ato que constatava o cumprimento do papel que pertencia à Coroa no retorno da democracia. Um mês mais tarde, celebraram-se as primeiras eleições democráticas desde 1936, e o novo parlamento elaborou o texto da atual Constituição, aprovada por referendo a 6 de dezembro de 1978 e sancionada por Juan Carlos em sessão solene das Cortes Gerais de 27 do mesmo mês. A Constituição estabelece, como forma política do Estado, a monarquia parlamentar, em que o rei arbitra e modera o funcionamento regular das instituições políticas. Na sua mensagem às Cortes, Juan Carlos proclamou expressamente o seu propósito de aceitá-la e servi-la. Em suma, foi a atuação do monarca que salvou a Constituição e a democracia na noite de 23 de fevereiro de 1981, quando os demais poderes constitucionais estavam centrados no parlamento por uma intenção golpista.

Ao longo do seu reinado, visitou oficialmente a quase totalidade dos países do Mundo e os principais organismos internacionais, tanto de caráter universal como regional.

A função de estadistaEditar

Juan Carlos impulsionou um novo estilo nas relações ibero-americanas, sobressaindo as marcas de identidade próprias de uma comunidade cultural que se baseia em duas línguas principais (português e espanhol) e assinalando a necessidade de elaborar iniciativas conjuntas e participar em fórmulas adequadas de cooperação. Esta é a razão de ser das Cimeiras Ibero-americanas, cuja primeira sessão teve lugar em Guadalajara, México, em 1991.

Juan Carlos recordou sempre a vocação europeia de Espanha ao longo da sua história e elaborou o seu processo de incorporação às Comunidades Europeias. A importância da União Europeia no mundo contemporâneo e em particular nas áreas em que são afins, incluindo a Ibero-américa, tem sido presente nas numerosas mensagens do Rei.

Seu perfil europeísta e o seu papel no restabelecimento da democracia em Espanha foram reconhecidos através de numerosos Prêmios Internacionais.

Atento sempre ao mundo intelectual e a sua capacidade de inovação, Juan Carlos exerce o Alto Patronato das Reais Academias e mantém uma assídua relação com os âmbitos culturais e em particular com a Universidade. Foi investido Doutor Honoris Causa por uma trintena de prestigiosas universidades espanholas e estrangeiras.

A língua castelhana, património da comunidade de hispano-falantes, e seu prometedor futuro no mundo atual são os temas que merecem a sua especial atenção. Impulsionou a criação da Fundação Pro Real Academia que se constituiu com a participação de entidades públicas e privadas em 1994. É também o Presidente Honorário do Patronato do Instituto Cervantes, encarregado da difusão do espanhol no mundo. Todos os anos entrega o Prêmio Cervantes, que distingue os melhores escritores da língua espanhola nos continentes Europa e América.

Através das diversas fundações de que é presidente honorário, apoia pessoalmente a criação e o desenvolvimento de novas tecnologias em Espanha, e alimenta numerosas iniciativas nas áreas da economia e a empresa, a investigação, os avanços sociais e o desenvolvimento solidário da convivência espanhola nas suas mais variadas manifestações.

A Constituição estabelece que o rei é o chefe supremo das Forças Armadas. No exercício da sua função, Juan Carlos reunia-se uma vez por ano com os três exércitos na festa da Páscoa Militar, presidia à entrega de despachos e diplomas nas Academias e Escolas Superiores Militares, visitava numerosas unidades e assistia às suas manobras e exercícios.

Divergência com Hugo ChávezEditar

Durante a Conferência Ibero-Americana de 2007 realizada em Santiago do Chile, quando o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez criticou o ex-presidente do governo espanhol José María Aznar chamando-o de fascista, interrompendo constantemente o presidente do governo Zapatero, Juan Carlos disse a Chávez: ¿Por qué no te callas? (Por que não te calas?). O incidente tornou-se num fenómeno mediático mundial.

Visitas ao BrasilEditar

Juan Carlos esteve no Brasil pela última vez em 2012, em visita de estado, com o compromisso de debater com a ex-presidente Dilma Rousseff questões relativas à redução das exigências feitas para a autorização da entrada de brasileiros na Espanha e de espanhóis no Brasil.[11] O monarca já havia visitado o país durante a conferência ECO-92, e sempre manteve relações de proximidade com o Brasil, já que é sobrinho da princesa Maria da Esperança de Bourbon, esposa do falecido pretendente a herdeiro do trono Imperial brasileiro, Pedro de Alcântara Gastão de Orléans e Bragança, do Ramo de Petrópolis.

Vida pessoal e famíliaEditar

 
Juan Carlos e a esposa Sofia.

Juan Carlos casou-se em Atenas, na Igreja de São Dinis, no dia 14 de maio de 1962, com a Princesa Sofia da Grécia, filha do rei Paulo I da Grécia. Sofia era cristã ortodoxa, mas se converteu ao catolicismo para se tornar rainha de Espanha. Do casamento nasceram duas filhas, a infanta Elena e a infanta Cristina, e o atual rei, Felipe.

Nas bodas de prata do casamento Juan Carlos e Sofia tiraram uma fotografia oficial no Palácio da Zarzuela e organizaram uma recepção para casais também unidos a 14 de maio de 1962.

Em 2012, não existiram comemorações dos 50 anos de casamento, pois Juan Carlos manteve um relacionamento amoroso com Corina Larsen, uma divorciada nascida a 28 de janeiro de 1964 (56 anos)) que mantém o título e apelido do segundo marido, o príncipe Casimir zu Sayn-Wittgenstein entre 2006 e 2013.[12][13]

Tanto Juan Carlos como a esposa são fluentes em várias línguas. Eles falam espanhol, catalão, francês e inglês. Diferente da rainha, no entanto, Juan Carlos não fala alemão, nem a língua nativa desta, o grego, um fato que ele lamenta. Além das referidas línguas, o rei fala fluentemente italiano e português.

Juan Carlos também é membro da Organização Mundial do Movimento Escoteiro.[14]

Interesses pessoaisEditar

 
Palácio Real de Madrid (residência oficial dos reis espanhóis). Construído a partir de 1738 sobre o Antigo Alcázar Real.

Assíduo praticante de vários desportos, sobretudo o esqui e a vela, Juan Carlos apoia a prática desportiva como escola de formação de grande valor social. A presença dos reis e da família real e o seu estímulo às equipas olímpicas espanholas é constante e teve especial relevo durante os Jogos Olímpicos de 1992 em Barcelona. [15]

Sendo amante do mar, competiu no iatismo na classe Dragão nos Jogos Olímpicos de Munique 1972, embora não tenha vencido nenhuma medalha. No verão, nas suas férias, toda a família reúne-se em Marivent Palace (Palma de Maiorca) e no iate Fortuna, onde eles participam nas competições de vela. No inverno, eles costumam ir esquiar em Baqueira-Beret (Catalunha) e Candanchú (Pirenéus).

Em outubro de 2004 indignou ativistas ambientais após matar nove ursos (um dos quais era uma fêmea grávida), no centro da Roménia.[16] Em agosto de 2006, alega-se que João Carlos teria caçado alcoolizado na Rússia; o gabinete do monarca espanhol contesta estas alegações, as quais são feitas por autoridades regionais russas.[17]

Juan Carlos é ainda um operador de rádio amador e detém a chamada EA0JC. Seu gosto incógnito de pilotar motocicletas já foi levantado, devido a lendas urbanas que dizem que pessoas já encontraram o rei a andar pelas estradas, sozinho.

É também é um grande fã de touradas, eventos que acompanha todos os anos. [18] [19]

SaúdeEditar

Ainda em criança sofreu uma apendicite. Em 1981 ficou ferido no tórax, na anca, no antebraço, nas mãos e no nariz, depois de partir uma porta de vidro durante uma partida de squash, em La Zarzuela.

Em 1985, uma nova operação, desta vez devido a uma fibrose causada na sequência de uma fissura na pélvis, depois de uma queda, enquanto esquiava na Suíça. Em 1991, uma nova lesão, na tíbia, em circunstâncias idênticas.

Em 2010, Juan Carlos extraiu um tumor benigno do pulmão direito e em 2011, sofreu outras duas intervenções: primeiro, em junho,no tendão de Aquiles do pé esquerdo e, mais tarde, em setembro, no joelho direito, para colocar uma prótese.

Em 2012, uma luxação na anca direita, após uma queda enquanto caçava elefantes em Botswana, obrigou o rei a uma nova cirurgia, com a colocação de uma prótese no quadril (anca), que depois deslocou-se e obrigou-o a mais uma intervenção cirúrgica. [20]

PolêmicasEditar

Relacionamentos extraconjugaisEditar

Durante muitos anos, a imprensa falou sobre diversos relacionamentos extraconjugais de Juan Carlos, inclusive reportando que o casamento com Sofia havia fracassado apenas alguns anos após as bodas. Vários nomes de possíveis amantes foram vinculados ao rei, sendo o mais notório deles o de uma empresária alemã, Corinna Larsen. Diversas pessoas do entorno de Juan Carlos confirmaram a relação depois de sua abdicação, quando o assunto estava mais que nunca repercutindo na imprensa espanhola. Álvaro de Orleans, um parente do rei, disse em julho de 2020 que a relação dos dois lhe dava "calafrios". "Aquilo havia se transformado numa paixão muito forte. Havia se transformado em algo tóxico. [21] [22] [23]

O romance com Corinna teria iniciado no ano de 2004 e terminado na época da abdicação de Juan Carlos. Naqueles tempos, segundo relatos, o rei estava a ponto de se divorciar de Sofia para se casar com Corinna. Há também relatos de que a alemã estaria pressionando o rei para se tornar rainha da Espanha. "Ele estava disposto a tudo para iniciar uma nova vida com ela", escreveu o El País em agosto de 2020. [24] [25]

Corinna seria, a partir do fim da relação, uma detratora do rei, relatando diversos casos de corrupção nos quais o rei estava envolvido. Ela também revelou que desde então recebia ameaças de pessoas que trabalhavam para a monarquia espanhola, com o objetivo de amedrontá-la e calá-la. [26] [27] [28]

O sofrimento de Sofia durante o casamento rendeu um livro, chamado A Solidão da Rainha, que afirma que "ela se casou com quem não a queria". [29]

Polêmica com caça de animais em perigo de extinção e fotos com CorinnaEditar

Em abril de 2012 a imprensa divulgou que Juan Carlos participou de caça a elefantes em África e que as atividades de caça predatória eram bancadas com dinheiro do contribuinte espanhol. Na sequência do safari os sócios da organização filial espanhola do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) afastaram o monarca do cargo de presidente honorário, que ocupava desde a fundação da organização em 1968. [30]

Nas fotos desta caça, em Botsuana, ele aparecia com Corinna Larsen, o que acabou sendo um grande escândalo na Espanha , tendo Juan Carlos, inclusive, num caso sem precedentes, pedido desculpas publicamente aos espanhóis. De acordo com parte da imprensa, este escândalo em particular (junto com seus problemas de saúde e o envolvimento de sua filha Cristina e do marido desta num caso de corrupção, o Caso Nóos) foi um dos motivos de sua abdicação. [25] [31]

Recebimento ilegal de 65 milhões de eurosEditar

Em Março de 2020, a procuradoria anticorrupção de Espanha fez um pedido formal ao Ministério Público suíço para investigar uma doação de 65 milhões de euros a uma conta bancária na Suíça em nome de Corinna Larsen, amante de Juan Carlos de 2004 a 2014, e oriunda de uma fundação no Panamá. O pedido de informações surge na sequência de as autoridades judiciais terem realizado um pedido semelhante a Madrid.

Corinna Larsen afirmou que o dinheiro que recebeu do rei de Espanha em 2012 foi um presente por amor e por gratidão[32].

Espanhóis e suíços suspeitam que a fonte do dinheiro é a Arábia Saudita e está relacionado com um alegado crime de suborno na construção da linha ferroviária de alta velocidade que liga Meca a Medina.

A operação foi detetada pelos procuradores suíços, durante uma investigação a operações de branqueamento de capitais no país. O dinheiro saiu do Ministério das Finanças da Arábia Saudita e chegou às contas de uma fundação do Panamá, cujo último beneficiário era Juan Carlos.

Como rei emérito, Juan Carlos perdeu a imunidade. No entanto, continua a ter imunidade em relação aos anos do seu reinado. [33]

AutoexílioEditar

Na tarde do dia 03 de agosto de 2020, inesperadamente, a Casa Real anunciou através de um um comunicado que o rei Juan Carlos havia deixado a Espanha para proteger a instituição. Uma carta do ex-rei foi divulgada, onde se lia: "devido a repercussão pública que estão gerando certos acontecimentos passados da minha vida privada (...) comunico minha imediata decisão de transferir-me para fora da Espanha". A decisão repercutiu em toda imprensa espanhola e internacional. O El País da Espanha escreveu, por exemplo, uma matéria intitulada "Ascenção e queda de Juan Carlos I". [34] [35]

Internacionalmente, houve materias na BBC, CNN, Financial Times, Reuters, G1, entre outros. [36] [37] [38] [39] [40] [41]

A revista Veja se referiu ao assunto como "vexame na saída". [41]

AscendênciaEditar

DescendênciaEditar

Filhos e netos

AbdicaçãoEditar

Em 2 de junho de 2014, o rei fez uma declaração televisiva e radiofónica às 13h, hora de Madrid, para anunciar a sua abdicação e explicar aos espanhóis os motivos que o levaram a tomar a decisão de abdicar em favor do seu filho Filipe.[6][7]

Títulos e honrasEditar

Estilo de tratamento de
Juan Carlos da Espanha
 

Brasão de armas de Juan Carlos

Estilo Sua Majestade
Tratamento direto {{{directo}}}
Estilo alternativo Sua Majestade Católica

Títulos reaisEditar

Juan Carlos é um descendente direto de muitos famosos governantes de diferentes países europeus, como Carlos V da Alemanha (que reinou em Espanha como Carlos I), Luís XIV da França e da rainha Vitória do Reino Unido. Por isso, ele está relacionado com todos os atuais monarcas da Europa.

A atual constituição espanhola refere-se à monarquia como "a Coroa de Espanha" e ao título do monarca constitucional, simplesmente, como Rey/Reina de España ("Rei/Rainha de Espanha"). No entanto, a constituição prevê a utilização de outros títulos históricos relativos à monarquia espanhola, sem precisar deles. Um decreto promulgado em 6 de novembro de 1987, o Conselho de Ministros regulamenta que o rei pode usar outros títulos relativos à Coroa. Contrariamente a algumas convicções, a lista de títulos, que contém mais de 20 referências como rei e outros títulos, não está em uso, nem mesmo na diplomacia espanhola. Na verdade, nunca foram utilizados todos os títulos, assim como "Espanha" nunca foi parte da lista do pré-1837, quando a longa lista foi oficialmente usada.

Este estilo feudal foi utilizado pela última vez, oficialmente, em 1836, por Isabel II de Espanha antes de ela se tornar rainha constitucional.

Títulos oficialmente em usoEditar

Sua Majestade o Rei Emérito Juan Carlos, de Castela, de Leão, de Aragão, das Duas Sicílias, de Jerusalém, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valência, da Galiza, da Sardenha, da Córsega, de Córdova, de Múrcia, de Jaén, de Algeciras, de Gibraltar, das Ilhas Canárias, das Índias Orientais e Ocidentais e das Ilhas e Terra Firme do Mar Oceano, Arquiduque de Áustria, Duque de Borgonha, de Brabante (nos Países Baixos), de Milão, de Atenas e de Neopatria, Conde de Habsburgo, de Flandres, do Tirol, do Roselão e de Barcelona, Senhor de Biscaia e de Molina.

Honras militaresEditar

Como Chefe de Estado espanhol foi, por inerência, Capitão General das Reais Forças Armadas e seu Comandante Supremo. Atualmente, é capitão-general da reserva.

Outras honrasEditar

Ele tem sido o destinatário de numerosos diplomas honorários, incluindo a partir da Universidade de Santo Tomás, Filipinas, Southern Methodist University (onde, em 2001, ele abriu oficialmente o Museu Meadows, onde está patente a maior coleção de arte espanhola fora de Espanha), e a Universidade de Santa Maria do Texas. João Carlos também recebeu uma menção honrosa do Doutorado em Direito da Universidade de Nova Iorque, e da Universidade de Utrecht, Países Baixos (25 de Outubro de 2001).[42] Em 1997, a Universidade de Nova Iorque abriu o Centro Rei João Carlos I de Espanha (para promover a investigação e o ensino da língua espanhola) na histórica Judson Hall e nos edifícios adjacentes em Washington Square, em Nova Iorque. Ele também é membro da Organização Sons da Revolução Americana.[43] Em 1996 recebeu o prêmio Jean Monnet da Fundação Jean Monnet para a Europa, pelo seu trabalho sobre a integração da Comunidade Europeia em Espanha.

Para além destas, Juan Carlos foi também:

Juan Carlos é também:

PrémiosEditar

Recebeu o Prémio Felix Houphouet-Boigny para a Procura da Paz pela UNESCO.

Ver tambémEditar

O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Juan Carlos da Espanha

ReferênciasEditar

  1. «Investigado por corrupção, rei emérito Juan Carlos anuncia saída da Espanha». Folha de S.Paulo. 3 de agosto de 2020. Consultado em 4 de agosto de 2020 
  2. a b c d e «Rey Juan Carlos». www.bekia.es (em espanhol). Consultado em 4 de agosto de 2020 
  3. a b c Us.Hola.com. «Rey Juan Carlos. Noticias, fotos y biografía de Rey Juan Carlos». us.hola.com (em English). Consultado em 4 de agosto de 2020 
  4. "Those Apprentice Kings and Queens Who May – One Day – Ascend a Throne," New York Times. 14-11-1971.
  5. «Após escândalo do rei, monarquia é questionada». VEJA. Consultado em 4 de agosto de 2020 
  6. a b publico.pt (2 de junho de 2014). «Rei Juan Carlos de Espanha abdica». 2 de junho de 2014. Consultado em 2 de junho de 2014 
  7. a b [[El Mundo (Espanha)|]] (2 de junho de 2014). «El Rey abdica». 2 de junho de 2014. Consultado em 2 de junho de 2014 
  8. El Rey renuncia y abre el proceso sucesorio
  9. «Parlamento espanhol aprova abdicação do rei Juan Carlos por ampla maioria». O Globo. 11 de junho de 2014. Consultado em 4 de agosto de 2020 
  10. Justin Sparks e Peter Conradi, Juan Carlos ‘killed brother in prank’, The Sunday Times, 11 de maio de 2003. Acesso em 29 de dezembro de 2007.
  11. «Rei da Espanha visita o Brasil» 
  12. «Reis de Espanha sem festa das Bodas de Ouro» 
  13. «Ex-amante (e testa de ferro) de Juan Carlos I revela os seus negócios secretos» 
  14. «Einladung zun Pressegespräch am 18.September-World Scout Foundation in Österreich-Seine Mäjestät Carl XVI von Schweden zu Gast in Wien» (PDF) (em German). Pfadfinder und Pfadfinderinnen Österreichs. Consultado em 14 de setembro de 2008. Arquivado do original (PDF) em 3 de outubro de 2008 
  15. «Rei emérito da Espanha é campeão mundial de vela aos 79 anos». VEJA. Consultado em 4 de agosto de 2020 
  16. Romania: Elite Hunting Spree Sparks Calls For Better Animal Protection, RFE/RL, 27 de janeiro de 2005
  17. "Royal row over Russian bear fate", BBC News, 20 de outubro de 2006
  18. «La divertida tarde de toros del rey Juan Carlos con su hija Elena y su nieta». HOLA USA (em espanhol). 10 de abril de 2016. Consultado em 3 de agosto de 2020 
  19. «Don Juan Carlos, con la Fiesta de los toros». abc (em espanhol). 20 de maio de 2015. Consultado em 3 de agosto de 2020 
  20. «Juan Carlos de Espanha vai ser operado pela 15.ª vez» 
  21. «Una "pasión tóxica": así describe el primo de Juan Carlos I su relación con Corinna». El Confidencial (em espanhol). 7 de julho de 2020. Consultado em 3 de agosto de 2020 
  22. S.L, Titania Cía Editorial. «Corinna zu Sayn-Wittgenstein». El Confidencial (em espanhol). Consultado em 3 de agosto de 2020 
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  24. Junquera, Natalia (3 de agosto de 2020). «Corinna Larsen, de "princesa serenísima" a pesadilla real». EL PAÍS (em espanhol). Consultado em 3 de agosto de 2020 
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  26. «Corinna afirma que Juan Carlos I le reclamó el dinero el año que abdicó». ELMUNDO (em espanhol). 17 de julho de 2020. Consultado em 3 de agosto de 2020 
  27. Irujo, José María (19 de julho de 2020). «Las contradicciones de Corinna Larsen sobre el rey emérito». EL PAÍS (em espanhol). Consultado em 3 de agosto de 2020 
  28. Irujo, José María (4 de julho de 2020). «Corinna Larsen declaró que Juan Carlos I le dio 65 millones "por gratitud" y no para esconder el dinero». EL PAÍS (em espanhol). Consultado em 3 de agosto de 2020 
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  30. «Ocupado por rei da Espanha, posto de presidente de honra é extinto por WWF». VEJA. Consultado em 4 de agosto de 2020 
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Ligações externasEditar

Precedido por
Vacante
Segunda República Espanhola em vigor
Último detentor do título:
Afonso XIII
 
Rei da Espanha

22 de novembro de 1975 - 18 de junho de 2014
Sucedido por
Filipe VI
Precedido por
Jaime, Duque de Segóvia
---
Juan, Conde de Barcelona
- TITULAR -
Rei de Espanha

19 de julho de 1969 - 22 de Novembro de 1975
Motivo da sucessão fracassada:
Monarquia abolida em 1931
Sucedido por
Monarquia restaurada
Precedido por
Afonso de Bourbon, duque de Berry
Linha de sucessão legitimista
ao trono francês

3.ª posição
Sucedido por
Filipe VI da Espanha