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Religião da Coreia do Norte

(Redirecionado de Juche)
Norte-coreanos a venerar estátua do ditador Kim Il-sung.

Segundo alguns críticos, a Coreia do Norte preza pelo ateísmo. Para outros, detém uma ideologia própria, que consistiria no marcante culto ao seu governante atual e aos anteriores, o qual poderia ser considerado uma prática religiosa. Mas grande parte concorda que há grande perseguição àqueles que insistem em opor-se ao regime e seguir doutrinas alternativas.

Por fim, há ainda críticas à ideia de opressão ditatorial e que defendem que trata-se apenas de uma manipulação ocidental que visa prejudicar a impressão internacional acerca da Coreia do Norte.

Índice

Kim Il-sungEditar

Kim Il-sung, o avô do atual ditador, entendeu que precisava eliminar a influência da Igreja para governar soberano. Quando ele assumiu o poder, em 1948, com a ajuda da URSS, buscou-se banir as religiões, assim como em outros países socialistas. Templos foram fechados. Livros sagrados foram destruídos.

 
Símbolo da Juche

Em 1955, em um discurso público, Kim Il-sung começou a difundir sua própria ideologia, a juche, cuja a ideia central baseia-se no princípio filosófico de que o homem é o mestre de tudo e tudo decide. A julgar pelo seu caráter personalista, pela exigência de fidelidade total e pela execução de rituais, a juche constitui outra religião. “Andando pela cidade em diferentes momentos, horários e lugares, eu vi cenas espontâneas de devoção religiosa”, diz o ex-embaixador do Brasil em Pyongyang Roberto Colin.

Kim Il-sung, que hoje aparece em 40 000 estátuas no país, é considerado como um ser divino e infalível. Mesmo postumamente, permanece sua consideração como o “eterno presidente”. Lá, os anos são contados a partir do seu nascimento. O ano de 2018, por exemplo, é o Juche 106, porque o avô Kim estaria fazendo 106 anos.

É obrigatória a presença de uma foto de Kim Il Sung e de seu filho, Kim Jong-il, em todas as casas norte-coreanas. Patrulhas policiais costumam invadir a casa das pessoas para ver se a norma está sendo respeitada. Os retratos precisam estar sempre limpos e bem localizados. “Se um incêndio começa em um prédio, as pessoas devem mostrar a sua fidelidade correndo em direção para pegar os retratos”, disse um exilado norte-coreano para o livro Persecuted: de Global Assault on Christians, de Paul Marshall, Lela Gilbert e Nina Shea (Thomas Nelson, 2013). Também é preciso depositar flores em frente às estátuas de Kim Il-Sung no início de cada ano.[1]

JucheEditar

A Ideologia Juche, ou apenas Juche — que em coreano poderia ser traduzido como "autossuficiência"[2] — é a ideologia oficial da Coreia do Norte. O Juche é uma filosofia política que defende que a fonte e os mestres da revolução e da construção social são as massas populares. Segundo o governo norte-coreano, a ideia central do Juche baseia-se no princípio filosófico de que o homem é o mestre de tudo e tudo decide. Trata-se de uma filosofia política voltada para a materialização da independência das massas populares, ou seja, uma filosofia que elucida as bases teóricas de uma política de Estado que conduz o desenvolvimento social até aquilo que eles consideram "o caminho correto", através de independência geopolítica, autossuficiência econômica e autossuficiência bélica, ensejando um firme compromisso com a soberania nacional.[3]

Também conhecido como "Kimilsungismo", o Juche foi idealizado pelo próprio Kim Il-sung, que buscou adaptar preceitos do socialismo stalinista à realidade norte-coreana.[4] Em suas memórias, Kim II-sung afirma que durante a luta revolucionária sua doutrina e seu credo foi o chamado “inminwichon”.[carece de fontes?]

O Juche tem sido promovido pelo governo norte-coreano na política e no sistema educacional desde que o conceito foi elaborado em 1955. Em 1977, o Juche substituiu o marxismo-leninismo na constituição da Coreia do Norte, solidificando a sua posição como ideologia oficial do país.

CaracterísticasEditar

Entre as características do Juche, pode-se assinalar os seguintes aspectos:

Do ponto de vista econômico, o Juche defende a autossuficiência industrial e de serviços, para preservar a dignidade e a soberania da nação, concentrando-se no desenvolvimento da indústria pesada, da defesa nacional e da agricultura. Através desta estratégia, pretende-se que a Coreia do Norte seja autossuficiente em todos os níveis, muito embora os norte-coreanos não descartem a cooperação econômica internacional através do comércio.[6]

Kim Jong-ilEditar

Fatos históricosEditar

Kim Jong-il permaneceu com a política de seu pai, no que diz respeito a aplicação de um comunismo semelhante ao estalinista, à defesa da juche e ao culto de Kim Il-sung.

Narrativa míticaEditar

O canal do YouTube "Despertando ConsCiência" defende que a alienação popular é fácil, de modo que o povo acreditaria em propriedades divinas dos governantes e seguiria cegamente os ideais defendidos pela política norte-coreana. Tal alienação seria simples graças à proibição da Internet no país.[7] Entretanto, vídeos gravados por outro canal, Dicas de Viagem, mostram uma sala de um hotel em Pyongyang em que há diversos computadores, cujo uso é livre para turistas.[8]

Ao ditador são atribuídas diversas características sobrenaturais. A narrativa oficial conta que, quando nasceu, em 1942, um arco-íris duplo apareceu no céu e uma nova estrela surgiu.[1] A Kim Jong-il também são atribuídos:

  • Aprendizado da fala e do andar precocemente;
  • A composição de seis óperas, as quais são consideradas pelos indivíduos do Estado as melhores da história da música;
  • A escritura de 1500 obras, em somente três anos;
  • O controle do tempo;
  • A ausência da necessidade de defecar.[7][9]

Kim Jong-unEditar

O filho mais novo de Kim Jong-il deu continuidade às ideologias de seus antecessores, também da família Kim, e permanece como líder supremo das forças armadas até o momento, enquanto seu avô, de acordo com a religião norte-coreana, é chefe de Estado que lidera o país, postumamente.[7]

Objetivos do governo com a práticaEditar

De acordo com o canal Gabagu, a Coreia do Norte incentiva a descrença em "fantasias", a fim de convergir maior parte da atenção da população ao líder supremo do país. Os habitantes da porção setentrional da península acreditam que o ditador é, na verdade, uma figura da qual emanam igualdade e justiça.[10] Ainda segundo o canal, apesar de 30% da população passar fome no país,[11][12] enquanto grande quantidade de dinheiro é investida na indústria bélica, o povo é induzido a acreditar na benevolência do líder da nação, bem como na péssima influência dos EUA.

Religião norte-coreana e cristianismoEditar

Semelhanças entre a religião norte-coreana e a cristãEditar

O relato mítico do nascimento de Kim Jong-il assemelha-se ao de Jesus Cristo.[1]

O regime insiste em declarar à população que o país é dotado de perfeição, tal qual o Jardim do Éden, embora, obviamente, não o comparem ao local bíblico.

A ideologia pode ter se baseado na Santíssima Trindade, de modo que Kim Il-sung, o Presidente Eterno, seria o Pai, o qual possui a posse plena de benevolência; Kim Jong-il, o Filho; e o espírito de autoconfiança difundido, a Juche, análogo ao Espírito Santo.[10][11]

Perseguição aos cristãosEditar

O governo do país conta com a propaganda para divulgar a imagem de que o regime da dinastia Kim é extremamente benéfico à população, em todos os âmbitos. Também pune severamente aqueles que se opõem à autoridade central.[carece de fontes?] Desde o ensino fundamental, existe a indução de aversão ao cristianismo. O governo alegadamente proíbe livros sagrados e manifestações religiosas. [13][14][15][16][17]

Há vídeos que possivelmente retratam a execução de cristãos no país, devido à sua fé.[18] Existe também relatos de tortura aos opositores do regime[19] e seu cárcere em campos de concentração.[10] Do mesmo modo, há testemunhos de execuções de cidadãos contrários ao governo. Os norte-coreanos também não podem deixar o país.[12] Com medo das perseguições, fiéis renunciam às suas crenças ou encontram-se em igrejas subterrâneas.[13]

Controvérsias em relação à opressãoEditar

De acordo com um canal do YouTube, Juche TV, a imagem que é passada pelo ocidente acerca da crença norte-coreana consiste em uma farsa. A ideologia do Ocidente buscaria enaltecer a si mesma, em detrimento dos ideais da Coreia do Norte. Desse modo, segundo o youtuber, a BBC teria afirmado levianamente que o país peninsular em questão reprime os rituais cristãos e teria proibido a celebração do Natal. A Coreia do Norte, na verdade, apenas visaria livrar a imposição de interesses específicos, como os do cristianismo, sobre os anseios gerais; além não ter hostilizado os que celebraram o nascimento de Jesus Cristo.[20]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c Grant, Jessica. «Você sabia que Pyongyang já foi a Jerusalém do Leste?». Caminhos da missão. Consultado em 21 de abril de 2018. 
  2. Columbia Law School. «Juche Ideology» (em inglês) 
  3. DPR of Korea. «Juche Ideology» (em inglês) 
  4. Seong-Chang Cheong. «STALINISM AND KIMILSUNGISM: A COMPARATIVE ANALYSIS OF IDEOLOGY AND POWER» (PDF) (em inglês) 
  5. Seong-Chang Cheong. «The Parliamentary System of the Democratic People's Republic of Korea» (PDF) (em inglês) 
  6. Kim Jong-il (1982). On the Juche Idea. [S.l.: s.n.] p. 47 
  7. a b c «Coreia do Norte- País Ateu ou Religioso?». Despertando ConsCiência. 1 de dezembro de 2016. Consultado em 29 de março de 2018. 
  8. Dicas de Viagem (30 de abril de 2018), Como foi viajar para a COREIA DO NORTE, consultado em 13 de maio de 2018. 
  9. «Como é a religião na Coreia do norte ?». David Cavalcanti. 30 de abril de 2017. Consultado em 24 de abril de 2018. 
  10. a b c «Como funciona a religião na Coreia do Norte?». Gabagu. 14 de junho de 2017. Consultado em 29 de março de 2018. 
  11. a b «Insight: Religion, North Korean Style». videosbyvision. 25 de abril de 2013. Consultado em 29 de março de 2018. 
  12. a b «'Minha fuga da Coréia do Norte' - A impactante história de Hyeonseo Lee». SanderS777. 23 de julho de 2014. Consultado em 27 de abril de 2018. 
  13. a b «Kim Seong Min: Religion in North Korea». TheFreedomCollection. 20 de julho de 2015. Consultado em 28 de março de 2018. 
  14. «O livro preto na Coreia do Norte». Portas Abertas. 17 de fevereiro de 2018. Consultado em 24 de abril de 2018. 
  15. «PORQUE A BÍBLIA É PROIBIDA NA COREIA DO NORTE?». Ítalo Lima. 2 de junho de 2017. Consultado em 24 de abril de 2018. 
  16. «A realidade dos cristãos da Coréia do Norte: Testemunho Chocante». loucospelasnacoes. 10 de janeiro de 2013. Consultado em 24 de abril de 2018. 
  17. Dicas de Viagem (30 de abril de 2018), Como foi viajar para a COREIA DO NORTE, consultado em 12 de maio de 2018. 
  18. «Bíblias são enviadas por balões para cristãos na Coreia do Norte». Jefferson Castro. 13 de novembro de 2013. Consultado em 29 de março de 2018. 
  19. «Coreia do Norte: A cada quatro Cristãos um está preso!». Ednilson Fernandes Souza. 3 de maio de 2011. Consultado em 29 de março de 2018. 
  20. «Religião na Coreia do Norte: a verdade». Juche TV. 22 de fevereiro de 2018. Consultado em 24 de abril de 2018.