Judith Butler

Filósofa e teórica de gênero americana

Judith Butler (Cleveland, 24 de fevereiro de 1956) é uma filósofa pós-estruturalista estadunidense, uma das principais teóricas contemporâneas do feminismo e teoria queer. Ela também escreve sobre filosofia política e ética. Atualmente, ocupa o cargo de professora do departamento de retórica e literatura comparada da Universidade da Califórnia em Berkeley.[1] Desde 2006, Butler também ocupa o posto honorificamente intitulado "Hannah Arendt" na European Graduate School.

Judith Butler
Nascimento 24 de fevereiro de 1956 (66 anos)
Cleveland, Ohio
Nacionalidade Estados Unidos
Cidadania Estados Unidos
Etnia povo dos Estados Unidos
Alma mater
Ocupação filósofa
Prêmios
  • Bolsa Guggenheim
  • Prêmio Theodor W. Adorno (2012)
  • Prêmio Albertus-Magnus (2016)
  • Prêmio Brudner (2004)
  • honorary doctorate of the Bordeaux Montaigne University (2011)
  • Cavaleiro das Artes e das Letras
  • honorary doctorate from the McGill University (2013)
  • Honorary doctor of the University of Fribourg (2014)
  • Doutor honorário da Universidade de Liège (2015)
  • Doutor Honoris Causa da Universidade de St Andrews (2013)
  • Prêmio Internacional Catalunha (2021)
Empregador Universidade Wesleyan, Universidade da Califórnia em Berkeley, European Graduate School
Obras destacadas Vulnerability in Resistance, Torture and the Ethics of Phiolosophy
Movimento estético pós-estruturalismo

CarreiraEditar

Butler obteve seu Ph.D. em filosofia na Yale University em 1984, e sua dissertação foi publicada como Subjects of Desire: Hegelian Reflections in Twentieth-Century France. Em fins da década de 1980, entre diversas designações de ensino e pesquisa (tais como no Centro de Humanidades na Johns Hopkins University), ela envolveu-se nos esforços de crítica ao estruturalismo presente na teoria feminista ocidental (Claude Lévi-Strauss), questionando os "termos pressuposicionais" do feminismo vigentes.

Judith Butler assume também genealogicamente os preceitos de autores/as que trabalham com o giro linguístico, tanto da escola inglesa (Austin, Searle) quanto da francesa (Derrida, Deleuze), e adota algumas posturas da fenomenologia existencialista de Sartre e Merleau-Ponty. Butler aponta a falsa estabilidade da categoria mulher e propõe buscar um modo de interrogação da constituição do sujeito que não requeira uma identificação normativa com o 'sexo' binário.[2]

Seus trabalhos mais recentes focam a filosofia judaica, centrando-se em particular nas "críticas pré-sionistas da violência estatal".[3][4]

Resumo das principais obrasEditar

Os atos performativos e a constituição do gênero (1988)Editar

No ensaio "Os atos performativos e a constituição do gênero", Judith Butler propõe que gênero é performativo. Com base na fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty e no feminismo de Simone de Beauvoir, ela observa que ambos fundamentam suas teorias na "experiência vivida" e veem o corpo sexual como uma ideia ou situação histórica. Butler distingue sexo (uma "facticidade biológica") e gênero (a "interpretação ou significação cultural daquela facticidade)".[5]

Butler argumenta que o conceito de gênero é melhor entendido como performativo, o que presume a existência de uma plateia social. Também defende que as performances femininas são forçadas e reforçadas por práticas sociais históricas.

Para Butler, o "script" da performance de gênero é transmitido sem esforço de geração em geração na forma de "significados" socialmente estabelecidos: Butler afirma que o "gênero não é uma escolha radical ... [nem é] imposto ou inscrito no indivíduo". Dada a natureza social do ser humano, a maioria das ações é testemunhada, reproduzida e internalizada e, assim, assume uma qualidade performativa ou teatral. De acordo com a teoria de Butler, gênero é essencialmente uma repetição performativa de atos associados ao homem ou à mulher.[6] Atualmente, as ações apropriadas para homens e mulheres têm sido transmitidas para produzir uma determinada atmosfera social que mantém e legitima um binário de gênero aparentemente natural. Butler aceita o conceito de corpo como uma ideia histórica, e sugere que o conceito de gênero deve ser visto como natural ou inato porque o corpo "torna-se seu gênero através de uma série de atos que são renovados, revisados ​​e consolidados ao longo do tempo".[7]

Butler argumenta que a própria performance do gênero cria o gênero. Além disso, ela compara a performatividade de gênero à performance teatral, notando várias semelhanças entre ambas, incluindo a ideia de cada indivíduo funcionando como um ator de seu gênero. No entanto, Butler também traz à luz uma diferença crítica entre a performance de gênero na realidade e as performances teatrais. Ela explica que o teatro é muito menos ameaçador e não produz o mesmo medo que as performances de gênero muitas vezes produzem, devido ao fato de que há uma distinção clara entre realidade e irrealidade dentro do teatro.[8]

Butler usa a noção proposta por Sigmund Freud sobre como a identidade de uma pessoa é modelada em termos do que é considerado normal. Butler modifica a aplicabilidade deste conceito, originalmente restrito ao lesbianismo (Freud afirmava que as lésbicas modelam seus comportamentos com base nos comportamentos de homens, que são o "normal" ou "ideal" percebido). Butler, em vez disso, diz que todo gênero funciona daquela forma de performatividade e representação de uma noção internalizada de normas de gênero.

Problemas de gênero (1990)Editar

 Ver artigo principal: Gender Trouble

O livro "Problemas de gênero: feminismo e subversão de identidade" foi publicado pela primeira vez em 1990 e vendeu mais de 100 000 cópias internacionalmente. O título do livro faz alusão ao filme Problemas Femininos (1974) de John Waters, estrelado pela drag queen Divine. O livro discute as obras de Sigmund Freud, Simone de Beauvoir, Julia Kristeva, Jacques Lacan, Luce Irigaray, Monique Wittig, Jacques Derrida e Michel Foucault.

O ponto crucial levantado por Butler é que a coerência das categorias de sexo, gênero e sexualidade (por exemplo: a aparência de coerência natural do gênero masculino e do desejo heterossexual em corpos masculinos) é culturalmente construída através da repetição de atos "estilizados". Apesar de atos corporais estilizados reiterados criarem a aparência de um gênero ontológico "central" (ou essencial), Butler entende o gênero, junto com o sexo e a sexualidade, como performativo. Butler contesta explicitamente os entendimentos biológicos sobre binarismo sexual. A performance de gênero não é voluntária, na opinião de Butler, e ela acredita que o sujeito de um certo gênero, sexo e atração deve ser construído dentro do que ela chama, tomando emprestado o termo de Vigiar e Punir de Foucault, "discursos reguladores". Estes, também chamados de "estruturas de inteligibilidade" ou "regimes disciplinares", determinam previamente quais possibilidades de sexo, gênero e sexualidade são socialmente permitidas para parecerem coerentes ou "naturais". O discurso regulador inclui técnicas disciplinares que coagem as ações estilizadas e, assim, manter a aparência de gênero, sexo e sexualidade "essenciais".[9]

Corpos que importam: os limites discursivos do "sexo" (1993)Editar

Este livro busca esclarecer interpretações e interpretações equivocadas acerca da performatividade, especialmente aquelas que vêem a encenação de sexo/gênero como uma escolha diária. Butler enfatiza o papel da repetição na performatividade, valendo-se da teoria da "iterabilidade" de Derrida, que é uma forma de "citacionalidade":

A performatividade não pode ser entendida fora de um processo de iterabilidade, repetições regularizadas e restritas de normas. E essa repetição não é realizada por um sujeito; essa repetição é o que capacita um sujeito e constitui a condição temporal para o sujeito. Essa iterabilidade implica que a 'performance' não é um 'ato' ou evento singular, mas uma produção ritualizada, um ritual reiterado sob e por meio de constrangimento, sob e por meio da força da proibição e do tabu, com a ameaça de ostracismo e até mesmo morte controlando e compelindo a forma da produção, mas não, vou insistir, determinando-a totalmente com antecedência.
— Butler

Visões Políticas e ControvérsiasEditar

Butler descreve a si mesma como sendo anti-capitalista, feminista e antissionista, sendo considerada como estando inserida no quadro político da extrema-esquerda. Ao longo dos anos, Butler tem sido particularmente ativa no ativismo dos direitos queers, movimentos feministas e movimentos anti-guerra.[10] Butler participou ativamente do movimento anti-capitalista Occupy Wall Street e expressou publicamente seu apoio a campanha global de Boicote, Desinvestimento e Sanções contra o Estado de Israel e seu apoio a Causa Palestina.[11]

Em 2010, Butler recusou o Prêmio de Coragem Civil (Zivilcouragepreis) do desfile do Christopher Street Day (CSD), um desfile LGBT em Berlim, na Alemanha. Ela criticou o comercialismo do evento e justificou sua recusa citando comentários nas quais ela considerou como sendo islamofóbicos e anti-muçulmanos por parte dos organizadores do evento, que haviam tecido críticas a homofobia no Islamismo e dos refugiados muçulmanos na Alemanha.

Prêmio Adorno de 2012Editar

Quando Butler recebeu o Prêmio Adorno de 2012, o comitê da premiação foi atacado pelo Embaixador de Israel na Alemanha, Yakov Hadas-Handelsman e pelo principal grupo representante de judeus na Alemanha, o Conselho Central de Judeus Alemães, o conselho afirmou que "Recompensar uma odiadora confessa de Israel com um prêmio com o nome de um filósofo que foi forçado a emigrar por ser "meio judeu" não pode ser simplesmente considerado um erro" e concluiu afirmando que "Somente um conselho de curadores sem a força moral necessária para com seus deveres poderia separar a contribuição de Butler para a filosofia de sua depravação moral".[12]

Stephan Kramer, o secretário-geral do Conselho Central, chamou de "ultrajante" a escolha de Butler, afirmando que ela apoia boicotes contra Israel, mas considera o Hamas e o Hezbollah movimentos sociais legítimos.[13]

Butler catalogou os ataques como sendo tentativas de intimidação e acusou os seus críticos de "Tentarem calar e intimidar todos os que são críticos contra Israel e suas políticas", falando que "Flagrantemente falso e absurdo argumentar que aqueles que criticam o Estado de Israel é anti-semita e caso o crítico seja um judeu, ele é um judeu odeia a si mesmo".[14]

Hamas e HezbollahEditar

Butler foi muito criticada por comentários que foram considerados como sendo simpáticos ao Hamas e ao Hezbollah. Em uma palestra na Universidade da Califórnia sobre a guerra entre Israel e o Hezbollah, Butler descreveu o Hamas e Hezbollah como sendo "Movimentos sociais progressistas, de esquerda, que pertencem à esquerda global" e afirmou que é "Extremamente importante que esses grupos sejam incluídos na conversa de esquerda". Na mesma palestra, Butler apoiou boicotes e sanções contra Israel, criticou o lobby judaico em Israel e a investida dos EUA nas guerras no Oriente Médio e o apoio do mesmo ao Estado de Israel.[15]

Após ser duramente criticada por vários grupos e entidades judaicas em todo o mundo, Butler se defendeu falando que seus comentários foram tirados de contexto e afirmou que:

Há alguns anos, um membro de um público acadêmico me perguntou se eu achava que o Hamas e o Hezbollah pertenciam à "esquerda global" e respondi com dois pontos. Meu primeiro ponto foi meramente descritivo: essas organizações políticas se definem como sendo antiimperialistas, progressistas e de esquerda, sendo essas características da esquerda global, portanto, com base nisso, pode-se descrevê-las como parte da esquerda global. Meu segundo ponto foi crítico: como acontece com qualquer grupo da esquerda, é preciso decidir se é a favor ou contra aquele grupo, e é preciso avaliar criticamente sua posição.[16]

Mesmo não repudiando abertamente ambos os grupos, ela se declarou uma notória defensora da não-violência e afirmou que não endossa de modo algum a violência estatal.

Caso de assédio sexual de Avital RonellEditar

Em setembro de 2017, o estudante, Nimrod Reitman, apresentou uma denuncia a reitoria da Universidade de Nova York, acusando a filosofa Avital Ronell de assédio sexual, agressão sexual, perseguição, e retaliação durante o período de três anos como sua conselheira. Em maio de 2018, após uma longa investigação, a universidade considerou Ronell responsável por assédio sexual e a suspendeu pelo ano letivo de 2018-19, mas ela não foi suspensa do quadro de funcionários, o que fez com o estudante entrasse em um processo contra Ronell e contra a Universidade, alegando assédio sexual, agressão sexual e perseguição.[17]

Em 2018, uma carta escrita para a NYU em defesa de Reitman, assinada por figuras importantes nas áreas do feminismo, filosofia, literatura e história, liderados por Judith Butler e contando com nomes como Slavoj Žižek , Joan Scott e Jean-Luc Nancy acabou vazando.[18] A carta foi duramente criticada e seus assinantes foram alvo de um forte escrutínio, por afirmarem que Reitman deveria ser perdoada justificando isso com base na sua importância e por suas contribuições acadêmicas e por colocar em duvida a denuncia do estudante, afirmando que ele estava fazendo uma "Campanha maliciosa" contra Reitman.[19]

O Movimento MeToo ficou sob intenso escrutínio midiático enquanto proeminentes estudiosas feministas e ativistas do movimento, como a própria Butler, continuaram a apoiar Ronell, apesar das acusações de má conduta sexual. O jornal New York Times acusou o movimento e a própria Butler de relativismo e hipocrisia.[17]

Após a intensa repercussão negativa, Butler se desculpou e afirmou lamentar algumas palavras na carta.[20]

RecepçãoEditar

O trabalho de Butler tem influenciado as teorias feminista e queer, os estudos culturais e a filosofia continental.[21] No entanto, sua contribuição para uma série de outras disciplinas - como psicanálise, literatura, cinema e estudos da performance, bem como artes visuais - também foi significativa.[22] Sua teoria da performatividade de gênero, bem como sua concepção do "criticamente queer", não apenas transformaram os entendimentos de gênero e identidade queer no mundo acadêmico, mas também moldaram e mobilizaram vários tipos de ativismo político, particularmente o ativismo queer em todo o mundo.[21][23][24][25] O trabalho de Butler também entrou em debates contemporâneos sobre o ensino de gênero, homoparentalidade e despatologização de pessoas transgênero.[26] Antes da eleição para o papado, o Papa Bento XVI escreveu várias páginas desafiando os argumentos de Butler sobre o gênero.[27] Em vários países, Butler tornou-se o símbolo da destruição de papéis tradicionais de gênero para movimentos reacionários. Este foi particularmente o caso na França durante os protestos contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Bruno Perreau, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, mostrou que Butler foi literalmente retratada como um "anticristo", tanto por causa de seu gênero e sua identidade judaica, como pelo medo de políticas minoritárias e estudos críticos sendo expressos através de fantasias de um corpo corrompido.[28]

Alguns acadêmicos e ativistas políticos sustentam que o afastamento radical de Butler da dicotomia entre sexo e gênero e sua concepção não essencialista de gênero - junto com sua insistência de que o poder ajuda a formar o assunto - revolucionaram a praxis o pensamento e os estudos feminista e queer.[29] Darin Barney, da Universidade McGill, escreve que:

O trabalho de Butler sobre gênero, sexo, sexualidade, queer, feminismo, corpos, discurso político e ética mudou a forma como estudiosos de todo o mundo pensam, falam e escrevem sobre identidade, subjetividade, poder e política. Também mudou a vida de inúmeras pessoas cujos corpos, gêneros, sexualidades e desejos os tornaram sujeitos a violência, exclusão e opressão.[30]
 
Butler em março de 2011 em Toronto, no Canadá.

Outros estudiosos foram mais críticos. Em 1998, a revista Philosophy and Literature, do filósofo estadunidense Denis Dutton, premiou Butler em sua quarta "Bad Writing Competition", que se propôs a "celebrar a má escrita das passagens mais lamentáveis ​​e estilísticas encontradas em livros e artigos acadêmicos".[31] A passagem escrita por Butler, publicada em uma edição de 1997 da revista acadêmica Diacritics, foi assim:

A passagem de um relato estruturalista no qual o capital é entendido para estruturar as relações sociais de maneira relativamente homóloga para uma visão de hegemonia em que as relações de poder estão sujeitas à repetição, convergência e rearticulação trouxe a questão da temporalidade para o pensamento da estrutura e marcou uma mudança na forma de teoria althusseriana que toma as totalidades estruturais como objetos teóricos para uma na qual os insights sobre a possibilidade contingente de estrutura inauguram uma concepção renovada de hegemonia como estando ligada aos locais e estratégias contingentes da rearticulação do poder.[31]

Alguns críticos acusaram Butler de elitismo devido ao seu estilo de prosa difícil, enquanto outros afirmam que ela reduz o gênero ao "discurso" ou promove uma forma de voluntarismo de gênero. A filósofa Susan Bordo, por exemplo, argumentou que Butler reduz o gênero à linguagem e sustentou que o corpo é uma parte importante do gênero, em oposição à concepção de gênero de Butler como performance.[32] Uma crítica particularmente vocal foi feita pela feminista liberal Martha Nussbaum, que argumentou que Butler interpreta erroneamente a ideia de enunciação performativa de J. L. Austin, sendo que faz alegações legais errôneas, impede um local essencial de resistência ao repudiar a agência pré-cultural e não fornece uma teoria ética normativa para dirigir os desempenhos subversivos que Butler endossa.[33] Por fim, Nancy Fraser sugeriu que o foco de Butler na performatividade a distancia das "maneiras cotidianas de falar e pensar sobre nós mesmos. ... Por que devemos usar uma linguagem de auto-distanciamento?"[34]

Butler respondeu às críticas de sua prosa no prefácio de seu livro de 1999, Gender Trouble.[35]

Mais recentemente, vários críticos - mais proeminentemente, Viviane Namaste[36] - criticaram Undoing Gender, de Judith Butler, por enfatizar os aspectos intersecionais da violência baseada no gênero. Por exemplo, Timothy Laurie observa que o uso de frases de Butler como "política de gênero" e "violência de gênero" em relação a agressões a indivíduos transgêneros nos Estados Unidos pode "limpar uma paisagem repleta de relações de classe e trabalho, estratificação urbana racializada e complexas interações entre identidade sexual, práticas sexuais e trabalho sexual", e produzir, em vez disso, uma superfície limpa na qual se imagina que as lutas pelo 'humano' se desenrolem".[37]

A feminista alemã Alice Schwarzer fala que os "jogos intelectuais radicais" de Butler não mudariam como a sociedade classifica e trata uma mulher; assim, eliminando a identidade feminina e masculina, Butler teria abolido o discurso sobre o sexismo na comunidade queer. Schwarzer também acusa Butler de permanecer em silêncio sobre a opressão de mulheres e homossexuais no mundo islâmico, enquanto exerce prontamente seu direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos; em vez disso, Butler defenderia radicalmente o Islã, inclusive o islamismo político, de críticas.[38]

ObrasEditar

  • 1987: Subjects of desire: Hegelian reflections in twentieth-century France. Nova Iorque: Columbia University Press, 1999;
  • 1988: Os atos performativos e a constituição do gênero: um ensaio sobre fenomenologia e teoria feminista
  • 1990: Gender trouble: Feminism and the subversion of identity. Nova Iorque: Routledge, 2006. [ed. brasileira: Problemas de gênero: Feminismo e subersão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003];
  • 1993: Bodies that matter: On the discursive limits of "sex". Nova Iorque: Routledge, 1993. [ed. brasileira: Corpos que importam: Os limites discursivos do "sexo". Tradução de Verônica Daminelli e Daniel Yago Françoli. São Paulo: N-1 Edições e Crocodilo, 2019];
  • 1995: Feminist contentions: a philosophical exchange. Com Benhabib, Seyla; Fraser, Nancy; Cornell, Drucilla. Nova Iorque: Routledge, 1995. [ed. brasileira: Debates feministas: Um intercâmbio filosófico. Tradução de Fernanda Veríssimo. São Paulo: Editora Unesp, 2018];
  • 1997: Excitable speech: A politics of the performative. Nova Iorque: Routledge, 1997.
  • 1997: The psychic life of power: theories in subjection. Stanford: Stanford University Press, 1997. [ed. brasileira: A vida psíquica do poder: Teorias da sujeição. Tradução de Rogério Bettoni. Belo Horizonte: Autêntica, 2017];
  • 2000: Antigone's claim kinship between life and death. Nova Iorque: Columbia University Press, 2000. [ed. brasileira: O clamor de Antígona: Parentesco entre a vida e a morte. Tradução de André Cechinel. Florianópolis: Editora da UFSC, 2014];
  • 2000: Contingency, hegemony, universality: Contemporary dialogues on the left. Com Laclau, Ernesto; Žižek, Slavoj. Londres: Verso, 2000;
  • 2003: Women & social transformation. Com Beck-Gernsheim, Elisabeth; Puigvert, Lídia. Nova Iorque: P. Lang, 2003;
  • 2004: Precarious life: The powers of mourning and violence. Londres: Verso, 2004. [ed. brasileira: Vida precária: Os poderes do luto e da violência. Tradução de Andreas Lieber. Belo Horizonte: Autêntica, 2019];
  • 2004: Undoing gender. Nova Iorque: Routledge, 2004;
  • 2005: Giving an account of oneself. Nova Iorque: Fordham University Press, 2005. [ed. brasileira: Relatar a si mesmo: Crítica da violência ética. Tradução de Rogério Bettoni. Belo Horizonte: Autêntica, 2015];
  • 2007: Who sings the nation-state?: Language, politics, belonging. Com Spivak, Gayatri. Nova Iorque: Seagull Books, 2007. [ed. brasileira: Quem canta o Estado-Nação?: Língua, política, pertencimento. Tradução de Vanderlei J. Zacchi e Sandra Goulart Almeida. Brasília: Editora UnB, 2018];
  • 2009: Is critique secular?: Blasphemy, injury, and free speech. Com Asad, Talal; Brown, Wendy; Mahmood, Saba. Berkeley: University of California Press, 2009.
  • 2009: Frames of war: When is life grievable?. Londres: Verso, 2009. [ed. brasileira: Quadro de guerra: Quando a vida é passível de luto?. Tradução de Sérgio Lamarão e Arnaldo Marques da Cunha. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015];
  • 2011: The power of religion in the public sphere. Com Habermas, Jürgen; Taylor, Charles; West, Cornel. Nova Iorque: Columbia University Press, 2011;
  • 2011: The question of gender Joan W. Scott's critical feminism. Com Weed, Elizabeth. Bloomington: Indiana University Press, 2011;
  • 2012: Parting ways: Jewishness and the critique of Zionism. Nova Iorque: Columbia University Press, 2012. [ed. brasileira: Caminhos divergentes: Judaicidade e crítica do sionismo. Tradução de Rogério Bettoni. São Paulo: Boitempo Editorial, 2017];
  • 2013: Dispossession: The performative in the political. Com Athanasiou, Athena. Cambridge: Polity Press, 2013;
  • 2015: Senses of the subject. Nova Iorque: Fodham University Press, 2015;
  • 2015: Notes toward a performative theory of assembly. Cambridge: Harvard University Press, 2015. [ed. brasileira: Corpos em aliança e a política das ruas: Notas para uma teoria performativa de assembleia. Tradução de Fernanda Siqueira Miguens. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018].
  • 2019: The gender of violence. New York: Penguin Random House. ISBN 9786356421531.
  • 2020: The force of nonviolence. New York: Penguin Random House. ISBN 9781788732765.

Prêmios e distinções selecionadosEditar

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Judith Butler. Biografia de Judith Butler no European Graduate School». Egs.edu 
  2. Gallina, Justina Franchi (2006). «Pós-feminismo através de Judith Butler». Revista Estudos Feministas. 14 (2): 556–558. ISSN 0104-026X. doi:10.1590/S0104-026X2006000200018 
  3. «Biografia de Judith Butler no Departamento de Retórica, Universidade de Berkeley». Rhetoric.berkeley.edu 
  4. Butler, Judith. "The Charge of Anti-Semitism: Jews, Israel, and the Risks of Public Critique. Wrestling with Zionism: Progressive Jewish-American Responses to the Israeli-Palestinian Conflict. Ed. Tony Kushner e Alisa Solonmon. Nova York: Grove, 2003. pp. 249-265
  5. Os atos performativos e a constituição do gênero(páginas 3, 4 e 5)
  6. Os atos performativos e a constituição do gênero(páginas 5 e 11)
  7. Os atos performativos e a constituição do gênero(página 7)
  8. Os atos performativos e a constituição do gênero(páginas 11 e 12)
  9. Gender Trouble, Judith Butler
  10. «Judith Butler : McGill Reporter». web.archive.org. 25 de setembro de 2015. Consultado em 17 de julho de 2021 
  11. «US-Philosophin Butler: Israel vertritt mich nicht». DER STANDARD (em alemão). Consultado em 17 de julho de 2021 
  12. «German Jews oppose award for US philosopher». Ynetnews (em inglês). 29 de agosto de 2012. Consultado em 17 de julho de 2021 
  13. «Frankfurt ripped for honoring Jewish-American scholar who backs Israel boycott». Haaretz.com (em inglês). Consultado em 17 de julho de 2021 
  14. «Frankfurt ripped for honoring Jewish-American scholar who backs Israel boycott». Haaretz.com (em inglês). Consultado em 17 de julho de 2021 
  15. Alhadeff, 1 Iakovos (28 de março de 2010). «Judith Butler on Hamas, Hezbollah & the Israel Lobby (2006)». radicalarchives (em inglês). Consultado em 17 de julho de 2021 
  16. «Judith Butler gets a taste of her own politics». Haaretz.com (em inglês). Consultado em 17 de julho de 2021 
  17. a b Greenberg, Zoe (13 de agosto de 2018). «What Happens to #MeToo When a Feminist Is the Accused?». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 17 de julho de 2021 
  18. «chronicle.com». www.chronicle.com. Consultado em 17 de julho de 2021 
  19. «chronicle.com». www.chronicle.com. Consultado em 17 de julho de 2021 
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  21. a b Aránguiz, Francisco; Carmen Luz Fuentes-Vásquez; Manuela Mercado; Allison Ramay; Juan Pablo Vilches (junho de 2011). «Meaningful "Protests" in the Kitchen: An Interview with Judith Butler» (PDF). White Rabbit: English Studies in Latin America. 1. Consultado em 9 de outubro de 2013. Arquivado do original (PDF) em 3 de abril de 2015 
  22. Kearns, Gerry (2013). «The Butler affair and the geopolitics of identity». Environment and Planning D: Society and Space. 31: 191–207. doi:10.1068/d1713 
  23. Butler, Judith. «Judith Butler's Statement on the Queer Palestinian Activists Tour». alQaws for Sexual & Gender Diversity in Palestinian Society. Consultado em 9 de outubro de 2013. Arquivado do original em 23 de outubro de 2013 
  24. Butler, Judith (Setembro de 2011). «Bodies in Alliance and the Politics of the Street». European Institute for Progressive Cultural Policies (eipcp). Consultado em 9 de outubro de 2013 
  25. Butler, Judith (Maio de 2010). «Queer Alliance and Anti-War Politics». War Resisters' International (WRI). Consultado em 9 de outubro de 2013. Arquivado do original em 8 de agosto de 2014 
  26. Saar, Tsafi (21 de fevereiro de 2013). «Fifty shades of gay: Amalia Ziv explains why her son calls her 'Dad'». Haaretz 
  27. McRobbie, Angela (18 de janeiro de 2009). «The pope doth protest». The Guardian. Consultado em 9 de outubro de 2013 
  28. Bruno Perreau, Queer Theory: The French Response, Stanford University Press, 2016, p. 58-59 and 75-81.
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  30. Barney, Darin. «In Defense of Judith Butler». Huffington Post. Consultado em 9 de outubro de 2013 
  31. a b Dutton, Denis (1998). «Bad Writing Contest» 
  32. Hekman, Susan (1998). "Material Bodies." Body and Flesh: a Philosophical Reader ed. by Donn Welton. Blackwell Publishing. pp. 61–70.
  33. Nussbaum, Martha (22 de fevereiro de 1999). «The Professor of Parody». The New Republic. Cópia arquivada (PDF) em 3 de agosto de 2007 
  34. Fraser, Nancy (1995). "False Antitheses." In Seyla Benhabib, Judith Butler, Drucilla Cornell and Nancy Fraser (eds.), Feminist Contentions: A Philosophical Exchange. Routledge. p. 67.
  35. Margaret Soenser Breen 2 and Warren J. Blumenfeld,3 4 with Susanna Baer, Robert Alan Brookey, Lynda Hall, Vicky Kirby, Diane Helene Miller, Robert Shail, and Natalie Wilson. "There is A Person Here"1 : An Interview with Judith Butler International Journal of Sexuality and Gender Studies. Vol. 6, No. 1/2, 2001.
  36. Namaste, Viviane. 2009. "Undoing Theory: The "Transgender Question" and the Epistemic Violence of Anglo-American Feminist Theory." Hypatia 24 (3):pp. 11-32.
  37. Laurie, Timothy (2014), «The Ethics of Nobody I Know: Gender and the Politics of Description», Qualitative Research Journal, 14 (1): 72 
  38. «Weiberzank - oder politische Kontroverse? | ALICE SCHWARZER». Alice Schwarzer (em alemão). Consultado em 4 de dezembro de 2017 

Ligações externasEditar

 
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