Abrir menu principal
Disambig grey.svg Nota: Para outras pessoas de mesmo nome, veja Justiniano (desambiguação).
Justiniano
Nascimento Depois de 525
Constantinopla
Morte 582
Constantinopla
Nacionalidade Império Bizantino
Progenitores Mãe: Passara
Pai: Germano
Ocupação General
Principais trabalhos
Título
Religião Catolicismo
Bálcãs no século VI
Fronteira romano-persa

Justiniano (em latim: Iustinianus; em grego: Ἰουστινιανός; após 525 - 582) foi um aristocrata e general bizantino, e um parente dos membros da dinastia justiniana. Como um soldado, ele teve uma distinta carreira nos Bálcãs onde lutou contra os eslavos e no Oriente contra o Império Sassânida, angariando inúmeras vitórias para o império. Em seus últimos anos, ele conspirou por duas vezes, sem sucesso, com a imperatriz Sofia contra o regente e depois imperador Tibério II (r. 574–582).

BiografiaEditar

Origem e começo da carreiraEditar

Justiniano nasceu em Constantinopla após 525. Era o segundo filho de Germano, um primo do imperador Justiniano I (r. 527–565) e tinha um irmão mais velho, Justino, e uma irmã, Justina, que casou-se com o general João.[1][2] Talvez foi pai do césar Germano que esteve ativo em 582.[3]

Justiniano foi nomeado comandante militar pela primeira vez em 550, quando, junto com seu irmão Justino, foram acompanhar seu pai em sua expedição contra a Itália ostrogótica.[4][5][6] Germano, contudo, morreu subitamente no outono de 550, antes do exército deixar os Bálcãs, onde foi montado. Depois disso, Justiniano e João (genro de Germano) receberam a ordem de enviar o exército para Salona (moderna Split, Croácia), em preparação para cruzar o Adriático em direção a Itália ou então marchar a Vêneto. João permaneceu no comando do exército até o eunuco Narses, que foi nomeado como o novo comandante-em-chefe da expedição no começo de 551, chegar em Salona para assumir o comando.[7]

No começo de 552, Justiniano foi colocado como chefe de uma expedição contra os eslavos que estavam atacando a Ilíria, e logo após, foi enviado para auxiliar os lombardos contra os gépidas. Seu irmão Justino foi também um membro deste exército. Os dois, contudo, foram detidos pela necessidade de acabar com uma revolta na cidade de Ulpiana, e nunca ajudaram os lombardos.[4][5][8]

Carreira no OrienteEditar

Nada se sabe sobre Justiniano durante os próximos 20 anos. Cerca de 572, contudo, tinha sido elevado à posição de patrício e foi colocado como comandante-em-chefe das forças do setor nordeste da fronteira do império com o território sassânida (mestre dos soldados da Armênia).[4] Em 2 de fevereiro, recebeu em Teodosiópolis a cabeça do marzobam da Armênia Surena, que havia sido assassinado pelo naxarar persarmênio Bardanes III Mamicônio e seus apoiantes. Ainda em 572, apoiou as forças armênias em sua defesa de Dúbio, e, quando a fortaleza posteriormente caiu, a recapturou no mesmo ano.[9] Durante a recaptura de Dúbio, os bizantinos incendiaram a Igreja de Gregório, o Iluminador, que estava fora da cidade e foi utilizada como armazém pelos persas. A destruição deste local sagrado enfureceu os armênios e logo ele foi reconvocado para Constantinopla e substituído por João.[10]

No final de 574 ou começo de 575, foi nomeado mestre dos soldados do Oriente e comandante geral das tropas no Oriente. Neste papel, começou a treinar as inúmeras tropas levantadas pelo império, e efetuou uma reconciliação com o governante gassânida Alamúndaro III, restaurando então a tradicional aliança bizantina com estes povos.[9][11] Um tratado de três anos foi logo depois concluído no fronte mesopotâmico, mas este não se aplicou para a Armênia.[12]

 
Dracma de Cosroes I (r. 531–579)
 
Soldo do imperador Tibério II (r. 574–582)

No verão de 575 ou 576, Justiniano falhou em bloquear o avanço do exército persa liderado pelo próprio Cosroes I (r. 531–579) através da Armênia. Quando o xá entrou na Capadócia e avançou em direção de Cesareia, Justiniano reuniu um exército superior e bloqueou a passagem da montanha que conduzia a ela. Cosroes se retirou, saqueando Sebasteia no processo.[13] Justiniano perseguiu Cosroes e por duas vezes prendeu-o em um movimento de pinça: da primeira vez, o xá persa e seu exército apenas escaparam após abandonar seu acampamento e pertences para os bizantinos, enquanto na segunda, os romanos foram derrotados em um ataque noturno contra o acampamento deles próximo de Melitene devido a discórdia entre os comandantes do exército. Então os bizantinos invadiram Melitene e a destruíram.[14]

À medida que o exército persa estava se preparando para cruzar o Eufrates, contudo, foi apanhado pelas forças de Justiniano. No dia seguinte, os dois exércitos alinharam-se em formação de batalha próximo de Melitene, mas não colidiram. Ao cair da noite, os persas tentaram cruzar o rio em segredo, mas foram detectados e atacados pelos bizantinos durante a travessia. Os persas sofreram pesadas baixas, enquanto os bizantinos capturaram um grande botim, incluindo 24 elefantes de guerra que foram enviados para Constantinopla.[1] [15][16] No inverno seguinte, Justiniano avançou profundamente no território bizantino, através da Média Atropatene, e invernou com seu exército na margem sul do mar Cáspio. No entanto, ele foi incapaz de recuperar o controle da Armênia.[5][17][18]

Em 576/577, o general persa Tamcosroes invadiu a Armênia, onde derrotou os bizantinos sob Justiniano. Depois, Tamcosroes e Adarmanes lançaram um grande raide na província bizantina de Osroena. Eles ameaçaram a cidade de Constantina, mas recuaram quando receberam a informação da aproximação de um exército bizantino sob Justiniano. Após estas reveses, no mesmo ano, o regente bizantino, o césar Tibério, nomeou Maurício como sucessor de Justiniano.[19][20]

Últimos anos e intrigas na corteEditar

 
soldo de Justino II (r. 567–578)

Retornando para a capital, de acordo com registros preservados exclusivamente em fontes ocidentais, Justiniano envolveu-se em uma conspiração com a imperatriz Sofia sobre a sucessão de seu marido, Justino II (r. 565–578), cuja saúde estava rapidamente se deteriorando. Eles pretendiam assassinar o herdeiro de Justino, o césar Tibério (que reinou como Tibério II em 578-582), e ascender Justiniano ao trono. Tibério, contudo, descobriu o conluio, ao que Justiniano pedia perdão e ofereceu ca. 680 kg de ouro[nt 1] como um sinal de contrição.[1] Logo, contudo, entre 579 e 581, Sofia e Justiniano estavam tramando novamente.[5][20] Esta conspiração também foi descoberta, mas Justiniano foi novamente perdoado. Justiniano tinha uma filha e um filho, que é identificado com Germano, que foi casado com a filha de Tibério, Cárito, e então elevado ao posto de césar. Justiniano morreu em Constantinopla em 582.[1][4]

Ver tambémEditar

Precedido por
Desconhecido
(Último titular citado: Justino)
Mestre dos soldados da Armênia
572573
Sucedido por
João
Precedido por
Eusébio
Mestre dos soldados do Oriente
574/575577
Sucedido por
Maurício

Notas

  1. Na versão original da Wikipédia em inglês o valor é dado em libras, portanto originalmente seria 1500.

Referências

  1. a b c d Kazhdan 1991, p. 1083.
  2. Martindale 1980, p. 505; 744.
  3. Martindale 1980, p. 529; 744.
  4. a b c d Martindale 1992, p. 744.
  5. a b c d Venetis 2003.
  6. Bury 1958, p. 253–254.
  7. Bury 1958, p. 255–256.
  8. Bury 1958, p. 304.
  9. a b Martindale 1992, p. 745.
  10. Greatrex 2002, p. 149.
  11. Greatrex 2002, p. 151-153.
  12. Martindale 1992, p. 745-746.
  13. Greatrex 2002, p. 153-154.
  14. Greatrex 2002, p. 154-156.
  15. Martindale 1992, p. 746.
  16. Greatrex 2002, p. 156-158.
  17. Martindale 1992, p. 746-747.
  18. Greatrex 2002, p. 158.
  19. Greatrex 2002, p. 160.
  20. a b Martindale 1992, p. 747.

BibliografiaEditar

  • Bury, John Begnell (1958). History of the Later Roman Empire. From the Death of Theodosius I to the Death of Justinian, Volume 2. Nova Iorque e Londres: Dover Publications. ISBN 0-486-20399-9 
  • Greatrex, Geoffrey; Lieu, Samuel N. C. (2002). The Roman Eastern Frontier and the Persian Wars (Part II, 363–630 AD). Londres: Routledge. ISBN 0-415-14687-9 
  • Kazhdan, Alexander Petrovich (1991). The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-504652-8 
  • Martindale, J. R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1980). The prosopography of the later Roman Empire - Volume 2. A. D. 395 - 527. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press 
  • Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). «Iustinianus 3». The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20160-8 
  • Venetis, Evangelos (2003). «Justiniano (patrício)» (em inglês). Encyclopaedia of the Hellenic World, Asia Minor (in Greek). Consultado em 9 de julho de 2012