Língua caingangue

Caingangue

Kanhgág

Outros nomes:Caingangue, Kaingáng, Kanhgág, Kainjgang, Coroados
Falado(a) em: Flag of Brazil.svg Brasil
Região: Bandeira do estado de São Paulo.svg São Paulo
Bandeira do Paraná.svg Paraná
Bandeira de Santa Catarina.svg Santa Catarina
Bandeira do Rio Grande do Sul.svg Rio Grande do Sul
Total de falantes: Aproximadamente 20.000[1]
Família: Macro-Jê
 
  Jê Meridional
   Caingangue
Escrita: Alfabeto latino
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: sai
ISO 639-3: kgp

A língua caingangue,[2] também chamada [3] e kaigang,[4] é uma língua indígena brasileira em situação definitivamente ameaçada de acordo com a UNESCO.[5] Ela é falada por cerca de 62,5% do povo Kaingang,[6] cuja população é de aproximadamente 30.000 pessoas, presentes nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul[7]

A língua pertence ao tronco linguístico Macro-jê, compõe a família linguística e, junto a língua laklãnõ, forma o ramo linguístico Jê Meridional.[8][9]

EtimologiaEditar

A partir da metade do século XIX havia se generalizado a denominação de "Coroados"[10] para se referir aos Kaingang e Laklãnõ, pelo uso do que se considerava coroas de plumas na cabeça ou mesmo cortes de cabelo que lembravam uma coroa.[11]

A denominação "Kaingang" foi introduzida por Telêmaco Borba a partir de 1882, formado pela junção dos termos kaa (árvore, mato) e ingang (morador do) e significa "gente da floresta" ou "donos da mata".[12][13]

Atualmente são considerados duas etnias com um passado remoto comum que, com a separação histórica, desenvolveram processos socioculturais específicos que os tornaram relativamente diferenciados.[10]

DistribuiçãoEditar

Distribuição geográficaEditar

O povo caingangue ocupa uma vasta área, hoje composta por 48 terras indígenas isoladas entre si, contidas entre o baixo Rio Tietê no norte e a bacia do Alto Rio Uruguai no sul.[14][15] A situação em relação à língua falada varia de lugar para lugar: em algumas comunidades, todos falam caingangue, em outras, todos, exceto os mais velhos, são bilíngues e, em outras, a maior parte da população é bilíngue ou fala apenas o português.[10]

Há pelo menos dois séculos sua extensão territorial compreende a zona entre o Rio Tietê (SP) e o Rio Ijuí (norte do RS). No século XIX seus domínios se estendiam, para oeste, até San Pedro, na província argentina de Misiones.[16]

Dialetos e línguas relacionadasEditar

 
Mapa dos dialetos caingangues

A língua caingangue apresenta um alto grau de variação diatópica, podendo ser subdividida em cinco dialetos. São eles: o kaingang paulista (entre os rios Tietê e Paranapanema), o kaingang do paraná (no estado homônimo, entre os rios Paranapanema e Iguaçu), o kaingang central (no oeste de Santa Catarina, entre os rios Iguaçu e Uruguai), o kaingang do sudoeste (ao sul do rio Uruguai e a oeste do rio Passo Fundo) e o kaingang do sudeste (ao sul do rio Uruguai e leste do rio Passo Fundo). Os dialetos diferenciam-se em várias partes de sua estrutura, sendo as diferenças mais evidentes as fonológicas. O dialeto paulista é considerado o mais divergente, caracterizado pelo maior grau de obsolescência, apresentado algumas fusões fonológicas parciais.[15]


Estes dialetos ainda existem, embora estejam passando por transformações constantes. Observa-se o fato de migrações espontâneas de famílias de uma região para a outra, assim como também contatos esporádicos entre todas as regiões. Cresceu a preocupação de ter uma língua de comunicação para o grupo como um todo, especialmente na sua forma escrita. A realização deste desejo foi facilitada pelo fato que, com contatos ficando mais frequentes após os anos 70, os falantes dos dialetos Central, Sudoeste e Sudeste espontaneamente reconheceram o dialeto Paraná como referencial. Os falantes do dialeto São Paulo, sendo muito poucos e com poucos contatos com os outros grupos, estão deixando o uso da língua caingangue em favor do Português.[17]

 
Terra Indígena do Ibirama vista de cima

Parte dos caingangues vivem na Terra Indígena do Ibirama, junto aos povos Laklãnõ, Guarani Mbya e Guarani Ñandeva.[18]

Quadro comparativo entre as línguas caingangue e laklãnõ [19]
Pronomes pessoais Caingangue laklãnõ
Singular 1ª pessoa inh ẽnh
2ª pessoa ã a, ahã
3ª pessoa ti (masculino)

fi (feminino)

ti, ta (masculino)

zi (feminino)

Plural 1ª pessoa ẽg ãg
2ª pessoa ãjag me ã
3ª pessoa ag (masculino)

fag (feminino)

óg

HistóriaEditar

Primeiros contatosEditar

 
Mĩg (onça)

Os primeiros contatos oficiais, amistosos e reconhecidos com comunidades caingangues pela sociedade portuguesa aconteceram nos campos de Guarapuava, no centro do Paraná, a partir de 1812 (cf. D'Angelis 1984:8 - 10). Na sequência, estabeleceram-se contatos (por conta, obviamente, da invasão e da ocupação do território indígena) com os caingangues das regiões sul-riograndenses de Nonoai, em (1845), de Guarita, em (1848) e do nordeste do Rio Grande do Sul, em (1850), além das regiões paranaenses de Palmas, em (1839), do norte do Paraná, em (1859), do extremo oeste paranaense, em (1880) e assim sucessivamente. Os últimos grupos forçados às relações pacíficas com os brasileiros foram os caingangues paulistas, da região dos rios Feio e Aguapeí.

Desde os primeiros contatos, os caingangues foram alvo de ações catequéticas pela Igreja Católica. De fato, ao tempo do império, isso era parte da política indigenista oficial. A expedição militar que ocupou Guarapuava contava com o capelão Francisco das Chagas Lima (que antes missionara os puri-coroados, em São Paulo) e que, desde o primeiro momento, buscou catequizar os caingangues. No Rio Grande do Sul, poucos anos após o estabelecimento dos primeiros aldeamentos dos caingangues, jesuítas liderados pelo padre Bernardo Parés atuaram na catequese da gente de Nonoai, de Guarita e de Votouro. No norte do Paraná, a partir das iniciativas mais permanentes de ocupação brasileira no vale do Tibagi, o governo provincial determinou a fundação de um aldeamento em São Jerônimo da Serra, com a catequese entregue a capuchinhos italianos (o mais conhecido deles, frei Timóteo de Castellnuovo). E foi um capuchinho italiano, frei Mansueto Barcatta de Val Floriana, no início do século XX, o responsável pelo primeiros trabalhos de fôlego sobre a língua caingangue: uma gramática e um vasto dicionário (Floriana 1918 e 1920). Antes dele, apenas se contam com vocabulários (alguns, de certa extensão e interesse).[20]

Nos anos 1940, surgiram trabalhos mais acurados, ainda que menos volumosos, na linha da linguística histórico-comparativa, assinados por Mansur Guérios (1942 e 1945). Na sequência dele, merecem registro os estudos de Wanda Hanke, tanto do xoclengue (Hanke 1947) como do caingangue norte-paranaense (Hanke 1950).

 
Goj (água). Lê-se "ngoi".

No final dos anos 1950, instalou-se, na divisa da área indígena de Rio das Cobras, no sudoeste do Paraná, a missão e centro de pesquisa linguística do Summer Institute. A língua caingangue passou a ser estudada, ali, por Ursula Wiesemann (e, ao que parece, posteriormente, por Gloria Kindell). Em 1959, por exemplo, um primeiro estudo foi tornado público, em reunião da Associação Brasileira de Antropologia: era intitulado "Notas sobre o protocaingangue: um estudo de quatro dialetos" (cf. Wiesemann 1959). Durante os anos 1960, Wiesemann preparou material de ensino da língua caingangue para missionários (Wiesemann 1967) e, finalmente, estabeleceu uma sugestão de ortografia oficial e iniciou a produção de cartilhas para alfabetização em caingangue. Estabeleceu-se, então, um convênio envolvendo a Fundação Nacional do Índio, o SIL International e a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e criou-se a primeira escola para formação de "monitores bilíngues" na área de Guarita, no Rio Grande do Sul. Iniciou-se, assim, um dos primeiros programas de educação escolar indígena bilíngue no Brasil, mas numa perspectiva claramente transicional, em que a língua indígena não recebeu valorização. Ao contrário, serviu apenas de ponte para o ensino em português. Em contato permanente com as comunidades caingangues do oeste de Santa Catarina, norte do Rio Grande do Sul e sudoeste do Paraná desde 1977, o pesquisador que assina este texto avalia que a introdução desse tipo de ensino bilíngue acelerou um processo de abandono da língua pelas gerações caingangues mais jovens (cf. D'Angelis 2002a).[21]

Estudo da linguagemEditar

 
Kempo (pulga)

Estudos da língua caingangue amparados por instituições universitárias brasileiras começaram a surgir apenas em meados dos anos 1980. Em 1987, Marita Cavalcante apresentou dissertação sobre fonologia e morfologia dos caingangues de São Paulo e, no ano seguinte, José Baltazar Teixeira descreveu a fonologia do dialeto caingangue de Nonoai (RS). No primeiro caso, tratou-se de uma abordagem gerativa padrão, com algumas soluções inspiradas em Anderson (1974 e 1976). No segundo caso, uma abordagem segmental estruturalista, bastante calcada em Wiesemann e Kindell (1972).

Em 1989, Silvia Braggio publicou um pequeno trabalho sobre o processo de alfabetização entre crianças caingangues de Guarapuava em revista de linguística aplicada (Braggio 1989). Em 1986, Braggio havia defendido tese nos Estados Unidos sobre o mesmo assunto (cf. Braggio 1986).

A partir de meados dos anos 1990, Silvia Nascimento passou a estudar aspectos da sintaxe do caingangue nos marcos de modelos recentes da teoria gerativa (cf. Nascimento 1995 e 1996).

A aparente profusão de estudos fica diluída quando observamos que a grande maioria deles mantém-se na área da fonologia e, mais ainda, quando observamos que algumas áreas da linguística jamais foram investigadas em relação ao caingangue.

 
Sãsã (cascavel). Lê-se "xãxã".

Já nos anos 1990, D'Angelis passou a produzir trabalhos de análise da fonologia caingangue e, posteriormente, também sobre aspectos da sintaxe (cf. D'Angelis 1991, 1992a, 1992b, 1995a), culminando com um trabalho teórico explorando os limites das teorias fonológicas com base em dados de sua investigação daquela língua indígena (cf. D'Angelis 1995b, 1998). Suas investigações prosseguem em ambas as direções, dando atenção ainda a aspectos fonéticos da língua, em sua relação com a fonologia (cf. D'Angelis 1999a), à fonologia propriamente (cf. D'Angelis 1999b, 2000c, 2002c, 2003c), à sintaxe (D'Angelis 2002d, 2004b), às questões de educação e de linguística aplicada (D'Angelis 1999b e 1999c), aos aspectos sociolinguísticos (cf. D'Angelis 1996, publicado em 2002a; D'Angelis & Veiga 1995, publicado em 2000b; D'Angelis 2002e), a aspectos semânticos (D'Angelis 2002b, 2004a), historiográficos (D'Angelis 2002f), literários (D'Angelis 2002i) e ortográficos (D'Angelis 2003c, 2005).[22]

As "ferramentas" linguísticas escritas, como dicionários e gramáticas, são raras. Dos dois trabalhos de algum fôlego, intitulados "Dicionários" (bilíngues), apenas o de Val Floriana (1920) merece essa designação, apesar de todas suas limitações. Esse, porém, é desconhecido da quase totalidade dos caingangues. O de Wiesemann (1971) é pouco mais que um vocabulário, ao qual se agregam informações sobre pronúncia (da ortografia caingangue) e sobre sintaxe, como um pequeno adendo gramatical.

Os materiais chamados "didáticos" produzidos em língua caingangue, seja pelo SIL International, seja por iniciativas mais recentes, com recursos do ministério da educação para "oficinas" e publicação, restringem-se a cartilhas e a coletâneas de textos. Estas últimas, embora cumpram uma função importante (a de suscitar material de leitura na língua – embora não possamos ainda falar em "literatura caingangue" stricto sensu), não cobrem a lacuna da orientação de uma reflexão epilinguística e propriamente linguística no ensino escolar do caingangue, da mesma forma que não cobrem a lacuna igualmente enorme do não emprego da língua caingangue como língua de instrução nas disciplinas de história, geografia, matemática etc.[23]

FonologiaEditar

ConsoantesEditar

O caingangue apresenta 14 fonemas consonantais.

Fonemas consonantais (em AFI)[24]
bilabial alveolar alveopalatal velar glotal
oclusivas surdas p t k ʔ
sonoras m n ɲ ŋ
contínuas surdas ɸ ʃ h
sonoras w ɾ j

VogaisEditar

O caingangue apresenta 14 fonemas vocálicos, 9 orais e 5 nasais.

Fonemas vocálicos orais (em AFI)[25]
anterior central posterior
fechada i ɨ u
médias e ə o
aberta ɛ a ɔ
Fonemas vocálicos nasais (em AFI)[26]
anterior central posterior
fechada ĩ
médias ә̃ õ
aberta æ̃ ã

FonotáticaEditar

Os padrões silábicos possíveis em caingangue são: V, CV, CCV, CVC, CCVC. [27]

Padrões silábicos no dialeto paulista[28]
Padrão silábico Exemplo fonético Tradução
V /e/ muitos
CV /ti/ ele
/wǝ/ marcador de sujeito
CVC /kim/ cortar
/pɛn. kaɾ/ contar
CCVC /kɾiŋ/ estrela
/kɾen.ko/ cavar
/ŋɾun/ gato
CCV /pɾa/ morder
/ku.pɾi/ branco
/ŋɾɛ.ɸɨ/ ovo
  • Nos padrões silábicos CV e CVC podem ocorrer todas as consoantes no início de sílaba.
  • Nos padrões CCV e CCVC só podem ocorrer os grupos consonantais /mɾ/, /pɾ/, /ŋɾ/ e /kɾ/ em início de sílaba.
  • Nos padrões CVC e CCVC, somente as consoantes nasais /m/, /n/, /ɲ/ e /ŋ/ podem ocorrer em fim de sílaba. Não há limitação para a co-ocorrência de padrões silábicos, sendo permitido a qualquer padrão preceder ou seguir qualquer outro, compondo palavras de uma, duas, ou três sílabas.[29]

OrtografiaEditar

AlfabetoEditar

O alfabeto caingangue foi desenvolvido pela pesquisadora Ursula Wisemann com base no alfabeto latino, possuindo 28 grafemas.[30] Devido às diferenças com o alfabeto utilizado em português, professores indígenas reconhecem que a forma atual do alfabeto kaingang dificulta o processo de alfabetização das crianças kaingang, mas ainda não tiveram a oportunidade de alterá-lo para melhorar o processo.[31]

Alfabeto Kaingang proposto por Wisemann[30]
Grafemas caingangue Representação fonética Pronúncia em português
A a /a/ Letra a na palavra 'faço'.
Á á /ə/ Letra a final da palavra 'faca'.
à ã /ã/ Mais aberto do que o ã na palavra 'maracanã'.
E e /e/ Letra e na palavra 'preto'.
É é /ɛ/ Letra é na palavra 'café'.
Ẽ ẽ /ɛ̃/ Mais aberto que o na palavra 'mãe'.
F f /f/ Letra f na palavra 'faca'.
G g /ŋ/

/ŋg/

/gŋ/

/ŋk/

/k/

Junto de vogal nasalizada, se pronuncia como o fechamento nasal da palavra 'um'.

Quando seguida de vogal oral equivale [gn].

Quando antecedida de vogal oral equivale [ng].

Quando intervocálica equivale a [gng].

Quando seguida de uma consoante surda, equivale a c na palavra 'faca'.

H h /h/ Se pronuncia como rr no dialeto carioca.
I i /i/ Letra i na palavra 'apitar'.
Ĩ ĩ /ĩ/ Como ĩ na palavra 'fim'.
J j /j/ Como y ou como a letra i na palavra 'iodo'.
K k /k/ Letra c na palavra 'faca' ou como qu na palavra 'que'.
M m /m/

/mb/

/bm/

/mp/

/p/

Junto de vogal nasalizada se pronuncia como a letra m na palavra 'mundo'.

Quando seguida de vogal oral equivale [mb].

Quando antecedida de vogal oral equivale [bm].

Quando intervocálica equivale a [bmb].

Quando seguida de uma consoante surda, equivale a p.

N n /n/

/nd/

/dn/

/nt/

/t/

Junto de vogal nasalizada, se pronuncia como a letra n na palavra 'nada'

Quando seguida de vogal oral equivale [dn].

Quando antecedida de vogal oral equivale [nd].

Quando intervocálica equivale a [dnd].

Quando seguida de uma consoante surda, equivale a t como na palavra 'tudo'.

Nh nh /ɲ/

/ɲgʲ/

/gʲɲ/

/ɲkʲ/

/kʲ/

Junto de vogal nasalizada, se pronuncia como nh antecedido de um i como na palavra 'ninho'.

Quando seguida de vogal oral equivale [nhdi].

Quando antecedida de vogal oral equivale [idnh].

Quando intervocálica equivale a [idnhdi].

Quando seguida de uma consoante surda que não seja f, equivale a [it].

Quando seguida de f equivale a [itx]; entre vogal nasalizada e f se pronuncia [inhx].

O o /o/ Letra ô na palavra 'avô'.
Ó ó /ɔ/ Letra ó na palavra 'avó'.
P p /p/ Letra p na palavra 'pele'
R r /ɾ/

/ɽ/

Letra r na palavra hora.

Sendo [ɾ] no início da sílaba, e [ɽ] no final da sílaba, ou após "é", "a" e "ó".

S s /ʃ/ Parecido com a letra x na palavra 'xadrez'.
T t /t/ Letra t na palavra 'tudo'.
U u /u/ Letra u na palavra 'uva‘.
Ũ ũ /ũ/ Letra u na palavra 'um'
V v /w/ Se pronuncia parecido com a letra w, ou com a letra u na palavra 'uapé'.
Y y /ɨ/ Representa uma vogal alta, situada entre o i e o u do português.
Ỹ ỹ /ɨ̃/ Letra a na palavra 'antes'.
/ʔ/ Representa um fechamento rápido da glote. Nunca se escreve no início da palavra.

GramáticaEditar

PronomesEditar

Na categoria de pronomes do idioma caingangue estão reunidos os pronomes pessoais, possessivos, demonstrativos, relativos e interrogativos[32]

PessoaisEditar

Em caingangue os pronomes pessoais podem funcionar como sujeito, ergativo, objeto e possessivo. Os pronomes da terceira pessoa do plural também podem funcionar como pronomes duais.[33]

Número gramatical Pessoa gramatical Pronomes pessoais Traduções
Singular 1ª pessoa inh eu
2ª pessoa ã tu, você
3ª pessoa ti ele
fi ela
Plural 1ª pessoa ẽg nós
2ª pessoa ãjag vocês
3ª pessoa ag eles
fag elas, o casal

DemonstrativosEditar

Funcionam como pronomes demonstrativos os pronomes pessoais da terceira pessoa do singular e do plural e os morfemas "tag" e "ẽn", com o objetivo de substituir ou modificar substantivos. O "ti " tem uma forma variante "-n", sufixada ao fim da construção substantivada. [34]

Pronomes demonstrativos Traduções
tag isto aqui
ti~ -n o, isso lá, esse lá
fi a, essa lá
ẽn aquilo lá
ag os, esses lá
fag as, essas lá, o casal lá

Existem também combinações:[34]

Combinações Traduções
tag ti isto aqui, este aqui
tag fi esta aqui
ẽn ti aquilo lá, aquele lá
ẽn fi aquela lá
tag ag estes aqui
tag fag estas aqui, este casal aqui
ẽn ag aquilos lá
ẽn fag aquelas lá, aquele casal lá

RelativosEditar

Para expressar o pronome relativo "aquele que", o caingangue usa a palavra ũn no início da sentença.[34]

Sentença relativa Tradução
ũn ve aquele que (foi) primeiro
ũn vẽnh rán há aquele que algo escreve bem
ũn ve fi a primeira

InterrogativosEditar

Em caingangue existem três pronomes interrogativos com diferentes formas morfológicas – ũ, ne, hẽ - que podem ser combinadas a outros morfemas. Estes sempre se encontram no início da sentença. [35]

Pronomes Interrogativos Traduções
ũ quem
ne o que
ne + tugnĩn por que
hẽ qual
hẽ + ren + kỹ como
hẽ + tá onde
hẽ + re + kã quando
hẽ + re quanto

Exemplos:

  • "Ne nẽ tag ti." (O que é isto?)
  • "Hẽ ren kỹ fi kutẽ." (Como ela caiu?)

VerbosEditar

Os verbos em caingangue tendem a ser invariáveis, ao contrário dos verbos portugueses, que variam conforme o sujeito. [36]

  • "Ti tóg rãgró krãn huri." (Ele já plantou feijão.)
  • "Ẽg tóg rãgró krãn huri." (Nós já plantamos feijão.)

O verbo rãgró não muda, mesmo com a mudança do sujeito de ti para Ẽg.

O caingangue possui elementos que sinalizam o sujeito de uma oração, como tóg e vỹ.[36]

  • "Mĩg vỹ venhvó tĩ." (A onça corre.)

Vỹ vem após o sujeito da oração, mĩg (onça).

O objeto direto vem logo antes do verbo (ao contrário do português, que o posiciona, geralmente, após o verbo, como em "o menino atirou a pedra"). [36]

  • "Kofá tóg pỹn tãnh." (O velho matou a cobra.)

Pỹn significa "cobra" e tãnh, "matar".

Ao contrário do português, que possui preposições, o caingangue possui posposições, que, como o nome indica, vêm após o elemento a que se referem. O objeto indireto é sinalizado pela posposição mỹ, como em Maria mỹ (para Maria) e pode ser colocado em lugares diferentes na oração.[36].

  • "Inh pru‚ fi tóg Maria mỹ kukrũ nĩm." (Minha mulher deu a panela para Maria.)
  • "Inh prũ fi tóg kukrũ nĩm Maria mỹ." (Minha mulher deu a panela para Maria.)

TempoEditar

Na língua caingangue não há verbo passivo para indicar a ação, mas sim para indicar resultados da ação. As marcações temporais dos acontecimentos se manifestam por meio de partículas.[37]

Partículas que marcam tempo[38]
Presente Futuro Futuro intencional Imperfeito Passado

ja

hỹnỹ

hẽnrikemũn

kejẽn

ke

kemũ

vẽ

ja

ke

Entre os advérbios de tempo, estão as chamadas partículas adverbiais: huri traduzido como ‘já’ que indica tempo passado e ha que indica tempo presente. Existem outros advérbios, tais como: ũri ‘agora’/‘hoje’; rẽkétá ‘ontem’; rẽkéũtá ‘anteontem’; vajkỹ ‘amanhã’, vaj ũn kỹ ‘depois de amanhã’; vỹsã ‘uma vez, outro dia’.[39]

AspectoEditar

Existem palavras especiais que são usadas para indicar o aspecto de uma ação. Os indicadores de aspecto terminam a oração mas podem ser seguidos por certos indicadores de opinião.[36][40]

  • Kyru‚ tóg se tãnh sór . (O rapaz estava querendo matar o quati)
  • Ẽg gufã ag tóg kyfe kron . (Os nossos antigos tomavam kyfe)

ModoEditar

Os indicadores de modo modificam tanto verbos quanto substantivos, seguindo-os. Existem dois subgrupos: os que podem somente seguir verbos e assim são um tipo de advérbio, e os que seguem tanto verbos como substantivos ou outros indicadores de modo.[41]

Indicadores de modo
Seguem verbos Seguem verbos ou substantivos
e ‘muito’ gy ‘difícil’
kónãn ‘estragando’ ja ‘terminado’
kren ‘quase’ jãvãnh ‘não saber
mãn ‘de novo’ ‘gostar’
rén ‘por último’ mẽ ‘muito, ligeiro’
sór ‘querer’ pẽ ‘verdadeiro, foco assertivo’
tãvĩn ‘foco assertivo’ tãvĩ foco assertivo’
vãnh ‘não querer’ ‘não’
vén ‘em primeiro lugar’ ve ‘aparecer como’

EvidencialidadeEditar

A marcação da evidencialidade em caingangue se enquadra em duas grandes categorias que se opõem quanto à fonte de informação: informações que vem de outros e informações nas quais o próprio falante é a fonte.[42]

Origem da informação Categorias de Evidencialidade
"De Outros" Categoria Relatada
  • je - reportativo
  • ne - reportativo (presente na comunicação cotidiana).
  • jetóg - Reportativo (parece ser também um modalizador da credibilidade)
  • nẽji - Reportativo (ocorre em narrativas chamadas Gufã).
Primeira Mão Categoria Visual:
  • mỹr - Visual (comunicação cotidiana e em narrativas)
  • – partícula de negação (contrafactual/contra-expectativa, que se difere de pi)
  • vẽnhver - evidência visual que requer confirmação.
Categoria Não-visual:
  • mẽm - evidência sensorial, principalmente auditiva.
Categoria Inferência:
  • ja - constatações.
Categoria Suposição:
  • hẽn - conclusões lógicas de fatos e consequencias.
MiratividadeEditar
  • ne (+ mũ) - sinaliza informação nova para o falante, surpresa, admiração.
Modalidade EpistêmicaEditar
  • venhmỹ(kãgra) - Dubitativo, sinaliza dúvida quanto a verdade da proposição

SentençaEditar

Ordem da frase e alinhamentoEditar

A língua segue o padrão da ergatividade cindida, exibindo o sistema nominativo nas orações simples e, nas orações complexas que apresentam orações subordinadas, exibe um sistema de marcação de caso na oração principal e outro na oração subordinada. O emprego de dois sistemas é condicionado pelo status gramatical da oração, de maneira que a oração principal exibe um sistema e a subordinada outro.[43]

A ordem oracional da língua caingangue é sujeito-objeto-verbo. Essa ordem ocorre, preferencialmente, quando o sujeito é nominal. Nessa estrutura, geralmente o sujeito é marcado morfologicamente:[44][45]

Sujeito Objeto verbo
gĩr vỹ ẽmi
menino marcador

de sujeito

bolo comer
"O menino comeu bolo."

Em orações transitivas, a concordância de número ocorre entre o objeto e o verbo sob determinadas condições. O objeto direto sempre antecede o verbo e não é seguido por posposição, sendo, portanto, uma posição fixa na língua. O objeto indireto, quando ocorre, é seguido pela posposição mỹ (para).[45]

Sujeito Objeto indireto Objeto direto Verbo
Jandira fi vỹ gĩr mỹ vẽjẽn nĩm
Jandira marcador

de feminino

marcador

de sujeito

menino posposição comida dar
“Jandira deu comida para o menino.”

Em orações intransitivas a concordância se manifesta entre o sujeito e o verbo.[46]

Sujeito verbo
gĩr vỹ nũr
menino marcador

de sujeito

dormir
"O menino dormiu."

Quando o sujeito é pronominal, a ordem básica é objeto-verbo-sujeito. Quando ocorre nessa ordem, o sujeito não recebe marca morfológica.[46]

Objeto Verbo Sujeito
gãr tu ti
milho carregar pronome pessoal da

3ª pessoa do plural

"Ele carregou milho."

No caso de oração com objeto indireto e sujeito pronominal a ordem básica passa a ser objeto indireto-sujeito-objeto direto-verbo.[46]

Objeto indireto Sujeito Objeto direto Verbo
inh mỹ ti manỹnỹ
pronome pessoal da

1ª pessoa do singular

posposição pronome pessoal da

3ª pessoa do plural

banana carregar
“Ele carregou banana para mim.”

VocabulárioEditar

NumeraçãoEditar

O idioma caingangue apresenta palavras para representar números de 0 a 5.[47]

Caingangue Português
tu zero / nenhum
pir um
rég’re dois
tëntü três
vënhkëgra quatro
pég’kar cinco

A palavra pir, também não pode ser só traduzida diretamente por um. Ela também é usada para a referência de pequenas quantidades, tomando na comparação com a amplitude total do que se está falado.

  • “Pira pir hã kãgmï inh”. (Peguei um só peixe.)
  • “Ü kãmü mu ag vi, pir nÿtï”. (Os que chegaram são poucos.)

Rég’re, além de representar o número dois, também significa irmão ou companheiro e no caso da tradução de irmão, a palavra não é só usada quando os filhos de casal são dois; quando a pessoa se refere a algum irmão usa o substantivo regre:

  • “Inh regre vÿ inh mré vyr.” (Meu irmão foi comigo.)

Para expressar quantidades maiores usam-se as categorias de “pouco” e “muito”, considerando a correspondência com o universo analisado. A exatidão só se apresenta quando se refere à metade (kuju).[47]

A presença e não presença de uma turma de 20 alunos, na lógica caingangue:
Situação Demonstração da quantidade e significado
Em uma turma de 20 alunos, compareceram todos Ti kar ta kamir já nï. (Todos compareceram.)
Compareceram entre 15 e 19 alunos. E tÿ vi. (Compareceram bastante.)
Compareceram entre 11 e 15 alunos. Ti kuju kãnfãr. (Compareceram pouco mais da metade.)
Compareceram 10 alunos, a metade da turma Ti kuju. (Compareceu a metade.)
Compareceram entre 6 e 9 Pir tÿvï. (Compareceram poucos alunos.)
Compareceram entre 1 e 5 alunos. Quantidade pode ser destacada ou simplesmente representada por pir.
Se não compareceram. Tü.(Nenhum compareceu.)

Influência na toponímia brasileiraEditar

 
Estádio de futebol Arena Condá
 
Portal de entrada da cidade de Erechim

A língua caingangue legou à toponímia brasileira alguns nomes de localidades.[48]

Localidade Significado Formação
Paraná Goioerê "campina d'água" junção de ngoi, água e , campo
Candói nome de um líder kaingang -
Goioxim "rio pequeno" junção de ngoi, rio e , pequeno
Santa Catarina Arena Condá "Condá" era o nome de um líder kaingang -
Xanxerê "campina da cascavel" junção de xãxã, cascavel e , campo
Toldo Chimbangue "Chimbangue" é o nome de um líder kaingang -
Campo Erê "campo da pulga ou do bicho-do-pé" junção de kempo, pulga ou bicho-do-pé e , campo
Rio Grande do Sul Erechim "campo pequeno" junção de , campo e , pequeno
Erebango "campo grande" junção de , campo e mbâgn, grande

MençõesEditar

Referências

  1. «Tabela 3179: Pessoas indígenas de 5 anos ou mais de idade, residentes em terras indígenas, por sexo e grupos de idade, segundo a condição de falar língua indígena no domicílio e o tronco, a família linguística, a língua indígena de classificação e a língua indígena de identificação». sidra.ibge.gov.br. Consultado em 29 de abril de 2022 
  2. «Caingangue». Michaelis 
  3. Museu do Índio recebe líder da Terra Indígena de Mangueirinha(PR). SERCE/MI. Disponível em http://www.museudoindio.org.br/template_01/default.asp?ID_S=29&ID_M=668 Arquivado em 9 de agosto de 2012, no Wayback Machine.. Acesso em 11 de agosto de 2012.
  4. MUNDURUKU, D. Contos indígenas brasileiros. Ilustrações de Rogério Borges. Segunda Edição. São Paulo. Global. 2005. p. 43
  5. «UNESCO Atlas of the World's Languages in Danger». Consultado em 19 de abril de 2021 
  6. «Tabela 3179: Pessoas indígenas de 5 anos ou mais de idade, residentes em terras indígenas, por sexo e grupos de idade, segundo a condição de falar língua indígena no domicílio e o tronco, a família linguística, a língua indígena de classificação e a língua indígena de identificação». sidra.ibge.gov.br. Consultado em 29 de abril de 2022 
  7. «População kaingang por estado». www.portalkaingang.org. Consultado em 29 de abril de 2022 
  8. «Portal Kaingang». www.portalkaingang.org. Consultado em 29 de abril de 2022 
  9. Rodrigues, Aryon Dall'Igna (1986). Línguas brasileiras. Para o conhecimento das línguas indígenas. São Paulo: Ed. Loyola 
  10. a b c «Kaingang - Povos Indígenas no Brasil». pib.socioambiental.org. Consultado em 30 de abril de 2022 
  11. Oliveira, Enio. «O Paradigma da Extinção: Desaparecimento dos Índios Puris em Campo Alegre no Sul do Vale do Paraíba» (PDF). p. 12 
  12. Guisso, Cíntia; Bernardi, Lúcia (2017). O SIGNIFICADO DA SOCIOCOSMOLOGIA NAS HISTÓRIAS DOS KOFA AG: O MUNDO E A VIDA KAINGANG. [S.l.]: Espaço Ameríndio. p. 161 
  13. Hammes, Elisabete (2020). «O encontro da cultura Kaingang com a cultura acadêmica nos espaços formativos de uma licenciatura: Localizando diálogos, resistências, imposições e superações» (PDF). p. 131 
  14. «Início | Terras Indígenas no Brasil». terrasindigenas.org.br. Consultado em 1 de maio de 2022 
  15. a b Nikulin, Andrey. «Proto-Macro-Jê: um estudo reconstrutivo» (PDF). pp. 14–15. Consultado em 29 de abril de 2022 
  16. «Portal Kaingang». www.portalkaingang.org. Consultado em 29 de abril de 2022 
  17. Wiesemann, Ursula (2011). «Dicionário Kaingang-Português : Português-Kaingang» (PDF). p. 9. Consultado em 21 de abril de 2022 
  18. «Terra Indígena Ibirama-La Klãnõ | Terras Indígenas no Brasil». terrasindigenas.org.br. Consultado em 30 de abril de 2022 
  19. Radünz, Daniel. «Línguas originárias/indígenas em Santa Catarina - Sul do Brasil». Consultado em 21 de abril de 2022 
  20. «Portal Kaingang». www.portalkaingang.org. Consultado em 7 de maio de 2022 
  21. «Portal Kaingang». www.portalkaingang.org. Consultado em 7 de maio de 2022 
  22. «Portal Kaingang». www.portalkaingang.org. Consultado em 7 de maio de 2022 
  23. «Portal Kaingang». www.portalkaingang.org. Consultado em 7 de maio de 2022 
  24. Kindell, Gloria (2008). «Fonêmica Kaingáng» (PDF). p. 2. Consultado em 19 de abril de 2021 
  25. Kindell, Glória (2008). «Fonêmica Kaingáng» (PDF). p. 4. Consultado em 1 de maio de 2022 
  26. Kindell, Gloria (2008). «Fonêmica Kaingáng» (PDF). Consultado em 1 de maio de 2022 
  27. Ribeiro, Jéssica; Oliveira, Christiane. «A ESTRUTURA SILÁBICA NAS LÍNGUAS JÊ» (PDF). p. 6 
  28. Ribeiro, Jéssica; Oliveira, Christiane. «A ESTRUTURA SILÁBICA NAS LÍNGUAS JÊ» (PDF). pp. 6–7 
  29. Herold, Cristina. «ASPECTOS DA FONOLOGIA DA LINGUA KAINGANG - DIALETO CENTRAL» (PDF). p. 10 
  30. a b «Kaingang alphabet, prounciation and language». omniglot.com. Consultado em 27 de abril de 2022 
  31. Bandeira, Toni. «Aspectos da língua kaingang» (PDF). pp. 388–389. Consultado em 24 de abril de 2022 
  32. Wiesemann, Ursula (2011). «Dicionário Kaingang-Português : Português-Kaingang» (PDF). p. 160. Consultado em 1 de maio de 2022 
  33. Wiesemann, Ursula (2011). «Dicionário Kaingang-Português : Português-Kaingang» (PDF). pp. 160–161. Consultado em 1 de maio de 2022 
  34. a b c Wiesemann, Ursula (2011). «Dicionário Kaingang-Português : Português-Kaingang» (PDF). p. 161. Consultado em 1 de maio de 2022 
  35. Nascimento, Marcia (2013). «Tempo, Modo, Aspecto e Evidencialidade em Kaingang» (PDF). Biblioteca Digital Curt Nimuendajú. p. 55. Consultado em 23 de abril de 2022 
  36. a b c d e D'Angelis, Wilmar. «A língua Kaingang» (PDF). http://www.portalkaingang.org/Lgua_Kaingang.pdf. p. 5. Consultado em 1 de maio de 2022 
  37. Nascimento, Márcia (2013). «TEMPO, MODO, ASPECTO E EVIDENCIALIDADE EM KAINGANG» (PDF). p. 13. Consultado em 1 de maio de 2022 
  38. Nascimento, Márcia. «TEMPO, MODO, ASPECTO E EVIDENCIALIDADE EM KAINGANG» (PDF). p. 14. Consultado em 1 de maio de 2022 
  39. Nascimento, Márcia (2013). «TEMPO, MODO, ASPECTO E EVIDENCIALIDADE EM KAINGANG» (PDF). p. 15 
  40. Wiesemann, Ursula (2011). «Dicionário Kaingang-Português : Português-Kaingang» (PDF). p. 156 
  41. Wiesemann, Ursula. «Dicionário Kaingang-Português : Português-Kaingang» (PDF). p. 159. Consultado em 1 de maio de 2022 
  42. Nascimento, Márcia (2013). «TEMPO, MODO, ASPECTO E EVIDENCIALIDADE EM KAINGANG» (PDF). pp. 82–98 
  43. Tabosa, Luciana; Santos, Ludoviko. «Relativização na Língua Kaingang». pp. 301–303. Consultado em 1 de maio de 2022 
  44. Tabosa, Luciana; Santos, Ludoviko. «Relativização na Língua Kaingang». p. 310 
  45. a b Tabosa, Luciana; Santos, Ludoviko. «Relativização na Língua Kaingang». p. 296. Consultado em 1 de maio de 2022 
  46. a b c Tabosa, Luciana; Santos, Ludoviko. «Relativização na Língua Kaingang». p. 297. Consultado em 1 de maio de 2022 
  47. a b «O CONHECIMENTO MATEMÁTICO KAINGANG - VËNHNÏKRÉN : um estudo sobre a matemática Kaingang». 1library.org. Consultado em 27 de abril de 2022 
  48. «Portal Kaingang». www.portalkaingang.org. Consultado em 29 de abril de 2022 
  49. Olimpíada Brasileira de Linguística. «Prova da 1ª fase da edição Margele» (PDF). obling.org. Consultado em 22 de abril de 2022 

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar