Abrir menu principal
Xoclengue (xokleng)
Falado em: Brasil
Região: Santa Catarina
Total de falantes:
Família: línguas macrojês
 línguas jês
  jê do sul
   Xoclengue
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
ISO 639-3: xok

A língua xoclengue ou laklãnõ, pertencente à família das línguas jê meridionais, tronco Macro-Jê, é praticada pelos xoclengues, habitantes das comunidades indígenas instaladas na região Sul do Brasil, às margens do rio Itajaí em Santa Catarina.[1]

SociolinguísticaEditar

Em 1997, existiam 723 pessoas na tribo (censo da FUNAI), porém, nem todas falavam o idioma ancestral.[carece de fontes?] Em 1998, foram contadas 760 pessoas. O Ethnologue classifica a situação linguística como de transição para o português.[1] Pesquisa de 2004 revelou que, na escola da aldeia, as turmas de educação infantil, as professoras falavam apenas em xoclengue com as crianças, enquanto no ensino fundamental os dois primeiros anos não tinham professores falantes de xoclengue, mas, no terceiro, havia aprendizado secundário do idioma.[2]

DescriçãoEditar

Como língua jê meridional, é próxima do caingangue, gozando de inteligibilidade mútua limitada, ao menos por parte dos xoclengues.[3][4]

EscritaEditar

Há um alfabeto desenvolvido por Nanblá Gakran e Terezinha Bublitz. As consoantes são ', b, d, dj, g, gw, h, j, k, kw, l, m, n, nh, p, t, tx, v, z.[5] As vogais são a, á, e, é, i, o, ó, u, y, com uso de til para representação de nasalidade.[6]

FonologiaEditar

O xoclengue possui 19 consoantes, contrastando labialização para velares e mostrando pré-nasalização em plosivas e africada sonoras. Há nove vogais orais, cada uma com uma contraparte nasal.[7] Há suspeitas de presença de distinção de duração nas vogais.[8]

GramáticaEditar

O xoclengue tem ordem Sujeito-Objeto-Verbo.[1] Um fator particular deste idioma e do caingangue (configurando fator das línguas jês meridionais) é, em demonstração de ergatividade, o uso de duplicação do verbo ou redundância para indicação de pluralidade do objeto direto.[9]

MarcasEditar

Toda oração precisa ter uma "marca de sujeito", posta adjacentemente a um sintagma nominal para indicação de sujeito, e variável conforme pessoa e número.[10] Também há "marcas de aspecto", obrigatórias no fim de orações independentes, de alguma maneira análogas à noção de perfectividade das línguas latinas, mas também podendo revelar posição física do sujeito ou objeto da oração.[11]

Referências

  1. a b c «Xokleng». Ethnologue (em inglês) 
  2. Faustino Criri Neto 2004, pp. 55-64.
  3. «Jean». Ethnologue (em inglês) 
  4. Wilk, Flavio Braune. «Xokleng». Povos Indígenas no Brasil 
  5. Gakran 2005, pp. 34-35.
  6. Gakran 2005, p. 37.
  7. Gakran 2005, p. 34.
  8. Gakran 2005, pp. 35-36.
  9. Gakran 2005, pp. 39-40.
  10. Gakran 2005, p. 68.
  11. Gakran 2005, p. 85.

BibliografiaEditar