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Lúcio Tomé Feteira

Lúcio Tomé Feteira
Nascimento 21 de dezembro de 1902
Morte 15 de dezembro de 2000 (97 anos)
Cidadania Portugal
Ocupação banqueiro
Prêmios Grã-Cruz da Ordem do Mérito Empresarial, Comendador da Ordem do Mérito Empresarial

Lúcio Tomé Feteira ComMAIGCMAI (Marinha Grande, Vieira de Leiria, 21 de Dezembro de 1901/1902 — Lisboa, 15 de Dezembro de 2000) foi um grande industrial, empresário e filantropo português.[1]

BiografiaEditar

Filho de Joaquim Tomé Feteira (Marinha Grande, Vieira de Leiria, 1846 / Porto de Mós, Mira de Aire, 7 de Março de 1847 - Marinha Grande, Vieira de Leiria, 28 de Julho / 29 de Agosto de 1918) e de sua segunda mulher Inácia da Piedade Sequeira (Marinha Grande, Vieira de Leiria - ?).

Concluído o curso geral dos liceus, Lúcio Tomé Feteira teve um primeiro emprego como aprendiz de pilotagem de navios da Marinha Mercante, mas depressa optou por voltar à escola. Terminados os estudos secundários, foi para o Instituto Superior de Comércio, no Porto. Faltavam-lhe escassas cadeiras para terminar o curso superior de Comércio, quando decidiu partir (em 1922 ou em 1924), rumo a Angola. Lá lhe esperava um lugar como funcionário superior das Finanças.[1] Nessa qualidade chegou a colaborar com o governador Norton de Matos, até que ao fim de dois anos, enfadado com o serviço do Estado, resolveu seguir para o Congo Belga. Aí prosperou como gestor de empresas privadas, chegando a ser diretor de importantes organizações comerciais, pelo que o rei Alberto I da Bélgica o condecorou com a Ordem de Leopoldo II da Bélgica.[1]

Regressou a Portugal, quando o país vivia sob Ditadura Nacional, em 1931, e passou a fazer parte da Empresa de Limas União Tomé Feteira, fundada por seu pai e de que eram sócios os seus irmãos, sendo logo a sua acção muito notável.[1] Entre 1931 e 1941 assumiu uma quota nessa empresa, vendendo-a aos irmãos no último desses anos. Essa fábrica de limas, criada em 1856, que foi uma das primeiras grandes organizações metalúrgicas nacionais, chegou a empregar 1200 trabalhadores e, dada a aceitação dos seus produtos no estrangeiro exportava a maior parte da sua produção, destinando menos de 1/5 ao mercado nacional. No Congresso Industrial Limeiro, de Paris, França, representando os interesses portugueses, Lúcio Tomé Feteira conseguiu brilhantes êxitos na luta contra poderosos trusts internacionais.[2]

Entre 1934 e 1939 foi Presidente da Junta de Freguesia de Vieira de Leiria. Em 1935 tornou-se também Cônsul Honorário do Paraguai em Lisboa, recebendo anos depois desse Estado o grau de Comendador da Ordem do Mérito.[3] Possuía várias condecorações conferidas pelos governos de cinco países. A 5 de Outubro de 1936 foi feito Comendador da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial Classe Industrial,[3][4] cujas insígnias lhe são oferecidas pelo povo da sua terra numa homenagem pública, em 1939.

Casou-se com Adelaide Guerra dos Santos, filha do industrial de vidros Dâmaso Luís dos Santos. Interessando-se pela indústria do vidro, fundou a Companhia Industrial de Vidros, na Guia, concelho de Pombal. Logo aí iniciou obra de largo alcance social, concedendo aos operários bairros de habitação e regalias então inéditas no seu país. Mecanizou a fabricação da vidraça normal, pelo que Portugal passou a ter uma produção de nível europeu. Para tal, e com a ajuda do sogro, fundou a Companhia Vidreira Nacional (Covina), empresa onde juntaria todos os industriais portugueses do sector e onde ampliou a sua larga obra de assistência ao pessoal com realizações notáveis, dotando-os de Caixa de Reforma e Pensões, etc.[3]

Em 1941, visitou o Brasil pela primeira vez, e, mais tarde, introduziu no país o negócio do fabrico mecânico de vidro plano e ali fundou duas grandes companhias, para a produção de chapa de vidro: a Companhia Vidreira do Brasil (Covibra) e a Companhia Paulista de Vidro Plano, para as quais obteve apoio entusiástico do Governo Brasileiro,[3] e construiu duas fábricas, uma em São Gonçalo, no bairro de Neves (localidade também conhecida como Vila Lage), e outra em São Paulo.[5] Naquele país esteve profundamente interessado noutras indústrias, como a da produção de sulfato de sódio e a metalúrgica.[3] As fábricas multiplicar-se-iam, não só no Brasil, como na Argentina, no Uruguai e na Venezuela, permitindo-lhe investir noutros ramos, sobretudo em empreendimentos turísticos e imobiliários, mas também na indústria do cimento, na agricultura e na pecuária.

Próximo dos círculos financeiros, esteve entre os fundadores do Banco Comercial de Angola. Em Maricá, no Brasil, adquiriu uma propriedade onde tentou a construção de uma cidade de raiz, a que daria o nome de Olímpia, nome da sua irmã mais nova, que morreu jovem. Teve um papel crucial na construção do primeiro autódromo em Portugal, situado no Estoril, o Autódromo do Estoril.

Lúcio refugiou-se no Brasil, sempre que o poder, em Portugal, se interferia nos seus negócios, com políticas de condicionamento industrial. Influente, conheceu Calouste Gulbenkian, Valéry Giscard d'Estaing, Margaret Thatcher e David Rockefeller, deu emprego a Mário Soares no exílio, protegeu Humberto Delgado e Chaim Weizmann, e deu abrigo a Juscelino Kubitschek. Ainda em 1947, financiou um movimento revolucionário contra a ditadura, que custaria a prisão a João Lopes Soares e José Mendes Cabeçadas. Em Vieira de Leiria financiou a sopa dos pobres, escolas, a biblioteca, os bombeiros, a igreja e construiu um jardim-de-infância.

Na década de 1960 a sua fortuna chegou a ser considerada uma das 10 maiores do mundo.

A 30 de Junho de 1970 foi elevado a Grã-Cruz da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial Classe Industrial.[4] Depois do 25 de Abril,[6] viria a incompatibilizar-se com as gentes da terra, pela forma como trataram a sua família, que foi sequestrada dentro da fábrica. Não impediu também a estatização da Covina, hoje detida pela multinacional francesa Saint-Gobain Glass. Em 1987 recusou o convite de Mário Soares, para integrar o conselho das Ordens Honoríficas de Portugal.

A sua mulher faleceu em Lisboa, Nossa Senhora de Fátima, a 7 de Outubro de 2003. Dela teve um único filho, Lúcio Guerra Tomé Feteira (10 de Janeiro de 1942 - 1975).

Depois da sua morte, a sua herança causaria enorme polémica, com o assassinato da secretária do milionário, Rosalina Ribeiro, a filha única, havida fora do casamento em 1941, Olímpia de Azevedo Tomé Feteira de Meneses, e a Junta de Freguesia de Vieira de Leiria, incumbida, em testamento, de criar uma fundação.[7]

Vários dos seus irmãos foram também Industriais: Albano Tomé Feteira, Comendador da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial Classe Industrial a 18 de Novembro de 1933,[8] Francisco Tomé Feteira, Oficial da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial Classe Industrial a 5 de Outubro de 1931,[9] João Tomé Feteira, Comendador da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial Classe Industrial a 18 de Novembro de 1933[10] e Raul Tomé Feteira, Comendador da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial Classe Industrial a 5 de Outubro de 1931.[11] Foram, ainda, seu primo Manuel da Cunha Feteira, Oficial da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial Classe Industrial a 11 de Junho de 1935,[12] e sua parente Isabel Rodrigues de Macedo Feteira, Oficial da Ordem do Mérito a 8 de Junho de 1996.[13]

Referências

  1. a b c d Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. [S.l.]: Editorial Enciclopédia, L.da. pp. Volume 11. 236 
  2. Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. [S.l.]: Editorial Enciclopédia, L.da. pp. Volume 11. 236-7 
  3. a b c d e Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. [S.l.]: Editorial Enciclopédia, L.da. pp. Volume 11. 237 
  4. a b «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Lúcio Tomé Feteira". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 1 de abril de 2015 
  5. Os negócios, a política e as mulheres. A vida de Tomé Feteira, in i
  6. Poderoso entre poderosos, in Jornal de Notícias
  7. Herança para criar Fundação Família Feteira é uma «mão cheia de nada», in Jornal de Leiria
  8. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Albano Tomé Feteira". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2 de abril de 2015 
  9. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Francisco Tomé Feteira". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2 de abril de 2015 
  10. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "João Tomé Feteira". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2 de abril de 2015 
  11. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Raúl Tomé Feteira". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2 de abril de 2015 
  12. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Manuel da Cunha Féteira". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2 de abril de 2015 
  13. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Isabel Rodrigues Macedo Feteira". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2 de abril de 2015