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Lago Guaíba
Guahyba
Vista a partir de Porto Alegre
Localização
Coordenadas 30° 09' 22" S 51° 16' 35" O
País  Brasil
Região administrativa  Rio Grande do Sul
Características
Área * 496 km²
Comprimento máximo 50 km
Largura máxima 19 km
Profundidade média 3 m
Volume * 1.44 mil km³
Bacia hidrográfica 2.523 km²
Afluentes Delta do Jacuí, Arroio Dilúvio
Efluentes Laguna dos Patos
Lago Guaíba está localizado em: Rio Grande do Sul
Lago Guaíba
Mapa do Lago Guaíba
Localização do Lago Guaíba e de sua Região Hidrográfica[1]
* Os valores do perímetro, área e volume podem ser imprecisos devido às estimativas envolvidas, podendo não estar normalizadas.

O Lago Guaíba localiza-se na região metropolitana de Porto Alegre, banhando as cidades de Porto Alegre, Eldorado do Sul, Guaíba, Barra do Ribeiro e Viamão.

O lago possui importância ambiental, econômica e histórico-cultural para a região[2]. Atualmente as águas do lago tem múltiplos usos, como abastecimento hídrico, diluição de águas residuais (como esgotos), recreação, pesca e navegação (cargas e transporte público), além de fazer parte da identidade visual da região[3][4]. O lago é gerido pelo Comitê de Bacia do Lago Guaíba[5].

Índice

GeografiaEditar

O Lago Guaíba é um corpo hídrico superficial raso e aberto, com vazão (média histórica) de entrada de 780 m³/s (com eventos pontuais ultrapassando os 3.000 m³/s)[6], sendo alimentado principalmente pelos rios: Jacuí (84,6%); Sinos (7,5%); Caí (5,2%); e Gravataí (2,7%); além de diversos arroios em suas margens (como o Arroio Dilúvio).[7] Estes rios desembocam no Delta do Jacuí, formando então o Lago Guaíba, que banha os municípios de Porto Alegre, Eldorado do Sul, Guaíba, Barra do Ribeiro e Viamão. A partir do Guaíba, as águas vão para a Laguna dos Patos e, por sequência, para o Oceano Atlântico.

O Guaíba possui área de 496 km², comprimento máximo de 50 km (entre o Delta do Jacuí e o exutório para Laguna dos Patos) e largura variável, entre 900 m (na altura do Gasômetro) e 19 km (ao sul do lago).

 Ver artigo principal: Delta do Jacuí

Bacia hidrográficaEditar

A Região Hidrográfica do Guaíba abrange uma área de 84.751 km², cobrindo 251 municípios e 1/3 da área do estado, o que representa cerca de 50% dos municípios e mais de 60% dos habitantes do Rio Grande do Sul[8][9]. Nela, estão situados os núcleos industriais mais importantes do estado, concentrando dois terços da produção industrial do Rio Grande do Sul os centros urbanos mais populosos.

 Ver artigo principal: Região hidrográfica do Guaíba

Já a Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba, especificamente, cobre 2.523,62 km² (0,9% da área do Rio Grande do Sul), envolvendo 14 municípios e mais de 2,2 milhões de habitantes[9].

 Ver artigo principal: Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba

Orla de Porto AlegreEditar

Na orla do Guaíba, encontram-se diversos pontos turísticos e de referência da capital gaúcha, tais como: a Usina do Gasômetro, a área revitalizada da Orla, o estádio de futebol Beira-Rio, o Anfiteatro Pôr do Sol, a Fundação Iberê Camargo, as ruínas do Estaleiro Só, entre outros.

A orla também é o local de muitos clubes náuticos, como: o Iate Clube Guaíba, o Veleiros do Sul, o Clube dos Jangadeiros, entre outros.

O Cais Mauá localiza-se oficialmente no Canal dos Navegantes, sendo parte do Delta do Jacuí (estando à montante do Lago Guaíba).

PraiasEditar

O Guaíba possui diversas praias lacustres que são frequentadas pela população. Nem todas estas são utilizadas por banhistas ou possuem balneabilidade adequada. A balneabilidade das praias do Guaíba é monitorada pela FEPAM[10].

Na margem lesteEditar

Na margem OesteEditar

  • Praia da Alegria (Guaíba)
  • Praia da Florida (Guaíba)
  • Praia da Picada (Barra do Ribeiro)

IlhasEditar

Além do arquipélago do Delta do Jacuímontante do Guaíba), há diversas ilhas no lago:

História ambientalEditar

Origem do nomeEditar

Na cartografia dos séculos XVII e XVIII (e até princípios do XIX) o Lago Guaíba e a Laguna dos Patos eram denominados conjuntamente de “Rio Grande”, o que gerou o nome do estado: Rio Grande do Sul[11][12][13][14]. Em relação ao Lago, o nome “Guahyba” origina-se da família linguística Tupi-Guarani (primeiros habitantes da região), podendo ser traduzido como “encontro das águas”, denotando a convergência de seus afluentes (no Delta do Jacuí)[15][7]. Entretanto, até o início do século XIX, este manancial foi conhecido por outros nomes, como “Lagoa de Viamão” ou “de Porto Alegre[12][14].

Fatos históricosEditar

  • O Guaíba é o principal manancial de abastecimento hídrico da capital gaúcha desde sua fundação no início no século XVIII[16].
  • A enchente de 1941 deixou diversas ruas de Porto Alegre debaixo d'água por dias.
 Ver artigo principal: Enchente de 1941

PoluiçãoEditar

A baixa qualidade das águas do Lago Guaíba já eram notadas desde o fim dos anos 1950[17], persistindo por décadas de percepção pública. Até a metade do século XX o lago tinha variados usos de suas águas, sendo um destino popular para banhistas, esportistas e turistas - especialmente entre as décadas de 1940 e 1970. Porém, estas atividades foram restringidas ao longo do tempo pelo aumento da poluição[18][19][20]. Na época, a aceitação da poluição e da "perda" das praias foi vista pela população como uma consequência inevitável do desenvolvimento econômico[20][19][18].

 
Pôr do sol no Lago Guaíba

A poluição do Guaíba se dá principalmente através das águas do Delta do Jacuí e dos arroios afluentes. O Delta do Jacuí apresenta poluição derivada de esgotos sanitários (principalmente vindas do Rio Gravataí) e de efluentes industriais (do Caí e dos Sinos) - provenientes da histórica região coureiro-calçadista próxima de Novo Hamburgo e São Leopoldo[8]. Na margem de Porto Alegre a poluição flui principalmente a partir de arroios como o Dilúvio, o Cavalhada, o Salso e outros[18]. Nestes áreas o sedimento do leito do Lago Guaíba apresenta poluição por excesso de nutrientes (C, N, P) e metais potencialmente tóxicos (Zn, Cu, Cr, Ni, Pb, Cd), derivados principalmente de esgotos não tratados e outras fontes derivadas da intensa urbanização e atividade antrópica, como indústrias, esgotos e o intenso fluxo de veículos nas vias[4][18].

Planos de despoluição

Diversos programas já focaram na despoluição do Lago Guaíba, dentre eles o Pró Guaíba[21].

O projeto governamental de saneamento denominado "Programa Integrado Socioambiental "(PISA) tem como objetivo tornar as águas do Guaíba balneáveis novamente, em um prazo de 20 anos (a contar de 2007). O programa envolve a construção de Estações de Tratamento de Esgotos (ETE), entre outras obras correlatas.

TopônimoEditar

Em sua história, o Guaíba já foi classificado como “rio”, “ria”, “estuário” e “lago” e ainda, por certo tempo, “na dúvida entre o correto termo recomendou-se a utilização do nome apenas como ‘Guaíba’, sem designação[22][12][23]. Sendo um ambiente transicional, este “acidente geográfico” possui particularidades que dificultam sua simples denominação topológica, persistindo continuamente a discussão[23].

Os argumentos a favor do Guaíba ser um lago são:[7]

  • Os rios que nele desembocam formam um delta (Delta do Jacuí);
  • O escoamento da água é bidimensional, formando áreas com velocidades diferenciadas, típico de um lago;
  • Os depósitos sedimentares das margens possuem geometria e estrutura características de sistema lacustre;
  • A vegetação das margens é de matas de restinga, identificadoras de cordões arenosos lacustres.

GaleriaEditar

Referências

  1. de Andrade, Leonardo Capeleto; Coelho, Fabrício Fernandes; Hassan, Sayed M.; Morris, Lawrence A.; de Oliveira Camargo, Flávio Anastácio (2019). «Sediment pollution in an urban water supply lake in southern Brazil». Environmental Monitoring and Assessment (em inglês). 191 (1). ISSN 0167-6369. doi:10.1007/s10661-018-7132-2 
  2. Andrade, Leonardo Capeleto de; Rodrigues, Lucia Ribeiro; Andreazza, Robson; Camargo, Flávio Anastácio de Oliveira (30 de maio de 2019). «Lago Guaíba: uma análise histórico-cultural da poluição hídrica em Porto Alegre, RS, Brasil». Engenharia Sanitaria e Ambiental. 24 (2): 229–237. ISSN 1809-4457. doi:10.1590/s1413-41522019155281 
  3. Andrade, Leonardo Capeleto de; Rodrigues, Lucia Ribeiro; Andreazza, Robson; Camargo, Flávio Anastácio de Oliveira (30 de maio de 2019). «Lago Guaíba: uma análise histórico-cultural da poluição hídrica em Porto Alegre, RS, Brasil». Engenharia Sanitaria e Ambiental. 24 (2): 229–237. ISSN 1809-4457. doi:10.1590/s1413-41522019155281 
  4. a b de Andrade, Leonardo Capeleto; Coelho, Fabrício Fernandes; Hassan, Sayed M.; Morris, Lawrence A.; de Oliveira Camargo, Flávio Anastácio (2019). «Sediment pollution in an urban water supply lake in southern Brazil». Environmental Monitoring and Assessment (em inglês). 191 (1). ISSN 0167-6369. doi:10.1007/s10661-018-7132-2 
  5. «Comitê do Lago Guaíba: Histórico» 
  6. ANDRADE NETO, J.S. (2012). «Descarga sólida em suspensão do sistema fluvial do Guaíba, RS, e sua variabilidade temporal». Pesquisas em Geociências 
  7. a b c MENEGAT, R.; PORTO, M. L.; CARRARO, C. C.; FERNANDES, L. A. A. (Coord.). Atlas ambiental de Porto Alegre. 3. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2006. 228 p.
  8. a b Andrade, Leonardo Capeleto de; Andrade, Rodrigo Da Rocha; Camargo, Flávio Anastácio de Oliveira (20 de março de 2018). «The historical influence of tributaries on the water and sediment of Jacuí's Delta, Southern Brazil». Ambiente e Agua - An Interdisciplinary Journal of Applied Science. 13 (2). 1 páginas. ISSN 1980-993X. doi:10.4136/ambi-agua.2150 
  9. a b «G080 - Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba». SEMA - Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul. Consultado em 6 de maio de 2019 
  10. FEPAM. «QUALIDADE AMBIENTAL: Projeto Balneabilidade» 
  11. Andrade, Leonardo Capeleto de; Rodrigues, Lucia Ribeiro; Andreazza, Robson; Camargo, Flávio Anastácio de Oliveira (30 de maio de 2019). «Lago Guaíba: uma análise histórico-cultural da poluição hídrica em Porto Alegre, RS, Brasil». Engenharia Sanitaria e Ambiental. 24 (2): 229–237. ISSN 1809-4457. doi:10.1590/s1413-41522019155281 
  12. a b c OLIVEIRA, Carlos Alfredo Azevedo (1981). «Um lago chamado Guaíba». Boletim Gaúcho de Geografia 
  13. OLIVEIRA, Carlos Alfredo Azevedo (1976). «A designação do Guaíba – conceituação em Geografia Física». Boletim Geográfico do Rio Grande do Sul 
  14. a b SPALDING, W (1961). «O Guaíba, a Lagoa dos Patos e a Barra do Rio Grande». Boletim Geográfico do Rio Grande do Sul 
  15. Andrade, Leonardo Capeleto de; Rodrigues, Lucia Ribeiro; Andreazza, Robson; Camargo, Flávio Anastácio de Oliveira (30 de maio de 2019). «Lago Guaíba: uma análise histórico-cultural da poluição hídrica em Porto Alegre, RS, Brasil». Engenharia Sanitaria e Ambiental. 24 (2): 229–237. ISSN 1809-4457. doi:10.1590/s1413-41522019155281 
  16. «Histórico». DMAE. Consultado em 11 de julho de 2018 
  17. FREITAS, A. F. R. (1962). O destino dos esgotos de Porto Alegre em face da poluição do Guaíba. Rio Grande do Sul: Ed. da Universidade do Rio Grande do Sul. pp. 39 f. 
  18. a b c d de Andrade, Leonardo Capeleto; Tiecher, Tales; de Oliveira, Jessica Souza; Andreazza, Robson; Inda, Alberto Vasconcellos; de Oliveira Camargo, Flávio Anastácio (2018). «Sediment pollution in margins of the Lake Guaíba, Southern Brazil». Environmental Monitoring and Assessment (em inglês). 190 (1). ISSN 0167-6369. doi:10.1007/s10661-017-6365-9 
  19. a b Rückert, Fabiano Quadros (6 de fevereiro de 2014). «O problema das águas poluídas na cidade de Porto Alegre (1853-1928) - doi: 10.4025/dialogos.v17i3.763». Diálogos. 17 (3). ISSN 2177-2940. doi:10.4025/dialogos.v17i3.763 
  20. a b Prestes, A.J.D. A poluição do Guaíba e de suas praias em Porto Alegre a partir dos anos 1960. In: Pereira, E.M.; Rückert, F. Q.; Machado, N.G. (Eds.). História ambiental do Rio Grande do Sul (p. 224). Lajeado: Editora da Univates, 224 p., 2014.
  21. «Pró-Guaíba». FEPAM. Consultado em 5 de maio de 2019 
  22. CHEBATAROFF, Jorge (1959). «Denominação do Guaíba e o moderno conceito de Estuário. Boletim Geográfico do Rio Grande do Sul». Boletim Geográfico do Rio grande do Sul 
  23. a b ANDRADE, Leonardo Capeleto de. IMPACTOS DO AMBIENTE URBANO NA POLUIÇÃO DOS SEDIMENTOS DO LAGO GUAÍBA. Tese (Doutorado) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Agronomia, Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo, Porto Alegre, BR-RS, 2018. 116 f.

Ver tambémEditar