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Lapsi (latim para "caídos") era o nome dado aos apóstatas ou cristão que renegaram sua fé durante as perseguições pelo Império Romano.[1] O termo também engloba os que relaxaram em sua fé e que decidem depois voltar pra ela.

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GrausEditar

HistóriaEditar

 Ver artigos principais: Donatismo e Novacianismo

Durante a perseguição de Décio, os nomes dos cristãos que demonstraram a sua apostasia por um dos cinco métodos acima entravam para sempre nos registros da corte. Após terem recebido seus atestados, com a certeza de que seus nomes já constavam ali, eles se sentiam seguros de novas perseguições. A verdade é que a maioria cedia por fraqueza de vontade, pois a maioria queria continuar cristã. Porém, este desejo ia contra a disciplina da época. Os lapsi de Cartago conseguiram ganhar o apoio de alguns cristãos que permaneceram fiéis, apesar das torturas e da prisão. Estes confessores enviaram cartas em nome dos mártires mortos (libella pacis) ao bispo em favor dos renegados. E assim, muitos conseguiram retornar à Igreja, apesar da oposição de Cipriano de Cartago. Como problemas similares estavam acontecendo em Roma, os opositores de Cipriano buscaram ajuda lá. De seu exílio, o bispo de Cartago mantinha constante contato com a sede vacante de Roma (depois do martírio do Papa Fabiano) e decidiu esperar o final da perseguição para voltar à sua cidade e tratar do assunto. O costume permaneceu então o de exigir a recomendação de um mártir ou confessor e de só admitir novamente os apóstatas no leito de morte ou após uma penitência [2].

Os opositores de Cipriano não aceitaram a decisão e provocaram um cisma. Quando, após a eleição do Papa Cornélio, o padre Novaciano se proclamou antipapa alegando ser o defensor da disciplina rigorista, que se recusava terminantemente a aceitar de volta os lapsi. Logo após a volta de Cipriano para sua sé episcopal na primavera de 251 d.C., sínodos foram realizados em Roma e em Cartago para discutir a questão. A decisão foi admitir os lapsi após uma penitência. Sobre a duração dela, os bispos deveriam avaliar as circunstâncias da apostasia, ou seja, se ele foi torturado antes do sacrifício ou se a sua família fora ameaçada. Os que fizeram os sacrifícios de livre vontade (os sacrificati e os thurificati) só receberiam o perdão no leito de morte. Os libellatici poderiam ser admitidos rapidamente[2].

A decisão do Concílio de Cartago foi aceita por Dionísio de Alexandria, pelo Papa Cornélio e por Cipriano de Cartago. Só que no oriente, as visões rigoristas de Novaciano foram recebidas com muita simpatia, por exemplo por Fábio, bispo de Antioquia, e seus colegas em Cesareia Palestina, Cesareia e em Tarso[3]. Só com muito esforço, a maioria dos bispos da região acabou cedendo e um pequeno grupo cismático se formou (os novacianos). Porém, logo se iniciou uma nova onda de perseguições sob Diocleciano e a história se repetiu novamente. Muitos cederam às pressões e caíram em apostasia novamente. E nesta perseguição apareceram os traditores, que cederam livros religiosos às autoridades, em sua maioria bispos[2].

Como na perseguição de Décio, os lapsi, liderados por um Heraclius, tentaram obter a readmissão na Igreja sem realizar a penitência, mas os papas Marcelo e Eusébio se recusaram, aderindo à disciplina penintencial vigente. A confusão e as disputas por conta deste assunto eram tamanhas que Magêncio baniu Marcelo e, depois, Eusébio, assim como Heraclius. Na África (província romana), o cisma donatista surgiu por conta do tratamento dado aos lapsi, principalmente os traditores. Diversos sínodos foram realizados para resolver a questão donatista: Concílio de Elvira (306), Concílio de Arles (314), Concílio de Ancira (314) e o Concílio de Nice[2].

Referências

  1. QUINSON, Marie-Therese (1999). Dicionário cultural do cristianismo. Edicoes Loyola. p. 180. ISBN 978-85-15-01330-2.
  2. a b c d   "Lapsi" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês)., uma publicação agora em domínio público
  3.   "The Church of Antioch" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês)., uma publicação agora em domínio público

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar