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Largo do Arouche
Vista do largo, cujos floristas lhe renderam o epíteto de "Praça das Flores".
Subprefeitura(s)
Bairro(s) República

Largo do Arouche[1] é uma praça tradicional da região central[2] da cidade de São Paulo,[3] Brasil. Situa-se no distrito da República, próximo à estação República do metrô.[4]

Seu nome foi alterado várias vezes: Largo do Ouvidor, Largo da Artilharia, Praça Alexandre Herculano. O atual é uma homenagem ao tenente-general José Arouche de Toledo Rendon, reconhecido por ser o primeiro diretor da Faculdade de Direito de São Paulo e do Jardim Botânico.[5]

No local, diversos floristas foram instalando-se aos poucos, com a retirada das bancas existentes na Praça da República pelo prefeito Armando de Arruda Pereira. Assim, o Largo do Arouche se transformou no Mercado das Flores, oficializado em 1953, e por essa razão também é conhecido como Praça das Flores.

HistóriaEditar

O Largo é composto pelas ruas Jaguaribe, Amaral Gurgel, a avenida Duque de Caxias e o término da rua do Arouche. Em seu lado oposto passa a avenida Vieira de Carvalho, dados que constam na planta genérica da cidade de São Paulo.

O nome da praça é uma homenagem ao tenente-general José Arouche de Toledo Rendon, dono do terreno desde a demarcação da Cidade Nova - marcos formados a partir da transposição do vale do rio Anhangabaú, regiões hoje conhecidas como Santa Cecília, Praça da República e Vale do Anhangabaú.[6] Em 1881, a pedido do tenente, a Câmara de São Paulo cedeu à sua vontade de desterrar e aplainar a Praça então chamada de Legião para "disciplinar os milicianos por brigadas" e mudar seu nome para Praça dos Milicianos.[7]

Desde então o espaço quadrangular entre as ruas Jaguaribe e do Arouche, considerado a parte baixa, recebeu muitos nomes (Tanque do Arouche, Praça da Alegria, Praca da Legião), até finalmente em 1865 receber o nome de Campo do Arouche, que perdurou até 1910, quando pela Lei nº 1312 mudou para Praça Alexandre Herculano. Três anos depois, um inciso art. 2.° a Lei Municipal l nº 1741 reverteu Largo do Arouche como o nome definitivo de toda praça. A parte alta, antiga praça da Artilharia, logo mudou seu nome para Largo do Arouche, como até hoje é conhecida. [7]

O local abriga importantes esculturas de renomados artistas, tais como: A Menina e o Bezerro, obra do escultor carioca Luís Christophe, encomendada pelo prefeito Raimundo Duprat; Afonso d'Escragnolle Taunay, um dos maiores historiadores brasileiros, principalmente na história das bandeiras paulistas, uma obra concebida pela artista plástica Claude Dunin; "Amor Materno", escultura que traz uma cadela e seu filhote, em cena que costuma comover quem passa pelo largo, obra do francês Louis Eugéne Virion, adquirida na década de 1910.[8] Parte do patrimônio histórico cultural da Praça, as esculturas passam por processos de intemperismo, natural das rochas mesmo nos monumentos históricos. Porém, a crescente poluição da atmosfera, principalmente em metrópoles como São Paulo, aumenta o processo de deterioração das esculturas.[9]

José Arouche de Toledo RendonEditar

Nascido na cidade de São Paulo, no dia 14 de março de 1756, José Arouche de Toledo Rendon é filho do mestre de campo do exército Agostinho Delgado Arouche e de Maria Thereza de Araújo Lara, único filho homem entre sete mulheres.[7]

Arouche, cumprindo um costume das famílias ricas da época, cursa seus estudos superiores na metrópole portuguesa, formando-se em Direito Civil pela Universidade de Coimbra. Ao retornar ao Brasil dedica-se à advocacia em São Paulo e faz parte de diversos cargos públicos, como juiz de medições, juiz ordinário, juiz de órfãos; seu destaque com jurista o consagrou como procurador da coroa. Junto à sua carreira jurídica, dedica-se ao exército, alisantando-se ao posto de capitão do Estado-maior do Exército. No ano de 1829 é consagrado como tenente general.[10]

Além de sua carreira militar e jurídica, teve grande destaque no Centro da Cidade, em que foi responsável pela demarcação e assento da Cidade Nova e pelas plantações de chá da Chácara do Arouche.[7]

Espaço públicoEditar

A Praça é considerada um polo de diversidade, principalmente por sua abertura à Comunidade LGBT[11], abrangendo boates, lojas, centros de convivência e pontos de encontro para reuniões e eventos. Em 2015, no dia 28 de junho foram instaladas sete bandeiras em homenagem ao Dia do Orgulho LGBT, que vão continuar no local. [12] Mais tarde, no mesmo ano, a Prefeitura de São Paulo, como parte das ações do Programa de Metas da Gestão, instalou o Centro de Cidadania LGBT na Rua do Arouche, a mesma que compõe a Praça.[13]

Também conhecida por abrigar o famoso Mercado de Flores, faz parte da paisagem urbana há mais de 58 anos da Praça, que reúne floristas com grande semelhança aos mercados de flores franceses e agrada os transeuntes.[8]

ArredoresEditar

 
Sede da Academia Paulista de Letras.

A Academia Paulista de Letras tem sua sede no Largo do Arouche e homenageou o imortal Aureliano Leite, com um busto no largo inaugurado em 1979, dois anos após a morte do escritor, historiador e político. Obra do escultor Luís Morrone.

Há também na praça o San Raphael Hotel, indicado para turistas e realização de conferências em uma de suas diversas salas de convenção, contando com Arouche Beer Sports Bar, que traz grandes sucessos da MPB com shows ao vivo na chopperia do hotel. [14]

Ainda conta o com o primeiro bistrô paulistano, o La Casserola, inaugurado em 1954, e conta hoje com festivais que mesclam arte e gastronomia e dão vida à Praça.[14]

Na cultura popularEditar

Referências

  1. Costa, Rodrigo Inácio da. «LARGO DO AROUCHE». LEMAD - Laboratório de Ensino e Material Didático. Consultado em 30 de abril de 2017 
  2. Amadio, Decio (2005). «Desenho urbano e bairros centrais de São Paulo». biblioteca digital da usp. Consultado em 30 de abril de 2017 
  3. Silva Vicente, Tiago Augusto (2014). «DA SEGREGAÇÃO SOCIAL À SEGREGAÇÃO ESPACIAL: A APROPRIAÇÃO DO ESPAÇO URBANO PELA POPULAÇÃO LGBT NO LARGO DO AROUCHE E». usp digital. Consultado em 30 de abril de 2014. Arquivado do original em 10 de setembro de 2017 
  4. «Roteiro centro de São Paulo» (PDF). Fau usp. 2010. Consultado em 30 de abril de 2017 
  5. http://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,predios-de-sao-paulo-arouche,9460,0.htm
  6. «Praça da República e Largo do Arouche podem ser tombados | Governo do Estado de São Paulo». Governo do Estado de São Paulo. 10 de abril de 2003 
  7. a b c d Jorge, Clóvis de Athayde (1989). Consolação, uma reportagem histórica. [S.l.: s.n.] 
  8. a b «Largo do Arouche». www.cidadedesaopaulo.com. Consultado em 30 de abril de 2017. Arquivado do original em 12 de maio de 2017 
  9. Eliane Aparecida Del Lama, Lauro Kazumi Dehira & Aranda Calió dos Reys. Visão geológica dos monumentos da cidade de São Paulo. [S.l.: s.n.] 
  10. «Arouche Rendon, primeiro diretor da São Francisco - Colunas | Carta Forense». www.cartaforense.com.br. Consultado em 30 de abril de 2017 
  11. Simões e França, Júlio Assis e Isadora Lins (2001). «Do "gueto" ao mercado» (PDF). Consultado em 30 de abril de 2017 
  12. «Bandeiras LGBT instaladas no Largo do Arouche serão permanentes - São Paulo - Estadão». Estadão 
  13. «Portal da Prefeitura da Cidade de São Paulo». www.prefeitura.sp.gov.br. Consultado em 30 de abril de 2017 
  14. a b «Largo do Arouche». www.cidadedesaopaulo.com. Consultado em 30 de abril de 2017. Arquivado do original em 12 de maio de 2017 
  15. «Família do Largo Arouche volta em "Sai de baixo - O Filme" neste mês». O Liberal. 19 de fevereiro de 2019. Consultado em 26 de setembro de 2019 
  16. FURTADO, Renato (7 de janeiro de 2019). «Sai de Baixo: A louca família do Largo do Arouche desembarca nas telonas no primeiro trailer do filme». AdoroCinema. Consultado em 26 de setembro de 2019 

Ligações externasEditar