Leão II da Arménia

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Disambig grey.svg Nota: Para o rei armênio que também é chamado por vezes de Leão II, veja Leão III da Armênia. Para outras pessoas de mesmo título, veja Leão II.

Leão II da Arménia(PE) ou Armênia,(PB)[2] cognominado o Grande, Լեւոն Ա Մեծագործ em arménio, Levon Metsagorts ou Levon Medzakordz por transliteração (1150 - 2[1] ou 5 de Maio de 1219), foi Príncipe das Montanhas desde 1187 e o primeiro rei arménio da Cilícia, desde 6 de Janeiro de 1199 até à sua morte. Filho do marechal Estêvão da Arménia com Rita de Barbaron, era neto do príncipe Leão I da Arménia e de Smbat de Barbaron, e fez parte da dinastia dos rubenidas (descendentes de Ruben I).

Leão II
Príncipe das Montanhas
Rei da Arménia Menor
Leão o Grande.
Reinado 1187 a 1219
Consorte Isabel da Áustria
Sibila de Lusignan
Coroação 6 de Janeiro de 1199
Antecessor(a) Ruben III
Sucessor(a) Isabel
Nascimento 1150
Morte 2[1] ou 5 de maio de 1219
Dinastia Rubenidas
Pai Estêvão da Arménia
Mãe Rita de Barbaron
Título(s) Leão I
Filho(s) Com Isabel da Áustria:
Estefânia (ou Rita) da Arménia
Com Sibila de Lusignan:
Isabel da Arménia

Poderoso governante, reconstruiu Sis, que se tornaria na capital do Reino Arménio da Cilícia até 1375. Adoptou os Assizes de Antioquia como a lei do reino, tendo-os traduzido para a língua arménia, presidia a uma corte educada e apoiava a caligrafia e as artes. Incentivou o comércio com as repúblicas de Veneza e Génova, abrindo os portos de Ayas e Corícia ao mundo. Aliou-se aos Cavaleiros Teutónicos e à Ordem do Hospital, mas expulsou os Templários do seu reino. Conquistou Heracleia e Caramânia aos turcos seljúcidas em 1211 e manteve-se na posse destas cidades por cinco anos.

Primeiros anosEditar

O pai de Leão foi assassinado pelo governador bizantino da cidade de Tarso em 1165 e, quando Teodoro II morreu, o seu outro tio Melias assassinou o legítimo herdeiro Ruben II para tomar o poder, com a ajuda do emir Noradine. Devido à impopularidade de Melias, Leão e principalmente o seu irmão Ruben rapidamente se tornaram figuras chave na oposição ao tio. Por motivos de segurança, refugiaram-se com o seu tio materno Paguran de Barbaron.

Em 15 de Maio de 1175 os barões arménios assassinaram Melias em Sis e chamaram Ruben para assumir o trono. Leão acompanhou o irmão e apoiou-o durante o seu reinado, tendo-se tornado Regente e Tutor das sobrinhas Alice e Filipa. Em 1182, Ruben foi aprisionado pelo príncipe Boemundo III de Antioquia, devido a uma cilada deste disfarçada de diplomacia ou, segundo a crónica de Simbácio Asparapetes, enquanto visitava prostitutas nessa cidade.

Leão atacou Antioquia na tentativa de o libertar, mas apenas o conseguiu resgatar oferecendo as cidades de Mamistra e Adana. Depois de libertado, Ruben reconquistaria estas cidades. Em 1185 retirou-se para o mosteiro de Trazarg, nomeando Leão II como seu sucessor, e morreria a 3 de Fevereiro de 1187.

Príncipe das MontanhasEditar

Tal como o seu irmão, Leão reforçou os laços com os estados cruzados ao casar-se duas vezes com princesas latinas. A 3 de Fevereiro de 1188 desposou uma nobre chamada Isabel da Áustria. A ancestralidade desta não é clara, mas aparentemente teria origens germânicas. Apenas há a certeza de que era filha de um irmão de Sibila, a terceira esposa de Boemundo III de Antioquia. Deste casamento só nasceria uma filha em 1195, Estefânia (também chamada de Rita), que se casaria com João I de Brienne.

Com o advento da Terceira Cruzada, Leão abriu negociações com Frederico Barbarossa para lhe ser reconhecido o título de Rei da Arménia, mas o processo foi interrompido quando o germânico morreu afogado num rio da Anatólia. Este apelo ao ocidente era significativo de uma alteração na política externa arménia, que tradicionalmente via o Império Bizantino como o poder de autoridade. A 12 de Maio de 1191 Leão também teria sido testemunha do casamento de Ricardo I da Inglaterra com Berengária de Navarra celebrado no Chipre.

A aliança com os cruzados tornou-se particularmente preciosa depois de estes perderem Jerusalém para Saladino, mas o antagonismo com o Principado de Antioquia permaneceria devido a disputas fronteiriças. Em 1194 Leão conquistou o castelo de Bagras, na fronteira norte de Antioquia, que tinha sido tomado por Saladino em 1189. Boemundo III e os Cavaleiros Templários, os proprietários originais, exigiram a sua restituição. Leão atraiu Boemundo a Bagras sob o pretexto de negociações e aprisionou-o em Sis. Sob coação, Boemundo foi forçado a ceder-lhe o seu principado.

Porém, o príncipe hereditário Raimundo IV de Trípoli e o Patriarca Aimério de Limoges, apoiados pela população latina e grega de Antioquia, recusaram-se a abrir as portas da cidade e repeliram um ataque arménio. Em consequência, foi acordada uma paz e Boemundo foi libertado sob a mediação de Henrique II de Champagne, embora tenha sido forçado a abandonar qualquer pretensão à suserania da Arménia Menor. Em 1195 a paz foi selada com o casamento de Raimundo com Alice da Arménia, uma filha de Ruben III.

Rei da Arménia MenorEditar

 
Papa Celestino III e o imperador Henrique VI da Germânia, responsáveis pelo reconhecimento da Arménia Menor como reino

Leão renovou os apelos ao novo imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Henrique VI da Germânia, e ao papa Celestino III pelo título real. A 6 de Janeiro de 1199 viu os seus esforços recompensados ao ser coroado em Tarso pelo legado papal, o arcebispo de Mogúncia Conrado de Wittelsbach, passando a se intitular rei Leão I[3].[4] Seria o papa quem lhe ofereceria o brasão de armas do Reino Arménio da Cilícia. Nominalmente continuava vassalo do Império Bizantino, mas pouco depois abandonou o reconhecimento de suserania a Constantinopla.

A partir de 1199, Leão envolveu-se nas disputas de poder pelo controlo do Principado de Antioquia. Do seu primeiro casamento, o príncipe Boemundo III de Antioquia tinha tido dois filhos: o primogénito Raimundo IV de Trípoli e o mais novo Boemundo IV de Antioquia. Boemundo IV, também já conde de Trípoli, depôs o seu pai em 1199, mas Leão II da Arménia opôs-se a Boemundo IV e restaurou Boemundo III ao poder em Antioquia.

Depois da morte de regente Raimundo IV de Trípoli em 1199 e do príncipe Boemundo III de Antioquia em 1201, o filho de Raimundo IV, Raimundo-Ruben de Antioquia era pretendente devido à primogenitura do seu pai; no entanto, Boemundo IV conseguiu ser reconhecido como príncipe de Antioquia. Leão tentou tomar o principado em 1203 para colocar Raimundo-Ruben no trono, mas foi derrotado pelos Cavaleiros Templários, aliados a Boemundo IV.

 
Ruinas de Sis, estabelecida como capital do Reino Arménio da Cilícia por Leão II.

Em 1206, o católico João de Sis acusou Isabel da Áustria, rainha consorte de Leão II, de adultério. Leão executou vários membros da família da esposa e entrou em conflito armado com ela. O casamento seria anulado, Isabel foi aprisionada a 28 de Janeiro na fortaleza de Vahka, onde foi envenenada em 1207. De notar que a partir de 1199 Boemundo III de Antioquia foi excomungado e intimado a separar-se da sua esposa Sibila, tia de Isabel da Áustria; a aliança matrimonial deixara de ser útil, e a situação foi agravada por não terem nascido varões neste casamento. A 28 de Janeiro de 1210 casou-se em segundas núpcias no Chipre com a princesa Sibila de Lusignan, filha do rei Amalrico II de Jerusalém. Da união nasceu uma filha, Isabel de Arménia (ou Zabel), a 27 de Janeiro de 1216.

Leão continuou a apoiar as pretensões de Raimundo-Ruben, que casara em 1210 com Helvis de Lusignan, outra filha de Amalrico II (pela sua primeira esposa), e procedeu à coroação deste seu protegido como Rei Junior da Arménia a 15 de Agosto de 1211. No entanto, os aliados de Boemundo IV, incluindo os Templários, e o emir aiúbida de Alepo Malik az-Zahir adiaram as tentativas de expulsar Boemundo da cidadela de Antioquia, apesar de Leão ter conseguido entrar na cidade por diversas vezes.

Nos últimos anos da sua vida, o rei sofreu de deformações nas mãos e pés, provavelmente um sintoma de gota. Em 1216, com o auxílio da Ordem do Hospital, finalmente conseguiu tomar a cidade e instaurar Raimundo-Ruben como príncipe, tendo então decidido que o trono arménio passaria para a sua filha Isabel e não para este. Quando morreu, a 2 ou 5 de Maio de 1219, Isabel tornou-se rainha, mas Raimundo-Ruben foi expulso de Antioquia e tentaria tomar a coroa arménia.

Casamentos e descendênciaEditar

 
Moeda representando Isabel (ou Zabel), a filha de Leão II, e Hetum I, o segundo esposo desta e fundador dos hetúmidas, a dinastia seguinte da Arménia Menor.

Leão II da Arménia casou-se a 3 de Fevereiro de 1188 com Isabel de Antioquia, filha de um irmão de Sibila, a terceira esposa de Boemundo III de Antioquia. Deste casamento nasceria:

Tendo sido acusada de adultério em 1206 pelo católico João de Sis, o casamento com Isabel seria anulado. A rainha foi aprisionada a 28 de Janeiro na fortaleza de Vahka, onde foi envenenada em 1207. A 28 de Janeiro de 1210 Leão casou-se em segundas núpcias no Chipre com a princesa Sibila de Lusignan (1199 - depois de 1225), filha do rei Amalrico II de Lusignan com Isabel I de Jerusalém. Da união nasceu:

Notas e referências

  1. a b No dia anterior à sua morte, 2 de Maio de 1219, sem herdeiros varões, Leão II proclamou rainha a sua filha Isabella (Zabel). (Toumanoff , p. 633)
  2. Por vezes referido como Leão I da Arménia, devido a ter sido o primeiro rei, mas esta numeração não é unânime. É frequente referi-lo como Leão II da Arménia, continuando a numeração dos príncipes da Arménia Menor.
  3. Mihran Kurdoghlian (1996). Badmoutioun Hayots (em arménio). II. Atenas, Grécia: Hradaragoutioun Azkayin Oussoumnagan Khorhourti. pp. 29–56. ISBN 1-5685-9141-1 
  4. No entanto, esta prática não parece ter sido generalizada aos restantes monarcas. Como exemplos, Teodoro III foi o primeiro rei de nome Teodoro, e Constantino III foi o primeiro rei de nome Constantino. Deste modo optou-se por classificar o Príncipe Leão II da Arménia (Rei Leão I da Arménia) com o numeral II do seu primeiro título.

BibliografiaEditar

  • T. S. R. Boase (1978). The Cilician Kingdom of Armenia (em inglês). Edinburgh: Scottish Academic Press. ISBN 0-7073-0145-9 
  • Mark Chahin (2001). The Kingdom of Armenia: A History (em inglês) 2 ed. Richmond, Surrey: Curzon. ISBN 0-7007-1452-9 
  • René Grousset (1949). L'Empire du Levant: Histoire de la Question d'Orient (em francês). Paris: Payot. pp. 394–6. ISBN 2-228-12530-X 
  • W. H. Ruedt-Collenberg (1963). The Rupenides, Hetumides, and Lusignans: on the structure of the Armeno-Cilician dynasties (em inglês). Paris: Librairie Klincksieck 
  • Cyril Toumanoff (1966). Cambridge Medieval History. Armenia and Georgia (em inglês). IV. [S.l.: s.n.] pp. 593–637 

Ligações externasEditar

Precedido por
Ruben III
 
Príncipe das Montanhas
Rei da Arménia Menor

1187 - 1219
Sucedido por
Isabel