Leonardo Vincenzo Boccia

Leonardo Vincenzo Boccia (LVB) (Castrovillari (CS) Itália, 19 de julho de 1953) é um músico, instrumentista, compositor, pesquisador e professor universitário graduado pela Universität der Künste Berlin - Alemanha, onde se interessou por musicologia, filosofia, improvisação e composição musical.

Leonardo Vincenzo Boccia
LVB (2017) - Foto Florian Boccia[1]
Informação geral
Nome completo Leonardo Vincenzo Boccia
Nascimento 19 de julho de 1953
Local de nascimento Castrovillari, Itália
Nacionalidade Italiana e Brasileira
Gênero(s) Clássico e Experimental
Ocupação(ões) professor, músico, compositor, pesquisador, escritor.
Cônjuge Corinna Genter (1977-1984)
Irene Santos Gonçalves (1988-presente)
Filho(s) Joelle (1975)
Iracema (1977)
Florian (1980)
Emanuela (1993)

BiografiaEditar

Professor Titular do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências, Professor Milton Santos IHAC da Universidade Federa da Bahia (UFBA) - Brasil, possui doutorado em Artes Cênicas e é professor permanente do Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (Poscultura) e colaborador do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas (PPGAC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Brasil. Desde 2006, lidera o grupo de pesquisa interdisciplinar Espetáculos Culturais e Sociedade ECUS /UFBA/CNPq. Em dezembro de 2010, ele se tornou Professor Visitante da da Deutsche Forschungsgemeinschaft (DFG) na Universidade Jacobs de Bremen na Alemanha. Seus interesses de pesquisa incluem: som e música na mídia de tela; sound studies; manipulações de mídia sonora; estratégias específicas transnacionais e globais na mídia de massa; audiosfera e estética; filosofia e arte; cultura e arte; dramaturgia musical; teatro musical; culturas áudio; intêligencia artificial; neuromusic.

 
LVB em seu quarto - Berlim (1972)

Em Berlim entre 1970 e 1976, Leonardo V. Boccia estuda música com Carlo Domeniconi, Gerhard Kastner, Klaus Michael Krause, Elmar Budde, Karl Heinz Taubert, entre outros renomados professores. Diplomado em 1976, pela Universität der Künste Berlin, durante o segundo semestre daquele ano, Leonardo vem pela primeira vez ao Brasil. Reside primeiro no Rio de Janeiro na casa do amigo Johnny Krepel, em seguida viaja para São Paulo a convite do cineasta Jorge Bodanzky. De volta ao Rio de Janeiro, Leonardo participa da cena musical, conhece o clarinetista Paulo Moura e se apresenta informalmente em saraus cariocas. Em maio do mesmo ano viaja para Salvador, onde pretende pesquisar a música do Nordeste e da Bahia. Convidado pelo então diretor do Instituto Cultural Brasil-Alemanha (ICBA) Roland Schaffner, Leonardo cria o grupo de música experimental Macchina Naturale, um conjunto eclético que se apresenta em diversos concertos durante os oito meses de sua permanência em Salvador. São também dessa época os esboços para as peças de violão solo em ritmos brasileiros publicadas nos anos seguintes pela editora TONOS de Darmstadt na Alemanha. Desde a década de 1980, as referidas obras vem sendo distribuídas amplamente a redor do mundo pela editora TONOS, sendo algumas delas acolhidas como obras de referência no estudo da música erudita para violão. Entre essas obras figuram: Bahia Mágica (1982) – 5 kleine Stücke für Solo Gitarre (1982); Sonatina Popular Brasileira (1981); 3 leichte Folklore Spiel-Stücke (1982); Pássaros de Amazônia/Amazonas Resonanzen (1982).

Em 1977, após ininterrupta atividade artístico-cultural em Salvador, Leonardo volta para Berlim, onde atua como instrumentista e pesquisador. No mesmo ano, durante uma temporada de concertos em Roma na Itália, ele recebe a carta-convite da Universidade Federal da Bahia para integrar o corpo docente da Escola de Música e Artes Cênicas. Em maio de 1978, LVB aceita o convite do magnifico Reitor Augusto da Silveira Mascarenhas e retorna à Bahia para ensinar na qualidade de Professor Colaborador da UFBA. Em 1978, junto à soprano Andrea Daltro, interpreta canções do compositor Ernst Widmer da obra Grafico de la Petenera sobre poemas de Federico Garcia Lorca, além de peças do repertório violonístico mundial. No mesmo ano, em ocasião da 12a Apresentação de Compositores da Bahia, sob a regência do maestro Piero Bastianelli, professor Boccia apresenta e interpreta a obra de sua autoria Cristallino para violão e cordas. Em novembro de 1980, LVB participa do 1º Festival de Música Instrumental da Bahia na qualidade de solista e interpreta obras de sua autoria. Em 1982, com novo repertório solista, se apresenta para o projeto Segundas Musicais da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FACEB). Em 1983, professor Boccia compõe, dirige e produz o LP Homenagem.[2] Com fotos de Mario Cravo Neto para a capa, a contracapa e o encarte, além do selo interno, o LP traz novas composições originais para conjuntos instrumentais como: Choro Fantasia para violão e berimbau, Canção para Iracema, Homenagem e Lenda do Sertão, entre outras. O LP é lançado em 3 de janeiro de 1984 na sala principal do Teatro Castro Alves sob o título Homenagem à Música Brasileira com a participação dos instrumentistas Zeno Millet e Onias Camardelli, coreografia de Isaura Oliveira, Pitanga e visual de J. Cunha. Em 28 de novembro de 2018, o LP Homenagem é relançado pelo selo Lugar Alto em São Paulo.[3] Em novembro de 2019, Homenagem ganha lançamento internacional, distribuído pela Honestjons de Londres — badalado espaço de escuta e de aquisição de vinis raros.  

Ao final da década de 1970, junto ao professor e compositor Ernst Widmer, Leonardo trabalha na criação de um método de música contemporânea para violão erudito; dessa cooperação surgem novas e inéditas composições para violão solo. LVB passa a interpretar e apresentar as obras de Widmer para violão solo: Tiradentes (op. 172) e faz a digitação interpretativa para os esboços da obra Sertania, gravada em 1985 com participação de LVB na qualidade de solista junto à OSBA — Orquestra Sinfônica da Bahia e participação de Elomar Figueira. Partes da gravação em LP de Sertania integram a trilha sonora do filme Boi Aruá de Chico Liberato. Em 1983, Leonardo compõe a música para a peça teatral Ciranda de Arthur Schnitzler, encenada no teatro Santo Antônio com direção assinada por Ewald Hackler e Harildo Deda, uma produção da Escola de Teatro UFBA em coprodução com o Instituto Cultural Brasil-Alemanha em 1984.

Em 1988, em ocasião do centenário da abolição da escravatura no Brasil, Leonardo V. Boccia compõe para violão solo Cinco Prelúdios Negros, publicados em 1990 pela casa Zanibon/Ricordi, Itália.

 
Capa da partitura dos Prelúdios

Ainda em 1988, lança o livro Violão – Encontro com um outro lado, método com estudos de grafia contemporânea e composições inéditas destinadas ao ensino do instrumento. Em 1997, publica o livro A Troca da Clave tese original e polémica sobre a troca do sistema de leitura das músicas para violão erudito; no mesmo ano a obra Paisagem e Visões e recebe o primeiro prêmio no I Concurso Internacional de Composição para violão “Musicalis”, em São Paulo, Brasil. Escrito em claves naturais, cria o concerto para violão e orquestra Lendas dos Sertões (1998) que se firma como obra original e de dificuldade técnica avançada. Em 1999, publica o livro Invenções em Claves Naturais, o volume traz resultados da aplicação do novo sistema em cursos da graduação da Escola de Música. Trata-se de uma antologia de obras originais para violão erudito em nova chave.

No mesmo ano, seu projeto de pesquisa é selecionado pelo Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da UFBA para desenvolver a transposição de lendas brasileiras para o teatro em música. Para o doutorado, por meio da releitura de um mito arcaico amazonense, cria a ópera Pahy-Tuna, ópera que vai se firmar como um dos trabalhos mais expressivos em sua produção artístico-acadêmica. Trata-se da criteriosa e abrangente revisão bibliográfica da literatura em estudos culturais, antropologia, cultura brasileira, musicologia, etnomusicologia, folclore, e textos originais de naturalistas, indigenistas e etnólogos brasileiros e estrangeiros. Enquanto as ideias da tese são apresentadas em seminários do grupo de pesquisa, Leonardo V. Boccia inicia a seleção de cantores e cantoras para os diversos papéis e prepara o novo conjunto com o apoio do maestro búlgaro Boyko Stoianov e o maestro Maurício Valle Brandão. A preparação dos estudantes-artistas envolvidos na encenação é constante e se dá mais intensamente a partir de 1999. No mesmo ano, integra a equipe de coordenadores do projeto Musicistas (CAPES/MEC). Em 2000 e 2001, a ópera Pahy-Tuna é encenada na sala principal do Teatro Castro Alves, em Salvador-Bahia.

 
Teatro Castro Alves em 2001

Após a defesa de sua tese de doutorado, em 2002, LVB passa a oferecer disciplinas em Programas de Pós-graduação da UFBA e a orientar dissertações de mestrado e em seguida teses de doutorado. Como professor colaborador do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da UFBA (PPGAC), orienta para a linha de pesquisa poéticas & processos de encenação. Em 2005, torna-se membro fundador do Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (Poscultura) (mestrado e doutorado), onde atualmente oferece as disciplinas obrigatórias: Teorias da Cultura 1; Teorias da Cultura 2 e a optativa Espetáculos Culturais Contemporâneo, para as linhas de pesquisa Cultura e Identidade, Cultura e Arte e Cultura e Desenvolvimento. Em 2008, foi eleito coordenador do Póscultura e atuou até 2010 no fortalecimento da cooperação internacional com universidades da França, Alemanha, Itália e China, além de oferecer apoio à nova linha de pesquisa Cultura e Arte. Entre 2010 e 2014, foi docente permanente do PPG Estudos Interdisciplinares sobre a Universidade (EISU), Programa de Pós-graduação em que participou como fundador, junto ao professor Naomar de Almeida filho e demais professores e onde orientou para a linha de pesquisa Cultura e Bases Históricas e Conceituais da Universidade.[4]

Projetos de pesquisa e publicaçõesEditar

Em uma primeira fase, que dura cerca de dois anos (2004-2006), em seguimento aos estudos de dramaturgia musical, desenvolvidos durante a pós-graduação em artes cênicas, desde 1999, Leonardo concentra maiores atenções à criação dramatúrgica e aos processos de encenação de obras para o teatro em música. Em 2005, empreende estudos em cooperação internacional com a International University Bremen na Alemanha e no mesmo ano publica para a série Computer Sciences, Humanities, Social Sciences editados por Peter Ludes e Otthein Herzog da casa editora LIT VERLAG Berlin-Münster-Wien-Zürich-London o artigo Key Measures: Music and Sounds in the most important TV stations of four countries[5], segundo capítulo do livro Visual Hegemonies. An Outline. Com tradução de Leonardo V. Boccia, em 2007 o livro Hegemonias Visuais - Uma Introdução é publicado em português pela editora Hexis/Cian em Salvador-Bahia e em 2009, o mesmo livro é publicado em mandarim pela casa editora China Radio & Television Publishing House.

 
CRTPH (2009)

Em uma segunda fase (2006-2008), dedica boa parte da investigação à produção e pós-produção do espetáculo midiático. Com o projeto Compassos Chave: música e sons nas maiores emissoras de TV em quatro países ele produz análises detalhadas de composições audiovisuais e transmissões televisivas e revela manipulações de programas e noticiários nas mais influentes emissoras de TV no Brasil, Estados Unidos, Alemanha e China. Em 2006, com apoio da Fapex e da Escola de Música da UFBA, Leonardo publica o livro Choros da Humanidade – Música e farsa cultural. Em 16 de outubro de 2006, o lançamento do livro ganha noite festiva no salão nobre da Reitoria da UFBA. Professores da Escola de Música da UFBA e o professor Paulo Inda da UFRGS executam as obras do livro em concerto de câmara, são eles: Paulo Inda (violão); Joel Barbosa (clarineta); Alla Dadaian (piano); Pedro Robatto (clarineta); Suzana Kato (violoncelo), além de estudantes graduandos em música e uma performance musical do próprio compositor. Nesse mesmo período organiza textos para a revista Biblioteca Teatrale do departamento de Arti e Scienze dello Spettacolo da Universidade de Roma 1 "La Sapienza". Intitulada Il Teatro Brasiliano - Studi e Ricerche a revista da renomada editora Bulzoni é publicada em 2007. Para esse número da revista (BT 83-84)[6] Leonardo V. Boccia publica o artigo Teatro e carcamanos. Anarchismo e potere a San Paolo nella prima metà del Novecento.

Com o projeto Estratégia audiovisuais - Planos sonoro-visuais nas mais influentes emissoras de TV (2008-2010), com bolsa CNPq de produtividade em pesquisa, analisa intensas ramificações firmadas pela hegemonia audiovisual de poderosas companhias transnacionais de mídia aliadas a eficientes sistemas de distribuição global.

Em 2009 e 2010, o estudo das interações audiovisuais resulta na publicação de artigos para os cadernos de pesquisa do grupo ECUS (Espetáculos Culturais e Sociedade). O foco desta pesquisa veio a se modificar organicamente e se concentra em interações multimodais e composição intermodal. Articular múltiplas modalidades é exercício essencial à composição multimodal. Urdir novas tramas, interagir com outras linguagens na mesma composição, codificar e decodificar signos e símbolos visuais e sonoros requer constantes exercícios de interação.

Atualmente desenvolve estudos para dois projetos de pesquisa simultaneamente, 1) Estética da Incompletude - Experiências, dissidências e resistências em artes no Brasil e na América do Sul; 2) Do Espetaculoso Mundo Simulado - Arte de massa, formação digital e resistência cultural. Segundo fonte online do seu currículo publicado na plataforma LATTES do CNPq: [7]

Grupo de Pesquisa ECUSEditar

 
Logo do ECUS

Considerada a demanda de orientandos dos cursos de mestrado e doutorado dos Programas de Pós-graduação em Cultura e Sociedade e em Artes Cênicas e o apoio dos docentes nos debates e nas apresentações dos projetos de pesquisa stricto sensu, em 2006, o professor Boccia cria o grupo de pesquisa Espetáculos Culturais e Sociedade (ECUS), que certificado pela UFBA mediante sua Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação e reconhecido pelo CNPq, passa a atuar periodicamente sob a sua liderança. O grupo de pesquisa ECUS tem perfil interdisciplinar e trabalha no intuito de propiciar — pela diversidade e complexidade disciplinar — a investigação acadêmica comprometida com a produção de conhecimento e inovação. Trata-se de princípios de pesquisa à procura de soluções para problemas inerentes a diversas áreas. O grupo estuda mega-eventos cênico-musicais, esportivos, jogos olímpicos, manifestações e espetáculos culturais sob perspectivas político-estéticas, concepções técnico-tecnológicas, divulgação e produção, bem como teorias da arte e da mídia da comunicação de massa, música e cultura, planos sonoros das novas mídias e formação dos espetáculos culturais em diversos níveis sociais. Para tanto, professores e estudantes que integram o ECUS têm participado de eventos multidisciplinares e atividades de cooperação internacional como, por exemplo, com o Departamento de Artes e Ciências do Espetáculo da Universidade de Roma "La Sapienza", e do Departamento de Humanidades e Ciências Sociais da Jacobs University Bremen, ambos parceiros de cooperação internacional até 2013. Em 2007, o grupo manteve intensa cooperação intercultural com centros de pesquisa da Communication University China, naquela ocasião, por ocorrência das Olimpíadas de verão em Pequim. No ano seguinte, as análises dos espetáculos para as cerimônias de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos elaboradas por membros do grupo ECUS foram selecionadas e editadas pela Routledge para The International Journal of the History of Sport em 2010 e 2012. Em 2009, o professor Boccia cria o projeto Segundas In Tensões de aulas-espetáculos, atividade de ensino, pesquisa e extensão que proporciona a apresentação de resultados de pesquisa em formatos intermodais. Em 2010, dentro do PMPG em Cultura e Sociedade, o grupo ECUS, em cooperação intercultural com o centro de pesquisa da Jacobs University Bremen, Humanities Research Centre, promove vídeo conferência com a participação de pesquisadores de ambas as instituições e apresentação de moving posters. As reuniões regulares do ECUS tem como foco as apresentações e os debates dos projetos de pesquisa em andamento; a publicação periódica do caderno ECUS de pesquisa, a partir de 2019 disponível on-line na Plataforma Seer e a realização de mais edições do Segundas In Tensões. Em junho de 2013, o professor Boccia é convidado pela International Olympic Academy em Olímpia na Grécia para apresentar no encontro internacional de jovens Young Participants um ensaio de sua autoria intitulado Comparing Olympic Opening Ceremonies and their impact on the aesthetic legacy of humanity, o vídeo dessa apresentação está disponível na página da International Olympic Academy. Em 2017, o professor Leonardo V. Boccia participa do Simpósio Internacional na Escola de Medicina da Universidade de Harvard em Boston (EUA) Neuromusic para interagir com pesquisadores nas áreas da Neurociência e da Música e em 2018, convidado na qualidade de Keynote Speaker, o professos Boccia é homenageado na International Conference on Education Science and Education Management ESEM2018 em Wuhan-Hubei, China. Nessa ocasião ele visita a Dra Luo Qing na Communication University China em Pequim.


Composições publicadas entre 1978 e 1982Editar

Das composições publicadas entre 1978 e 1982 figuram: Studio e Fantasia Flamenca gravadas na Itália sob o título Boccia Suona Chitarra (1978) pela casa ‘Fono Roma’ e ainda: Bahia Mágica; Sonatina Popular Brasileira; Amazonas Resonanzen; 3 leichte Folclore Spielstücke publicadas pela casa TONOS de Darmstadt na Alemanha.[8] Em 1995, a revista britânica Classical Guitar Magazine publica a matéria de Steve March que retrata essas composições. Em 1983, LVB compõe as obras Iracema e Apenas uma nuvem, esta última gravada por Marcos Saback e também por João Omar para o CD Corda Bamba,[9] disponível no YouTube. A intensa atividade artístico-musical de LVB se apoia fortemente em seus projetos de pesquisa sobre a grafia musical e a música para a cena, cujos resultados parciais são publicados nos anos seguintes em livros, artigos e como parte integrante da dissertação de mestrado (EMUS/UFBA Ed.) de Márcio Souza: A relação compositor-interprete (1997).[10] Esse período, além da composição de obras para conjuntos diversos e para orquestra, é marcado pela pesquisa acadêmica.

Acerca de títulos inéditosEditar

Algumas das composições originais de autoria do professor Leonardo V. Boccia, apesar de sua aplicação em diversos cursos de graduação e como resultados de pesquisa, desde a década de 1980 permanecem inéditas. São peças para diversas formações instrumentais, como: Zuzá (1986) para flauta e violão; Lendas e Crenças Brasileiras (1987) para duo de violões; Os Estudos Perdidos (1987) para violão solo; Arquétipos (1988) para 12 violões, duas flautas, violoncelo e percussão; Oxum (1988) para piano solo; Crianças Baianas (1988) para quarteto de violões; Petite Choro (1988) para flauta solo; Credo Brasilis (1990) para 12 violões, duas flautas, violoncelo e percussão; Violin Concert opus 34 (1996) para violino e orquestra, entre outras composições que foram gravadas e serviram de trilha sonora para peças de teatro e filmes, entre outras, cujas partituras não foram publicadas. Outras contribuições musicais de pesquisa se referem aos experimentos de técnicas áudio e de síntese sonora feitos periodicamente em laboratório autoral, desde 2005. Entre esses experimentos, figura a obra intermodal 1961, para vozes gravadas, síntese granulada e imagens fluidas. Selecionada entre concorrentes de 32 países e apresentada em ocasião do Festival Mixtur 2013, em Barcelona, Espanha.[11] Sobre este tópico, talvez seja pertinente declarar que a decisão de não publicar grande parte das obras em casa editoras de música foi tomada pelo professor Boccia, desde o ano de 1992. Em 1999, por exemplo, a obra Paisagem e Visões ganhou o primeiro prêmio no Concurso Internacional de Composição Musicalis em São Paulo. O prêmio consistia justamente na publicação da obra vencedora por uma casa editora de destaque. Na ocasião, o compositor decidiu não publicar sua obra premiada e continuar a dispor integralmente de seus direitos autorais. Paisagem e Visões foi gravada recentemente pelo violonista Mateus Dela Fonte em Stuttgart, na Alemanha.[12]

Prêmios, reconhecimentos e agradecimentosEditar

Não é muito frequente a participação do professor Leonardio V. Boccia em concursos e festivais. Os prêmios recebidos se referem à participação de outros interpretes que apresentaram suas obras em festivais, ou de obras selecionadas para confronto em concurso internacional de música ou na qualidade de compositor de trilha sonora para filme e para duas peças de teatro encenadas pela Companhia de Teatro da UFBA, em 1984 e 1986. Contudo, em 1979, em ocasião do XI Seminário Internacional de Violão, organizado pela faculdade de música Palestrina, em Porto Alegre, LVB interpreta a obra de Ernst Widmer Tiradentes para violão solo, premiada naquela ocasião. Em 1985, recebe o prêmio Macunaíma do Conselho Nacional de Cineclubes, de melhor trilha sonora para o filme de Pola Ribeiro / . Em 1991, em ocasião do XII Concorso Internazionale di Chitarra organizado pela Camerata Barese, na Itália, a obra de sua autoria Cinco Prelúdios Negros é destacada como obra de confronto do próprio concurso internacional. Em 1996, a obra Orpheus é selecionada para participar do 5o ENCOMPOR em Porto Alegre e em 1998, a obra de sua autoria Paisagem e Visões recebe o 1o prêmio no Concurso Internacional de Composição MUSICALIS em São Paulo. Em 2013, sua obra intermodal 1961, para vozes gravadas, síntese granulada e imagens líquidas, compostas em parceria com Florian Boccia é selecionada entre participantes de trinta e dois países e é exposta durante o festival Mixtur 2013, no Fabra i Coats de Barcelona, na Espanha.[13]

Entre os reconhecimentos institucionais de fomento à pesquisa, execução de projetos de estudo e realizações acadêmico-profissionais, as bolsas cedidas pela FAPESB, FAPEX, CAPES, CNPq e DFG ao professor Leonardo V. Boccia proporcionaram amadurecimento acadêmico e crescimento profissional. Em 1984, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) concede ao professor Boccia bolsa de pesquisa e treinamento em performance instrumental e técnica avançada para violão de concerto na renomada instituição Accademia Musicale Aquilada, sediada na cidade medieval de Áquila na Itália. Em 2001, em auxílio ao projeto de doutorado desenvolvido dentro do PPGAC/UFBA, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia FAPESB concede ao professor Boccia bolsa de apoio ao projeto Ópera Pahy-Tuna e aos estudos inerentes ao seu plano de trabalho. No mesmo ano, a Fundação de Apoio à Pesquisa e a Extensão FAPEX, concede apoio aos ensaios e à montagem da ópera na sala principal do Teatro Castro Alves em Salvador. Em 2006, a FAPESB concede ao professor Boccia bolsa de cooperação internacional para a Jacobs University Bremen, onde o professor desenvolveu estudos complementares de formação e projetos de pesquisa junto ao centro de pesquisa Humanities Research Centre daquela instituição durante um semestre. Em 2010, o professor Boccia, retorna à Bremen, na Alemanha para desenvolver o projeto de pesquisa aprovado pela CAPES para o estágio pós-doutoral com duração de dois semestres. A bolsa PQ de produtividade em pesquisa concedida pelo CNPq em 2009 é suspensa até seu retorno à UFBA em 2011, quando a bolsa PQ volta a vigorar por mais tempo. Na Alemanha, na Jacobs University Bremen, o professor Boccia oferece também cursos em nível de graduação e pós-graduação, a bolsa Mercator da Deutsche Forschungsgemeinschaft (DFG), permitiu ao professor o deslocamento dentro da Alemanha para visitar universidades e centros de pesquisa como os da Universidade da Saarland Saarbrücken,  o Instituto de technologia de Karlsruhe, e a Universidade Técnica de Berlin, entre outros.

A concessão de bolsas de estudos é ação efetiva da responsabilidade das agências de fomento e fundações para com o aperfeiçoamento do corpo docente e discente das diversas instituições de ensino no país e no exterior. A qualificação e atualização do corpo docente de uma instituição de ensino é parte integrante e indissociável de seu reconhecimento e valoração perante a sociedade. O professor Leonardo V. Boccia é extremamente grato à CAPES, FAPESB, CNPq, FAPEX e DFG, pelo apoio recebido no desenvolvimento de alguns dos projetos de pesquisa elaborados em sua trajetória acadêmica.

Artigos científicos e capítulos de livros e em ordem cronológica (2017-1999)Editar

  • BOCCIA Leonardo V.. Do espetaculoso mundo simulado. Arte de massa, formação digital e resistência cultural. Salvador: Academia.edu, 2017.
  • BOCCIA Leonardo V.. O irrevogável dia da folia – 28FEV2017. Salvador: Academia.edu, 2017.
  • BOCCIA Leonardo V.. The irrevocable day of folly – 28thFEB2017. Salvador: Academia.edu, 2017.
  • BOCCIA Leonardo V.. Memorial. Salvador: IHAC/UFBA, 2015.[14]
  • BOCCIA Leonardo V.. Carnaval de Rua de uma Cidade Histórica do Brasil – Megaevento e Sustentabilidade - Aspectos Políticos - Culturais. Salvador: Academia.edu, 2015.
  • BOCCIA Leonardo V.. A música e suas fábulas: tentativas acerca da dramaturgia musical. Salvador: Edufba, 2014.[15]
  • BOCCIA Leonardo V.. Comparando cerimonias de abertura olímpicas e seus impactos no legado estético da humanidade. Salvador: ECUS Cadernos de pesquisa – Mundo virtual: Farsa e distanciamento, 2014.[16]
  • BOCCIA Leonardo V.. Jerzy Grotowski o Príncipe Constante segundo Ryszard Cieslak: Uma breve introdução da busca rítmico-musical de um ‘teatro pobre. Salvador: ECUS Cadernos de pesquisa – Mundo virtual: Farsa e distanciamento, 2013. Disponível em: <https://www.academia.edu/6030951/JERZY_GROTOWSKI>[16]
  • BOCCIA Leonardo V.. Desafios Intermodais: Leituras da composição somático-digital culturas e sonoridades. Salvador: ECUS Salvador: Editora Kalango, 2012.[17]
  • BOCCIA Leonardo V.. Intriga intermodal e encenação da produção acadêmica. Salvador: Repertório: teatro & dança, 2012.[18]
  • BOCCIA Leonardo V.. A Chave de Orfeu – Cinema Brasileiro no Espírito da Música. Blumenau: Linguagens, 2012.[19]
  • BOCCIA Leonardo V.. Aesthetic Convergences: Comparing Spectacular Key Audibles and Visuals of Athens and Beijing Olympic Opening Ceremonies. London: The International Journal of the History of Sport., 2012.[20]
  • BOCCIA Leonardo V.. La Chiave di Orfeo: il cinema dallo spirito della música negli anni Cinquanta del Novecento a Rio de Janeiro. Roma: Biblioteca teatrale. Bulzoni Editore, 2012.[21]
  • BOCCIA Leonardo V.. Chaves Audíveis. In: ECUS Cadernos de pesquisa – Pulsações audiovisivas. Salvador: UFBA, 2010.[22]
  • BOCCIA Leonardo V.. Música no encontro das culturas. Uma introdução à temática da música em culturas diversas. Bauru: Edufba e Edusc, 2010.[23]
  • BOCCIA Leonardo V. & QING, Luo. HAN, Chunmiaoc. XING, Liu. YU Fu. KENNETT, C.. Representing the Opening Ceremony: Comparative Content Analysis from USA, Brazil, UK and China. London: International Journal of the History of Sport, 2010.[24]
  • BOCCIA Leonardo V.. Brazil: Cultural Enchantment The Beijing Olympic Games Torch Lighting Ceremony and Torch Relay: Brazil's Warm-up Coverage. In: Qing Luo & Giuseppe Richeri. Encoding the Olympics.London: Routledge, International Journal of the History of Sport. 2010.[25]
  • BOCCIA Leonardo V.. Apresentação. In: RUBIM, Albino; ROCHA, Renata, Coleção CULT – Políticas Culturais para as Cidades. Salvador: UFBA, 2010.[26]
  • BOCCIA Leonardo V. & LUDES, Peter|Peter Ludes. Key Measures and Key Visuals in Brazilian and German TV annual reviews. In M. Ross, M. Grauer, & B. Freisleben (Hrsg.). Digital Tools Bielefeld: Transcript Verlag, 2009.[27]
  • BOCCIA Leonardo V.. Peripécias da música em cena. In: Leonardo Boccia (Org.) ECUS Cadernos de pesquisa – Interdisciplinaridade e Cultura. Salvador: UFBA, 2009.[28]
  • BOCCIA Leonardo V.. A ilusão da realidade: estratégias audiovisuais e culturas da escuta. In: Leonardo Boccia (Org.). ECUS Cadernos de pesquisa – Interdisciplinaridade e Cultura.Salvador: UFBA, 2009.[28]
  • BOCCIA Leonardo V.. Brazilness Symbols - Projecting a new national brand image of Brazil. In: KIM Jae-Youl; SU Zhiwu; LIU Jinan. Pequim: AMRC, 2009.[29]
  • BOCCIA Leonardo V.. Grand Ouverture - Um espetáculo no Ninho. In: Revista Repertório Salvador: Edufba, 2009.[18]
  • BOCCIA Leonardo V.. Key Measures: Music and Sounds in The Most Important TV Station of Four Countries.In: Ludes Peter (ed.). Visual Hegemonies: An Outline. Beijing: China Radio & Television Publishing House. Pequim: CRTPH, 2008.[30]
  • BOCCIA Leonardo V.; (Org.); TINTI, Luisa|Luisa TINTI (Org.); GUGLIELMI, L.|L. Guglielmi (Org.).. Il Teatro Brasiliano - Studi e Ricerche. Roma: Bulzoni Ed., 2007.
  • BOCCIA Leonardo V.; BRUNELLO, Yuri|BRUNELLO Yuri.. Gramsci e il Teatro. In: GIORGETTI, Mario Mattia. Sipario, – Mensile dello Spettacolo. Milano: Editore C.A.M.A. sas., 2007.
  • BOCCIA Leonardo V. & LUDES, Peter.. Key Measures and Key Visuals in Brazilian and German TV Annual Reviews. In: Digital Tools in Film Studies Analysis & Research. Siegen: Universität Siegen. 2007.[30]
  • BOCCIA Leonardo V.. Music and Sound Strategies on Visual Conventions: Culture specific, Transcultural and Global - Music, Rhythm and Sounds in the Brazilian Network Globo - Year- end Reviews 2003-2006. In: Ludes Peter (ed.). Bremen: Jacobs University Bremen, 2007.[31]
  • BOCCIA Leonardo V.. Relações canto-dialogo para um modelo de “Singspiel. Salvador: EMUS/UFBA Ed., Anppom, 1999.

Livros autorais, capítulos, orelhas, organização e tradução de livrosEditar

Publicações artístico-musicais e partiturasEditar

Notas e Ligações externasEditar