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Libra
Álbum de estúdio de Toni Braxton
Lançamento 27 de Setembro de 2005
Gravação 2004–2005
Gênero(s)
Duração 40:00
Formato(s) CD, Download digital
Gravadora(s) Blackground Records
Produção Rich Harrison, Scott Storch, Bryan-Michael Cox, The Underdogs, Babyface, Soulshock & Karlin, Cory Rooney, Keri Lewis, Dan Shea
Cronologia de Toni Braxton
Un-Break My Heart: The Remix Collection
(2005)
Essential Toni Braxton
(2007)

Libra é o quinto álbum de estúdio da cantora estadunidense Toni Braxton, lançado em 2005. Distribuído pela Blackground Records, o álbum marcou a estreia de Braxton pelo selo musical, após um extenso hiato desde sua saída da Arista Records em 2003. Seu último álbum até então havia sido More Than a Woman (2002), que não alcançou um sucesso comercial e de crítica em relação aos trabalhos anteriores. O título do álbum é um referência ao signo astrológico de Braxton, Libra.

Após o lançamento, Libra estreou em 4º lugar na Billboard 200 e na 2ª posição na Top R&B/Hip-Hop Albums, vendendo 114 mil cópias em sua primeira semana. Com vendas estáveis, o álbum foi certificado com ouro pela RIAA, pelas mais de 441 mil cópias vendidas nos Estados Unidos.[1] Contudo, os singles "Please" e "Trippin'" não emplacaram nas paradas musicais de pop ou R&B, enquanto "The Time of Our Lives" (gravado em dueto com o grupo crossover Il Divo e tema da Copa do Mundo FIFA de 2006), acarretou o relançamento do álbum no mercado europeu.[2]

Índice

AntecedentesEditar

Na década de 1990, Toni Braxton (à esquerda) e L.A. Reid (à direita) protagonizaram uma batalha judicial, que culminou no rompimento da cantora com a LaFace Records.

Em 1992, Braxton assinou contrato com a LaFace Records, uma associação dos produtores L.A. Reid e Babyface com a gravadora Arista Records.[3] Nos anos seguintes, Braxton lançou outros dois álbuns: Toni Braxton (1993) e Secrets (1996), que atingiram grande sucesso comercial e aclamação crítica. Os dois álbuns venderam mais de 21 milhões de cópias, arrecadando mais de 170 milhões de dólares em vendas mundiais.[3] No fim de 1996, Braxton ainda reivindicava o recebimento de sua parte financeira pelas vendas dos álbuns.[4] Em dezembro de 1997, após descobrir uma dívida milionária, Braxton moveu uma ação judicial contra a LaFace, buscando ser liberada de seu contrato com a gravadora após sete anos de serviços. Em contrapartida, a gravadora processou a cantora por quebra de contrato, levando-a a declarar falência em 1998.[5] No ano seguinte, Braxton e a LaFace concluíram as questões processuais.[6] Em 2000, ainda na LaFace, Toni lançou seu terceiro álbum de estúdio, The Heat, que vendeu mais de 4 milhões de cópias em todo o mundo.[7]

Em setembro de 2002, durante as preliminares do lançamento do álbum More Than a Woman, Braxton descobriu estar grávida de seu segundo filho, tendo de cancelar diversas performances.[8] Apesar da cantora sugerir um adiamento, a gravadora decidiu lançar o álbum na data prevista anteriormente.[8] Lançado em novembro de 2002, More Than A Woman não teve bons resultados comerciais.[9] Decepcionada pela performance comercial, que Toni atribuiu à baixa promoção do álbum, Braxton passou a buscar uma forma de encerrar seu contrato com a gravadora.[10] Em março de 2003, Braxton anunciou publicamente seu desligamento da Arista Records e a subsequente transferência para a Blackground Records, um selo da Universal Music Group.[11]

GravaçãoEditar

 
Harvey Mason, Jr. foi um dos produtores contratados pela Blackground Records para desenvolver o álbum.[12]

Afastando-se de seu método usual de reunir uma gama de produtores, Braxton iniciou a gravação do álbum com seu marido Keri Lewis; o casal estava junto desde 2001.[12] Ex-integrante do grupo Mint Condition, Lewis havia colaborado em vários projetos de Braxton nos anos anteriores, além de ter co-produzido o álbum More Than a Woman juntamente com L.A. Reid.[12] O casal trabalhou em diversas faixas de Libra, sendo responsável por sete ou oito canções enviadas para a gravadora na fase inicial do projeto.[12] Entretanto, a Universal Records - distribuidora da Blackground Records em território norte-americano - estaria insatisfeita com o material e recusou considerar a produção de um álbum.[12] De igual modo, os parceiros internacionais questionaram o potencial comercial das canções produzidas pelo casal até então. Apesar de Braxton insistir em manter Lewis como único produtor do álbum, a Blackground conseguiu uma colaboração dos produtores Scott Storch, Rich Harrison e Harvey Mason, Jr., já conceituados em produções de hip hop.[12][13]

Comentando o processo de modificação do álbum, Braxton expressou incerteza sobre sua música seguir modismos.[14] Devido a gravadora tentar tornar o álbum mais comercialmente viável, Braxton sentia-se pressionada a buscar uma sonoridade mais ritmada e voltada ao hip hop.[14] Em entrevista ao The Baltimore Sun, a cantora admitiu que foi "forçada a pôr sua arte em segundo plano para tornar-se mais comercial", acrescentando que "tentamos ser sábios e incorporar novas sonoridades à minha música habitual. Foi difícil à princípio. Enfim, estou satisfeita".[14] Durante a fase promocional, Braxton descreveu em tom crítico como sua equipe influenciou o gênero do álbum: "Estou tentando incorporar meu estilo e fazê-lo atual, o que é realmente muito difícil com tantas coisas sendo tão hip hop... Quando você é uma artista afro-americana, você é R&B e hip hop, e esta é a categoria em que eles lhe encaixam primeiramente por sua cor de pele."[13][14]

SinglesEditar

A primeira faixa e single principal do álbum, "Please", é produzido por Scott Storch e consiste numa balada ritmada narrando os momentos gloriosos de sua juventude. A segunda faixa "Trippin' (That's the Way Love Works)" é entoada em forma de rap, sendo pronunciada nas seções em que a melodia não se perde e harmonizada nos momentos precisos. "What's Good", a terceira faixa, é decididamente uma balada romântica tradicional e inclui um sample de "In My Wildest Dreams", de Kenny Chesney. A agressiva e dançante "Take This Ting", a quarta faixa do álbum, foi escrita e produzida por Rich Harrison, narrando os pensamentos de uma mulher decidida. A canção foi comparada à "1 Thing", de Amerie.[15]

"Suddenly", incluída somente na versão europeia do álbum, possui uma roupagem mais voltada para o jazz e inclui a participação de Chris Botti; sendo frequentemente comparada à "How Could an Angel Break My Heart", da mesma artista. A dupla de produtores Babyface e Daryl Simmons compôs "I Wanna Be (Your Baby)", a sexta faixa do álbum. A autocrítica canção "Stupid" foi comparada ao universo discográfico de Anita Baker, enquanto a letra de "Finally" traça referências com o sucesso "Breathe Again", de 1993.

Recepção CríticaEditar

Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
Allmusic      [15]
Billboard (Favorável)[16]
Entertainment Weekly B+[17]
People     [18]
Slant       [19]
USA Today     [20]

Libra recebeu críticas mistas dos especialistas, que elogiaram a performance vocal e o retorno de Braxton às canções em estilo balada romântica, mas criticaram o excesso de canções ritmadas. Em sua crítica para o jornal USA Today, Steve Jones destaca que Libra aproxima-se de "sua perspectiva enquanto cresce gradativamente (...) Ainda assim, a mais madura Braxton não está esperando por alguém que venha refazer seu coração".[20] A Sputnikmusic teve impressões positivas sobre o álbum, considerando-o "rico em melodias serenas" ao mesmo tempo em que declara-o "um álbum merecedor de destaque na coleção de R&B".[21] Segundo a revista People, Braxton lançou "um suntuoso quinto álbum de estúdio", elogiando as variações entre R&B contemporâneo e a musicalidade original da artista.[18] Margeaux Watson, escrevendo para a VIBE Vixen, comparou Libra ao aclamado The Emancipation of Mimi, álbum de Mariah Carey lançado no mesmo ano, e resumiu sua crítica descrevendo o álbum como "um bem-vindo retorno à forma".[22]

Andy Kellman, editor do site Allmusic, afirmou que "Libra não traz nenhuma surpresa. É esguio e equilibrado, assim como todos os demais álbuns de Braxton, apesar de que muitas faixas são mornas e meramente funcionais para o fundo auditivo, então acaba distanciando-se dos gostos do álbum de estreia e de Secrets."[15] Com uma crítica similar, a Billboard comentou que o álbum traz "a cantora fazendo o que ela faz de melhor: apostando em seu inconfundível estilo R&B. Braxton ainda é uma especialista no que tange à batidas lentas."[16] A revista Slant publicou a crítica de Sal Cinquemani, que considerou "enquanto Braxton mesclou de forma impecável com seus parceiros de hip hop em More Than a Woman, sua colaboração com Rich Harrison soa forçada, até mesmo desesperada.[19] E com o hit "I Wanna Be (Your Baby)", de Babyface e Daryl Simmons, a equipe novamente lança diversos clássicos do R&B em uma única gravação."[19]

Performance ComercialEditar

Libra estreou em 4º lugar na Billboard 200, vendendo mais de 114 mil cópias na tiragem inicial.[23] O quarto trabalho de Braxton a emplacar entre as cinco primeiras posições, o álbum marcou uma superação significativa para a cantora, cujo lançamento anterior havia estreado em 13º lugar e alcançou somente 98 mil cópias vendidas na primeira semana.[23] Além disto, Libra estreou em 1º lugar na Top R&B/Hip-Hop Albums.[23] O álbum alcançou 355 mil cópias em cinco meses de lançamento e totalizou mais de 441 mil cópias no território norte-americano.[24] Em novembro de 2005, o álbum foi certificado em ouro pela RIAA pelas mais de 500 mil cópias vendidas.[24]

O álbum permaneceria como o único lançamento de Braxton através da Blackground Records. Em janeiro de 2007, a cantora processou Barry Hankerson, dirigente da gravadora, reivindicando uma indenização de 10 milhões de dólares por supostamente manipular sua saída da Arista Records anos antes.[25] Hankerson teria influenciado Braxton a assinar um contrato de múltiplos álbuns com a Blackground, apenas para privar a cantora de seus direitos sob o acordo de gravação ao não enviar suas declarações contábeis e mentir sobre negócios que ele havia feito.[25] O processo foi arquivado um mês depois após a cantora concordar em restituir 375 mil dólares e ceder parte do rendimento de seu próximo trabalho ao produtor.[26] Em 2012, durante entrevista para a ABC News, Braxton revelou seu desgosto com os álbuns lançados neste período: "Aqueles álbuns - é aquela questão de uma noite sobre a qual você não quer falar".[9]

FaixasEditar

Libra - Versão Original[27]
N.º TítuloCompositor(es)Produtor(es) Duração
1. "Please"  
3:57
2. "Trippin' (That's the Way Love Works)"  
4:05
3. "What's Good"  
  • Toni Braxton
  • Bryan-Michael Cox
  • Johnta Austin
  • Joe Sample
  • Bryan-Michael Cox
  • Keri Lewis
4:14
4. "Take This Ring"  Rich HarrisonRich Harrison 4:35
5. "Midnite"  
  • Carsten Schack
  • Kenneth Karlin
  • Harold Lilly
Soulshock & Karlin 4:11
6. "I Wanna Be (Your Baby)"  
3:48
7. "Sposed to Be"  
  • Antonio Doxin
  • Keri Lewis
4:07
8. "Stupid"  
3:36
9. "Finally"  
  • Harvey Mason, Jr.
  • Thomas Dixon
  • Eric Dawkinss
  • Durrell Babbs
  • Thomas Dixon
  • Keri Lewis
  • Eric Dawkins
3:30
10. "Shadowless"  
  • Alex Cantrell
  • Philip White
Keri Lewis 3:57
Duração total:
40:00

Desempenho nas tabelas musicaisEditar

Histórico de LançamentoEditar

Referências

  1. «Gold and Platinum». RIAA 
  2. «Il Divo and Toni Braxton – The Time Of Our Lives – Music Charts». αCharts.us 
  3. a b Morgan, Joan (12 de janeiro de 2002). «Fully Exposed». Vibe 
  4. «Toni Braxton Files For BankRuptcy». MTV News. 2 de fevereiro de 1998 
  5. Mokoena, Tshepo (15 de julho de 2015). «Riches to Rags: A Brief History of Bankruptcy in Pop». The Guardian 
  6. «Toni Braxton Back On Top After Bankruptcy». Jet. 17 de fevereiro de 2000 
  7. «Toni Braxton Tops R&B Albums, Singles Charts». MTV News. 4 de maio de 2000 
  8. a b «Is Toni Braxton Pregnant Again?». Pop Music. 13 de setembro de 2003 
  9. a b Diaz, Joseph (30 de novembro de 2012). «Confessions of a Diva: Toni Braxton Reveals Story Behind Bankruptcy Headlines». ABC News 
  10. Neumeister, Larry (12 de janeiro de 2007). «Toni Braxton Issues Former Manager». Washington Post 
  11. «Toni Braxton Splits Arista, Inks With Blackground». Billboard. 14 de março de 2003 
  12. a b c d e f Pryor, DeBorah B. (1 de março de 2007). «Media Mogul Dished On Toni Braxton». EURweb.com 
  13. a b Gordon, Ed (23 de setembro de 2005). «Libra: The Latest Sound of Toni Braxton». National Public Radio 
  14. a b c d Ollison, Rashod O. (25 de setembro de 2005). «Toni Braxton's Back, With A Pretty Please». The Baltimore Sun 
  15. a b c «Libra - Toni Braxton». Allmusic 
  16. a b «Spolights & Albums». Billboard. 10 de janeiro de 2005 
  17. Libra Review. Entertainment Weekly
  18. a b Arnold, Chuck; Novak, Ralph (17 de outubro de 2005). «Picks and Pans Review: Toni Braxton (Libra)». People 
  19. a b c Cinquemani, Sal (24 de setembro de 2005). «Toni Braxton: Libra - Music Review». Slant Magazine 
  20. a b Jones, Steve (26 de setembro de 2005). «'Jacked Up' Wilson defies stereotypes». USA Today 
  21. «Toni Braxton - Libra». Sputnikmusic 
  22. Watson, Margeaux (2005). «Taster's Choice – Not-to-be-missed Releases For Fall». VIBE Vixen 
  23. a b c Mar, Alex (10 de maio de 2005). «Gretchen Wilson, Sheryl Crow Are Tops on the Chart». Rolling Stone 
  24. a b Maza, Erik (11 de abril de 2011). «Midnight Sun: Toni Braxton's decade-long sales slump». The Baltimore Sun 
  25. a b «Toni Braxton Sues Former Manager». Washington Post. 12 de janeiro de 2007 
  26. «Braxton Settles Lawsuit Against Ex-Manager». Billboard. 14 de fevereiro de 2007 
  27. https://www.amazon.com/Libra-Toni/dp/B000AXWHQ2
  28. https://www.amazon.de/Libra-Tony-Braxton/dp/B000B8T13I%7Caccessdate=2016-11-02
  29. «Longplay-Chartverfolgung at Musicline». Consultado em 1 de outubro de 2017. Arquivado do original em 2 de outubro de 2017 
  30. «Toni Braxton - Chart history». Billboard 200 
  31. «Toni Braxton - Chart history». Billboard 
  32. «Toni Braxton - Libra - Swiss Charts». Hung Medien 
  33. «American Album Certifications - Toni Braxton - Libra». RIAA