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Lily Marinho
Nome completo Lily Monique Lemb (nascimento)
Lily Monique de Carvalho Marinho (casamento)
Nascimento 10 de novembro de 1920
Colônia, República de Weimar Flag of Germany (3-2 aspect ratio).svg
Morte 5 de janeiro de 2011 (90 anos)
Rio de Janeiro,  Rio de Janeiro,  Brasil
Nacionalidade alemã
brasileira
Fortuna US$ 150 Milhões (2000)[1]
Cônjuge Horácio de Carvalho (1938 - 1983 (viúva) e Roberto Marinho (1991-2003) (viúva)
Ocupação socialite

Lily Monique de Carvalho Marinho (Colônia, 10 de novembro de 1920 – Rio de Janeiro, 5 de janeiro de 2011)[2], nascida Lily Monique Lemb, foi uma socialite brasileira, esposa do dono das Organizações Globo, Roberto Marinho.

BiografiaEditar

Filha única da francesa Jeanne Bergeon e do militar britânico Edward John Lemb, Lily Marinho nasceu na República de Weimar (atual Alemanha), no período que o seu pai servia no país, mas foi criada em Paris. Embora frisasse a origem europeia, declarava-se brasileira de coração.[3] Na juventude, Lily Marinho quase se tornou atriz.[4] Aos dezessete anos, ficou noiva do jornalista, empresário e fazendeiro, Horácio Gomes Leite de Carvalho Filho, um dos maiores playboys brasileiros da época.[5][6][7] Horácio de Carvalho era dono do Diário Carioca, de pelo menos vinte fazendas e de uma mina de ouro.[8] Era filho de Horácio Gomes Leite de Carvalho, neto paterno do 2.° barão de Amparo, neto materno do barão de Monteiro de Barros, sobrinho-neto do visconde de Barra Mansa, do barão do Rio Negro, bisneto do 1.° barão de Amparo, sobrinho-bisneto do barão de Vassouras, da viscondessa de Taunay, da viscondessa de Uberaba, trineto do barão de Paraopeba, do 1.° barão de Itambé, sobrinho-trineto do barão de Itamarandiba, do visconde de Congonhas do Campo, e sobrinho-tetraneto do barão de Aiuruoca.[9][6][10][11]

Chegou ao Rio de Janeiro um ano depois, contrariando o pai e sendo apoiada pela mãe. Lily e Horácio tiveram um filho, Horácio Gomes Leite de Carvalho Júnior, e viveram quarenta e cinco anos juntos. Entretanto, em 1966, Horacinho morreu em um acidente de carro aos vinte e seis anos, em companhia da cantora Sylvia Telles. Sete meses depois, aconselhada por sua amiga Sarah Kubitschek, Lily adotou um bebê, João Baptista.[12]

Foi após seu segundo casamento em 1991, com o jornalista Roberto Marinho, que Dona Lily, como é chamada, tornou-se uma figura nacionalmente conhecida. Eles se conheceram em 1942, na propriedade do empresário no Cosme Velho, quando a socialite ainda era casada com seu primeiro marido. Marinho apaixonou-se à primeira vista por Lily, mas omitiu o sentimento até a morte de Horácio, em 1983. Os detalhes deste primeiro encontro, tais como sua roupa, jóias e o jeito de cruzar as mãos, foram contados mais tarde à Lily pelo próprio Roberto, que se separou de sua segunda esposa, Ruth Albuquerque. Lily e Roberto Marinho se reencontraram no jantar de aniversário de uma amiga em comum, Helô Guinle.

Embaixadora da Boa Vontade da Unesco, Lily Marinho desenvolveu projetos sociais e era apaixonada pelas artes, presidindo as comissões de honra das exposições de Rodin, Picasso, Camille Claudel e Monet no Brasil. Pelo apoio e pela promoção da cultura, Dona Lily foi condecorada pelo governo da França com a Legião de Honra e homenageada pelo Ministério da Cultura do Brasil (MinC).[2]

Sua decisão de homenagear Roberto Marinho veio em 3 de dezembro de 2003. A partir daí, Lily debruçou-se sobre cartas, fotografias de casamento de catorze anos e, durante quatro meses, mergulhou nas lembranças revivendo, com saudade, momentos inesquecíveis. Escreveu em francês. Foram três meses de tradução, releituras e correções e, onze meses depois, o livro Roberto & Lily estava concluído.

Em maio de 2008, Lily Marinho decidiu colocar jóias, obras de arte (incluindo quatro telas de Portinari), móveis, entre outros bens, a leilão, para evitar disputas entre seus herdeiros: o filho adotivo João Baptista, os quatro netos e quatro ex-noras. Curiosamente, neste mesmo ano, Lily havia dito que fizera isso pois teria apenas mais três anos de vida. E estava certa. Seu retrato feito por Kees van Dongen foi vendido pela Sotheby's por 685 mil dólares.[14]

D. Lily Marinho costumava organizar recepções para personalidades importantes em sua mansão no Cosme Velho, como a rainha Sílvia da Suécia, o ditador Fidel Castro, o príncipe Joaquim da Dinamarca e sua consorte, a princesa Maria, condessa de Monpezat, etc.[15] Nos últimos meses de vida, destacou-se pelo apoio dado à eleição da candidata à presidência da República, Dilma Rousseff, que também recebeu em sua mansão no Cosme Velho.[16] Lily também foi recebida pelo príncipe Filipe, duque de Edimburgo, para tomar um chá no Palácio de Buckingham, em Londres. Lily ficou amiga do consorte da rainha Isabel II quando ambos se conheceram em um jantar para 20 pessoas em Genebra, Suíça, oferecido por sua amiga Lily Safra.[7] Referindo-se ao duque de Edimburgo, D. Lily declarou:

Lily faleceu no dia 5 de janeiro de 2011, aos 90 anos de idade, na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, vítima de falência múltipla de órgãos[2], decorrente de uma infecção respiratória. Foi enterrada no dia seguinte, na tumba de seu filho, no Cemitério de São João Batista.[18]

HomenagensEditar

Em 17 de junho de 2011 foi inaugurado pelo prefeito Eduardo Paes o Espaço de Desenvolvimento Infantil Lily Marinho, localizado no bairro do Catumbi, na saída do Túnel Santa Bárbara sentido Zona Norte. Na cerimônia de inauguração foi plantada a flor de sua preferência no pátio da creche. A neta de Roberto Marinho, Flávia Marinho, e o superintendente da Fundação Roberto Marinho, Nelson Savioli, foram ao evento representando a família.

Referências

  1. Viviane Rosalem (1999). «Lily Marinho íntima e pessoal». IstoÉ. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  2. a b c «Dona Lily Marinho morre no Rio». G1. 5 de janeiro de 2011. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  3. «Viúva de Roberto Marinho, Lily Marinho morre aos 89 anos no Rio». Folha de S.Paulo. 5 de janeiro de 2011. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  4. «Morre Lily Marinho, aos 89 anos». VEJA.com. 5 de janeiro de 2011. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  5. Viviane Rosalem (1999). «Lily Marinho íntima e pessoal». www.terra.com.br. IstoÉ. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  6. a b Leão, Danuza (janeiro de 2007). «Diamante nacional refinado». Revista Piauí. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2016 
  7. a b Leão, Renata (7 de julho de 2009). «Lily Marinho». Tpm. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  8. «Joias de Lily de Carvalho Marinho vão a leilão na Suíça». VEJA.com. 7 de maio de 2010. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  9. Menezes, Thiago De (29 de julho de 2015). Uma Vida Só Não Basta. [S.l.]: Clube de Autores 
  10. «Folha de S.Paulo - Luís Nassif: O "príncipe" dos jornalistas - 25/12/2005». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 28 de maio de 2018 
  11. «História do Café no Brasil Imperial». brevescafe.net. Consultado em 28 de maio de 2018 
  12. «Leilão dos bens de Lily Marinho». yahoogroups.com. 4 de outubro de 2008. Consultado em 5 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 5 de outubro de 2008 
  13. «Lily, o amor da juventude». Memória Roberto Marinho. Consultado em 5 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 2 de abril de 2016 
  14. Nebehay, Stephanie (9 de maio de 2008). «Leilão de jóias de Lily Marinho desafia crise econômica». IG. Último Segundo. Consultado em 5 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 30 de abril de 2009 
  15. Autran, Gustavo (2010). «Na mesa com dona Lily». www.terra.com.br. ISTOÉ Gente. Consultado em 20 de setembro de 2015 
  16. «Lily Marinho oferece almoço para Dilma com mulheres da sociedade carioca -». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 9 de julho de 2010. Consultado em 20 de setembro de 2015 
  17. «Lily Marinho» 
  18. Angel, Hildegard (6 de janeiro de 2011). «Velório e enterro de Lily Monique de Carvalho Marinho». R7. Cópia arquivada em 15 de julho de 2012