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Linguagem corporal

Tipo de comunicação não verbal em que moções físicas são usadas para transmitir informação
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A linguagem corporal é uma forma de comunicação não-verbal. Abrange principalmente gestos, postura, expressões faciais, movimento dos olhos e a proximidade entre locutor e o interlocutor (Proxêmica), Contribuem para o estudo da Linguagem Corporal — chamada de Sinergologia por alguns autores[1] — a Cinesiologia, ciência que analisa o movimento do corpo humano, a Paralinguagem, a Programação Neuro-Linguística (PNL), a Neurociência, a Psicologia, a Proxêmica e a Oratória.

Os primeiros estudos científicos sobre linguagem corporal foram feitos por Charles Darwin e publicadas no livro “A expressão das emoções em homens e animais”. Darwin defendia que os mamíferos demonstravam suas emoções através de expressões faciais. A linguagem corporal foi uma das primeiras formas de comunicação humana e continua sendo uma das mais fortes e expressivas. A Linguagem corporal vem sendo utilizada há milhões de anos e está relacionada principalmente ao sistema límbico (mesencéfalo), a segunda estrutura mais primitiva do nosso cérebro.

O surgimento da linguagem verbal há mais de 40.000 anos e da escrita, há 4.000 anos só foram possíveis com o desenvolvimento de uma complexa estrutura cerebral denominada de neocórtex. Como seres humanos, podemos escolher palavras, criar imagens, fazer abstrações e mentir utilizando sobretudo o neocórtex, porém o sistema límbico, responsável pelos sentimentos, envia impulsos elétricos ao corpo, gerando expressões e movimentos, muitas vezes sem nos darmos conta deles. A linguagem corporal pode se manifestar estimulada também pela parte mais antiga e primitiva do cérebro, o sistema reptiliano. Essa estrutura, localizada no talo cerebral, controla as funções corporais e regula nossas necessidades de sobrevivência: batimentos cardíacos, respiração, digestão e reprodução. O corpo em si demonstra varias formas de comunicações como olhares,Gestos etc.

Índice

A importância da linguagem corporalEditar

Os gestos e as expressões faciais falam muito mais do que as palavras. Albert Mehrabian, pioneiro em pesquisas sobre linguagem corporal, em estudos de 1950 apurou que a mensagem na comunicação interpessoal é transferida na seguinte proporção: 7% - Verbal (somente palavras) 38% - Vocal (incluindo tom de voz, velocidade, ritmo, volume e entonação) 55% - Não - verbal (incluindo gestos, expressões faciais, postura e demais informações expressas sem palavras).

O antropólogo Ray Birdwhistell (1918—1994), um dos pioneiros no estudo da comunicação não-verbal, descobriu que as palavras correspondem por menos de 35% das mensagens transmitidas numa conversa frente a frente. O restante em torno de 65% da comunicação é feito de maneira não - verbal. Todos nascemos sabendo identificar algumas expressões faciais, gestos e posturas e também ao longo da vida aprendemos várias outras. Porém devido à linguagem corporal não fazer parte do sistema educacional tradicional e ainda hoje ser pouco estudada e difundida, uma grande variedade de gestos passam despercebidos.[2]

Utilização da linguagem corporalEditar

CódigoEditar

A linguagem corporal pode ser utilizada como código por determinados grupos. Militares e policiais por exemplo, possuem códigos de gestos para transmitirem informações como acelerar, agrupar, parar ou bater em retirada.

Gestos culturaisEditar

Culturalmente um povo pode adotar gestos característicos que os identifiquem, assim como ocorre de existirem significados diferentes para um mesmo gesto em diferentes culturas. O punho fechado com o polegar levantado na maioria dos países é interpretado como sinal de “positivo”. Na Itália é interpretado como um gesto obsceno. O sinal de “Ok” americano, realizado com a união de polegar e indicador, no Brasil quando feito abaixo do cotovelo também adquire significado vulgar.

Gestos de suporte ou complementoEditar

Utilizada de maneira adequada, a linguagem corporal pode reforçar e enfatizar a mensagem oral, pode complementar ou concluir raciocínios. Há muitos cursos de oratória que ensinam gestos e expressões capazes de dar suporte aos discursos e melhorar a comunicação.

Leitura das reais intenções e sentimentos do oradorEditar

Muitos especialistas se debruçam nesta área, pois podem perceber através dos gestos e expressões faciais se o que uma pessoa está dizendo condiz exatamente com seus sentimentos e reais intenções. Especialistas brasileiros em linguagem corporal alertam que é preciso muita cautela na leitura de gestos e expressões corporais. Muitos deles, chamados de micro - expressões, são realizados em frações de segundo, psicólogos reforçam que as expressões de ansiedade e medo, assemelham-se aos sinais da mentira, o que incorre em muitos erros de interpretação.

Expressões inatasEditar

Outra grande contribuição ao desenvolvimento dos estudos sobre linguagem corporal foi dada pelo psicólogo Paul Ekman. Partindo do pressuposto que Charles Darwin havia se enganado ao afirmar que os mamíferos já nascem sabendo interpretar e demonstrar um grupo de expressões faciais, Ekman dedicou mais de 50 anos da sua vida ao estudo das emoções humanas.

Por fim, acabou comprovando o pressuposto de Darwin e identificou 7 expressões inatas: raiva, alegria, tristeza, surpresa, medo, aversão e desprezo (considerada por alguns autores apenas como uma variação da expressão de aversão).

Estas expressões estão presentes em todas as culturas e em todas as épocas da história, registradas em estátuas e pinturas. Seja no Japão, no oriente médio, no Brasil ou nos EUA, as 7 expressões inatas possuem o mesmo significado. São percebidas inclusive em crianças que nasceram cegas e nunca a observaram em outra pessoa.

Ekman também catalogou todas as combinações dos movimentos musculares da face humana, chegando a mais de 10.000 expressões faciais. São os estudos de Paul Ekman que servem de fundamentação teórica para o seriado Lie to Me, onde um investigador desvenda casos através da leitura das expressões faciais das pessoas.

</ref> O pioneiro F-M Facial Action Coding System 2. 0 (F-M FACS 2.0)[3] foi criado em 2017 pelo Dr. Freitas-Magalhães, e apresenta 2 mil segmentos em 4K, com recurso à tecnologia 3D e de reconhecimento automático e em tempo real. O pioneiro F-M Facial Action Coding System 3. 0 (F-M FACS 3.0®)[4] foi criado em 2018 pelo Dr. Freitas-Magalhães, e apresenta 4 mil segmentos em 4K, com recurso a tecnologia 3D, 360 3D, e de reconhecimento automático e em tempo real (FaceReader 7.1). O F-M FACS 3.0[5] apresenta 8 pioneiras Action Units (AUs) e 22 pioneiros Tongue Movements (TMs), para além da inovadora nomenclatura funcional e estrutural.

Movimento dos olhosEditar

 
Um diagrama de padrões de olhares, baseado no livro Frogs into Princes de Bandler & Grinder (1979), autores associados à corrente da programação neurolinguística (PNL). As seis direções representam:
* visual construct (construção visual: imagens criadas, imaginadas) * visual recall (lembrança visual: imagens vividas, lembradas, rememoradas) * auditory construct (construção auditiva) * auditory recall (lembrança auditiva) * kinesthetic (cinestésico: sensações, sentidos) * auditory internal dialogue (diálogo interno)[6]

A neurociência descobriu que estamos sempre movimentando os olhos para compor em nosso cérebro a imagens que vemos. Além disso, diversos estudos neurolinguísticos comprovam que ao movimentar os olhos, ativamos regiões cerebrais específicas.[7]

Principais movimentos ocularesEditar

Alguns pesquisadores buscam relações entre o movimentos oculares, pensamentos e emoções:[8]

  • Para cima à direita – Toda vez que uma pessoa olha nessa direção está ativando o cérebro a criar imagens.
  • Para cima à esquerda – Esse movimento dos olhos faz o cérebro resgatar arquivos visuais na memória. Ao fazer uma abstração o ser humano, invariavelmente, olha para cima. Experimente fazer uma conta matemática mentalmente e perceba como seus olhos movimentam-se para cima.
  • Para o lado esquerdo – Este movimento, como se olhássemos na direção do ouvido, ativa os arquivos de memória ligados à audição. Utilizamos este movimento dos olhos para lembrar de músicas ou sons que ouvimos no passado.
  • Para o lado direito – Olhando nessa direção, estimulamos nosso cérebro a criar novos sons. Os músicos utilizam com frequência este movimento ao comporem novas músicas e ao prepararem novos arranjos musicais.
  • Para baixo à direta – Existem autores que afirmam que esta posição compreende à Cinestesia, isto é, aos sentidos autocorporais.
  • Para baixo à esquerda – Ao olhar nessa direção remoemos sentimentos. Lembramos de coisas que fazem parte de nosso passado, incluindo lembranças quaisquer — como memorias tristes. Estimulando, inclusive, um autodiálogo.
  • Para baixo – O movimento dos olhos como se olhássemos para a ponta do nariz ativa os nossos sentidos olfativos. Por isso enólogos ao degustarem vinhos olham para a ponta do nariz.

Ressalvas e críticasEditar

Os autores Allan e Bárbara Pease fazem uma observação sobre os canhotos. 10% das crianças que nascem em todo o mundo são canhotas. Destas, 60% desenvolvem movimentos ambidestros, ou seja, utilizam as duas mãos com a mesma habilidade. Os outros 40% restantes mantêm-se totalmente canhotos e neles o movimento dos olhos funciona de maneira invertida.

Alguns autores criticam essas técnicas de interpretação, afirmando, por exemplo, não haver evidências estatísticas que associem "olhar para direita" e "mentir", "imaginar".[9]

Linguagem corporal na seduçãoEditar

A maior parte da nossa comunicação é feita por meio da linguagem corporal, tom de voz, movimentos e gestos. Todas essas coisas juntas, tais como expressões faciais, entonação de voz, velocidade da fala, como você anda, o jeito que você se posiciona no mundo, como mantém contato olhos nos olhos, o quão rápido você se move e até mesmo a nossa respiração, dizem sobre quem é você. Seu poder de sedução resultará de como se sente feliz e do modo como mantém o controle sobre sua vida.[10]

A linguagem corporal é um item crucial no processo da sedução. Mulheres, por exemplo, são atraídas por homens mais confiantes, dominantes, desinibidos e sorridentes. Isso tudo, obviamente, pode ser demonstrado pela linguagem corporal. No momento da sedução a linguagem corporal é muito importante, pois nos primeiros momentos de interação com uma mulher, por exemplo, elas sentirão firmeza ou não nas coisas que os homens dizem por meio da análise da coerência entre o que dizem e suas linguagem corporais. Na sedução, você deve falar mais alto do que o normal, usar de uma vibe contagiante e um sorriso no rosto - tudo isso ao mesmo tempo. A junção dessas formas de comunicação irá gerar atração nas pessoas.[10]

Autismo e limitações na compreensão e uso da linguagem corporalEditar

Uma parcela dos seres humanos não consegue ter plena compreensão e domínio da linguagem corporal e vocal. São pessoas no espectro autista, entre elas aquelas que têm a Síndrome de Asperger.[11]

Pessoas com Síndrome de Asperger, assim como outras do espectro autista, possuem notórias dificuldades e limitações na compreensão da parcela não verbal da comunicação interpessoal humana. Entre essas dificuldades, estão a de olhar nos olhos de outras pessoas, detectar nuances na gesticulação e na postura corporal, perceber variações da comunicação em modificações sutis no tom de voz, modular o tom de voz etc., além da tendência a interpretar ironias e metáforas de maneira literal e usar tom de voz e expressão facial "neutros".

Com isso, a tendência entre autistas sem o devido acompanhamento terapêutico, mesmo aqueles em grau "leve", é estabelecer uma comunicação com apenas 7%, ou um pouco mais, da efetividade da comunicação interpessoal dos neurotípicos. Com isso, há uma probabilidade irrazoavelmente alta de serem discriminados e preteridos por neurotípicos em rodas de conversa, reuniões de família e outros eventos que envolvem socialização, ou mesmo de a própria pessoa aspie voluntariamente abster-se de participar de eventos do tipo.[12]

Referências

  1. Turchet, Philippe. La Synergologie. Montréal: Les Éditions de l'Homme, 2000, 313 pp.
  2. «Commemorative essay. Ray L. Birdwhistell (1918-1994)» (em inglês). Journal of the International Association for Semiotic Studies. 2 de outubro de 2009 
  3. Freitas-Magalhães, A. (2017). Facial Action Coding System 2.0: Manual de Codificação Científica da Face Humana. Porto: FEELab Science Books. ISBN 978-989-8766-86-1.
  4. Facial Action Coding System 3.0: Manual de Codificação Científica da Face Humana. Porto: FEELab Science Books. ISBN 978-989-8766-87-8.
  5. http://www.facs3.pt
  6. Bandler, Richard; Grinder, John (1979). Andreas, Steve, ed. Frogs into Princes: Neuro Linguistic Programming. Real People Press. p. 8. link.
  7. REIMAN, Tonya. Trad. Mirian Ibanez. A arte da persuasão. São Paulo: Lua de papel, 2010
  8. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal (24 de junho de 2016). «Você identifica a mentira pelo movimento dos olhos?» 
  9. "Olhar mais à direita não é sinal de mentira, garante pesquisa". O Globo. 11/04/2013. link.
  10. a b LOUGAN, John. O jogo da sedução. Joinville, SC: Clube de Autores, 2013. 508 p.
  11. Filipa Santos e Vânia Peixoto (3 de abril de 2018). «A linguagem no Síndrome de Asperger» (PDF) 
  12. Carolina Rabello Padovani1 e Francisco Baptista Assumpção Junior (3 de abril de 2018). «Habilidades sociais na síndrome de Asperger» 

BibliografiaEditar

  • WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. O corpo fala: a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal. Petrópolis, Ed. Vozes, 1973. [74a. ed., 2015, link.]