Linha 1 do Metrô de São Paulo

Linha do metrô da cidade de São Paulo

A Linha 1–Azul do Metrô de São Paulo, denominada originalmente Linha Norte–Sul, compreende o trecho definido pelas estações Tucuruvi e Jabaquara, em São Paulo, no Brasil. Esta foi a primeira linha construída pelo Metrô, iniciada no final da década de 1960 e inaugurada do começo dos anos 1970. Foi também a primeira linha de metropolitano a ser construída no Brasil.


     Linha 1–Azul do Metrô de São Paulo

Estação Carandiru, com sua Arquitetura brutalista.
Dados gerais
Tipo Metrô
Sistema Metrô de São Paulo
Local São Paulo, Brasil
Terminais Tucuruvi
Jabaquara
Estações 23
Operação
Abertura 17 de setembro de 1974 (46 anos)
Proprietário Bandeira do estado de São Paulo.svg Governo do Estado de São Paulo
Operador(es) Metrô-SP icon.svg Companhia do Metropolitano de São Paulo
Armazém(ns) Pátio Jabaquara
Material circulante
Dados técnicos
Comprimento das linhas 20,2 km (12 6 mi)
Bitola 1 600 mm (5 ft 3 in)
Eletrificação 750 V DC terceiro carril
Velocidade de operação 87 km/h (54 mph) (máxima)/
32 km/h (20 mph) (média)[2]
Mapa

Tucuruvi
Parada Inglesa
Jardim São Paulo-
Ayrton Senna
Santana
Carandiru
Portuguesa-Tietê
BUS C.jpg
Armênia
Tiradentes
CPTM red symbol.gif L11 C.png
CPTM red symbol.gif L07 C.png
Luz
EXT C.jpg L04 C.png CPTM red symbol.gif L11 C.png L07 C.png
São Bento
L03 C.png
Japão-Liberdade
São Joaquim
Vergueiro
Paraíso
L02 C.png
Ana Rosa
L02 C.png
Vila Mariana
Santa Cruz
L05 C.png
Praça da Árvore
Saúde
São Judas
Av. Afonso d'Escragnolle Taunay
Conceição
ViaMobilidade logo.png L17 C.png
Jabaquara
BUS C.jpg POZ C.jpg
Pátio Jabaquara

HistóricoEditar

Primeiro trechoEditar

Denominada originalmente Linha Norte-Sul, a Linha 1 do Metrô de São Paulo começou a ser construída em 14 de dezembro de 1968. Sua operação comercial começou em 14 de setembro de 1974, com os trens circulando nos seus primeiros sete quilômetros, entre as estações Jabaquara e Vila Mariana. Nesse primeiro trecho, o atendimento ao público era das 10 às 15 horas.

A escolha desse traçado foi motivada pela inexistência de alternativas de transporte coletivo ferroviário para os moradores de Santana e Jabaquara, e também para desafogar o já complicado trânsito no Centro da Capital. O Consórcio que venceu a licitação para construção da linha foi o HMD, uma associação de duas empresas alemãs, Hochtief e Deconsult, e a brasileira Montreal. Este consórcio aplicou as mais novas tecnologias disponíveis na época, como carros em aço inoxidável, sistema automático de controle e sinalização dos trens, terceiro trilho biometálico, tração elétrica dos carros e eletrônica de potência, tornando o Metrô de São Paulo em um dos mais velozes e modernos do mundo.

Em 17 de fevereiro de 1975, a Linha 1–Azul do Metrô chegou ao centro da cidade, com a inauguração do seu segundo trecho: Vila Mariana–Liberdade.[3] No segundo semestre do mesmo ano (26 de setembro), foi inaugurado o terceiro trecho: Liberdade—Santana (ainda sem a Estação Sé). Assim, a linha passou a operar seu trajeto completo, do Jabaquara a Santana, operando comercialmente das 6h00 às 20h30. Estava pronta a primeira linha de metrô paulistana, com 16,7 km de extensão e 19 estações.

Em 17 de fevereiro de 1978, foi inaugurada a Estação Sé, a maior do sistema metroviário de São Paulo.

Túnel de manobras em SantanaEditar

Até meados da década de 1980, a linha operava com intervalos de 125 segundos entre os trens; a construção de um túnel de extensão para manobras depois da Estação Santana permitiu que se baixasse esse intervalo para 90 segundos em 1985, o que colocou o metrô paulistano entre os mais eficientes do mundo à época.[4] O túnel, já planejado desde 1980, causou apreensão na vizinhança, incomodada antes pelas obras da Estação Santana; mas essa preocupação acabou se esvaindo pois, sem obras a céu aberto, a construção do túnel praticamente não era notada pelos moradores.[4] Uma cena curiosa, nesse contexto, envolveu os funcionários da obra comemorando a presença de baratas ao abrir tampas de bueiros — sinal de que havia oxigênio nas galerias, algo que facilitaria bastante o trabalho.[4]

Integração com outras linhasEditar

 
Expansão de 1998, de Santana até Tucuruvi.

Em 10 de março de 1979, foi inaugurado o primeiro trecho da Linha 3-Vermelha, entre as estações Brás e , integrando-se na última à Linha 1. Já a integração com a Linha 2-Verde, na estação Paraíso, foi inaugurada em 25 de janeiro de 1991, aniversário da cidade. Nesta fase, a linha ainda funcionava apenas entre as estações Paraíso e Consolação. Em 12 de setembro de 1992, foi inaugurada outra integração com a Linha 2-Verde, desta vez na estação Ana Rosa, subsequente à estação Paraíso.

Foram necessários mais de vinte anos até a Linha 1 ser integrada a mais uma linha, pois a Linha 4-Amarela, inaugurada em 2010, alcançou a Estação Luz apenas em 15 de setembro de 2011. Depois de mais sete anos, em 28 de setembro de 2018, foi inaugurada a integração com a Linha 5-Lilás, na Estação Santa Cruz.

ExtensõesEditar

Desde meados dos anos 1980, já era prevista a extensão da linha até o Tucuruvi e depois ao Jaçanã, de onde partiria um trólebus para fazer a ligação com o Aeroporto de Cumbica. O projeto completo nunca foi concluído; entretanto, em 1998, foi entregue à população a extensão até Tucuruvi, que adicionou à Linha 1–Azul mais 3,5 quilômetros de vias e 3 novas estações: Jardim São Paulo, Parada Inglesa e Tucuruvi.

Atualmente, a Linha 1 do Metrô conta com 20,2 quilômetros de linhas e 23 estações transportando diariamente mais de 1,1 milhão de passageiros, sendo a segunda linha que transporta mais passageiros, perdendo somente para a Linha 3-Vermelha. O atual recorde do número de passageiros transportados pela Linha 1 foi alcançado em 7 de novembro de 2008, com a marca de 1 469 191 pessoas transportadas.

Ramal MoemaEditar

 
Ramal Moema e veículos em 2011

Quando o metrô foi projetado, em 1968, ele previa a inclusão, além da Linha Norte-Sul (atual Linha 1–Azul), de dois ramais: o Paulista (atual Linha 2-Verde) e o Moema.

O Ramal Moema partiria da Estação Paraíso e iria em paralelo à Avenida 23 de Maio, até Moema. O projeto foi cancelado; contudo, cerca de duzentos metros do ramal foram construídos, e seu trecho inicial ainda pode ser observado, na Estação Paraíso.

Na plataforma sentido Tucuruvi (Linha 1), indo até o começo da plataforma, pode-se observar, à esquerda, duas faixas de granito no meio do chão, semelhantes às que ficam antes das vias dos trens. Entre essas faixas, existe o piso de borracha padrão do Metrô. Esse piso é, na verdade, um tapume, que fica por cima dos trilhos do ramal. Porém, a via não possui o terceiro trilho, não permitindo o estacionamento de trens. No começo da plataforma, uma parede separa o resto do ramal. Dentro dessa parede, existem as duas vias do ramal, que se encontra com a Linha 1 logo após a Estação Paraíso, sentido Tucuruvi. Ele é usado atualmente para o estacionamento de máquinas de manutenção do Metrô.

 
Visão do Ramal Moema na Estação Paraíso.

Datas importantesEditar

Características das estaçõesEditar

Linha elevada entre Parada Inglesa e Armênia (exceto Jardim São Paulo-Ayrton Senna) e subterrânea entre Tiradentes e Jabaquara, com um viaduto coberto entre São Judas e Conceição. A Estação Tucuruvi é semienterrada, com a entrada da estação em superfície.

As estações Jardim São Paulo-Ayrton Senna, Tiradentes e Ana Rosa possuem plataforma central, as estações Luz e Sé possuem plataformas laterais e central e as estações São Bento e Paraíso possuem plataformas laterais sobrepostas. As demais estações possuem apenas plataformas laterais.

EstaçõesEditar

FrotaEditar

A Linha 1–Azul possui uma frota total de cinquenta trens em operação atualmente, divididos em cinco frotas.

AcidentesEditar

Na Linha 1–Azul, ocorreu o primeiro descarrilamento de um trem do metrô transportando passageiros. Em 1999, um trem que estava saindo da estação Santana no sentido Tucuruvi teve seu disco de freio solto de uma das rodas próximo à entrada do túnel. O disco agiu como cunha, tirando o carro 1025 do trilho, jogando-o contra a plataforma de emergência na lateral. Como estava em baixa velocidade, o trem parou imediatamente, e ninguém se feriu. Os danos na composição 02 (atual composição A02 - carros de A021 a A026) foram pequenos, mas, devido a problemas com a reposição de peças, o trem só voltou a operar dois anos depois.

Alteração de nomesEditar

A Estação Armênia chamava-se Ponte Pequena até 1987. Em 2006, a Estação Tietê teve seu nome alterado para Portuguesa-Tietê, devido ao fato de o estádio da Portuguesa de Desportos estar próximo da estação, assim como já havia ocorrido com homenagens a outros clubes na Linha 3. Em 2011, a Estação Jardim São Paulo passou a chamar-se Jardim São Paulo-Ayrton Senna, em homenagem ao piloto tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna, que cresceu e viveu no bairro homônimo. Em 2018, a Estação Liberdade passou a chamar-se Japão-Liberdade.

Galeria de imagensEditar

Veja tambémEditar

Referências

  1. Companhia do Metropolitano de São Paulo (2020). «Realizações 2019 - Linha 2 – Verde» (PDF). Relatório Integrado 2019, página 34. Consultado em 31 de maio de 2020 
  2. Companhia do Metropolitano de São Paulo (maio de 2020). «Infraestrutura- Abril de 2020». Portal da Governança Corporativa e Transparência. Consultado em 31 de maio de 2020 
  3. «Acompanhe, nestas fotos, a história da nossa primeira linha de metrô». Jornal da Tarde (2 994). São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. 26 de setembro de 1975. 32 páginas. ISSN 1516-294X 
  4. a b c «O túnel da rapidez». Editora Abril. Veja em São Paulo: pág. 22. 16 a 22 de setembro de 1985  Verifique data em: |data= (ajuda)

Ligações externasEditar

 
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