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Lista de capitães-mores de São Paulo

Esta é uma lista de capitães-mores de São Paulo.

De 1531 a 1709, a Capitania de São Vicente pertencia a seus donatários, ou seja, nobres portugueses a quem a Coroa portuguesa doava as terras e transferiam o ônus de sua administração. Os donatários passavam apenas breves períodos na capitania, permanecendo maior parte do tempo na metrópole e, portanto, delegavam a um capitão-mor a administração da capitania.

Em 1624, o Conde de Monsanto, bisneto de Martim Afonso de Sousa, aproveita-se de um equívoco na demarcação territorial entre as capitanias de Santo Amaro e São Vicente, apropria-se de uma parte das terras, incluídas as vilas de Santos, São Paulo e São Vicente, e adicionalmente ocasiona a divisão da Capitania de São Vicente em duas partes. Uma ficou com o primeiro, que incluía São Vicente (a sede), Santos e São Paulo, entre outras localidades; prevalecendo o nome. A outra porção, que corresponde principalmente ao atual Litoral Sul paulista, ficou com a Condessa de Vimieiro, que estabeleceu a sede em Itanhaém, sendo por isso mesmo conhecida como Capitania de Itanhaém.

Segundo uma versão, em 22 de março de 1681, o Marquês de Cascais, donatário da Capitania de São Vicente, teria transferido a capital da capitania para a Vila de São Paulo, passando a ser a "Cabeça da Capitania". A nova capital teria sido instalada em 23 de abril de 1683, com grandes festejos públicos. O historiador Afonso d'Escragnolle Taunay, com base em investigação de documentos históricos, contesta a concretização dessa transferência.

Por ser a região mais pobre da colônia portuguesa na América, em São Paulo teve início a atividade dos bandeirantes, que se dispersaram pelo interior do país à caça de índios porque, sendo extremamente pobres, os paulistas não podiam comprar escravos africanos. Saíam, também, em busca de ouro e de diamantes. A descoberta do ouro na região de Minas Gerais, na década de 1690, fez com que as atenções do reino se voltassem para São Paulo. Foi criada, então, em 3 de novembro de 1709, a nova Capitania Real de São Paulo e Minas do Ouro, quando foram compradas, pela coroa portuguesa, a Capitania de São Paulo e a Capitania de Santo Amaro de seus antigos donatários. Em 11 de julho de 1711, a Vila de São Paulo foi elevada à categoria de cidade. Logo em seguida, por volta de 1720, foi encontrado ouro, pelos bandeirantes, nas regiões onde se encontram hoje a cidade de Cuiabá e a Cidade de Goiás, fato que levou à expansão do território brasileiro para além da Linha de Tordesilhas.[1]

Em 1709, a coroa portuguesa comprou a Capitania de São Vicente do Marquês de Cascais, fundiu-a com a Capitania de Itanhaém criando então a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro que a esta altura, pela ação desbravadora dos bandeirantes, já tinha um território muito maior, abrangendo grosso modo o que hoje são os estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia. Com isto, a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro torna-se uma capitania real.

Em 1720, a coroa portuguesa desmembra a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro entre Capitania de São Paulo e Capitania de Minas Gerais.

Do ponto de vista historiográfico é difícil estabelecer com precisão as datas e nomes dos capitães-mores, sendo a lista abaixo transcrita de carácter aproximativo.


Nome período
1 Pero de Gois1 15331536
2 Gonçalo Monteiro1 15361538
3 António de Oliveira 1538 — março de 1543
4 Cristóvão de Aguiar de Altero 28 de março de 1543 — junho de 1545
5 Brás Cubas 8 de junho de 1545 — 1549
6 António de Oliveira 15491554
7 Gonçalo Afonso 15541555
8 Brás Cubas 15551556
10 Jorge Ferreira 15561558
11 Francisco de Morais 15581561
12 Pedro Colaço 15611562
13 Pedro Ferraz Barreto 15631567
14 Jorge Ferreira 15671572
15 Jerónimo Leitão 1572 — 23 de março de 1592
16 Jorge Correia 30 de março de 1592 — março de 1595
17 Roque Barreto 15951600
18 Pedro Vaz de Barros 1600 — fevereiro de 1602
19 Diogo Lopes de Castro 24 de fevereiro de 1602 — 1602
20 Roque Barreto 1603 — dezembro de 1606
21 António Pedroso de Barros 20 de dezembro de 1606 — outubro de 1607
22 Gaspar Coqueiro 6 de outubro de 1607 — julho de 1612
23 Luís de Freitas Matoso 3 de julho de 1612 — 1612
24 Nuno Pereira Freire 16121613
25 Francisco de Sá Soutomaior 16131613
26 Roque Monteiro 16131613
25 Domingos Pereira Jácome 1613 — setembro de 1614
26 Paulo da Rocha e Sequeira 25 de setembro de 1614 — 13 de novembro de 1615
27 Baltasar de Seixa Rabelo 13 de novembro de 1615 — julho de 1617
28 Gonçalo Correia de Sá 1º de julho de 1617 — 1618
29 Martim de Sá 16181621
30 Manuel Rodrigues de Morais 16211622
31 Fernão Vieira Tavares 16221622
32 João de Moura Fogaça 1622 — julho de 1624
33 Álvaro Luís do Vale 24 de julho de 1624 — 1626
34 Gonçalo Correia de Sá 16261628
35 Pedro da Mota Leite 16281632
36 Francisco da Costa 16321635
37 Francisco da Rocha 16351638
38 António de Aguiar Barriga 16381639
39 Vasco da Mota 16391640
40 João Luís Mafra 16401640
41 Calixto da Mota 16401641
42 Gonçalo Correia de Sá 16411642
43 Gaspar de Sousa Uchoa 16421642
44 Francisco da Fonseca Falcão 16421643
45 António Lopes da Costa 16431643
46 António Ribeiro de Morais 16431644
47 Jacques Félix 16441644
48 Valério Carvalho 16441644
49 Gaspar de Sousa Uchoa 16441645
50 Francisco Pinheiro Raposo 16451647
51 Manuel Carvalho 16471648
52 Manuel Pereira Lobo 1º de junho de 1648 — 1649
53 Dionísio da Costa 16491650
54 Álvaro Luís do Vale 16501652
55 Bento Fernão de Castelo Branco 16521652
56 Francisco Álvaro Marinho 16521653
57 Jorge Fernandes da Fonseca 16531654
58 Gonçalo Couraça de Mesquita 16541654
59 Simão Dias da Fonseca 16541657
60 Manuel de Sousa da Silva 1657 — janeiro de 1658
61 Jerónimo Pantoja Leitão 6 de janeiro de 1658 — 1659
62 António Ribeiro de Morais 16591660
63 Jorge Fernandes da Fonseca 16601662
64 Antonio Raposo da Silveira 16621662
65 João Blau 16621662
66 Cipriano Tavares 1º de janeiro de 1662 — 1665
67 Tomás Fernandes de Oliveira 1665 — dezembro de 1665
68 Agostinho de Figueiredo 31 de dezembro de 1665 — 1666
69 Sebastião Velho de Lima 16661668
70 Jorge Bron 16681669
71 Roque Leitão Robalo 16691669
72 Henrique Leitão Robalo 16691670
72 Atanásio da Mota 1670 — fevereiro de 1675
73 Tomás Fernandes de Oliveira 17 de fevereiro de 1675 — 1677
74 Brás Rodrigues de Arzão 16771677
75 Filipe Carneiro de Alcaçova 16771679
76 Luís Lopes de Carvalho 16791684
77 Diogo Árias de Araújo 1684 — março de 1684
78 Pedro Taques de Almeida 4 de março de 1684 — 1687
79 Filipe de Carvalho 16871688
80 Tomás Rodrigues Sanches 16881690
81 Manuel Peixoto da Mota 1690 — fevereiro de 1691
82 Manuel Pereira da Silva 11 de fevereiro de 1691 — 1692
83 Diogo Pinto do Rêgo 16921694
84 Manuel Garcia 1694 — abril de 1696
85 Simão de Toledo Piza 7 de abril de 1696 — 1969
87 Pedro Rodrigues Sanches 16961697
88 Gaspar Teixeira de Azevedo 16971697
89 Martim Garcia Lumbria 16971700
90 Tomás da Costa Barbosa 17001701
91 Miguel Teles da Costa 17011703
92 António Correia de Lemos 17031706
93 Manuel Gonçalves Ferreira 1706 — novembro de 1707
94 José de Godói Moreira 2 de novembro de 1707 — 1707
95 João de Campos e Matos 1707 — março de 1709
96 Francisco do Amaral Coutinho 1º de março de 1709 — junho de 1710
1: Não há certeza de qual teria sido o primeiro capitão-mor da Capitania de São Vicente. Alguns historiadores sustentam que o primeiro teria sido Pero de Gois e não Gonçalo Monteiro, pois este último só teria de facto assumido o cargo em fins de 1536.


Governadores capitães-generais
Nome período
1 António de Albuquerque Coelho de Carvalho 18 de junho de 1710 — 31 de agosto de 1713
2 Brás Baltasar da Silveira 31 de agosto de 1713 — 14 de setembro de 1717
3 Pedro de Almeida Portugal 14 de setembro de 1717 — 5 de setembro de 1721
4 Rodrigo César de Meneses 5 de setembro de 1721 — 15 de agosto de 1727
5 António da Silva Caldeira Pimentel 15 de agosto de 1727 — 15 de agosto de 1732
6 António Luís de Távora 15 de agosto de 1732 — 1 de dezembro de 1737
7 Gomes Freire de Almeida (interino) 1º de dezembro de 1737 — 12 de fevereiro de 1739
8 Luís de Mascarenhas 12 de fevereiro de 1739 — maio de 1748

Em 9 de maio de 1748 a Capitania de de São Paulo é administrativamente extinta por carta régia e seu território é anexado à Capitania do Rio de Janeiro. Em 6 de janeiro de 1765, novamente por deliberação real, a Capitania de São Paulo é restabelecida.

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

Referências

  1. ELLIS JÚNIOR, Alfredo, O Bandeirismo Paulista e o Recuo do Meridiano, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1934.