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Livro de Mórmon

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O Livro de Mórmon - Um Outro Testamento de Jesus Cristo - edição missionária de 2006

Índice

Breve explicação sobre o Livro de MórmonEditar

O Livro de Mórmon é um registro sagrado de povos da América antiga e foi gravado em placas de metal. As fontes das quais este registro foi compilado incluem o seguinte:

  1. As Placas de Néfi, que eram de dois tipos: as placas menores e as placas maiores. As primeiras eram mais particularmente dedicadas a assuntos espirituais e ao ministério e aos ensinamentos dos profetas, enquanto que as últimas continham, em sua maior parte, a história secular dos povos em questão (1 Néfi 9:2–4). Desde o tempo de Mosias, entretanto, as placas maiores passaram também a incluir assuntos de grande importância espiritual.
  2. As Placas de Mórmon, que contêm um resumo das placas maiores de Néfi, feito por Mórmon, com diversos comentários. Estas placas também contêm a continuação da história escrita por Mórmon e adições feitas por seu filho Morôni.
  3. As Placas de Éter, que contêm a história dos jareditas. Este registro foi resumido por Morôni, que inseriu comentários próprios e incorporou o registro à história geral, sob o título de “Livro de Éter.”
  4. As Placas de Latão, trazidas de Jerusalém pelo povo de Leí em 600 a.C. Estas placas continham “os cinco livros de Moisés (…) e também o registro dos judeus, desde o princípio até o começo do reinado de Zedequias, rei de Judá; e também as profecias dos santos profetas” (1 Néfi 5:11–13). Muitas citações de Isaías e de outros profetas bíblicos e não-bíblicos, que se encontram nestas placas, aparecem no Livro de Mórmon.

O Livro de Mórmon contém quinze partes ou divisões principais que, com exceção de uma, são chamadas livros, usualmente designados pelo nome de seu autor principal. A primeira parte (os primeiros seis livros, terminando em Ômni) é uma tradução das placas menores de Néfi. Entre os livros de Ômni e Mosias há uma inserção chamada Palavras de Mórmon. Essa inserção liga o registro gravado nas placas menores ao resumo das placas maiores, feito por Mórmon.

A parte mais longa, de Mosias até o fim do capítulo 7 de Mórmon, é a tradução do resumo das placas maiores de Néfi, feito por Mórmon. A parte final, do capítulo 8 de Mórmon ao fim do volume, foi gravada por Morôni, filho de Mórmon, o qual, após terminar o registro da vida de seu pai, fez um resumo do registro jaredita (chamado livro de Éter) e posteriormente adicionou as partes conhecidas como livro de Morôni.

Por volta do ano 421 d.C., Morôni, o último dos profetas-historiadores nefitas, selou o registro sagrado e ocultou-o para o Senhor, para ser trazido à luz nos últimos dias, como foi predito pela voz de Deus por meio dos Seus profetas antigos. Em 1823 d.C., esse mesmo Morôni, então um personagem ressurreto, visitou o Profeta Joseph Smith e subsequentemente lhe entregou as placas gravadas.

Página de títuloEditar

Relato escrito pela mão de Mórmon em placas extraído das placas de Néfi

É, portanto, um resumo do registro do povo de Néfi e também dos lamanitas — Escrito aos lamanitas, que são um remanescente da casa de Israel; e também aos judeus e aos gentios — Escrito por mandamento e também pelo espírito de profecia e de revelação — Escrito e selado e escondido para o Senhor, a fim de que não fosse destruído — Para ser revelado pelo dom e poder de Deus, a fim de ser interpretado — Selado pela mão de Morôni e escondido para o Senhor a fim de ser apresentado, no devido tempo, por intermédio dos gentios — Para ser interpretado pelo dom de Deus.

Contém ainda um resumo extraído do Livro de Éter, que é um registro do povo de Jarede, disperso na ocasião em que o Senhor confundiu a língua do povo, quando este construía uma torre para chegar ao céu — Destina-se a mostrar aos remanescentes da casa de Israel as grandes coisas que o Senhor fez por seus antepassados; e para que possam conhecer os convênios do Senhor e saibam que não foram rejeitados para sempre — E também para convencer os judeus e os gentios de que Jesus é o Cristo, o Deus Eterno, que se manifesta a todas as nações — E agora, se há falhas, são erros dos homens; não condeneis, portanto, as coisas de Deus, para que sejais declarados sem mancha no tribunal de Cristo.

Tradução original das placas, para o inglês, feita por Joseph Smith, Jr.

 
Vitral representativo da primeira visão

IntroduçãoEditar

O Livro de Mórmon é um volume de escrituras sagradas comparável à Bíblia. É um registro da comunicação de Deus com antigos habitantes das Américas e contém a plenitude do evangelho eterno.

O livro foi escrito por muitos profetas antigos, pelo espírito de profecia e revelação. Suas palavras, escritas em placas de ouro, foram citadas e resumidas por um profeta-historiador chamado Mórmon. O registro contém um relato de duas grandes civilizações. Uma veio de Jerusalém no ano 600 a.C. e posteriormente se dividiu em duas nações, conhecidas como nefitas e lamanitas. A outra veio muito antes, quando o Senhor confundiu as línguas na Torre de Babel. Esse grupo é conhecido como jareditas. Milhares de anos depois, foram todos destruídos, exceto os lamanitas, que estão entre os antepassados dos índios americanos.

O acontecimento de maior relevância registrado no Livro de Mórmon é o ministério pessoal do Senhor Jesus Cristo entre os nefitas, logo após a Sua ressurreição. O livro expõe as doutrinas do evangelho, delineia o plano de salvação e explica aos homens o que devem fazer para ganhar paz nesta vida e salvação eterna no mundo vindouro.

Depois de terminar os seus escritos, Mórmon entregou o relato a seu filho Morôni, que acrescentou algumas palavras suas e ocultou as placas no Monte Cumora. Em 21 de setembro de 1823, o mesmo Morôni, então um ser ressurreto e glorificado, apareceu ao Profeta Joseph Smith e instruiu-o a respeito do antigo registro e da tradução que seria feita para o inglês.

No devido tempo as placas foram entregues a Joseph Smith, que as traduziu pelo dom e poder de Deus. Hoje o registro se acha publicado em diversas línguas, como testemunho novo e adicional de que Jesus Cristo é o Filho do Deus vivo e de que todos os que se achegarem a Ele e obedecerem às leis e ordenanças do Seu evangelho poderão ser salvos.

Com respeito a esse registro o Profeta Joseph Smith declarou: “Eu disse aos irmãos que o Livro de Mórmon era o mais correto de todos os livros da Terra e a pedra fundamental de nossa religião; e que seguindo seus preceitos o homem se aproximaria mais de Deus do que seguindo os de qualquer outro livro.”

O Senhor providenciou para que, além de Joseph Smith, mais onze pessoas vissem as placas de ouro e fossem testemunhas especiais da veracidade e divindade do Livro de Mórmon. Seus testemunhos escritos estão aqui incluídos como “Depoimento de Três Testemunhas” e “Depoimento de Oito Testemunhas.”

Convidamos todos os homens de toda parte a lerem o Livro de Mórmon, ponderarem no coração a mensagem que ele contém e depois perguntarem a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se o livro é verdadeiro. Os que assim fizerem e perguntarem com fé obterão, pelo poder do Espírito Santo, um testemunho de sua veracidade e divindade. (Ver Morôni 10:3–5.)

Os que obtiverem do Santo Espírito esse divino testemunho saberão, pelo mesmo poder, que Jesus Cristo é o Salvador do mundo, que Joseph Smith é o Seu revelador e profeta nestes últimos dias e que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é o reino do Senhor restabelecido na Terra, em preparação para a Segunda Vinda do Messias.

Depoimento de Três TestemunhasEditar

Saibam todas as nações, tribos, línguas e povos a quem esta obra chegar, que nós, pela graça de Deus, o Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo, vimos as placas que contêm este registro, que é um registro do povo de Néfi e também dos lamanitas, seus irmãos, e também do povo de Jarede, que veio da torre da qual se tem falado. E sabemos também que foram traduzidas pelo dom e poder de Deus, porque assim nos foi declarado por sua voz; sabemos, portanto, com certeza, que a obra é verdadeira. E também testificamos que vimos as gravações feitas nas placas; e que elas nos foram mostradas pelo poder de Deus e não do homem. E declaramos solenemente que um anjo de Deus desceu dos céus, trouxe-as e colocou-as diante dos nossos olhos, de maneira que vimos as placas e as gravações nelas feitas e sabemos que é pela graça de Deus, o Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo que vimos e testificamos que estas coisas são verdadeiras. E isto é maravilhoso aos nossos olhos. E a voz do Senhor ordenou-nos que prestássemos testemunho disso; portanto, para obedecer aos mandamentos de Deus, prestamos testemunho dessas coisas. E sabemos que, se formos fiéis a Cristo, livraremos nossas vestes do sangue de todos os homens, e seremos declarados sem mancha diante do tribunal de Cristo, e habitaremos eternamente com ele nos céus. E honra seja ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo, que são um Deus. Amém.

Oliver Cowdery

David Whitmer

Martin Harris

Depoimento de Oito TestemunhasEditar

Saibam todas as nações, tribos, línguas e povos a quem esta obra chegar, que Joseph Smith, Jr., o tradutor desta obra, mostrou-nos as placas mencionadas, que têm a aparência de ouro; e que manuseamos tantas páginas quantas o dito Smith traduziu; e que também vimos as gravações que elas contêm, as quais nos parecem ser uma obra antiga e de execução esmerada. E isto testemunhamos solenemente: que o dito Smith nos mostrou as placas, pois nós as vimos e seguramos; e sabemos com certeza que o dito Smith possui as placas de que falamos. E damos nossos nomes ao mundo para testificarmos ao mundo o que vimos. E não mentimos, Deus sendo testemunha disso.

Christian Whitmer

Jacob Whitmer

Peter Whitmer, Jr.

John Whitmer

Hiram Page

Joseph Smith, Sênior

Hyrum Smith

Samuel H. Smith

Testemunho do Profeta Joseph SmithEditar

As palavras do próprio Profeta Joseph Smith sobre o aparecimento do Livro de Mórmon são:

“Na noite de (…) vinte e um de setembro (…) (1823) (…) recorri à oração e à súplica ao Deus Todo-Poderoso. (…)

Enquanto estava assim suplicando a Deus, descobri uma luz surgindo no meu quarto, a qual continuou a aumentar até o aposento ficar mais iluminado do que ao meio-dia; imediatamente apareceu ao lado de minha cama um personagem em pé, no ar, pois seus pés não tocavam o solo.

Ele vestia uma túnica solta, da mais rara brancura. Era uma brancura que excedia a qualquer coisa terrena que eu já vira; nem acredito que qualquer coisa terrena possa parecer tão extraordinariamente branca e brilhante. Tinha as mãos desnudas e os braços também, um pouco acima do pulso; os pés também estavam desnudos, bem como as pernas, um pouco acima dos tornozelos. A cabeça e o pescoço também estavam nus. Verifiquei que ele não usava outra roupa além dessa túnica, pois estava aberta, de modo que eu lhe podia ver o peito.

Não somente a sua túnica era muito branca, mas toda a sua pessoa era indescritivelmente gloriosa e o seu semblante era verdadeiramente como o relâmpago. O quarto estava muito claro, mas não tão luminoso como ao redor de sua pessoa. No momento em que o vi, tive medo; mas o medo logo desapareceu.

Ele chamou-me pelo nome, e disse-me que era um mensageiro enviado a mim da presença de Deus, e que seu nome era Morôni; que Deus tinha uma obra a ser executada por mim; e que o meu nome seria considerado bom e mau entre todas as nações, tribos e línguas, ou que entre todos os povos se falaria bem e mal de meu nome.

Disse-me ele que havia um livro escondido, escrito em placas de ouro, que continha um relato dos antigos habitantes deste continente, assim como de sua origem e procedência. Disse também que o livro continha a plenitude do evangelho eterno, tal como fora entregue pelo Salvador aos antigos habitantes.

Disse também ele que havia duas pedras em aros de prata — e essas pedras, presas a um peitoral, constituíam o que é chamado Urim e Tumim — depositadas com as placas; e que a posse e o uso dessas pedras era o que constituía os ‘videntes’ nos tempos antigos; e que Deus as tinha preparado para serem usadas na tradução do livro. (…)

Disse-me ainda ele que quando eu recebesse as placas sobre as quais ele havia falado — porquanto o tempo em que elas deveriam ser obtidas ainda não se cumprira — a ninguém deveria mostrá-las; nem o peitoral com o Urim e Tumim, salvo àqueles a quem me fosse ordenado mostrá-los; e se eu o fizesse, seria destruído. Enquanto falava comigo a respeito das placas, minha mente abriu-se de tal modo que visualizei o lugar em que estavam depositadas, e isto tão clara e nitidamente que reconheci o local quando o visitei.

Após essa comunicação vi a luz do quarto começar a concentrar-se imediatamente ao redor do personagem que estivera falando comigo, e assim continuou até o quarto voltar à escuridão, exceto ao redor dele; e imediatamente vi como se fora um conduto, que levava até o céu, e ele ascendeu até desaparecer completamente, e o quarto voltou ao estado em que estava antes de essa luz celestial aparecer.

Fiquei meditando sobre a singularidade da cena, grandemente maravilhado com o que me dissera o extraordinário mensageiro, quando, em meio à minha meditação, descobri subitamente que meu quarto começava novamente a ser iluminado e imediatamente vi o mesmo mensageiro celestial outra vez ao lado da minha cama.

Relatou-me novamente, sem a mínima alteração, as mesmas coisas que me dissera na primeira visita; a seguir me informou de grandes julgamentos que recairiam sobre a Terra, com grandes desolações causadas pela fome, espada e pestilência; e que esses dolorosos julgamentos recairiam sobre a Terra nesta geração. Tendo-me comunicado estas coisas, novamente ascendeu, como fizera antes.

Naquele momento, tão profundas eram as impressões causadas em minha mente, que perdi o sono por completo, atônito com o que havia visto e ouvido. Mas qual não foi a minha surpresa quando vi novamente o mesmo mensageiro ao lado da minha cama, e ouvi-o repetir as mesmas coisas que me dissera antes; e também advertiu-me, informando-me que Satanás procuraria tentar-me (em consequência da pobreza da família de meu pai) a obter as placas com o fim de enriquecer-me. Proibiu-me isso, dizendo que eu não deveria ter qualquer outro objetivo em vista, ao receber as placas, a não ser o de glorificar a Deus; e que eu não deveria ser influenciado por qualquer outro motivo, senão o de edificar o seu reino; caso contrário, não as poderia obter.

Após essa terceira visita ele ascendeu ao céu, como antes; e outra vez fiquei meditando sobre a estranheza do que acabara de acontecer; quase imediatamente após o mensageiro celestial ter ascendido pela terceira vez, o galo cantou e vi que o dia se aproximava, de modo que as entrevistas deviam ter durado toda aquela noite.

Pouco depois me levantei e, como de costume, fui cuidar dos afazeres do dia; mas ao tentar trabalhar como normalmente fazia, senti-me tão exausto que não consegui. Meu pai, que trabalhava perto de mim, percebeu que eu não estava bem, e disse-me que fosse para casa. Saí com essa intenção, mas ao tentar atravessar a cerca do campo onde estávamos, faltaram-me as forças por completo, e caí inerte ao solo, ficando completamente inconsciente durante algum tempo.

A primeira coisa de que me lembro é uma voz chamando-me pelo nome. Olhei para cima e vi o mesmo mensageiro acima de minha cabeça, cercado de luz como antes. Repetiu-me tudo o que havia relatado na noite anterior e ordenou-me que fosse contar ao meu pai a visão e os mandamentos que havia recebido.

Obedeci, voltando para onde estava meu pai, no campo, e relatei-lhe todo o ocorrido. Ele respondeu-me que aquilo era obra de Deus e disse-me que fizesse o que o mensageiro ordenara. Deixei o campo, e fui até o local onde o mensageiro dissera estarem depositadas as placas; e devido à nitidez da visão que tivera, referente ao local, reconheci-o no instante em que lá cheguei.

Próximo à vila de Manchester, no Condado de Ontário, Estado de Nova York, existe uma colina de considerável tamanho, sendo a mais alta da redondeza. No lado oeste dessa colina, não muito distante do cume, sob uma pedra de considerável tamanho, estavam as placas, depositadas em uma caixa de pedra. No meio, na parte superior, essa pedra era grossa e arredondada; era, porém, mais fina na direção das extremidades, de modo que a parte central ficava visível acima do solo, mas as bordas em toda a volta estavam cobertas de terra.

Tendo removido a terra, arranjei uma alavanca, introduzi-a sob a borda da pedra e consegui levantá-la com um pequeno esforço. Olhei e lá realmente vi as placas, o Urim e Tumim, e o peitoral, como afirmara o mensageiro. A caixa na qual se encontravam era formada de pedras unidas por uma espécie de cimento. No fundo da caixa havia duas pedras colocadas transversalmente, e sobre estas estavam as placas e as outras coisas.

Fiz uma tentativa de retirá-las, mas fui proibido pelo mensageiro, que outra vez me informou ainda não ter chegado o momento de retirá-las, dizendo que esse momento não chegaria a não ser quatro anos após aquela data. Disse-me que eu deveria voltar àquele local precisamente um ano mais tarde, e que lá ele se encontraria comigo, devendo eu continuar a assim proceder até que chegasse o tempo de receber as placas.

De acordo com o que me fora ordenado, voltei lá ao fim de cada ano e todas as vezes encontrei o mesmo mensageiro. Em cada uma das entrevistas recebi dele instruções e conhecimento com respeito ao que o Senhor ia fazer, e à maneira pela qual o seu reino deveria ser conduzido nos últimos dias. (…)

Finalmente chegou a época de receber as placas, o Urim e Tumim, e o peitoral. No dia vinte e dois de setembro de mil oitocentos e vinte e sete, tendo ido, como de costume, ao fim de mais um ano, ao local onde estavam depositados, o mesmo mensageiro celestial entregou-os a mim, com a advertência de que eu seria responsável por eles; que se eu os deixasse extraviar por algum descuido ou negligência, seria cortado; mas que se eu empregasse todos os esforços para preservá-los até que ele, o mensageiro, os reclamasse, eles seriam protegidos.

Logo verifiquei a razão de tão severas recomendações para que os guardasse em segurança, e por que o mensageiro dissera que quando eu tivesse realizado o que me fora ordenado, ele viria buscá-los. Pois tão logo se soube que estavam em meu poder, foram empregados os mais tenazes esforços para tirá-los de mim. Todos os estratagemas possíveis foram usados com esse propósito. A perseguição tornou-se mais amarga e severa que antes, e multidões mantinham-se continuamente alertas para tirá-los de mim, se possível. Mas pela sabedoria de Deus, eles continuaram seguros nas minhas mãos até que cumpri, por meio deles, o que me fora requerido. Quando o mensageiro os reclamou, de acordo com o combinado, entreguei-os a ele, que os tem sob sua guarda até esta data, dois de maio de mil oitocentos e trinta e oito.”

Para a história completa, ver Joseph Smith—História, na Pérola de Grande Valor.

O registro antigo, assim retirado da terra como a voz de um povo falando do pó, e traduzido para a linguagem moderna pelo dom e poder de Deus, conforme atestado por afirmação Divina, foi publicado pela primeira vez ao mundo, em inglês, no ano de 1830, como The Book of Mormon.

Relatos da Primeira VisãoEditar

Joseph Smith relatou que Deus, o Pai, e Jesus Cristo, apareceram a ele em um bosque perto da casa de seus pais no oeste do estado de Nova York quando tinha 14 anos de idade. Preocupado com seus pecados e sem saber qual caminho espiritual seguir, Joseph buscou orientação frequentando reuniões, lendo as escrituras e orando. Em resposta, ele recebeu uma manifestação celestial. Joseph compartilhou e documentou A Primeira Visão, como veio a ser conhecida, muitas vezes; ele escreveu ou designou escreventes para escrever quatro relatos diferentes da visão.

Joseph Smith publicou dois relatos da Primeira Visão durante sua vida. O primeiro deles, hoje conhecido como Joseph Smith—História, foi canonizado em Pérola de Grande Valor e assim se tornou o relato mais conhecido. Os dois relatos que não foram publicados, registrados na primeira autobiografia de Joseph Smith e mais tarde em um diário, foram em geral esquecidos até que historiadores que trabalhavam para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias os redescobriram e os publicaram na década de 1960. Desde aquela época, esses documentos têm sido discutidos repetidas vezes nas revistas da Igreja, em obras impressas por editoras de propriedade da Igreja e filiadas à Igreja e por estudiosos santos dos últimos dias em outros locais. Além desses primeiros relatos, há também cinco descrições da visão de Joseph Smith registradas por seus contemporâneos.

Os vários relatos da Primeira Visão contam uma história consistente, embora se diferenciem em ênfase e detalhes. Historiadores dizem que quando uma pessoa reconta uma experiência em várias situações e para diferentes públicos ao longo de muitos anos, cada relato vai salientar diversos aspectos da experiência e contêm detalhes incomparáveis. De fato, diferenças semelhantes encontradas nos relatos da Primeira Visão podem ser encontradas nos vários relatos nas escrituras da visão de Paulo na estrada para Damasco e a experiência dos apóstolos no Monte da Transfiguração. Mesmo assim, apesar das diferenças, existe uma consistência básica entre todos os relatos da Primeira Visão. Alguns erroneamente argumentaram que qualquer variação ao recontar a história é prova de sua invenção. Ao contrário, esse rico registro histórico nos permite aprender mais a respeito desse acontecimento extraordinário do que poderíamos aprender se estivesse menos bem documentado.

Relatos da Primeira Visão Cada relato da Primeira Visão de Joseph Smith e seus contemporâneos tem sua própria história e contexto, que influenciaram como o evento foi relembrado, comunicado e registrado. Esses relatos são discutidos abaixo.

Relato de 1832. O relato mais antigo conhecido da Primeira Visão, o único relato escrito pelo próprio Joseph Smith, encontra-se em uma autobiografia curta, não publicada, que Joseph Smith produziu na segunda metade de 1832. No relato, Joseph Smith descreveu a respeito da consciência que tinha de seus próprios pecados e da sua frustração por não conseguir encontrar uma igreja que combinasse com a qual ele tinha lido no Novo Testamento e que o levaria à redenção. Ele enfatizou a Expiação de Jesus Cristo e a redenção pessoal que oferecia. Ele escreveu que “o Senhor” apareceu e perdoou-lhe seus pecados. Como resultado da visão, Joseph sentiu alegria e amor, porém, como ele observou, não conseguia encontrar alguém que acreditasse em seu relato.

Relato de 1835. No outono de 1835, Joseph Smith contou sua Primeira Visão a Robert Matthews, um visitante de Kirtland, Ohio. Esse novo relato, registrado no diário de Joseph por seu escrevente Warren Parrish, salienta sua tentativa em descobrir qual igreja estava certa, a oposição que sentiu ao orar e a aparição de um personagem divino, que foi seguido logo por outro. Esse relato também registra a aparição de anjos na visão.

Relato de 1838. A narração da Primeira Visão mais conhecida dos santos dos últimos dias hoje é o relato de 1838. Publicado pela primeira vez em 1842, no Times and Seasons, jornal da Igreja em Nauvoo, Illinois, o relato foi parte de uma história mais longa ditada por Joseph Smith em meio a períodos de intensa oposição. Enquanto o relato de 1832 enfatiza a história mais pessoal de quando Joseph Smith era um rapaz em busca de perdão, o relato de 1838 enfatiza a visão como o início da “ascensão e progresso da Igreja”. Do mesmo modo que o relato de 1835, a questão central da narrativa é qual igreja está certa.

Relato de 1842. Escrito em resposta a solicitação do editor do jornal Chicago Democrat, John Wentworth, para obter informações sobre os santos dos últimos dias, esse relato foi publicado no Times and Seasons em 1842. (“A Carta Wentworth”, como ela é mais conhecida, também é a fonte para as Regras de Fé).4 O relato, destinado a publicação para uma audiência não familiarizada com as crenças mórmons, é direto e conciso. Como nos relatos anteriores, Joseph Smith referiu-se à confusão que ele vivenciou e o aparecimento de dois personagens em resposta a sua oração. No ano seguinte, Joseph Smith enviou esse relato com pequenas modificações para um historiador chamado Israel Daniel Rupp, que o publicou como um capítulo em seu livro, He Pasa Ekklesia [The Whole Church]: An Original History of the Religious Denominations at Present Existing in the United States [História Original das Denominações Religiosas Atualmente Existentes nos Estados Unidos].5

Relatos de Terceiros. Além desses relatos produzidos pelo próprio Joseph Smith, cinco relatos foram escritos por contemporâneos que ouviram Joseph Smith falar sobre a visão.

Argumentos Sobre os Relatos da Primeira Visão de Joseph Smith A variedade e o número de relatos da Primeira Visão levaram alguns críticos a questionar se as descrições de Joseph Smith coincidem com a realidade de sua experiência. Dois argumentos são apresentados com frequência contra sua credibilidade: o primeiro questiona a lembrança de Joseph Smith dos eventos; o segundo questiona se ele enfeitou elementos da história com o passar do tempo.

Memória. Um argumento sobre os relatos da Primeira Visão de Joseph Smith alega que evidências históricas não sustentam a descrição de Joseph Smith do reavivamento religioso em Palmyra, Nova York e seus arredores em 1820. Alguns argumentam que isso enfraquece a afirmação de Joseph sobre o fervor religioso incomum e o relato da visão em si.

Provas documentais, no entanto, apoiam as declarações de Joseph Smith sobre o reavivamento. A região onde morava ficou famosa por seu fervor religioso e sem dúvida alguma foi um dos locais centrais dos reavivamentos religiosos. Os historiadores referem-se à região como o “Distrito Inflamado” porque pregadores exauriram a terra, realizando acampamentos de reavivamento e buscando novos conversos durante o início do Século XIX.6 Em junho de 1818, por exemplo, uma reunião de acampamento metodista ocorreu em Palmyra, e no verão seguinte, os metodistas reuniram-se novamente em Vienna (agora Phelps), Nova York, a 24 quilômetros da fazenda da família Smith. Os diários de um pregador metodista itinerante documentam grande entusiasmo religioso na área geográfica de Joseph em 1819 e 1820. Eles relatam que o Reverendo George Lane, ministro metodista revivalista, estava naquela região durante esses dois anos, falando sobre “o método de Deus para fazer a Reforma”.7 Essa evidência histórica é consistente com a descrição de Joseph. Ele disse que o entusiasmo religioso incomum em seu distrito ou região “começou com os metodistas”. De fato, Joseph declarou que ele “inclinou-se um tanto” para a Igreja Metodista.8

Ampliação. O segundo argumento frequentemente feito sobre os relatos da Primeira Visão de Joseph Smith é que ele enfeitou sua história ao longo do tempo. Esse argumento concentra-se em dois detalhes: o número e a identidade dos seres celestiais que Joseph Smith declarou ter visto. Os relatos de Primeira Visão de Joseph descrevem os seres celestiais cada vez com mais detalhes ao longo do tempo. O relato de 1832 diz: “o Senhor abriu os céus sobre mim e vi o Senhor”. Seu relato de 1838 afirma: “Vi dois Personagens”, um dos quais apresentou o outro como “Meu Filho Amado”. Como resultado, os críticos têm argumentado que Joseph Smith começou relatando de ter visto um personagem — “o Senhor” — e acabou alegando ter visto tanto o Pai quanto o Filho.9

Há outras formas mais consistentes de ver a evidência. Uma harmonia básica na narrativa ao longo do tempo deve ser reconhecida no início: três dos quatro relatos afirmam claramente que dois personagens apareceram a Joseph Smith na Primeira Visão. O único fato isolado é o relato de Joseph Smith de 1832, que pode ser lido se referindo a um ou dois personagens. Se for lido se referindo a um ser celestial, provavelmente seria o personagem que perdoou os pecados de Joseph. De acordo com relatos feitos mais tarde, o primeiro personagem divino disse para Joseph Smith “ouvir” o segundo, Jesus Cristo, que em seguida, transmitiu a mensagem principal, que incluía a mensagem de perdão.10 O relato de Joseph Smith de 1832, portanto, pode estar concentrado em Jesus Cristo, o portador do perdão.

Outra maneira de ler o relato de 1832 é que Joseph Smith referiu-se a dois seres, aos quais chamou de “Senhor”. O argumento do enfeite baseia-se na suposição de que o relato de 1832 descreve o aparecimento de apenas um ser divino. Mas o relato de 1832 não disse que somente um apareceu. Observe que as duas referências a “Senhor” são separadas no tempo: primeiro “o Senhor” abre os céus; então Joseph Smith vê “o Senhor”. A leitura do relato é consistente com o relato de 1835 de Joseph, que tem um personagem aparecendo primeiro, seguido de outro logo depois. O relato de 1832, então, pode ser lido, sensatamente, de modo a afirmar que Joseph Smith viu um personagem que então revelou outros e que ele se referia aos dois personagens como “o Senhor”: “o Senhor abriu os céus sobre mim e vi o Senhor”.11

As descrições cada vez mais específicas de Joseph podem ser vistas de maneira mais convincente como evidências cada vez mais esclarecedoras, acumuladas ao longo do tempo, com base na experiência. Em parte, as diferenças entre o relato de 1832 e os relatos posteriores podem ter algo a ver com as diferenças entre a palavra escrita e o discurso oral. O relato de 1832 representa a primeira vez que Joseph Smith tentou escrever sua história. Naquele mesmo ano, ele escreveu à um amigo dizendo que se sentia aprisionado por “caneta, papel e tinta e a linguagem distorcida, fragmentada, dispersa e imperfeita”. Ele chamou a palavra escrita de “pequena e estreita prisão”.12 A abrangência dos relatos posteriores é mais fácil de entender e até mesmo esperada quando reconhecemos que eles foram provavelmente relatos ditados — um meio fácil e confortável para Joseph Smith e que permitia que as palavras fluíssem mais facilmente.

Conclusão Joseph Smith testificou repetidas vezes que teve uma extraordinária visão de Deus, o Pai e Seu Filho, Jesus Cristo. Nem a verdade a respeito da Primeira Visão, nem os argumentos contra ela podem ser provados apenas pela pesquisa histórica. Saber a veracidade do testemunho de Joseph Smith requer que cada pessoa sincera que busca a verdade estude o registro e depois exerça fé suficiente em Cristo para perguntar a Deus, em oração sincera e humilde, se o registro é verdadeiro. Se a pessoa perguntar com real intenção de colocar em prática a resposta revelada pelo Espírito Santo, a veracidade da visão de Joseph Smith lhe será manifestada. Dessa forma, cada pessoa pode saber que Joseph Smith falou sinceramente quando declarou: “Eu tivera uma visão; eu sabia-o e sabia que Deus o sabia e não podia negá-la”.13

Jesus CristoEditar

Depois de ressuscitar em Jerusalém, ele visitou as americas e escolheu 12 apóstolos, tal como fez em Jerusalém.

Ele declarou que quando disse, "tenhos outras ovelhas que não são desse aprisco", se refiria a eles

A promessa de um TestemunhoEditar

Todos podem receber um testemunho da veracidade do livro através do Espírito Santo. No começo do livro, a primeira presidência convida os leitores a orarem a respeito da sua veracidade, no capítulo 10 de Morôni, ele também faz esse desafio.

3 Eis que desejo exortar-vos, quando lerdes estas coisas, caso Deus julgue prudente que as leiais, a vos lembrardes de quão misericordioso tem sido o Senhor para com os filhos dos homens, desde a criação de Adão até a hora em que receberdes estas coisas, e a meditardes sobre isto em vosso coração.

4 E quando receberdes estas coisas, eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo

Deus irá indicar através do Espírito Santo que o livro é verdadeiro. Os Santos dos Últimos Dias convidam a todos (membros da igreja e não-membros) a perguntarem a Deus para saber que o livro é verdadeiro por eles mesmos. Todos os que perguntam a Deus com um coração sincero vão receber um testemunho de Deus.

Os nomes e a ordem dos livros do Livro de MórmonEditar

Ver tambémEditar

Notas e referências

Ligações externasEditar