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A Juventude Idealista (em turco: Ülkücü Gençlik), comumente conhecido como Lobos Cinzentos (em turco: Bozkurtlar), é uma organização ultra-nacionalista[1] neofascista[2][3][4][5][6][7][8] turca. É acusada de terrorismo.[2][4][5] De acordo com as autoridades turcas, a organização realizou 694 assassinatos entre 1974 a 1980.[9]

Ligações com a GladioEditar

Os Lobos Cinzentos eram a maior força visível no comando da contra-guerrilha, o ramo turco da Operação Gladio.[10] Ao usar tais estruturas paramilitares, os líderes foram capazes de manter uma fachada de negabilidade plausível.[9]

Numerosas fontes mostram que o MHP e os Lobos Cinzentos tinham vínculos com a máfia turca, com os serviços de inteligência turcos, bem como para a CIA e outras agências de inteligência. O antigo procurador público militar e membro do Supremo Tribunal Turco, Emin Değer, provou que os Lobos Cinzentos colaboraram com as forças de contra-insurgência governamentais, bem como os laços estreitos entre essas forças de segurança de Estado e a CIA.[11][12][13] Na verdade, Martin A. Lee também escreveu que a ala paramilitar dos Lobos Cinzentos foram secretamente apoiados pela CIA, que trabalharam com a rede da Gladio, enquanto um artigo em 5 de dezembro de 1990 pelo suíço Neue Zürcher Zeitung afirma que a contra-guerrilha tinha a sua sede no edifício do serviço secreto militar dos EUA, o DIA.[14] Le Monde Diplomatique escreveu que "a CIA usou os defensores da Grande Turquia para incitar paixões anti-soviéticas no coração das minorias turco-muçulmanas na União Soviética".[11] Assim, em 1992, o coronel Türkeş foi até o recém-independente Azerbaijão, onde foi aclamado como um herói. Ele apoiou a candidatura do simpatizante dos Lobos Cinzentos, Abülfaz Elçibay, à presidência. Uma vez eleito, Elchibey escolheu para o Ministério do Interior, İsgandar Hamidov, um membro dos Lobos Cinzentos, que pleiteia a criação de uma Grande Turquia que incluiria o norte do Irã e se expandiria para a Sibéria, Ásia Central, Afeganistão, Paquistão e oeste e norte da China (Turquestão Oriental). Isgandar Hamidov renunciou em abril de 1993, após ter ameaçado a Armênia com um ataque nuclear.[11]

De acordo com Daniele Ganser, um pesquisador da Universidade ETH Zürich, o fundador dos Lobos Cinzentos, Alparslan Türkeş, era um membro da contra-guerrilha, o ramo turco da Gladio, um stay-behind da OTAN, uma organização paramilitar anticomunista que deveria preparar as redes para uma guerra de guerrilha em caso de uma invasão soviética.[15] Le Monde diplomatique confirma que os Lobos Cinzentos foram infiltrados e manipulados pela Gladio, e que importantes membros dos Lobos Cinzentos como Abdullah Çatlı tinha trabalhado com a Gladio. Segundo o mesmo artigo, Abdullah Çatlı reuniu-se com o terrorista italiano internacional Stefano Delle Chiaie, que, além de adotar parte na estratégia de tensão da Itália, mantinha igualmente ligações com a DINA de Augusto Pinochet e participava da guerra suja na Argentina.[16] No entanto, é alegado que foi na Itália e Turquia, que a Gladio apoiou uma estratégia de tensão (em italiano: strategia della tensione) usando ataques terroristas de falsa bandeira, a fim de desacreditar o movimento comunista.[17][18]

MembrosEditar

Referências

  1. " Update to the UNHCR CDR Background Paper on Refugees and Asylum Seekers from Turkey" - UNHCR
  2. a b Political Terrorism, by Alex Peter Schmid, A. J. Jongman, Michael Stohl, Transaction Publishers, 2005p. 674
  3. Annual of Power and Conflict, by Institute for the Study of Conflict, National Strategy Information Center, 1982, p. 148
  4. a b The Nature of Fascism, by Roger Griffin, Routledge, 1993, p. 171
  5. a b Political Parties and Terrorist Groups, by Leonard Weinberg, Ami Pedahzur, Arie Perliger, Routledge, 2003, p. 45
  6. The Inner Sea: The Mediterranean and Its People, by Robert Fox, 1991, p. 260
  7. On the Trail of Turkey's Terrorist Grey Wolves - The Consortium
  8. Crime of the Century - The Weekly Standard LLC
  9. a b Albert J. Jongman, Alex Peter Schmid, Political Terrorism: A New Guide to Actors, Authors, Concepts, Data Bases, Theories, & Literature, pp. 674
  10. Pacal, Jan (4 de abril de 19997). «The Short and Bloody History of Ulkucus». Turkish Daily News. Hürriyet. Consultado em 31 de dezembro de 2008  Verifique data em: |data= (ajuda)
  11. a b c Lee, Martin A. Les liaisons dangereuses de la police turque," Le Monde diplomatique, March 1997 (em francês)
  12. The Double Standard: The Turkish State and Racist Violence (Chapter 13) in Racism in Europe (edited by Tore Bjorgo) (ISBN 0-312-12409-0)
  13. Maksudyan, Nazan (2005). «The Turkish Review of Anthropology and the Racist Face of Turkish Nationalism». Cultural Dynamics. 17 (3): 291–322. doi:10.1177/0921374005061992 
  14. «NATO's Secret Armies: Chronology». Parallel History Project on Cooperative Security. ETH Zürich. Consultado em 27 de agosto de 2008. Arquivado do original em 12 de dezembro de 2008 
  15. Daniele Ganser (2005). NATO's Secret Armies, Operation Gladio and Terrorism in Western Europe. London: Franck Cass. ISBN 0714685003 [falta página]
  16. Nezan, Kendal (1998 July). «Turkey's pivotal role in the international drug trade». Le Monde Diplomatique  Verifique data em: |data= (ajuda)
  17. Official documents on ISN Arquivado em 24 de setembro de 2015, no Wayback Machine. (hosted by ETH Zürich) concerning Gladio, including SIFAR (Italian military service) report on Gladio, extracts of former CIA director William Colby's memoirs, Italian prime minister Giulio Andreotti's public revelation to the Senate of the existence of Gladio in October 1990, Parliamentary investigation into the Swiss Defense Ministry, 1995 Italian parliamentary report on Terrorism, etc
  18. Secret Warfare: Operation Gladio and NATO's Stay-Behind Armies ETH Zürich research project on Gladio directed by Dr. Daniele Ganser. Many documents available in various languages, including Turkish articles; audio interviews of Ganser; Ganser's June 2005 article in The Whitehead Journal of Diplomacy and International Relations; Der Spiegel article, etc.
  19. «The Assassins of a Pope by Lucy Komisar». Consultado em 29 de junho de 2012. Arquivado do original em 11 de julho de 2007 
  20. Turkey’s pivotal role in the international drug trade - Le Monde diplomatique
  21. «Turkes Jr. Faces Hard Times Ahead». Consultado em 29 de junho de 2012. Arquivado do original em 9 de julho de 2013