Lou Pearlman

Lou Pearlman também conhecido por Big Poppa[1] (Queens, 19 de junho de 1954 - Texarkana, 19 de agosto de 2016),[3] alcunha de Louis Jay Pearlman, foi um produtor norte-americano que criou entre outras bandas, o 'N Sync e os Backstreet Boys.[4] Em 2006, ele foi acusado de executar um dos maiores e mais longos esquemas Ponzi da história, deixando mais de 300 milhões de dólares em dívidas.[5]

Lou Pearlman
Lou Pearlman em 2007
Nome completo Louis Jay Pearlman
Pseudônimo(s) Big Poppa[1]
Incognito Johnson[2]
Nascimento 19 de junho de 1954
Queens, Nova Iorque
Morte 19 de agosto de 2016 (62 anos)
Texarkana, Texas
Nacionalidade norte-americano
Ocupação Produtor
Lou Pearlman
Crime(s)
Pena 25 anos de prisão

Carreira na indústria do entretenimentoEditar

Pearlman ficou fascinado com o sucesso do New Kids on the Block, que havia ganhado centenas de milhões de dólares em vendas de discos, turnês e mercadorias. Ele fundou a Trans Continental Records com a intenção de imitar o modelo de negócios de boy bands. A primeira banda da gravadora, os Backstreet Boys, consistiu em cinco artistas desconhecidos selecionados por Pearlman em uma busca de talentos de 3 milhões de dólares.[6] Os deveres de gerenciamento foram atribuídos a um ex-gerente do New Kids on the Block, Johnny Wright, e sua esposa Donna. Os Backstreet Boys se tornaram a boy band mais vendida de todos os tempos, com vendas recordes de 130 milhões, atingindo ouro, platina e diamante em 45 países diferentes. Pearlman e os Wrights então repetiram essa fórmula quase exatamente com a banda *NSYNC, que vendeu mais de 70 milhões de discos em todo o mundo.

Com esses dois grandes sucessos, Pearlman se tornou um magnata da música. Outras boy bands gerenciadas por Pearlman foram O-Town (criada durante o reality show da ABC-MTV, Making the Band), LFO, Take 5, Natural e US5, além do grupo feminino Innosense (com Britney Spears no início como um membro de curto prazo), co-administrado com Lynn Harless (a mãe do membro da banda do *NSYNC Justin Timberlake). Outros artistas da gravadora Trans Continental incluíram Aaron Carter, Jordan Knight, Smilez & Southstar e C-Note. Pearlman também possuía um grande complexo de entretenimento em Orlando, incluindo um estúdio de gravação chamado Trans Continental Studios e um estúdio de dança perto da Disney World chamado O-Town. Em 2002, Pearlman e Wes Smith co-escreveram Bands, Brands and Billions: My Top 10 Rules for Making Any Business Go Platinum (Bandas, marcas e bilhões: Minhas 10 principais regras para tornar qualquer negócio platinado).

Ações judiciais de bandasEditar

Com exceção do US5, todos os atos musicais que trabalharam com Pearlman o processaram no tribunal federal por deturpação e fraude. Todos os processos contra Pearlman foram vencidos por aqueles que intentaram ações judiciais contra ele ou foram resolvidos fora do tribunal.

Os membros do Backstreet Boys foram os primeiros a entrar com uma ação contra Pearlman, achando que o contrato - sob o qual Pearlman era colecionado como gerente e produtor - era injusto, porque Pearlman também foi pago como sexto membro dos Backstreet Boys (ou seja, um sexto da renda da banda). A insatisfação da banda começou quando o membro Brian Littrell contratou um advogado para determinar por que o grupo havia recebido apenas US$ 300.000 por todo o seu trabalho, enquanto Pearlman e sua gravadora haviam ganho milhões. A boy band *NSYNC estava tendo problemas semelhantes com Pearlman, e seus membros logo seguiram o exemplo.[7][8]

Aos 14 anos, Aaron Carter entrou com uma ação em 2002 que acusava Pearlman e Trans Continental de enganá-lo entre centenas de milhares de dólares e de extorsão em um padrão deliberado de atividade criminosa. Este processo foi posteriormente resolvido fora do tribunal.[9]

PrisãoEditar

No dia 21 de maio de 2008 o empresário foi condenado a 25 anos de prisão por lavagem de dinheiro, conspiração e bancarrota falsa. O juiz do caso afirmou que a dívida do réu supera os 20 milhões de dólares (cerca de R$ 33 milhões) e que ele poderia ficar um mês a menos na prisão para cada US$ 1 milhão (R$ 1,64 milhão) que pagasse a seus credores.[4] Em junho de 2016, ele foi transferido de uma prisão de baixa segurança em Texarkana, Texas, para a prisão federal de Miami.[10]

Morreu na prisão em 19 de agosto de 2016, aos 62 anos de idade de parada cardíaca.[10]

Grupos que empresariouEditar

Grupo ou duo Origem Integrantes Período em atividade Nota Referências
Backstreet Boys   Estados Unidos AJ McLean, Howie Dorough, Nick Carter, Kevin Richardson e Brian Littrell 1993-presente [11][12]
*NSYNC   Estados Unidos Chris Kirkpatrick, Justin Timberlake, JC Chasez, Joey Fatone e Lance Bass 1995-2002 [11][12]
LFO (Lyte Funkie Ones)   Estados Unidos Rich Cronin, Brad Fischetti, Brian Gillis e Devin Lima 1995-2018 (com hiatos) O grupo era formado por três integrantes, Gillis saiu em 1999 e Lima ficou no lugar. [11][12]
Solid HarmoniE   Inglaterra Rebecca Onslow, Melissa Graham, Elisa Cariera, Mariama Goodman e Jenilca Giusti 1996-2000 A primeira girl group era formada por três ou quatro integrantes. Fizeram um sucesso moderado na Holanda. [13][14][15]
Innosense   Estados Unidos Danay Ferrer, Mandy Ashford, Nikki DeLoach, Britney Spears, Amanda Latona, Veronica Finn e Jenny Morris 1997-2003 Segunda girl group, era formada por cinco ou quatro integrantes. [11][12]
C Note (Creating Nothing Other Than Excellence)   Estados Unidos Raul Emilio "RaRa" Molina, David "D Lo" Perez, Andrew "Dru" Rogers, Jose Antonio "Brody" Martinez III, Orlando "O.T." Torres, Vincent "V" Pesante, Joshua "J-Kid" Correa e Johnathan "Jae Pezz" López 1997-2008 O grupo originalmente era formado por quatro integrantes, e depois mudaram para cinco (quando dois saíram). Era a única boy band no estilo latino. [12][16][17]
Take 5   Estados Unidos Ryan Goodell, Tilky Jones, Stevie Sculthorpe, Tim "TJ" Christofore e Jeff "Clay" Goodell 1997-2001 [11][12]
Natural   Estados Unidos Ben Bledsoe, Marc Terenzi, Michael 'J' Horn, Michael Johnson e Patrick King 1999-2004 Todos os integrantes tocavam instrumentos. A banda fez sucesso na Alemanha e nas Filipinas. [11][7]
O-Town   Estados Unidos Trevor Penick, Jacob Underwood, Erik Michael Estrada, Ashley Parker Angel e Dan Miller 2000-presente (com hiato) Grupo formado no reality show Making the Band. [11][12]
Smilez & Southstar   Estados Unidos Rodney "Smilez" Bailey e Rob "Southstar" Campman 2002-2006 Único duo de hip-hop. Acabou saindo da gravadora de Pearlman por causa de baixas vendas do primeiro álbum. [18][19]
US5   Alemanha Christopher Richard Stringini, Izzy Gallegos, Tariq Jay Khan, Michael "Mikel" Johnson, Christoph "Chris" Watrin, Vincent "Vince" Tomas, Cayce Clayton e Jayson Pena 2005-2010 Quinteto formado no reality show da RTL II, Big in America. Fizeram sucesso na Europa. [20][8]

Referências

  1. a b André Barcinski. «Como o criador do Backstreet Boys se tornou o maior trambiqueiro do pop». Uol. Consultado em 14 de outubro de 2017 
  2. «Lou Pearlman appears at hearing in Guam» (em inglês). usatoday.com 
  3. «Lou Pearlman, criador de Backstreet Boys e 'N Sync, morre aos 62 anos». G1. 21 de agosto de 2016. Consultado em 22 de agosto de 2016 
  4. a b «Criador de 'N Sync e Backstreet Boys pega 25 anos de prisão». Folha de S. Paulo. Uol. 21 de maio de 2008. Consultado em 22 de agosto de 2016 
  5. «Boy band founder to plead guilty in $300M suit» (em inglês). today.com. 3 de abril de 2008. Consultado em 14 de outubro de 2017 
  6. Gray, Tyler (7 de outubro de 2007). «The Fat Man Sings». Radar Online. p. 91 
  7. a b «'The great untold scandal': the sordid tale of boyband mogul Lou Pearlman». The Guardian. 9 de abril de 2019. Consultado em 23 de março de 2020 
  8. a b Bryan Burrough (3 de outubro de 2007). «Mad About the Boys». Vanity Fair. Consultado em 23 de março de 2020 
  9. «Lawsuit: Pop star's manager a racketeer». St. Petersburg Times. 25 de junho de 2002. Consultado em 23 de março de 2020. Arquivado do original em 19 de fevereiro de 2007 
  10. a b Seth Abramovitch, Shirley Halperin (20 de agosto de 2016). «Lou Pearlman, Disgraced Backstreet Boys, 'NSYNC Svengali, Dies at 62» (em inglês). Billboard. Consultado em 22 de agosto de 2016 
  11. a b c d e f g «Morre Lou Pearlman, empresário dos Backstreet Boys e 'NSync». O Globo. 21 de agosto de 2016. Consultado em 23 de março de 2020 
  12. a b c d e f g Lauren Effron, Gwen Gowen, Chris Kilmer (12 de dezembro de 2019). «*NSYNC, O-Town members on learning the truth about Lou Pearlman: 'My heart broke. ... He was a conman'». ABC News. Consultado em 23 de março de 2020 
  13. «Solid HarmoniE – I Want You To Want Me». Can't Stop the Pop. Consultado em 23 de março de 2020 
  14. «RePlay: Solid HarmoniE (S/T)». William Bruce West. 8 de agosto de 2010. Consultado em 23 de março de 2020 
  15. «Catalysts for change: people who made a difference». Orlando Weekly. 17 de dezembro de 1998. Consultado em 23 de março de 2020 
  16. Jim Abbott (1 de julho de 2005). «Put a C Note on Pearlman's bill». Orland Sentinel. Consultado em 23 de março de 2020 
  17. Alison Foreman (13 de março de 2019). «'The Boy Band Con' struggles to hide the hatred it has for its subject». Mashable. Consultado em 23 de março de 2020 
  18. Jim Abbott (9 de agosto de 2002). «DUO DEBUT IS SLICK POP/HIP-HOP HYBRID». Orlando Sentinel. Consultado em 23 de março de 2020 
  19. Todd Leopold (22 de janeiro de 2003). «So you want to be a rock 'n' roll mogul». CNN. Consultado em 23 de março de 2020 
  20. Marlene Lenthang (12 de dezembro de 2019). «'I was in the biggest band in the world but I couldn't afford my apartment': NSYNC's Lance Bass recalls moment Lou Pearlman gave him a $10,000 check instead of $1M - revealing how mogul defrauded musicians before his conviction for a $300M Ponzi scheme». Daily Mail. Consultado em 23 de março de 2020 

Ligações externasEditar