Louis Ensch

Louis Jaques Ensch (Luxemburgo, 1895 - Luxemburgo, 9 de setembro de 1953) foi um siderurgista luxemburguês e engenheiro-diretor da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, convidado para dirigir a siderúrgica em Sabará em 1927.[1][2] Louis Ensch era filho de um aristocrata e de uma empregada.[1]

Louis Ensch é considerado personalidade de destaque no desenvolvimento da indústria siderúrgica no Brasil. Diplomado em 1920, pela Universidade de Aix-la-Chapelle, o engenheiro iniciou a carreira na Usina de Burbach, em seu país natal, onde obteve ascensão profissional relativamente rápida. Em 1927, ele se mudou para o Brasil, para assumir a direção da Usina de Sabará (MG), da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, pertencente ao grupo europeu ARBED. A usina passava por dificuldades e Louis Ensch conseguiu, em pouco tempo, cumprir a sua missão de reorganizá-la, num momento importante para o estabelecimento da indústria siderúrgica nacional. Em 1935, ele passou a conduzir a construção de uma nova planta industrial, em João Monlevade, "que viria a se tornar, por suas características técnicas, a maior usina siderúrgica a carvão vegetal do mundo, a par de alto padrão técnico, sólida estrutura econômico-financeira e elevado índice de produtividade".[3][4]

Paralelamente ao desenvolvimento das usinas siderúrgicas, Louis Ensch empreendeu considerável obra social destinada aos trabalhadores, contemplando a construção de vilas operárias, hospitais, escolas, postos de abastecimento e clubes desportivos nas localidades de atuação da Companhia. O engenheiro faleceu em 1953, em Luxemburgo, onde se encontrava para tratar de assuntos relacionados à expansão industrial. Seu corpo foi transladado ao Brasil e está sepultado no Cemitério Histórico da cidade de João Monlevade.[4]

Belgo-Mineira em SabaráEditar

Em 1920, o rei Alberto I da Bélgica fez uma visita oficial ao Brasil. A convite do presidente de Minas Gerais, Artur Bernardes, o rei visitou Belo Horizonte. Pouco tempo depois, o grupo belgo-luxemburguês ARBED enviou missão técnica a Minas Gerais, que constatou a possibilidade da ARBED se associar à Companhia Siderúrgica Mineira. Em 1920, a ARBED comprou a fábrica de ferro fundada por Jean-Antoine Félix Dissandes de Monlevade, que estava desativada. Após a morte de Jean Monlevade, em 14 de dezembro de 1872, a fábrica de ferro ficou sob os cuidados do filho, João Paschoal de Monlevade. Porém, com a Lei Áurea, a fábrica de ferro, que usava mão de obra escrava, foi vendida para a Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros e em 1897 a propriedade passou a pertencer ao Banco Ultramarino do Rio de Janeiro. Em 11 de dezembro de 1921, após uma aliança com o grupo ARBED, a Companhia Siderúrgica Mineira mudou de nome para Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira. O capital da Belgo-Mineira, de R$ 15.000.000.000, foi divido em 75.000 ações de R$ 200.000.[5][6][7]

Em 1927, Louis Ensch viajou ao Brasil, com a missão de avaliar e solucionar os problemas da siderúrgica. O novo engenheiro-diretor da Belgo-Mineira investiu na aquisição de novos equipamentos, melhorando a qualidade do produto final,[2] além de organizar a construção do núcleo urbano que viria a se tornar o município de João Monlevade, onde ficava a fábrica de ferro fundada por Jean Monlevade e que foi adquirida pela ARBED.[7]

Usina de João Monlevade e exploração madeireiraEditar

Louis Ensch foi responsável pela implantação de uma nova usina na região da antiga fazenda do pioneiro Jean-Antoine Félix Dissandes de Monlevade, viabilizada com a inauguração, em 31 de agosto de 1935, do ramal ferroviário que ligava a Estrada de Ferro Central do Brasil à Estrada de Ferro Vitória a Minas, e coordenou a construção das vilas operárias que deram origem à cidade de João Monlevade.[2][8]

Visando a alimentar os fornos da usina, a Belgo tomou posse de vastas áreas do Vale do Rio Doce para a extração de madeira. A instalação de um complexo da companhia em Coronel Fabriciano, em 1936, buscava centralizar a exploração madeireira e deu início à atividade industrial nessa área que mais tarde se tornaria um dos principais polos industriais do estado, com o encetamento da siderurgia.[9]

Sob intermédio de Louis Ensch, a Belgo foi a responsável pela abertura das primeiras ruas, construções de casas de alvenaria e estabelecimentos em Coronel Fabriciano, bem como a instalação do Hospital Siderúrgica (atual Hospital Doutor José Maria Morais), que foi necessária devido à grande incidência de febre amarela e outras doenças tropicais.[9] Em João Monlevade, houve a instalação de conjuntos habitacionais e escolas entre as décadas de 30 e 40. Em 1943, Louis Ensch criou o primeiro clube de futebol de Monlevade, o Social.[4]

Solicitação e patrocínio do painel "Alegoria à Indústria"Editar

Em 1931, Louis Ensch encomendou um alto-relevo de bronze da escultora belga Jeanne Louise Milde, que viveu em Belo Horizonte. O painel "Alegoria à Indústria" retrata o trabalhador, tendo ao fundo um forno siderúrgico, de forma a enaltecer tanto o trabalho, figurado no trabalhador, quanto a indústria, valorizando o homem como a figura mais importante da peça.[10] O painel encontra-se na antiga sede da Belgo-Mineira, em Sabará, Minas Gerais.[10]

A obra pesa cerca de 250 kg e é uma das maiores do gênero no Brasil.[10]

CondecoraçõesEditar

Entrada principal do Estádio Louis Ensch, em Coronel Fabriciano.
Praça Louis Ensch, no Centro de Fabriciano.

Pelo mérito de suas realizações, Louis Ensch recebeu inúmeras manifestações de apreço e reconhecimento, entre elas as condecorações:[11][4]

  • Chevalier de l'Ordre de la Couronne (Bélgica - 1932)
  • Oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul (Brasil - 1940)
  • Commandeur de l'Ordre de Merite Civil et Militaire d'Adolphe de Nassau (Luxemburgo - 1949)
  • Commandeur de l'Ordre de Léopold (Bélgica - 1950)
  • Commandeur de l'Ordre Grand-Ducal de la Couronne de Chêne (Luxemburgo - 1951)
  • Grande Oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul (Brasil - 1953)

O ex-diretor da Belgo empresta seu nome ao principal estádio de João Monlevade, o Estádio Municipal Louis Ensch, o qual ajudou na construção até o ano de sua morte.[4] Em Coronel Fabriciano, foi homenageado com a denominação do Estádio Louis Ensch, para o qual doou o terreno, e da praça onde se localiza a sede da prefeitura municipal,[12] a Praça Louis Ensch, no Centro da cidade.[9]

Referências

  1. a b Luxemburger Wort (17 de julho de 2013). «Escritor brasileiro lança romance sobre siderurgista luxemburguês». Consultado em 27 de junho de 2016 
  2. a b c Guia Editora (17 de agosto de 2014). «Louis Jaques Ensch». Consultado em 27 de junho de 2016. Arquivado do original em 7 de agosto de 2016 
  3. PEREIRA, Alfredo de Oliveira (1967). Manual de Siderurgia. São Paulo: Assetec. p. 94 
  4. a b c d e Morro do Geo. «Biografia de Louis Jaques Ensch». Consultado em 27 de junho de 2016. Cópia arquivada em 27 de junho de 2016 
  5. industrie.lu - The History of Industry of Luxembourg (3 de março de 2013). «CSBM - Belgo-Mineira, Brazil» (em francês). Consultado em 27 de junho de 2016 
  6. Antônio José Polanczyk. «Ensch e a Belgo Mineira». 3i Editora. Consultado em 27 de junho de 2016 
  7. a b «João Monlevade» 
  8. Descubra Minas. «Programa Memória Arcelor Mittal Monlevade». Consultado em 27 de junho de 2016 
  9. a b c Assessoria de Comunicação (3 de julho de 2009). «Organização do município». Prefeitura de Coronel Fabriciano. Consultado em 27 de junho de 2016. Arquivado do original em 7 de abril de 2014 
  10. a b c Belgian Club. «Alto-relevo Alegoria à Indústria (Sabará)». Consultado em 27 de junho de 2016 
  11. BELGO-MINEIRA, COMPANHIA SIDERÚRGICA (1953). Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira. 25º aniversário da administração do Dr. Louis Ensch, Diretor Geral da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira. Rio de Janeiro: Gráficos Bloch S.A. 
  12. Jornal Diário do Aço (20 de janeiro de 2013). «Diversão máxima para os fabricianenses». Consultado em 27 de junho de 2016. Cópia arquivada em 14 de setembro de 2014