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Lourenço de Almada, 9.º conde de Avranches

Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Lourenço de Almada, veja Lourenço de Almada (desambiguação).
Lourenço de Almada
Nascimento 1645
Morte 2 de maio de 1729 (84 anos)
Lisboa
Nacionalidade Portugal Português
Progenitores Mãe: Luisa de Menezes
Pai: Luís de Almada
Ocupação Governador

Lourenço de Almada (16452 de maio de 1729), (9.º conde de Avranches) (12º senhor dos Lagares d' El-Rei) (7.º senhor de Pombalinho), entre vários lugares oficiais de grande responsabilidade, teve especial relevo como administrador colonial de Portugal.

Teve a comenda de S. Vicente de Vimioso e recebe também a alcaidaria-mor e comenda de Proença-a-Velha, da Ordem de Cristo, em 1675, por o seu avô materno (anterior alcaide e comendador) ter fugido para Castela quando tomou partido de Filipe III. Essa função e privilégio será continuado pelos primogénitos da sua descendência até à implantação do liberalismo em Portugal.

Terá tido um papel importante no seio da vida social da Igreja Católica pois a primeira irmandade ou confraria que houve em Condeixa-a-Nova (onde a família Almada tinha casa), a das Almas fundada em 19 de Novembro de 1679, ele foi o primeiro juiz da mesma[1].

Foi Mestre-sala da Casa Real[2] (cargo oficial que se manteve na sua família directa, por varonia, hereditário durante seis gerações), dos reis Pedro II e João V, fidalgo do Conselho da Junta dos Três Estados, e por último ainda foi Presidente da Junta do Comércio.

Foi um dos nomeados em Santarém para acompanhar D. Pedro II na 1.ª fase da Guerra de Sucessão de Espanha, a favor de Carlos de Áustria[3].

Ocupou igualmente e respectivamente os lugares de capitão-general da Ilha da Madeira e governador-geral de Angola e do Brasil.

Como governador da Madeira foi nomeado em 4 de Agosto de 1687 e tomou posse a 13 de Abril de 1688[4], terminando o seu serviço em 1690.

Na vigência da governação desta ilha, foi completada a fortificação da frente mar da cidade e construíram um portão dentro do gosto maneirista internacional – o chamado Portão dos Varadouros, onde, no ano de 1689, foi mandada colocar uma inscrição em latim, que se pode traduzir por “Cada um dos antecedentes governadores debalde se esforçou por concluir estas muralhas; ao Senhor Lourenço de Almada estava reservada a satisfação da sua conclusão”. Refere o provedor Ambrósio Vieira de Andrade, em certidão de 30 de setembro de 1690, que o governador “fez findar a muralha com toda a perfeição, brevidade e comunidade[5].

A tomada de posse do lugar de governação do reino de Angola deu-se em 20 de Novembro de 1705. Nessa altura terá mandado fazer várias melhorias na sua defesa nomeadamente na Fortaleza de São Miguel de Luanda[6] e na Sé de Luanda[7]. Conta-nos João Carlos Feo e Torres que D. Lourenço governou, até 4 de Outubro de 1709, com grande prudência e integridade. Sendo tal confirmado por ofício passado pelos oficiais à sua responsabilidade nessa governação[8][9] e por um sindicato feito posteriormente[[10].

Fazendo jus ao seu bom exercício nessa missão régia, para o Reino de Portugal, em 26 de Novembro de 1709, o rei escrevia-lhe a convidá-lo a governar "temporariamente" a "capitania geral do Estado do Brazil" "debaixo do mesmo preito e homenagem" que a anterior.

No mesmo dia mandava outra carta oficial ao anterior governador, Luiz César de Menezes, dispensando-o das suas funções e a entregá-las a D. Lourenço[11].

Embora assim fosse, teve pouca sorte no Brasil porque nessa altura, apenas ele chegou a Pernambuco, começaram as revoltas dos moradores do Recife, chamada Guerra dos Mascates, protegidos pelo governador Sebastião de Castro, que queriam que a sua povoação fosse elevada a vila. E mal tinha tudo acalmado recebeu a notícia de que um corsário francês, Duguay-Trouin, tomara e saqueara o Rio de Janeiro, querendo vingar a derrota que tempos antes sofrera aí uma expedição francesa comandada por Du Clerc. O mais grave é que este, exigiu para resgate dos edifícios que poupava, uma quantia exorbitante e a que D. Lourenço se viu obrigado a pagar. Tudo isso deve ter sido demasiado para ele porque, apenas um ano depois da sua governação, em 1711, pediu a demissão. Ainda continuou vivendo na Baía, sem qualquer função de estado, mas, no seu azar, viu-se envolvido noutros confrontos sem o desejar que achou por bem retirar-se definitivamente para Portugal continental.

Índice

Dados genealógicosEditar

Lourenço de Almada, nasceu em 1645 e faleceu em 2 de Maio de 1729. Sepultado no dia seguinte, na capela de São Fulgêncio, na Igreja da Graça (Lisboa), tal como seus antepassados desde o tempo de Lopo Soares de Alvarenga[12].

Filho de:

Casado com:

Tiveram:

Referências

  1. Condeixa-a-Nova, por A. Santos Conceição, Gráfica de Coimbra, Coimbra, 1941
  2. Alvará. Mestre-sala da Casa Real, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Pedro II, liv. 1, f.350-350v
  3. Augusto dos Santos Conceição, Condeixa-a-Nova, 2.ª edição, Revista e Acrescentada por José Maria Gaspar, Coimbra, 1983, pág. 56.
  4. «Elucidário Madeirence, pelo padre Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, vol. I, pág. 92» (PDF). Consultado em 16 de janeiro de 2015. Arquivado do original (PDF) em 4 de março de 2016 
  5. almada, lourenço de, por Rui Carita, Aprender Madeira, (atualizado a 13.11.2016
  6. Ensaios sobre a statistica das possessões portuguezas na Africa occidental e oriental; na Asia occidental; na China, e na Oceania, Imprensa nacional, 1844, p. 141
  7. Carta do governador e capitão-general de Angola, João Jacques de Magalhães, ao rei [D. João V] remetendo novamente mapas da artilharia das fortalezas de Angola acrescentando a artilharia de Ambaca, montada e com os seus reparos; informando que também tinha mandado fazer reparos na fortaleza da ilha de Nossa Senhora do Cabo que estava em ruína e no telhado da Sé de Luanda, e que tinha terminado a obra das casas iniciada no tempo de governador D. Lourenço de Almada., Arquivo Histórico Ultramarino, em 1739-07-29, Cód. Ref.: PT/AHU/CU/001/0033/03223
  8. Consulta: Os oficiais da câmara de Angola dão conta do bem que governou aquele reino D. Lourenço de Almada, Arquivo Histórico Ultramarino, Datado de: 1710-10-09, Código de ref.: PT/AHU/CU/046/0554/00236
  9. CONSULTA do Conselho Ultramarino ao rei D. João V sobre a carta dos oficiais da câmara de Angola, elogiando o desempenho de D. Lourenço de Almada no governo daquele reino, lamentando que não ficasse mais tempo., Arquivo Histórico Ultramarino,, Datado de: 1710-10-09, Código de fer.: PT/AHU/CU/001/0020/02060
  10. https://portal.arquivos.pt/record?id=oai%3APT%2FAHU%3A1139690 Carta do sindicante Manuel Ferreira de Carvalho, ao rei (D. João V) sobre a residência que tirara do tempo em que D. Lourenço de Almada governara o reino de Angola, considerando que fora venerado por todos e cumpridor da justiça; informando que o ouvidor-geral Manuel Antunes de Almeida acusara o dito governador de usar de poder absoluto, mas tal não se verificara, porque fornecera gente paga para a prisão de Francisco Vaz Francisco e no caso do criminoso capitão António de Tovar Lopes não havia autos de processos., Arquivo Histórico Ultramarino, Datado de 1716-12-10, código de ref.: PT/AHU/CU/001/0021/02145]
  11. Chronica Geral do Brazil, por Alexandre José de Mello Moraes, B. L. Garkier — Livreiro editor, págs. 20 e 21
  12. "Livro para lembrança dos enterros dos seculares, e das covas em que são sepultados, que pertenceu ao Convento da Graça, de Lisboa".
  13. a b c d «Genealogias das Famílias de Portugal», por Afonso Torres e continuada por Luís Vieira da Silva, capitulo dos Almadas, ano de 1694
  14. almada, lourenço de, por Rui Carita, Aprender Madeira, (atualizado a 13.11.2016
  15. Descendência do mestre-cabeleireiro, João do Rio, Ano 7 - Número 38, Agosto / Setembro de 2009, joaodorio.com
  16. Com mil reis mais três mil reis de moradia por mês e um alqueire de cevada mais outro por dia, alvará de 3.08.1689 - Arquivo Casa de Almada
  17. Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 23
  18. António Carvalho da Costa, Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal, na Off. de Valentim da Costa Deslandes, 1708, pág. 62.
  19. D. António Caetano de Sousa, «Memorias Históricas e Genealógica dos Grandes de Portugal», Regia Officina Sylviana, Lisboa, 1755, pág. 311.
  20. António Carvalho da Costa, Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal, na Off. de Valentim da Costa Deslandes, 1712, Vol. III, pág. 189
  21. Luisa de Menezes, roglo
  22. António Carvalho da Costa, Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal, na Off. de Valentim da Costa Deslandes, 1712, pág. 583
  23. Diccionario aristocratico contendo os alvarás dos foros de fidalgos de casa real que se achão registados nos livros das mercês, hoje pertencentes ao Archivo da Torre do Tombo, editado por Portugal Arquivo Nacional, em 1840, pág. 59

Dados bibliográficosEditar

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar