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Luís de Sousa
Cardeal da Igreja Católica
Arcebispo de Lisboa

Título

Arcebispo de Lisboa
Atividade Eclesiástica
Diocese Arquidiocese de Lisboa
Nomeação 2 de dezembro de 1675
Predecessor Dom António de Mendonça
Sucessor Dom João de Sousa
Mandato 1675 - 1702
Ordenação e nomeação
Nomeação episcopal 19 de janeiro de 1671
Ordenação episcopal 14 de junho de 1671
por Dom Manuel de Noroña, O.F.M.
Nomeado arcebispo 2 de dezembro de 1675
Cardinalato
Criação 22 de julho de 1697
por Papa Inocêncio XII
Brasão
Luis de Sousa (1630-1702).jpg
Dados pessoais
Nascimento Flag of Portugal (1750).svg Porto
6 de outubro de 1630
Morte Flag of Portugal (1830).svg Lisboa
3 de janeiro de 1702 (71 anos)
Progenitores Mãe: Mécia de Vilhena
Pai: Diogo Lopes de Sousa
Sepultado Sé de Lisboa
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Luís de Sousa (Porto, 6 de Outubro de 1630 – Lisboa, 4 de Janeiro de 1701), foi o décimo nono Arcebispo de Lisboa. Figura maior da segunda metade do século XVII em Portugal, Dom Luís de Sousa foi Capelão-mor do rei D. Pedro II e membro do Conselho de Estado. Foi elevado ao cardinalato em 1697 por Inocêncio XII.

Índice

JuventudeEditar

 
Brasão da Família Sousa

Dom Luís pertencia à ilustre família dos Sousa, uma das mais antigas de Portugal, descendentes de Martim Afonso Chichorro, filho ilegítimo do rei D.Afonso III. Foi o quarto e último filho de Diogo Lopes de Sousa (c.1595-27.12.1640), 2.º Conde de Miranda do Corvo, filho de Henrique de Sousa Tavares e Mécia de Vilhena, e de sua mulher Leonor de Mendonça (c.1600-24.08.1656), filha de João Rodrigues de Sá, 1.º Conde de Penaguião e Isabel de Mendonça. Seus irmãos foram Isabel (1624), Henrique, 1.º Marquês de Arronches e Mecia, casada com Manuel Luís Baltazar da Câmara, 1.º Conde da Ribeira Grande .

Dom Luís de Sousa nasceu na cidade do Porto, a 6 de Outubro de 1630.[1] O seu pai era o Governador da Relação e Casa do Porto [2], cargo hereditário concedido à família em 1582 pelo rei Filipe II de Espanha. Em 1633, Diogo de Sousa foi nomeado presidente do Conselho da Fazenda [3] por Filipe IV, pelo que em 1637 Diogo de Sousa mudou-se com a família para Madrid. O jovem Luís entrou ao serviço da rainha Isabel de Bourbon.[4] Apesar da Restauração da Independência em 1640, a família apenas obteve permissão para regressar a Portugal em 1646.[5]

Estudos religiososEditar

Em Lisboa, foi admitido ao serviço de D.Teodósio, primogenitor de D.João IV, começando a estudar no Colégio de Santo Antão.[4] A 8 de Fevereiro de 1651 partiu para Roma onde viria a doutorar-se em Direito Canónico [6], passando ao serviço da Curia Romana.[6] Apesar de não haver nenhuma informação sobre a sua ordenação sacerdotal, deverá ter ocorrido entre 1651–1652, ainda em Lisboa ou depois da sua chegada a Roma.

Vida religiosaEditar

 
D.Pedro II, protector de Dom Luís de Sousa. Gravura de Elias Christoph Heiss (1660-1731).

Em 1655 Alexandre VII nomeou Dom Luís de Sousa Deão do Cabido da Sé Catedral do Porto. No regresso à sua cidade natal, passou diversos meses em viagem por Veneza, Flandres, Holanda e França, chegando a Portugal a 26 de Setembro de 1656.[7]

Em 1658 seria eleito governador da Diocese e em 1669, por encontrar-se seu irmão Henrique, 1.º Marquês de Arronches como embaixador na Holanda, foi nomeado Governador das Armas e Governador da Relação e Casa do Porto pelo então regente infante D.Pedro.[7]

Nesse mesmo ano, foi-lhe concedido o cargo de Esmoler-mor do Reino, Capelão-mor da Capela Real e Cónego do Cabido da Sé Catedral de Lisboa.[7]

A 19 de Janeiro de 1671 Clemente X elegeu-o Bispo-titular de Hippo Diarrhytus [8], sendo consagrado a 14 de Junho do mesmo ano, na Capela Real do Paço da Ribeira [7], por Álvaro de São Boaventura, Bispo da Guarda, assistido por Cristóvão da Silveira, Arcebispo de Goa e por Estevão dos Santos, Bispo de São Salvador da Bahia.[9] Em 1674 foi nomeado Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cargo que viria a ocupar uma segunda vez, em 1683.[10]

A 17 de Setembro de 1675, o regente infante D.Pedro solicitou ao Papa Clemente X a nomeação de Dom Luís de Sousa como Arcebispo de Lisboa.[7] A 2 de Dezembro Clemente X acedeu ao pedido conferindo-lhe o Pálio.

A sua nomeação como membro do Conselho de Estado, a 30 de Agosto de 1679[7], viria a tornar Dom Luís de Sousa numa das pessoas mais influentes nos assuntos políticos portugueses dos finais do século XVII.[11]

Enquanto Arcebispo de Lisboa o seu legado mais importante foi o da instituição do Lausperene, por Bula de Inocêncio X, em 1682.[10] O privilégio da exposição permanente do Santíssimo Sacramento nas igrejas de Lisboa, tal como se fazia em Roma, foi sendo renovado até 1784, quando Pio VII concedeu o privilégio perpétuo ao Patriarcado de Lisboa, prática que se manteve até aos nossos dias.[12]

CardealEditar

No Consistório de 22 de Julho de 1697[9], por um Breve apostólico de 31 de Julho, Dom Luís de Sousa foi criado Cardeal-presbítero, pelo Papa Inocêncio XIII.[13] Querendo permanecer como Capelão-mor da Capela Real e Arcebispo de Lisboa, acabou por não viajar para Roma, a fim de receber o título e o Galero.[10] Dom Luís de Sousa viria a morrer a 3 de Janeiro de 1702, tendo sido enterrado na Capela de Nossa Senhora da Piedade, no Claustro da Sé Catedral de Lisboa.[10]

Filho ilegítimo e descendênciaEditar

Dom Luís de Sousa teve um filho ilegítimo, Leonardo de Sousa [14], em data por determinar. Casado com Francisca Micaela de Lemos, tiveram uma filha, Clara Antónia de Sousa . Do seu casamento com Manuel de Ramires Esquível, Fidalgo da Casa Real, houve numerosa descendência.[15]

Referências

  1. Sousa, António Caetano de (2007), Historia Geneologica da Casa Real Portuguesa (1749), ISBN 978-989-554-305-2, Academia Portuguesa da História, p. 321, volume XIII 
  2. Sousa,p.316
  3. Sousa,p.317
  4. a b Sousa,p.321
  5. Sousa,p.318
  6. a b Sousa,p.322
  7. a b c d e f Sousa,p.323
  8. http://www.gcatholic.org/dioceses/former/t0932.htm
  9. a b http://www.catholic-hierarchy.org/bishop/bdesol.html
  10. a b c d Sousa,p.324
  11. Sousa,p.325
  12. Genro, Manuel Vaz (1958), O lausperene em Lisboa e em outras terras do país, União Gráfica, p. 11 
  13. «Cópia arquivada». Consultado em 4 de abril de 2012. Arquivado do original em 8 de março de 2012 
  14. Gayo, Felgueiras (1941), Nobiliário das Famílias de Portugal, Agostinho de Azevedo Meirelles, p. 512, volume XII 
  15. Gayo,p.512-524

BibliografiaEditar

  • Gayo, Felgueiras (1941). Nobiliário das Famílias de Portugal. [S.l.]: Agostinho de Azevedo Meirelles. pp. 512–524, volume XIII 
  • Genro, Manuel Vaz (1958). O lausperene em Lisboa e em outras terras do país. [S.l.]: União Gráfica. 11 páginas 
  • Sousa, António Caetano de (2007). História Genealógica da Casa Real Portuguesa (1749). XIII. Lisbon: Academia Portuguesa da História. pp. 315–325. ISBN 978-989-554-305-2 

Ligações externasEditar