Lumen Gentium


A Lumen Gentium (Luz dos Povos) é um dos mais importantes textos do Concílio Vaticano II. O texto desta constituição dogmática foi demoradamente discutido durante a segunda sessão do Concílio. O seu tema é a natureza e a constituição da Igreja, não só enquanto instituição, mas também como corpo místico de Cristo. Foi objeto de muitas modificações e emendas, como, aliás, todos os documentos aprovados. Inicialmente surgiram, para o texto base, cerca de 4 000 emendas. Depois de devidamente consideradas as modificações propostas, o texto definitivo foi submetido globalmente a votação no dia 19 de novembro de 1964. Dos 2 145 votantes, 2 134 votaram placet (pela aprovação do texto), 10 votaram non placet (pela não aprovação). Houve um voto nulo. No dia 21 de novembro de 1964, a última votação resultou em 2 151 placet e 5 non placet, após o que o Papa Paulo VI promulgou solenemente a constituição.

Esquema da Lumen GentiumEditar

Os números correspondem às secções indicadas no texto entre parênteses.

  1. O Mistério da Igreja (1-8)
  2. O Povo de Deus (9-17)
  3. A constituição hierárquica da Igreja e em especial o episcopado (18-29)
  4. Os Leigos (30-38)
  5. A vocação de todos à santidade na Igreja (39-42)
  6. Os Religiosos (43-47)
  7. A índole escatológica da Igreja peregrina e a sua união com a Igreja celeste (48-51)
  8. A bem-aventurada virgem Maria Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja (52-69)
    1. Proémio (52-54)
    2. A virgem Maria na economia da salvação (55-59)
    3. A virgem santíssima e a Igreja (60-65)
    4. O culto da bem-aventurada virgem Maria na Igreja (66-67)
    5. Maria, sinal de segura esperança e de consolação para o Povo de Deus peregrinante (68-69)

Principais ideiasEditar

Esta constituição dogmática, refletindo basicamente sobre a constituição e a natureza da Igreja, reafirmou várias verdades eclesiológicas. Salientou, por exemplo, que "a única Igreja de Cristo, como sociedade constituída e organizada no mundo, subsiste (subsistit in) na Igreja Católica".[1][2] Também destacou que "a Igreja é sacramento de Cristo e instrumento de união do homem com Deus, e da unidade de todo o género humano". Para atingir esta missão fundamental da Igreja, o documento declara que é necessário dar aos católicos "uma "consciência de Igreja" mais coerente, para que também se possam valorizar as relações com as outras religiões" (cristãs ou não) e com o mundo moderno. Para isso, o documento dirigiu "a sua atenção para: o primado do método bíblico; o sacerdócio comum de todo o "Povo de Deus"; a função profética, sacerdotal e real de todo baptizado; a colegialidade episcopal; a missão de serviço da Igreja, que deve estar voltada para toda a humanidade".[3]

A inclusão do tema da Igreja como o "Povo de Deus" (título do segundo capítulo, logo após o capítulo sobre o mistério da Igreja e antes do capítulo sobre a hierarquia) resultou de longo debate entre os padres conciliares e é considerada uma das principais evidências de que o Concílio Vaticano II desejava propor novos rumos para a Igreja Católica, de acordo com o desejo expresso pelo Papa João XXIII ao convocar o Concílio.[4]

Principais consequênciasEditar

A partir de então, a Igreja passou a ser vista não apenas como uma instituição hierarquizada, mas também como uma comunidade de cristãos espalhados por todo o mundo e constituintes do Corpo Místico de Cristo. Por isso, a constituição e "as estruturas da Igreja modificaram-se parcialmente e abriu-se espaço para maior participação e apostolado dos leigos, incluindo as mulheres, na vida eclesial". O Concílio clarificou também a igual dignidade de todos os católicos (clérigos ou leigos). Mas, mesmo assim, a estrutura da Cúria Romana permaneceu intacta, o que permite ainda um governo da Igreja altamente centralizado nas mãos do Papa.[5]

Referências

  1. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, n. 162
  2. Lumen Gentium, n. 8
  3. "O Concílio Vaticano II" Arquivado em 19 de outubro de 2009, no Wayback Machine., do site Doutrina Católica
  4. COMBLIN, José (2002). O povo de Deus 2 ed. São Paulo: Paulus. p. 17-21. ISBN 85-349-1833-3 
  5. "Catolicismo e mundo moderno" Arquivado em 23 de maio de 2009, no Wayback Machine., do site Hieros

Ligações externasEditar