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Nota: se você procura o álbum musical de Antônio Nóbrega, consulte Lunário Perpétuo.
Fac-simile do frontispício da edição de 1672

Lunario Perpetuo é o nome pelo qual ficou mais conhecido um almanaque ilustrado com xilogravuras composto por Jerónimo Cortés e publicado em Valência em 1594, e reeditado inúmeras vezes ao longo de séculos, com variações em seu título e conteúdo. O título completo original era Lunario perpetuo el qual contiene los llenos y coniunciones perpetuas de la Luna, declarando si seran de tarde o de mañana. Con la prognosticacion natural, y general de los tiempos; y de los effectos e inclinaciones naturales que causan los Signos y Planetas en los que nacen debaxo de sus dominios. Finalmente contiene algunas electiones de medicina, navegacion y agricultura, sin otras cosas de consideracion y provecho; con un regimiento de sanidad a la postre.[1]

Este almanaque surgiu numa época em que tais publicações eram populares, favorecidas pela recente invenção da imprensa de tipos móveis, que barateou enormemente o preço dos livros e os tornou acessíveis para a população de baixa renda. Para muitos camponeses os almanaques foram os únicos livros que leram em suas vidas, e onde aprenderam as primeiras letras.[2] Como seus congêneres, o Lunario Perpetuo oferecia conselhos e orientações sobre os mais variados aspectos da vida, incluindo tabelas das fases da lua, dos eclipses do sol e das festas móveis, previsões do tempo, horóscopos, elementos de direito, navegação, teologia, saúde, agricultura, maneiras de interpretar o comportamento dos animais, biografias de santos e papas, e outros dados de interesse geral. Gozou de amplo favor das elites bem como do povo, recebendo muitas reedições,[3][4][5] sendo um dos livros escritos em castelhano mais populares de todos os tempos.[6][7] Era particularmente útil para os agricultores, dando-lhes instruções para organizar sua rotina ao longo do ano e com isso fazer boas colheitas. Seu autor, ativo entre o fim do século XVI e o início do século XVII, ganhou reputação como excelente astrólogo e matemático, e como um investigador da natureza. O livro foi expurgado pela Inquisição em 1632, tendo como base a edição de Barcelona de 1625. Depois de revisto, circulou principalmente com o título de El Non Plus Ultra del Lunario y pronostico perpetuo, general y particular para cada Reyno y Provincia,[3][4] mas popularmente se tornou conhecido apenas como Lunario Perpetuo, Lunario ou mesmo Prognostico.[8] A primeira edição foi perdida, e os exemplares mais antigos a sobreviver são da edição de Madrid de 1598.[9]

Foi publicado em português pela primeira vez em 1703, com tradução de Antônio da Silva e Brito. Logo se tornou muito popular no Brasil, tanto que, segundo Câmara Cascudo, que mantinha um exemplar na sua mesa de cabeceira, foi o livro mais lido no nordeste brasileiro durante dois séculos.[6][8] Disse o folclorista que "não existia autoridade maior para os olhos dos fazendeiros, e os prognósticos meteorológicos, mesmo sem maiores exames pela diferença dos hemisférios, eram acatados como sentenças". Capistrano de Abreu também era um admirador do livro, e embora não acreditasse em "feitiços", consultava suas previsões astrológicas. Ainda hoje ele exerce fascínio e se mantém como uma referência na cultura popular nordestina. O músico Antônio Nóbrega publicou um álbum inspirado no Lunario.[5] Também foi traduzido para o francês.[7]

Referências

  1. Brotóns, Víctor Navarro. Bibliographia physico-mathematica hispanica (1475-1900). Universitat de València, 1999, p. 115
  2. Blázquez, José Luis Pascual. El Tempo Cíclico, 2002, p. 135
  3. a b Ramirez, Braulio Antón. Diccionario de Bibliografia Agronomica y de toda clase de escritos relacionados con la agricultura. Rivadeneyra, 1865, p. 217
  4. a b Bueno, Mar Rey. Libros malditos. EDAF, 2005, pp. 189-192
  5. a b Miranda, Ana. "O Lunário perpétuo". O Povo online, 20/05/2012
  6. a b O non plus ultra do lunario, e pronostico perpetuo, geral, e ... AbeBooks Inc., 1996 - 2012
  7. a b Blázquez, p. 143
  8. a b Priore, Mary del. Ritos da vida privada. In: Novais, Fernando (org). História da Vida Privada no Brasil: cotidiano e vida privada na América portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 299
  9. Palmart, Lamberto. Lunario y pronóstico perpetuo general y particular – 1887. Mis Libros Antiguos, 28/12/2008

Ligações externasEditar