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Lunda Sul

É uma das 18 províncias de Angola, localizada na região leste do país
(Redirecionado de Lunda-Sul)
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Lunda Sul
Localidade de Angola Angola
(Província)
Jardim civico, no interior.JPG

Jardins do Palácio da Sede da Província, em 2015.
Dados gerais
Fundada em 13 de julho de 1895 (124 anos)
Gentílico sul-lundense
lunda-sulenho
Província Lunda Sul
Características geográficas
Área 77 636 km²
População 609 851[1] hab. (2018)
Densidade 1.67 hab./km²
Angola - Lunda Sul.svg
Localização da Lunda Sul em Angola
Dados adicionais
Código postal 55
Prefixo telefónico +244
Sítio Governo Provincial do Lunda Sul
Projecto Angola  • Portal de Angola

Lunda Sul é uma das 18 províncias de Angola, localizada no leste do país. A capital é a cidade de Saurimo, no município do mesmo nome.

Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 609 851 habitantes e área territorial de 77 636 km².[1]

A província é constituída pelos municípios de Cacolo, Dala, Muconda e Saurimo.

HistóriaEditar

Antes da efetiva ocupação colonial portuguesa, as terras de Lunda Sul eram território de vários povos bantos, destacadamente das etnias chócues e ganguelas, havendo também algumas frações de lubas. Esses três povos começaram a se organizar politicamente no século XVI.

Organização políticaEditar

A região leste de Angola, assim como parte da República Democrática do Congo e Zâmbia, foi unificada, em 1590, sob a égide do rei Muanta Gandi, que formou o reino Lunda, um poderoso Estado pré-colonial que tinha inicialmente sede em Mussumba, atualmente no oeste da Zâmbia.

O Estado Lunda acabou por tornar-se, no século XVII, o Império Lunda (1º império), que por fim esfacelou-se em vários Estados confederados em virtude de inúmeras guerras pelo trono da rainha Lueji A'Nkonde. O seu principal ente confederado substituto foi Reino Lunda-Chócue, que tinha sede em Luena e zona importante em Saurimo. O próprio Reino Lunda-Chócue costurou a formação de um 2º Império Lunda, em meados do século XIX.

As potências colonias, Bélgica, Grã-Bretanha e Portugal, não aceitaram a formação dessa nova unidade imperial, fazendo diversas incursões militares na região, até que, como resultado da Conferência de Berlim, procederam a divisão definitiva dos lundas, extinguindo-se o Reino Lunda-Chócue.

Em 13 de julho de 1895 é criado o "distrito de Lunda", para administração portuguesa junto ao Protetorado Lunda-Chócue. A capital foi assentada em Saurimo, preterindo a histórica Luena. No ano de 1896 a capital muda-se para Malanje, permanecendo até o ano de 1921, quando volta novamente para Saurimo.

Colonização e guerrasEditar

O ano de 1912 é marcado pelo retorno do interesse colonial na região, após dois geólogos da empresa Forminière encontrarem diamantes no ribeiro Mussalala. Neste mesmo ano foi formada a Companhia de Pesquisas Mineiras de Angola, na qual as primeiras explorações mineiras foram realizadas no território sul-lundense.

No final da década de 1960 a guerra atinge Lunda Sul, com a abertura da "Frente Leste" e da "Rota Agostinho Neto" pelo MPLA, expulsando os portugueses da maioria do território. Em 1973 o MPLA perde o controle da área para a UNITA, algo que somente viria a ser totalmente restaurado a partir de 1975, na Operação Carlota.

Formação da provínciaEditar

No dia 4 de julho de 1978, pelo decreto-lei nº. 84/78, a província de Lunda foi dividida em duas, ficando a porção primitiva com o nome de Lunda Sul, enquanto que se criou oficialmente a província de Lunda Norte.[2]

GeografiaEditar

 
Avenida de mão dupla, em 2015, em Saurimo.

Composta por somente 4 municípios, Lunda Sul ainda subdivide-se em 14 comunas: Saurimo (sede), Mona Quimbundo, Cacolo, Chiluage, Murieje, Cazeje, Luma Cassai, Alto-Chicapa, Xassengue, Cucumbi, Sombo, Muconda, Cassai-Sul e Dala.

ClimaEditar

Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger predomina na província o clima subtropical úmido (Cwa), com temperaturas que oscilam entre o máximo de 34ºc e mínimo de 22ºc, registrando grande precipitação pluviométrica.

DemografiaEditar

A população de Lunda-Sul é constituída maioritariamente pelos chócues, coexistindo com outros grupos etnolinguísticos tais como bangalas, xinges, minungos, muvales, ambundos e lubas. Os grupos restantes são resultados de miscigenação, a partir de elementos oriúndos das diversas regiões angolanas.

EconomiaEditar

O grande sustentáculo da economia sul-lundense está na extracção de diamantes, fato econômico que afetou, desde o início do século XX, até mesmo aos fenômenos demográficos e a formação cultural da província. A grande empregadora provincial é a Endiama.[3]

Agropecuária e extrativismoEditar

 
Mina de Catoca, em 2005.

A produção agrícola de lavoura temporária encontra-se assentada nas culturas de mandioca, milho, arroz, ginguba, batata-doce, inhame e abacaxi ananás; esta última lavoura é uma das bases produtivas locais. Já na lavoura permanente exite produção destacada de abacates, goiabas e mangas.[3]

No extrativismo vegetal existe uma grande cadeia de extração de recursos madeireiros, como o pinheiro, e; no extrativismo animal há um importante excedente pesqueiro extraído dos inúmeros rios da província.[3]

Em relação aos rebanhos de animais, destaca-se a pecuária bovina para corte e leite, havendo também registros de criação de caprinos e suínos; existe a criação de galináceas para carne e ovos.[3]

Indústria e mineraçãoEditar

O setor mais pujante da província de Lunda Sul é a mineração industrial, que têm nos diamantes, no manganês e no minério de ferro seus produtos extraídos de maior valor bruto. Nos diamantes, sua área de operações mais importante é na mina de diamantes Catoca.[3]

É no parque industrial de Saurimo que concentra-se a maior parte da produção industrial da região, havendo manufatura de alimentos, bebidas, roupas, produção agroindustrial e construção civil.[3]

Comércio e serviçosEditar

O setor de comércio e serviços concentra-se na capital, Saurimo, que sedia centros atacadistas e de abastecimento tanto para a província de Lunda Sul quanto para as demais províncias do leste angolano. A capital é também o centro financeiro do leste da nação.[3]

Cultura e lazerEditar

No âmbito da cultura, existem vários grupos de danças, centros recreativos, agrupamentos musicais, grupos de teatro, assim como monumentos de arquitectura civil, religiosa e sítios históricos.

O povo chócue, também chamado de lunda-chócue, possui uma rica tradição histórica e cultural, tendo em conta o valor das letras das suas canções folclóricas e danças tradicionais, tais como: macoopo chianda, chissela, chiliapanga, mitingue, muquixi, etc. Este povo também herdou uma notável riqueza cultural, vislumbrada nas esculturas produzidas.[4]

PolíticaEditar

O governador ou comissário da província é indicado pelo Presidente da República de Angola.

Abaixo uma tabela com todos os governadores da Lunda Sul desde a independência da nação.

Ordem Nome Início Término Notas
1 José Manuel Salukombo 1975 1978
2 Celestino Figueiredo Chinhama Faísca 1978 1981
3 José César Augusto Kiluange 1981 1983
4 Luís Doukui Paulo de Castro 1983 1986
5 Rafael Sapilinha Sambalanga 1986 1988
6 Graciano Mande 1988 1991
7 José Manuel Salukombo 1991 1992
8 Gonçalves Manuel Muandumba 1992 1998
9 Francisco Sozinho Chihuissa 1999 2003
10 Marcial Miji Satambi Kalumbi Itengo 2003 2008
11 Cândida Maria Guilherme Narciso 2008 2016
12 Ernesto Fernando Kiteculo 2017 2018
13 Daniel Félix Neto 2018 actualmente

Referências

  1. a b Schmitt, Aurelio. Município de Angola: Censo 2014 e Estimativa de 2018. Revista Conexão Emancipacionista. 3 de fevereiro de 2018.
  2. História. Governo da Lunda Norte. 2015.
  3. a b c d e f g Lunda Sul. Portal São Francisco. 2018.
  4. «Lunda Sul - WELCOME TO ANGOLA». www.welcometoangola.co.ao. Consultado em 20 de novembro de 2016 

Ligações externasEditar