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Lysâneas Dias Maciel (Patos de Minas, 23 de dezembro de 1926Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 1999) foi um advogado, jornalista e político brasileiro.

Considerado por muitos como o mais atuante deputado federal nos anos do regime militar, membro do MDB e integrante do grupo dos chamados autênticos do partido.[1]

Duas vezes deputado federal pelo MDB, pelo antigo Estado da Guanabara (de 1971 a 1975 e de 1975 a 1976, quando teve seu mandato cassado), novamente foi eleito deputado federal pelo PDT do Rio de Janeiro, nas legislaturas de 1987 (deputado constituinte) a 1991 e de 1991 a 1992. Foi também vereador do Rio de Janeiro, de 1997 até sua morte.

Lysâneas Maciel lutou pela redemocratização do Brasil, pela convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, pela abolição da censura à imprensa e pelas eleições diretas em todos os níveis.

JuventudeEditar

Nascido em Patos de Minas, Minas Gerais, era um dos sete filhos de Antonio Dias Maciel e Ordalia Pinto Maciel. A política fizera parte de sua família por várias gerações, desde o patriarca Antônio Dias Maciel, barão de Araguari. O avô de Lysâneas, coronel Farnese Maciel, fora chefe político em Patos de Minas, e seu tio-avô, Olegário Maciel, fora governador de Minas Gerais.

O pai de Lysâneas, também chamado Antônio Dias Maciel,[2] em seu tempo considerado um brilhante orador, exercera importante papel na formação do filho, que o admirava sobretudo por sua incontestável retidão e generosidade. Antônio Maciel deixou de lado a carreira bem sucedida de advogado para dedicar-se à sua vocação cristã, tornando-se pregador leigo, chegando a ser freqüentemente confundido com um pastor.

A educação religiosa teve influência fundamental na vida de Lysâneas que teve uma juventude marcada pelo seu engajamento na igreja evangélica.

Uma doença grave de seu irmão caçula, Élter Maciel, provocou a mudança da família para o Rio de Janeiro, embora o pai de Lysâneas já pretendesse mudar-se de sua cidade para afastar os filhos da vida política local.

Trajetória profissional e políticaEditar

Lysâneas Maciel estudou na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, onde se formou em Ciências Jurídicas e Sociais em 1951. Era considerado um dos mais brilhantes advogados do país, na área de direito trabalhista.

Após o golpe militar de 1964, atuou como advogado de presos políticos (dentre os quais figuravam amigos e membros de sua comunidade cristã), o que o aproximou gradativamente da esquerda política.

Filiou-se ao MDB, elegendo-se deputado federal pelo antigo Estado da Guanabara, em 1970. Durante seu primeiro mandato, integrou a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal onde desempenhou importante papel na defesa dos direitos humanos. Em 1971, organiza juntamente com os deputados Francisco Pinto, da Bahia, e Marcos Freire, de Pernambuco, o grupo "autêntico" do MDB, que definia como seu obejetivo principal "combater o imobilismo da cúpula partidária".[3]

Eleito para a legislatura seguinte  (1974-1978), tornou-se presidente da Comissão de Minas e Energia, na qual assume posição contrária à quebra de monopólio da Petrobrás. Nessa época, era considerado pela imprensa um dos mais atuantes parlamentares do Congresso Nacional. Em 1975, Jarbas Vasconcelos declara: "Não existe Comissão de Direitos Humanos no Congresso. A comissão é Lysâneas Maciel."[4]

Em abril de 1976, seu mandato foi cassado pelo presidente Ernesto Geisel, isto porque no dia 31 de março, tinha proferido seu pronunciamento mais forte contra a ditadura, protestando contra a cassação dos deputados gaúchos Amaury Müller e Nadyr Rossetti.[5][6]

O exílioEditar

Após a cassação do seu mandato, Lysâneas partiu com a família para Suíça. Em Genebra, encontrou oportunidade concretas de trabalho (algo raro dentre exilados políticos), no Conselho Mundial de Igrejas, exercendo funções na Comissão de Justiça e Serviço e na Comissão de Direitos Humanos da ONU.[5][7]

Como integrante da Comissão de Cristãos Eminentes visitou doze países, falou a milhares de estudantes nas universidades por onde passou "utilizando sua experiência como parlamentar para equacionar e propor soluções" [8]

Sua família retornou ao Brasil em 1978.

Carreira política após a anistiaEditar

Ainda com seus direitos políticos suspensos, Lysâneas continuou atuante na vida política brasileira.

Promulgada a Lei da anistia e extinto do bipartidarismo no Brasil, participou da criação do PDT, mas deixou o partido em 1981 para tornar-se militante do Partido dos Trabalhadores, em ato político realizado em 13 de outubro, com a presença de Lula e outros dirigentes do partido. Disputou o governo do Estado do Rio de Janeiro pelo PT, nas eleições vencidas por Leonel Brizola

Retorna ao PDT e é mais uma vez eleito deputado federal. Despede-se da Câmara dos Deputados em janeiro de 1991, mas retorna em novembro do mesmo ano, assumindo, como suplente, o mandato do deputado Carlos Lupi. Deixa o Congresso Nacional definitivamente em 1992.

Nas eleições de 3 de outubro de 1996, elege-se vereador do Município do Rio de Janeiro.  

Em 1999, morre no Rio de Janeiro, em decorrência de um câncer no estômago, poucos antes de completar 73 anos.[9] Era casado com Regina Maciel, com quem teve três filhos: Armando, Andréa e Antônio Carlos.   

Obras publicadasEditar

  • Sindicalismo, opção democrática (1963)
  • Sindicatos Cristãos
  • Ação Cristã nos sindicatos
  • Integração e salário
  • Malogro da renovação política
  • Natureza da oposição
  • Terror na universidade
  • Grito da Igreja                                                                          

CronologiaEditar

  • 1926 - Nasce Lysâneas Maciel na cidade de Patos de Minas - MG;
  • 1951 - Forma-se em Ciências Jurídicas e Sociais;
  • 1964 - Atua como advogado de presos políticos;
  • 1970 - É eleito deputado federal pela Guanabara;
  • 1974 - Torna-se presidente da Comissão de Minas e Energias;
  • 1976 - Tem seus direitos políticos suspensos por ter criticado o regime ditatorial e lutado pela redemocratização do país;
  • 1978 - Retorna do exílio com sua família;
  • 1987 - Elege-se deputado federal pelo PDT;
  • 1997 - Chegada à câmara de vereadores do Município do Rio de Janeiro;
  • 1999 - Morre no Rio de Janeiro, vítima de câncer no estômago.

Referências

  1. * COSTA, C. e GAGLIARDI J., Lysâneas, um autêntico do MDB. Revista Estudos Históricos. CPDOC-FGV. Rio de Janeiro n˚37, janeiro-junho de 2006, p. 201-212.
  2. Morte de Lysâneas Maciel - 06 de dezembro de 1999[ligação inativa]. Por Eitel T. Dannemann. 2 de fevereiro de 2013 ]
  3. Câmara dos Deputados. Constituição Cidadã. Deputados. Lysâneas Maciel - PDT - Biografia
  4. REZENDE, Jonas E Lysâneas disse basta!: esboço biográfico de Lysâneas Maciel. Rio de Janeiro: Mauad, 1999.
  5. a b MACIEL, Lysaneas. Lysaneas Maciel (depoimento, 1998). Rio de Janeiro, CPDOC/ALERJ, 2003.
  6. Saiba quem foram os deputados cassados pela ditadura militar. Câmara dos Deputados, 6 de dezembro de 2012.
  7. GUIMARÃES, Hebe. Lysâneas Maciel[ligação inativa]. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara. Série: Perfis Parlamentares, 2008.
  8. REZENDE, p. 90
  9. O combate pacífico. Veja, ed 1628, 15 de dezembro de 1999.

BibliografiaEditar

  • GUIMARÃES, Hebe. Lysâneas Maciel[ligação inativa]. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara. Série: Perfis Parlamentares, 2008.
  • REZENDE, Jonas. E Lysâneas disse basta!: esboço biográfico de Lysâneas Maciel. Rio de Janeiro: Mauad, 1999.