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Mértola

município e vila de Portugal

Mértola é uma vila raiana portuguesa do distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, com mais de 2 000 habitantes.[1] A vila encontra-se situada numa elevação na margem direita do rio Guadiana, imediatamente a montante da confluência da ribeira de Oeiras.

Mértola
Brasão de Mértola Bandeira de Mértola
Mértola.JPG
Vista geral de Mértola
Localização de Mértola
Gentílico Mertolense, Mertolengo
Área 1 292,87 km²
População 7 274 hab. (2011)
Densidade populacional 5,6  hab./km²
N.º de freguesias 7
Presidente da
câmara municipal
Jorge Rosa (PS)
Fundação do município
(ou foral)
1254
Região (NUTS II) Alentejo
Sub-região (NUTS III) Baixo Alentejo
Distrito Beja
Antiga província Baixo Alentejo
Feriado municipal 24 de Junho
Código postal 7750
Sítio oficial cm-mertola.pt
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

É sede do sexto município mais extenso de Portugal, com 1 292,87 km² de área[2] e 7 274 habitantes (2011),[3][4] subdividido em 7 freguesias.[5] O município é limitado a norte pelos municípios de Beja e de Serpa, a leste pela Espanha, a sul por Alcoutim e a oeste por Almodôvar e por Castro Verde.

Índice

PopulaçãoEditar

Número de habitantes [6]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
16 004 17 152 19 674 18 910 22 997 21 185 26 310 29 218 29 353 26 026 14 310 11 693 9 805 8 712 7 274

(Obs.: Número de habitantes que tinham a residência oficial neste concelho à data em que os censos se realizaram.)

No censo de 1864, o lugar de Via Glória surge como freguesia autónoma. Por decreto de 19/05/1877, o concelho de Mértola passou a integrar a freguesia de São Pedro de Solis, que até aí fazia parte do concelho de Almodôvar.

Número de habitantes por Grupo Etário [7]
1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
0-14 Anos 5 998 7 490 7 185 8 386 9 503 8 572 7 262 3 130 2 244 1 497 1 005 665
15-24 Anos 3 674 4 233 3 662 5 139 5 211 5 254 4 120 1 825 1 552 1 254 949 647
25-64 Anos 8 082 9 541 8 587 10 815 12 575 13 014 12 553 7 275 5 291 4 423 3 938 3 449
= ou > 65 Anos 792 990 983 1 133 1 500 1 987 2 091 2 155 2 606 2 631 2 820 2 513
> Id. desconh 30 55 109 39 59

(Obs.: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população presente no concelho à data em que eles se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente.)

FreguesiasEditar

CaracterizaçãoEditar

GeografiaEditar

A hidrologia do concelho de Mértola é marcada pelo rio Guadiana e seus afluentes (Oeiras, Chança e Vascão). Este atravessa o concelho numa extensão 35 km, fazendo a maré sentir-se até Mértola, cerca de 70 km desde a foz.

Em termos geológicos, o concelho de Mértola é caracterizado por duas zonas distintas: a peneplanície alentejana e o vale do Guadiana.[8]

ClimaEditar

Mértola apresenta um clima quente e temperado, predominantemente mediterrânico, com verões quentes e secos, consequência da interioridade. Os invernos são amenos e pouco chuvosos.[8]

Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, a classificação do clima é Csa. A temperatura média anual é de 17.1 °C . Tem uma pluviosidade média anual de 505 mm. O mês mais seco é julho e tem uma média de 2 mm de precipitação. Com uma média de 76 mm, o mês de dezembro é o mês de maior precipitação.[9]

HistóriaEditar

As escavações arqueológicas iniciadas em finais da década de 70, das quais resultaram a descoberta de vestígios que remontam ao Neolítico, e as informações recolhidas no início do século pelo arqueólogo Estácio da Veiga, provam que a vila de Mértola é bem mais antiga do que as fontes escritas testemunhavam. Edifícios de grande monumentalidade permitem que qualquer visitante identifique a presença dos romanos em Mértola e na Mina de S. Domingos. Apesar da concentração de vestígios na vila de Mértola (Criptopórtico, Torre Couraça, casa romana e vias romanas), podem também encontrar-se vestígios de menor dimensão em todo o concelho.

Denominada Mírtilis Júlia (em latim: Myrtilis/Mirtylis Iulia) após a invasão romana da Península Ibérica, seguiu-se-lhe a ocupação pelos visigodos. Após a invasão muçulmana da Península Ibérica, passou a ser denominada Martulá (Mārtulah).

Constituía-se num importante porto fluvial, erguendo o seu castelo em posição dominante sobre aquele trecho do rio Guadiana. A sua importância era tal que, durante um curto período do século XI, foi capital de um pequeno emirado islâmico independente, a Taifa de Mértola.

Na época da Reconquista Cristã da Península Ibérica, só veio a ser conquistada no reinado de Sancho II de Portugal, por forças ao comando do comendador da Ordem de Santiago, Paio Peres Correia, em 1238. Com a adoção do catolicismo pelos romanos, os cidadãos de Mértola acompanharam os sinais de mudança, facto testemunhado pelos vestígios arqueológicos representativos de locais de culto e enterro na cidade, tais como as basílicas Paleocristãs do Rossio do Carmo e da Alcáçova, onde se observa um batistério octogonal.

 
Castelo de Mértola (torre de menagem)

Na Torre de Menagem do castelo, encontra-se exposto um conjunto de materiais arquitetónicos, dos séculos VI a IX, que atestam a presença dos visigodos neste território, onde se destacam as colunas e pilastras recolhidas um pouco por todo o concelho.

Com a invasão dos povos do Norte de África, liderados pelo general Tárique em 711, Mértola ganha uma nova dinâmica, passando a ser o porto mais ocidental do Mediterrâneo. A excecional posição geográfica no último troço navegável do Guadiana será determinante para o crescimento e apogeu de Martulá. A cidade cresce e, sob o antigo Fórum romano, é edificado um bairro almoáda onde, depois de vinte anos de escavações, é possível identificar, com clareza, as habitações com os seus vários compartimentos, os tradicionais pátios centrais das casas árabes e as ruas. Tendo sido este o período de maior dinamismo, Mértola apresenta hoje, no Museu de Mértola, um núcleo de Arte Islâmica, o que de mais representativo se pode conhecer dessa época.

No final do século XIX, com a descoberta do filão mineiro em S. Domingos, o concelho, em especial a margem esquerda do Guadiana, conhece uma nova época de prosperidade, caracterizada principalmente por um acentuado crescimento demográfico. Em finais da década de 50 e à medida que a exploração mineira diminuía a crise social e económica, esta instala-se nos que dependiam diretamente e indiretamente da mina. Em 1965, a mina encerra definitivamente e a depressão económica afeta centenas de famílias que, para assegurarem a sua sobrevivência, são obrigadas a ir para a zona da grande Lisboa e para o estrangeiro.

Nos anos 80, a vila de Mértola começou, através da arqueologia, a descobrir e a conhecer melhor o seu passado e a transformar esse imenso património num fator de desenvolvimento económico e cultural.[10]

Figuras ilustresEditar

Património edificadoEditar

CulturaEditar

  • Ecomuseu do Guadiana
  • Museu de Mértola

O museu de Mértola, criado pela Câmara Municipal de Mértola em 2004, é composto por vários núcleos dispersos geograficamente, na sua maioria localizados no Centro Histórico de Mértola.

Tem como função estudar, inventariar, tratar, conservar e divulgar todo o espólio que, ao longo dos últimos 30 anos, foi sendo descoberto nas inúmeras intervenções patrimoniais e arqueológicas.

O património é, assim, um dos vetores fundamentais para o desenvolvimento do concelho de Mértola.[11]

Espaços naturaisEditar

 Ver artigo principal: Património Natural em Mértola

HeráldicaEditar

Brasão: Escudo negro, um cavaleiro de armadura, cerco e manto, com espada alçada na mão direita e no braço esquerdo um escudo carregado de uma cruz de Santiago, a vermelho, montado num cavalo empinado, tudo de prata, o cavalo selado e enfreado a negro realçado a ouro. No cantão direito do chefe, dois martelos de prata, postos em pala e alinhados em faixa. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com legenda a negro: "VILA DE MÉRTOLA".[12]
Bandeira: Esquartelada de branco e vermelho. Cordão e borlas de prata e vermelho. Haste e lança de ouro.[12]

GaleriaEditar

Ligações externasEditar

Referências

  1. INE (2013). Anuário Estatístico da Região Alentejo 2012 (PDF). Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 31. ISBN 978-989-25-0214-4. ISSN 0872-5063. Consultado em 5 de maio de 2014 
  2. Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013» (XLS-ZIP). Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2013 
  3. INE (2012). Censos 2011 Resultados Definitivos – Região Alentejo (PDF). Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 100. ISBN 978-989-25-0182-6. ISSN 0872-6493. Consultado em 27 de julho de 2013 
  4. INE (2012). «Quadros de apuramento por freguesia» (XLSX-ZIP). Censos 2011 (resultados definitivos). Tabelas anexas à publicação oficial; informação no separador "Q101_ALENTEJO". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 27 de julho de 2013 
  5. Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  6. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  7. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
  8. a b «Caracterização Geográfica - Município de Mértola». www.cm-mertola.pt. Consultado em 7 de julho de 2017 
  9. «Clima: Mértola - Gráfico climático, Gráfico de temperatura, Tabela climática - Climate-Data.org». pt.climate-data.org. Consultado em 7 de julho de 2017 
  10. «Visitar Mértola - Município de Mértola». www.cm-mertola.pt. Consultado em 7 de julho de 2017 
  11. «Museu de Mértola - Município de Mértola». www.cm-mertola.pt. Consultado em 7 de julho de 2017 
  12. a b «Ordenação heráldica do brasão e bandeira de Mértola». www.ngw.nl. Consultado em 7 de julho de 2017 


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