Movimento Popular de Libertação de Angola

partido político angolano
(Redirecionado de MPLA)

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) é um partido político angolano orientado no espectro de centro-esquerda à esquerda, que governa o país desde sua independência de Portugal em 1975.

Movimento Popular de Libertação de Angola
(MPLA)
Paz, Trabalho e Liberdade
Líder João Lourenço
Presidente João Lourenço
Vice-presidente Luísa Pedro Francisco Damião
Secretário-geral Paulo Pombolo
Fundação 10 de dezembro de 1956 (65 anos)
Sede Av. Ho Chi Minh, nº 34, Luanda, Angola
Ideologia Actualmente:
Social-democracia
Socialismo democrático Anteriormente:
Comunismo
Socialismo[1]
Marxismo-leninismo
Religião Secularismo
Anteriormente:
Ateísmo[2]
Publicação ÉME
Membros (2008) 2 700 000[3]
Afiliação internacional Internacional Socialista
Assembleia Nacional de Angola
124 / 220
Espectro político Centro-esquerda a esquerda [4]
Ala jovem JMPLA
Ala feminina OMA
Cores Vermelho
Bandeira do partido
Flag of MPLA.svg
Página oficial
http://mpla.ao/

Fundado em 1956 foi, inicialmente, uma organização nacionalista de luta pela independência de Angola, transformando-se num partido político após a Guerra de Independência de 1961 a 1974. Na descolonização, conquistou o poder em 1975 e saiu vencedor da Guerra Civil Angolana de 1975-2002, contra dois movimentos/partidos rivais, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA).

É o maior partido do país em número de filiados e de representantes eleitos para a Assembleia Nacional de Angola. Seus militantes são chamados mplalistas.[5]

HistóriaEditar

A luta de libertação de Angola foi marcada pela formação de movimentos distintos: o MPLA, de orientação marxista nacionalista ampla; a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), de orientação mais tribalista,[6] mas que havia começado acções de luta pouco antes e, apesar das tentativas, não alcançou entendimento de unidade com o MPLA, e;[7] a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), também de orientação inicialmente tribalista.[6]

Fundação e início da luta anticolonial (1956-1961)Editar

O MPLA surgiu em 10 de dezembro de 1956[nota 1] da fusão inicial de dois grupos anticoloniais: o Partido da Luta Unida dos Africanos de Angola (PLUA), fundado em 1953, e; o Partido Comunista Angolano (PCA), fundado em 1955 como uma célula baseada em Luanda do Partido Comunista Português (PCP),[nota 2] agrupando destacadas figuras do nacionalismo angolano, sobretudo estudantes em Portugal. Em 1960 já tinham unido-se ao MPLA o Movimento para a Independência Nacional de Angola (MINA; fundado em 1958) e o Movimento para a Independência de Angola (MIA), além de diversos ativistas anticoloniais que fugiam do interior de Angola. Tais grupos unidos formavam correntes distintas dentro do movimento, que lutavam pela predominância, que acabou ficando com a corrente do PCA, liderada por Lúcio Lara (marxista-leninista) e Viriato da Cruz (maoísta).[8]

O primeiro congresso do partido elegeu a Ilídio Tomé Alves Machado como seu primeiro presidente, permanecendo em funções até ser preso, em 1959. Foi substituído pelo secretário-geral Mário Pinto de Andrade, que exerceu o cargo entre 1959 e 1960.[9]

Em 1960 António Agostinho Neto assume como presidente do partido, tendo como secretário geral Viriato da Cruz.[9] Com a prisão de Neto ainda em 1960, Andrade alterna com Cruz no comando do partido até dezembro de 1962.[9] As seguidas prisões de Ilídio Machado, no Processo dos 50, e de Neto pela PIDE em Luanda, repercute, respectivamente, no movimento anticolonial internacional e no despertar de uma consciência anticolonial em solo angolano, angariando forte apoio popular ao nascente MPLA.[10]

Cisões e organização da guerrilha (1961-1972)Editar

A partir de 1961 a ala comunista do MPLA, sob supervisão do GRAE-Frente de Libertação (GRAE-FLA), começou a organizar a luta armada contra a dominação colonial de Angola por Portugal, tendo como marco os ataques de 4 e 9 de fevereiro daquele ano à Casa de Reclusão Militar, em Luanda, a Cadeia da 7ª Esquadra da polícia, a sede dos CTT e a Emissora Nacional de Angola, organizados operacionalmente pelo cônego Manuel Joaquim Mendes das Neves.[11] O temor pela crescente influência do GRAE demonstrada nos ataques de fevereiro fez com que o MPLA constituísse rapidamente o "Exército Popular de Libertação de Angola" (EPLA), atribuíndo a tarefa a Manuel dos Santos Lima, o primeiro comandante da tropa.[12]

A primeira grande reorganização dos quadros dirigentes do MPLA ocorreu na reunião do Comitê Director de 13 a 23 de maio de 1962, na sede política no exílio em Quinxassa, quando, por iniciativa de Viriato da Cruz, os elementos mestiços e brancos foram substituídos majoritariamente por elementos negros na liderança do partido.[6] Naquele momento houve uma opção pela suavização ideológica do movimento, diminuíndo a influência de membros considerados radicais e comunistas, como Viriato da Cruz e Lúcio Lara.[6] Neto retorna à liderança do partido como "presidente honorário" em julho de 1962 e tenta desfazer as teses de Cruz.[6] As contendas levam a realização da Primeira Conferência Nacional do MPLA, de 1 a 3 de dezembro de 1962, no exílio em Quinxassa, onde Neto foi eleito novamente como presidente efetivo em substituição a Andrade, e Matias Miguéis como secretário-geral, havendo também o retorno da ala comunista à liderança, com a eleição de Lara como Chefe do Departamento de Organização e Quadros (que se tornaria de facto o número 2 do partido durante a década).[6]

Em julho de 1963 formou-se a primeira grande dissidência liderada por Viriato da Cruz, Matias Miguéis, José Domingos e José Miguel, que formaram o chamado "MPLA-ala Viriato da Cruz" que defendia, dentre outras coisas, a destituição do Comitê Director e um acordo de fusão com o FNLA.[6] A ala de Neto respondeu a essas propostas destituíndo, desfiliando e prendendo os dissidentes, e com a criação da Frente Democrática de Libertação de Angola (FDLA), a partir da união do MPLA com o Movimento de Defesa dos Interesses de Angola (MDIA), o Movimento Nacional Angolano (MNA), o Ngwizani a Kongo (NGWIZAKO) e a União Nacional dos Trabalhadores Angolanos (UNTA).[6] Neto tentou que a FDLA fosse reconhecida pela Comissão de Conciliação da Organização de Unidade Africana (OUA), em vez da FNLA, mas não obteve sucesso.[6] Por fim, mesmo Andrade desligou-se do Comitê Director por discordar da criação da FDLA e o MPLA-ala Viriato da Cruz filiou-se em peso à FNLA, em 1964.[6] O revés político na Comissão de Conciliação da OUA custou a mudança da sede política do MPLA para Brazavile, em 1963.[6] Além disso, as discordâncias de Neto com Viriato da Cruz, Matias Miguéis e José Miguel levaram os mesmos a sofrerem sessões de tortura, com a morte dos dois últimos em 1965.[6] Por fim, em 1964 a FDLA foi totalmente absorvida pelo MPLA.[8]

Aproveitando sua posição no Congo-Brazavile, o MPLA estabelece sua mais importante base operacional em Dolisie e começa sua campanha para tomar Cabinda em 1964, embora operasse com dificuldade dado a forte presença portuguesa no território a proteger as fontes petrolíferas.[13] A reorganização feita por Neto e Lara neste mesmo ano angaria uma notável vitória política com o reconhecimento do movimento por parte da OUA.[14] Em 1966, o MPLA, com apoio da Zâmbia, abre a exitosa "Frente Leste" conquistando progressivamente enormes porções da Lunda Sul, Moxico e Cuando-Cubango (efetivamente conquistando o apoio dos chócues, ganguelas, xindongas e vambundas), superando uma virtual penetração ideológica até então restrita às áreas de ambundos, mestiços e congos.[15] É criada a "zona libertada".[16][13] Tal feito o permite chegar até Malanje em 1968, efetivamente controlando enormes porções também da Lunda Norte.[15] Em 1968 a OUA retira o apoio anteriormente dado à FNLA e passa a reconhecer unicamente o MPLA, o grupo mais bem consolidado no terreno, controlando a famosa "Rota Agostinho Neto" que se estendia desde Luena e Lungué-Bungo até Malanje.[15][17]

A mudança de panorama deu-se entre 1969 e 1971, quando a necessidade de lutar ao mesmo tempo contra o Exército Português e a UNITA enfraqueceram militarmente a Frente Leste. O movimento voltou a lutar basicamente na região de Cabinda e norte de Angola.[18]

Assembleia de Dolisie e MPLA no governo (1972-1977)Editar

 
Manifestação em Amesterdão de endosso ao MPLA, em junho de 1975.

A perda da capacidade militar do MPLA faz com que a OUA reconheça novamente a FNLA, que também agrega apoio da China e do Zaire em 1971. Este cenário gerou uma crise sem precedentes em 1972, quando o MPLA se dividiu em três "alas" praticamente autónomas — a "Revolta Activa", liderada por Mário de Andrade, e a "Revolta do Leste", liderada por Daniel Chipenda, ambas opostas a Agostinho Neto, e a "Ala Presidencial", fiel a Agostinho Neto. Foi convocada a Assembleia Extraordinária de Dolisie, em abril de 1972, para consolidação de uma liderança forte em torno de Neto e Lara.[19] Mesmo assim, a tripla cisão só foi superada em 1974, por uma conferência de unificação realizada na Zâmbia, mas levou à expulsão ou saída espontânea de uma série de elementos, e deixou profundas marcas.[20]

Terminada a luta de libertação, na sequência da revolução dos cravos de 25 de Abril de 1974 em Portugal, os três movimentos (MPLA, FNLA e UNITA) são chamados a assinar o Acordo do Alvor de partilha do poder, estabelecendo o Conselho Presidencial do Governo de Transição em janeiro de 1975. A paz dura pouco tempo e inicia-se entre os movimentos uma luta armada pelo poder, com a ajuda dos países que os apoiavam.[20] A ala de Chipenda, agora na FNLA, faz seguidas incursões contra as posições fragilizadas do MPLA no leste e em Luanda a partir de fevereiro de 1975, enquanto que a guerra total explode em julho do mesmo ano entre os três movimentos.[20] Proclamaram separadamente a independência do país,[20] sem que tivesse acontecido a pacificação interna.[20] Deste conflito, o MPLA saiu como vencedor imediato em Luanda, Cabinda, litoral e grandes porções do interior do país.[21]

É frequente, numa leitura etno-linguística e racial da política angolana, ligar o MPLA à região dos ambundos e ao segmento populacional dos mestiços, e posteriormente, aos chócues, ganguelas, xindongas e hererós. Esta leitura corresponde a uma realidade inicial que, no entanto, foi superada numa medida considerável, pela inclusão de elementos de outras proveniências étnicas e políticas tanto nos quadros como na base social de apoio, principalmente na etapa seguinte, a Guerra Civil Angolana, que fez o partido inserir-se fortemente também às comunidades congos, ovimbundos, ovambos e nhaneca-humbes.[nota 3]

Fraccionismo e guerra civil (1977-1991)Editar

Em 1977, o MPLA sofreu um sério abalo com uma nova dissidência, liderada por Nito Alves, Sita Valles e José Van-Dúnem, que tentaram um golpe de Estado contra a direcção do partido, conseguindo assassinar as importantes lideranças militares mplalistas Paulo da Silva Mungungo "Dangereux", Eugénio Veríssimo da Costa "Nzaji", Avelino Vieira Dias "Saíde Mingas", José Manuel Paiva "Bula Matadi" e Helder Ferreira Neto. Esta tentativa, oficialmente designada por Fraccionismo, falhou de imediato graças à intervenção de tropas cubanas presentes no país, levando posteriormente a uma purga sangrenta que custou a vida a milhares de pessoas.[22][23]

Sob o impacto destes acontecimentos, o MPLA adoptou durante o I Congresso Ordinário, realizado em 1977, a designação "Movimento Popular de Libertação de Angola - Partido do Trabalho" (MPLA-PT) e os seus estatutos passaram a incluir a designação de partido marxista-leninista. O entendimento foi, no entanto, que se procuraria pôr em prática o modelo marxista do "socialismo", não o do "comunismo".[24]

A partir de 1977 até 1979 o pensamento pragmático no partido se acentuou,[24] inclusive ensaiando uma aproximação tímida com os Estados Unidos,[24] que irritava os soviéticos[24] (e também os cubanos) que esboçaram um plano para substituir Neto pelo então primeiro-ministro Lopo do Nascimento. Tal plano foi descoberto pelo governo angolano, que agiu rapidamente destituíndo Nascimento (foi realocado como Ministro do Comércio Interno) e abolindo a posição de primeiro-ministro.[24] O pós-Fraccionismo e a crise com o bloco comunista recrudesceu a política interna do MPLA-PT, que optou por governar Angola em regime de partido único de ditadura do proletariado e sem diálogo com a oposição ou com outras tendências, inspirado nos sistemas então vigentes no Leste Europeu.[24]

O final da década de 1970 e a década de 1980 também ficariam marcadas pela morte de Neto, a breve presidência de Lara[25] e a ascensão de José Eduardo dos Santos.[19] Este levou a cabo um longo processo de afastamento de figuras que considerava demasiado poderosas, no que ficou conhecido como as "purgas eduardianas", ou "purgas da Peça e do Quadro", iniciadas em 1982,[26] e replicadas em 1985[26] e 1987-1990.[27] Tais purgas fortaleceram definitivamente a chamada de ala pragmática-liberal[28] e exilaram dos cargos-chave a ala "Guia Imortal" (ou comunista/progressista-socialista).[26] A purga atingiu nomes como Ambrósio Lukoki,[28] Costa Andrade (Ndunduma wé Lépi),[28] Ruth Lara[29] e Lúcio Lara.[30]

Multipartidarismo e adoção da social-democraciaEditar

Quando Angola passou em 1991 para o sistema democrático multipartidário, o MPLA abdicou do marxismo-leninismo e passou a ser um partido politicamente constituído próximo da social democracia, ora com tendências nacionalistas de esquerda e progressistas — pela sua prática de manter o mercado angolano protecionista e com alto controle estatal — ora com abertura de mercado e privatizações.[31]

Em 1992 Angola viveu as suas primeiras eleições parlamentares e presidenciais. O MPLA ganhou maioria qualificada com 129 dos 220 assentos da Assembleia Nacional. Porém, nas presidenciais o seu candidato, José Eduardo dos Santos, não obteve a maioria absoluta requerida na primeira volta. A UNITA não aceitou os resultados como correctos e válidos, retornando de imediato a Guerra Civil Angolana.[32]

A opção pelo neoliberalismo, com abertura de mercado, desmonte do Estado e privatizações, além de um fraco componente de políticas sociais durante a década de 1990, bem como a nova configuração interna de poder adoptada, afastou o partido de antigos aliados e de bandeiras históricas, marcando também um período de aumento de denúncias de corrupção e alienação da estrutura partidária para fins particulares envolvendo nomes da cúpula política, cultural e militar do MPLA. O impacto foi tão profundo no partido que o jornalista Rafael Marques chegou a apontar um "realinhamento político" ou "inversão eleitoral crítica", com a UNITA tomando posições antes do MPLA e vice-versa — semelhante ao ocorrido em 1932 entre os partidos estadunidenses democrata e republicano.[33]

Pós-guerra civil e fim da era Dos SantosEditar

Em 2002, como resultado dos acordos de Luena, foram criadas condições para a normalização das questões políticas nacionais com eleições livres, que culminou no tratado da paz em 4 de abril de 2002 entre os principais intervenientes da Guerra Civil: o MPLA, o governo e a UNITA.[34]

Foram realizadas eleições legislativas nacionais, a 5 de setembro de 2008, decorrendo num clima de tranquilidade e paz social, tendo sido consideradas livres e justas e um exemplo para os outros países africanos, marcando a entrada do país numa era de consolidação da sua democracia com garantias de liberdades. Os resultados das eleições consolidou o MPLA, que ganhou por maioria absoluta com cerca de 82% dos votos,[35] enquanto que o seu mais directo oponente, a UNITA, não foi além dos 10%. De uma maneira geral, não houve contestação aos resultados destas eleições.[36]

Nas eleições de 2012 o MPLA decresceu cerca de 10% no parlamento, muito embora mantendo uma maioria qualificada, e confirmando, deste modo, José Eduardo dos Santos na Presidência da República.[37]

De 2016 a atualidadeEditar

Em agosto de 2016,[38] o MPLA sinalizou que João Lourenço, então Ministro da Defesa e Vice-Presidente do MPLA, poderia ser o cabeça da lista legislativa do partido e, portanto, seu candidato presidencial para as eleições legislativas de 2017, indicando a aposentadoria de José Eduardo dos Santos.[38] Na 3ª. Reunião Ordinária do MPLA, em 3 de fevereiro de 2017, Lourenço foi confirmado como cabeça de lista.[38] Nas eleições de agosto de 2017 o MPLA venceu novamente garantindo maioria, mas ficando evidente uma queda em seu apoio popular.[39] Lourenço é eleito presidente com uma margem de 61% dos votos.[40]

Em setembro de 2018, João Lourenço tornou-se o primeiro presidente do partido após quase quarenta anos, na sequência da decisão de José Eduardo dos Santos de se aposentar.[41] Foi eleita também pela primeira vez uma mulher como vice-presidente da agremiação, a deputada e jornalista Luísa Pedro Francisco Damião.[42]

Para as eleições gerais de Angola de 2022, o partido indicou João Lourenço como cabeça de lista à reeleição,[43] ladeado pela secretária de governo Esperança da Costa, como vice-cabeça de lista.[44] Pela primeira vez uma mulher ganhou tal protagonismo no partido, pois concorreu à vice-presidência de Angola.[45] O partido venceu as eleições com 3.209.429 de votos nas urnas, registrando maioria de 51,17%, mas registrou uma histórica queda de um milhão de votos, conquistando 124 cadeiras parlamentares, face às 150 das eleições de 2017. Pela primeira vez, desde as eleições de 1992, o partido perdeu maioria de representação parlamentar em províncias, sendo o caso de Luanda, Cabinda e Zaire.[46]

OrganizaçãoEditar

O partido se organiza nacionalmente nos órgãos dirigentes Comité Central o Bureau Político. Além disso mantém uma organização juvenil, a Organização de Pioneiros Agostinho Neto (OPA), uma ala jovem, a Juventude do Movimento Popular de Libertação de Angola (JMPLA), uma ala feminina, a Organização da Mulher Angolana (OMA) e uma entidade sindical, a União Nacional dos Trabalhadores Angolanos (UNTA).[47]

Mantém ainda o periódico ÉME, além de uma rede denominada Centro de Formação Política do Partido (CEFOP), vocacionada a formar militantes e dirigentes em conhecimentos políticos, ideológicos e culturais.[48] Seu símbolo máximo é a Bandeira do MPLA.[49]

Resultados eleitoraisEditar

Eleições presidenciaisEditar

Data Candidato 1ª Volta 2ª Volta
CI. Votos % CI. Votos %
1992 José Eduardo dos Santos 1.º 1 953 335
49,57 / 100,00
Não se realizou

Eleições legislativasEditar

Data Líder CI. Votos % +/- Deputados +/- Status
1992 José Eduardo dos Santos 1.º 2 124 126
53,74 / 100,00
129 / 220
Governo
2008 José Eduardo dos Santos 1.º 5 266 216
81,64 / 100,00
 27,90
191 / 220
 62 Governo
2012 José Eduardo dos Santos 1.º 4 135 503
71,84 / 100,00
 9,80
175 / 220
 16 Governo
2017 João Lourenço 1.º 4 115 302
61,05 / 100,00
 10,79
150 / 220
 25 Governo
2022 João Lourenço 1.º 3 162 801
51,07 / 100,00
 9,98
124 / 220
 26 Governo

Líderes do partidoEditar

PresidentesEditar

Secretários-geraisEditar

Vice-presidentesEditar

Menções na cultura popularEditar

O MPLA é mencionado em alguns produtos culturais, como é o caso da canção "O Homem Novo Veio da Mata", de José Afonso, inteiramente dedicada ao movimento de libertação angolano. O MPLA também surge referenciado noutras canções, como "Anarchy in the U.K.", dos Sex Pistols, ou "Morena de Angola", de Chico Buarque. Na primeira, é feita uma comparação entre a Inglaterra do final da década de 1970 com a Guerra Civil Angolana. Na segunda, composta por Chico Buarque para Clara Nunes após uma visita de ambos a Angola, o MPLA é mencionado como uma forma subtil de demonstrar o despertar de uma consciência política na cantora.

O escritor angolano Pepetela, em livros como Mayombe e A geração da utopia, retrata a vida de guerrilheiros do MPLA.[51]

O movimento também é mencionado no jogo Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, sendo uma das muitas organizações citadas. Parte do jogo se passa na fronteira entre Angola e Zaire, abordando de forma breve as tensões políticas angolanas.

Ver tambémEditar

Notas

  1. A historiografia oficial do MPLA indica geralmente 1956 como data de fundação, mas a investigação dos historiadores especializados na matéria bem como a documentação de Lúcio Lara apontam para um processo complexo concluído apenas em 1960. Ver p.ex. Jean Martial Arsène Mbah, As rivalidades políticas entre a FNLA e o MPLA (1961-1975), Luanda: Mayamba, 2012
  2. Ver "John Marcum (1969). The Angolan Revolution. I The Anatomy of an Explosion (1950-1962). Cambridge/Mass. & Londres: MIT Press ".
  3. Uma primeira análise detalhada deste aspecto é oferecida em "Fidel Raul Carmo Reis (2010). Das políticas de classificação às classificações políticas (1950 - 1996): A configuração do campo político angolano. Contributo para o estudo das relações raciais em Angola. Tese de doutoramento em história. Lisboa: ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa ".

Referências

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  2. Morais, Rafael Marques de. «Religion and the State in Angola» (em inglês). Consultado em 1 de julho de 2021 
  3. PCP e MPLA reforçam cooperação. Avante. 10 de abril de 2008.
  4. Chefe de Estado angolano advoga sociedade inclusiva e de prosperidade - Consulado Geral da República de Angola em New York
  5. Angola adia novo programa do FMI para aumentar despesa pré-eleitoral. ClubK. 5 de outubro de 2021.
  6. a b c d e f g h i j k l m n o p q Pinto, João Paulo Henrique (dezembro de 2016). «A questão identitária na crise do MPLA de (1962-1964)». Irati: Universidade Estadual de Ponta Grossa. Revista TEL. 7 (2): 140-169. ISSN 2177-6644 
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  9. a b c d e f g h i j k l «MPLA "reconcilia-se" com a sua história reconhece todos os presidentes». VOA Português. 19 de junho de 2019 
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  11. Um reconhecimento com sabor a pouco… Jornal de Angola. 26 de janeiro de 2018.
  12. Agostinho, Feliciano Paulo. Guerra em Angola: As heranças da luta de libertação e a Guerra Civil. Lisboa: Academia Militar. Setembro de 2011.
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  21. Franz-Wilhelm Heimer, O processo de descolonização em Angola, 1974-75, Lisboa: A Regra do Jogo, 1979
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  41. «MPLA "reconcilia-se" com a sua história reconhece todos os presidentes». VOA Português. 19 de junho de 2019 
  42. «Partido no poder em Angola faz história com primeira mulher vice-presidente». VOA. 9 de setembro de 2018 
  43. Presidente tenta reeleição em pleito mais concorrido em 30 anos em Angola. BOL. 23/08/2022.
  44. Quem é Esperança Eduardo Francisco da Costa, a futura Vice-Presidente de Angola. Luanda Post. 23 de maio de 2022.
  45. "Ilustre desconhecida" é candidata do MPLA a vice-Presidente. DW. 24 de maio de 2022.
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  50. Roberto de Almeida eleito vice-presidente do MPLA. ClubK 29 de novembro de 2008.
  51. Veiga, Luiz Maria (2015). De armas na mão: personagens-guerrilheiros em romances de Antonio Callado, Pepetela e Luandino Viera. São Paulo: Universidade de São Paulo

BibliografiaEditar

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  • Fátima Salvaterra Peres, A Revolta Activa: Os conflitos identitários no contexto da luta de libertação (em Angola), dissertação de mestrado, Universidade Nova de Lisboa, 2010
  • Edmundo Rocha, Angola: Contribuição ao estudo do nacionalismo moderno angolano. Testemunho e estudo documental. Período de 1950-1964, 2 volumes, Luanda: Nzila e Lisboa: Edição do autor, 2002 e 2003, respectivamente
  • Melo, João de (1988). Os Anos da guerra, 1961-1975: os portugueses em África - crónica, ficção e história. Lisboa: Publicações D. Quixote. ISBN 972-20-1481-1 
  • Okoth, Assa (2006). A History of Africa: African nationalism and the de-colonisation process (em inglês). Nairóbi: East African Publishers. ISBN 9966-25-358-0