Majo no Takkyūbin

filme de animação japonês dirigido por Hayao Miyazaki
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Majo no Takkyūbin (desambiguação).

Majo no Takkyūbin (魔女の宅急便? Brasil: O Serviço de Entregas da Kiki /Portugal: Kiki, A Aprendiz de Feiticeira)[2][3] é um filme animado japonês de 1989,[4] do gênero fantasia.[5] O longa-metragem foi escrito, produzido e dirigido por Hayao Miyazaki,[6] baseado no romance homônimo de Eiko Kadono, lançado originalmente em 1985.[5]

Majo no Takkyūbin
魔女の宅急便
No Brasil O Serviço de Entregas da Kiki
Em Portugal Kiki, A Aprendiz de Feiticeira
Japão
1989 •  cor •  103 min 
Direção Hayao Miyazaki
Produção Hayao Miyazaki
Roteiro Hayao Miyazaki
Baseado em Majo no Takkyūbin, de Eiko Kadono
Elenco Minami Takayama
Rei Sakuma
Kappei Yamaguchi
Keiko Toda
Minami Takayama
Gênero fantasia
Música Joe Hisaishi
Cinematografia Shigeo Sugimura
Direção de arte Hinoshi Ono
Edição Shigeo Sugimura
Companhia(s) produtora(s) Studio Ghibli
Distribuição Toei Company
Lançamento JPN 29 de julho de 1989 (1989-07-29)
BRA 27 de julho de 1990 (1990-07-27)
Idioma japonês
Orçamento ¥ 800 milhões
Receita ¥ 2,150 bilhões[1]

O filme conta a história de uma jovem bruxa, Kiki, que se muda para uma nova cidade e vive uma aventura mágica.[4] De acordo com Miyazaki, a animação retrata o abismo entre a independência e a confiança nas adolescentes japonesas.[7] Majo no Takkyūbin foi lançado no Japão em 29 de julho de 1989,[8] e ganhou o prêmio Anime Grand Prix.[9] No Brasil, sua estreia ocorreu em 27 de julho de 1990.[2]

EnredoEditar

 
Kiki juntamente com o seu gato Jiji, voando sobre a cidade de Koriko.

A jovem bruxa Kiki, deixa sua família e seus amigos aos treze anos para aperfeiçoar sua bruxaria numa cidade estranha, como a tradição exige de todas as jovens bruxas.[10] Com seu gato preto Jiji, que a ajuda, a menina acaba numa cidade à beira-mar.[11] Na desconhecida e grande cidade, a menina inicialmente fica insegurança, mas conhece bons amigos em uma padaria e desenvolve o desejo de abrir ela mesma um negócio: um serviço de entrega, devido a sua habilidade de voar.[12]

 
Maki (à direita) fazendo um pedido de entrega para Kiki, na padaria de Osono.

Com o apoio da padeira grávida e seu marido, Kiki recebe alguns pedidos, de modo que ela faz amizade com muitas pessoas, entre outras, com uma senhora idosa, a quem ela até ajuda a fazer um patê com um velho forno a lenha.[13] Kiki aprende uma valiosa experiência e conhece seu primeiro amor, Tombo.[14] Através de um severo ataque de dúvidas sobre si mesma, Kiki perde seus poderes mágicos.[15] Entretanto, nesta crise pessoal ela encontra compreensão e apoio de seus amigos, e quando Tombo fica em situação de risco de vida, Kiki pode salvá-lo, e ela se torna conhecida e amada por toda a cidade e também recupera sua confiança em si mesma.[16][17]

ElencoEditar

  • Minami Takayama como Kiki (キキ?)[18]
  • Rei Sakuma como Jiji (ジジ?)[18]
  • Keiko Toda como Osono (おソノ?)[18]
  • Minami Takayama como Ursula (ウルスラ Urusura?)[18]
  • Kappei Yamaguchi como Tombo (トンボ Tonbo?)[18]
  • Kōichi Yamadera como Fukuo (フクオ?)[19]
  • Mieko Nobusawa como Kokiri (コキリ?)[18]
  • Kōichi Miura como Okino (オキノ?)[18]
  • Haruko Katō como Madame (老婦人 Rō-fujin?)[20]
  • Hiroko Seki como Bertha (バーサ Bāsa?)[19]
  • Yuriko Fuchizaki como Ket (ケット Ketto?)[19]
  • Kikuko Inoue como Maki (マキ?)[19]
  • Shō Saitō como Dora (ドーラ Dōra?)[19]

ProduçãoEditar

 
Hayao Miyazaki, o diretor de Majo no Takkyūbin.

Majo no Takkyūbin é uma adaptação do livro infantil homônimo escrito por Eiko Kadono,[21] Hayao Miyazaki percebeu grande semelhança entre a personagem "Kiki", com os jovens animadores do Studio Ghibli.[22] Na pós-produção, Miyazaki ficou inteiramente ocupado com a produção de Tonari no Totoro e Isao Takahata, co-fundador do estúdio, com a animação Hotaru no Haka.[22] O projeto foi, portanto, atribuído a dois iniciantes, Sunao Katabuchi, que tinha trabalhado com Miyazaki em Meitantei Hōmuzu, como diretor, e Nobuyuki Isshiki no roteiro.[22] Entretanto, Miyazaki, que inicialmente seria o produtor de Majo no Takkyūbin, não ficou satisfeito com o primeiro guião produzido por Isshiki, então ele se envolveu cada vez mais na redação dos roteiros, tornando-se o diretor principal e roteirista, enquanto Sunao Katabuchi tornou-se seu assistente.[22][23] A situação financeira da companhia também explica o crescente envolvimento de Miyazaki no longa-metragem.[24][23]

Posteriormente, o roteiro do longa-metragem teve várias alterações feitas por Miyazaki, ele com sua equipe foi à Suécia,[25] para inspirar-se em algumas locações do país, já que o filme era ambientado na Europa.[26] Na volta para o Japão, começam a focalizar no roteiro — intensamente modificado pelo diretor —, nos esboços já produzidos e os perfis dos personagens.[22] Para este último, Miyazaki contou com a ajuda de outros profissionais.[27] Com a finalização do roteiro em 8 de julho de 1988, Miyazaki começou a trabalhar no "storyboard" e depois na direção.[22] Inicialmente, o filme deveria ter um lançamento limitado e uma duração modesta (80 minutos no máximo); no entanto, o projeto acabou tendo uma duração duradoura.[22]

AnimaçãoEditar

A animação do filme foi inteiramente desenhada à mão, sem recorrer à computação gráfica.[28][29] Alguns dos efeitos mais usados incluem o zoom, que destaca um aspecto importante de uma cena, o movimento de câmera panorâmica, é utilizado extensivamente para cenas de voo, porque permite seguir um objeto em movimentação e assim mostrar uma quantidade maior de detalhes em um único momento.[30]

AmbientaçãoEditar

 
Estocolmo foi uma das principais fontes de inspiração para a animação.

A história de Majo no Takkyūbin, se passa num mundo inspirado por uma Europa romântica e idealizada.[24] A cidade de Koriko, onde o filme é ambientado, é uma mistura de cidades mediterrânicas (Lisboa e Nápoles), cidades do Norte da Europa (Visby, Estocolmo, Paris e Amesterdã), e a cidade norte-americana São Francisco.[21] [31][32] A Suécia foi a principal fonte de inspiração para o longa-metragem, pois, Hayao Miyazaki, havia morado lá em 1971 e voltou novamente para o país com a sua equipe durante a pós-produção do roteiro.[21][24] Além da diversidade de lugares inspiradores, a cidade tem uma arquitetura que mistura diferentes épocas, com edifícios que vão desde o século XVIII até aos anos 60.[33] Este aspecto é reforçado pelos objetos, como um dirigível que lembra os anos 30, os carros dos anos 40 e o antigo aparelho de televisão preto e branco dos anos 50, essa mistura de lugares e tempos contribui para a criação de uma Europa idealizada, que foge das exigências do mundo real.[31]

A paleta de cores das produções do Studio Ghibli, teve uma evolução de um filme para o outro,[34] em Majo no Takkyūbin, os tons dominantes são de verãoverde e azul — enquanto as cores escuras são apresentadas para sublinhar um sentimento negativo ou a noite.[24] As colorações seguem a preferência por tonalidades mais realistas e discretos.[34]

MúsicaEditar

 
Joe Hisaishi, compositor da trilha sonora do filme.

A trilha sonora do filme, composta por Joe Hisaishi, conta com 21 canções,[35] sendo duas delas compostas e interpretadas por Yumi Arai; a canção de abertura (Rouge no Dengon (ルージュの伝言 Rūju no dengon?)[36] e dos créditos finais (Yasashisa ni tsutsumareta nara (やさしさに包まれたなら Yasashisa ni tsutsumaretanara?),[37] que tem um estilo melodioso das décadas de 60 e 70.[24]

A trilha sonora parece deliberadamente muito européia,[38] inspirando-se na música ocidental para a medição e instrumentalização (por exemplo, o acordeão).[39] As composições de Hisaishi estão imbuídas de inocência no filme,[40][29] o longa-metragem também contém muita serenidade que permitem ao espectador interpretar livremente a atmosfera das cenas.[41]

Lista de faixas da trilha sonora de Majo no Takkyūbin.[35][42]
TítuloCompositor(es) Duração
1. "Hareta hi ni... (晴れた日に…?)"  Joe Hisaishi 2:16
2. "Tabidachi (旅立ち?)"  Joe Hisaishi 2:53
3. "Umi no mieru machi (海の見える街?)"  Joe Hisaishi 3:00
4. "Sora tobu takkyūbin (空とぶ宅急便?)"  Joe Hisaishi 2:09
5. "Pan-ya no tetsudai (パン屋の手伝い?)"  Joe Hisaishi 1:04
6. "Shigoto hajime (仕事はじめ?)"  Joe Hisaishi 2:15
7. "Migawari Jiji (身代りジジ?)"  Joe Hisaishi 2:46
8. "Jefu (ジェフ?)"  Joe Hisaishi 2:30
9. "Ōisogashi no kiki (大忙しのキキ?)"  Joe Hisaishi 1:17
10. "Pāti ni maniawanai (パーティに間に合わない?)"  Joe Hisaishi 1:07
11. "Osono-san no tanomi-ji… (オソノさんのたのみ事…?)"  Joe Hisaishi 3:01
12. "Puropera jitensha (プロペラ自転車?)"  Joe Hisaishi 1:42
13. "Tobenai! (とべない!?)"  Joe Hisaishi 0:46
14. "Shōshin no kiki (傷心のキキ?)"  Joe Hisaishi 1:11
15. "Urusura no koya e (ウルスラの小屋へ?)"  Joe Hisaishi 2:05
16. "Shinpinaru e (神秘なる絵?)"  Joe Hisaishi 2:20
17. "Bou-Hikō no jiyū no bōkengō (暴飛行の自由の冒険号?)"  Joe Hisaishi 1:06
18. "Ojīsan no dekkiburashi (おじいさんのデッキブラシ?)"  Joe Hisaishi 1:59
19. "Dekki burashi de randebū (デッキブラシでランデブー?)"  Joe Hisaishi 1:02
20. "Rūju no dengon (ルージュの伝言?)"  Yumi Arai 1:45
21. "Yasashisa ni tsutsumareta nara (やさしさに包まれたなら?)"  Yumi Arai 3:09
Duração total:
41:45

LançamentoEditar

Divulgação e lançamentoEditar

A produção e a divulgação foram realizadas por Tokuma Shoten, que era então proprietário do Studio Ghibli.[43] Majo no Takkyūbin se destaca por ter uma campanha publicitária maior do que as produções anteriores do estúdio,[44] graças a parceria do Studio Ghibli com a Nippon TV, e o apoio de uma grande empresa como a Yamato Transport.[45] Posteriormente, o Studio Ghibli usou novamente está estratégia de marketing em outros longas-metragens.[46] O cartaz oficial do filme, que mostra Kiki encostada atrás do balcão da padaria, foi escolhido pelo produtor associado Toshio Suzuki.[46] Suzuki queria que o cartaz refletisse o verdadeiro significado do roteiro, que se concentra na vida cotidiana mundana de Kiki e não na magia.[46] Suzuki afirmou que a Nippon TV, além de teasers, retransmita os filmes anteriores do Studio Ghibli pouco antes do lançamento de Majo no Takkyūbin.[47]

O filme foi lançado em 29 de julho de 1989 no Japão. Foi o primeiro grande sucesso de bilheteria do Studio Ghibli, arrecadando 4,3 bilhões de ienes,[48] com um orçamento estimado de 800 milhões de ienes.[49] Considerado como o maior sucesso de bilheteria em seu país de origem em 1989.[50] O longa-metragem foi então lançado em VHS em 1995 (com 150,000 unidades vendidas),[48] em DVD em 2001 (mais de 500,000 unidades vendidas em junho de 2014)[51] e em Blu-ray em 2012[52] (aproximadamente 11,000 unidades vendidas em 2012).[53] Além disso, foi transmitido quinze vezes na televisão japonesa entre 1990 e 2020, com audiências variando de 13,5% a 24,4%.[54][55][56]

Em países lusófonos, como o Brasil, o filme foi lançado nos cinemas em 27 de julho de 1990,[2] e em 1997, no formato de VHS, pela Disney Home Video.[57] Majo no Takkyūbin foi transmitido em alguns canais de televisão por assinatura brasileira, como HBO, Disney Channel e Discovery Kids.[57][58] Em Portugal, a animação foi transmitida algumas vezes pelo canal público RTP2.[59]

Espectadores de Majo no Takkyūbin.
  • Japão: 2 640 619[48]
  • França: 653 067[60]
  • Itália: 103 838[60]
  • Finlândia: 30 129[60]
  • Coreia do Sul: 27 236[61]
  • Dinamarca: 15 337[60]
  • Noruega: 14 460[60]
  • Suécia: 7 789[60]
  • Suíça: 1 368[60]
  • Espanha: 412[60]

Recepção críticaEditar

Críticas profissionais
Pontuações agregadas
Fonte Avaliação
Metacritic 83/100[62]
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
Rotten Tomatoes 96%[63]
Allmovie      [64]
Total Film      [65]

No Japão, o periódico Japan Times fez uma revisão positiva do filme, elogiando em particular o "realismo psicológico" na evocação dos sentimentos de Kiki.[66] O diretor Akira Kurosawa afirmou que ele "chorou" assistindo o filme,[67] em sua crítica ao longa-metragem para o Kinema Junpō, Mamoru Oshii disse que a animação falha ao tentar satisfazer demais as expectativas do público.[68] No website especializado em entretenimento eiga.com, o filme recebeu uma nota de 3,9 em 5, por parte dos espectadores.[69] Entre a imprensa especializada, a revista Animage dedicou dois longos e entusiásticos artigos a animação, nas edições de julho e setembro de 1989, e também concedeu seu prêmio de melhor filme do ano para a produção.[70]

O filme mantém o certificado "Fresh" de aprovação, com a classificação de 96% no Rotten Tomatoes,[63] e uma pontuação de 83/100 no Metacritic que representa "aclamação universal".[62] No Los Angeles Times, Seattle Times e Chicago Tribune, a qualidade do roteiro e da dublagem inglesa, que foi dublado por atores famosos como Kirsten Dunst, Phil Hartman e Debbie Reynolds, é elogiada.[71][72][73] O Seattle Times, entretanto, lamentou a "animação limitada dos rostos",[72] e o Boston Herald a duração do filme.[74] A revista cinematográfica Empire, também fez uma revisão favorável do filme.[75]

PrêmiosEditar

Em 1990, Majo no Takkyūbin venceu na categoria de "melhor animação" na 44.ª edição anual dos Prêmios de Cinema Mainichi,[76] no mesmo ano, o longa-metragem ganhou nas categorias de "melhor filme" e "melhor diretor" na 13.ª edição da cerimônia dos Prêmios da Academia do Japão.[77] Na 13.ª edição do Anime Grand Prix, da revista Animage, venceu nas categorias de "melhor filme", "melhor personagem feminina" e "melhor canção" (por "Yasashisa ni tsutsumareta nara").[78]

Na revista Kinema Junpo, os leitores escolheram Majo no Takkyūbin como o melhor filme do ano,[79] a animação ganhou uma medalha de ouro na 13.ª edição anual do Golden Gross Award.[80]

Produtos derivadosEditar

A trilha sonora do filme foi lançada pela primeira vez em CD, em 25 de agosto de 1989 no Japão e vendeu 240,000 cópias em seu primeiro ano,[48] e foi posteriormente, relançado várias vezes no país.[81] Em 1989, a editora Tokuma Shoten lançou um mangá de quatro volumes baseado na animação.[82] Em 2013, Bungeishunjū publicou em colaboração com o Studio Ghibli, uma série de livros dedicados as produções do estúdio, cujo quinto volume é inteiramente dedicado a Majo no Takkyūbin.[83]

Uma variedade de produtos derivados também foram comercializados, incluindo brinquedos, acessórios e objetos decorativos.[84][85]

TemasEditar

Busca pela independênciaEditar

Majo no Takkyūbin enfoca a jornada iniciática de Kiki, que, como um adolescente despreocupada no início da história, gradualmente ganha independência e autoconfiança.[21][86] Assim como na produção anterior de Hayao Miyazaki, Tonari no Totoro (1988), não há vilão ou confronto com o mundo exterior: Kiki não se rebela contra seus pais, que a apóiam, ou qualquer outra pessoa.[87] Não enfrenta nenhuma situação extraordinária. Pelo contrário, sua passagem à idade adulta é pontuada apenas pelas vicissitudes e excitações da vida cotidiana, não sendo poupada nem mesmo do tédio típico da adolescência.[86][88] Como qualquer criança em crescimento, Kiki tem que enfrentar pequenas decepções, superar vários problemas, e assim aprender a viver.[89] Suas preocupações podem ser puramente materiais, tais como a necessidade de trabalhar para ganhar a vida, ou internas, como a falta de autoconfiança.[90]

O aspecto mais importante do aprendizado de Kiki é a independência, Miyazaki abordar essa tema no início do filme. O objetivo do diretor é apresentar a evolução de Kiki da maneira mais realista possível.[89] A busca pela confiança parece ser uma questão tão importante quanto a apreensão da independência,[91] de acordo com o diretor, muitas jovens japonesas sofrem de "privação espiritual", embora tenham alcançado sucesso e independência material,[89] porque o importante para elas é, sobretudo, encontrar seus próprios talentos e sua própria identidade, a fim de se integrarem numa nova comunidade.[92][89][93]

Integração socialEditar

Miyazaki enfatiza a importância da coletividade e da integração em uma nova comunidade, temas valiosos para o diretor.[94] Kiki, que a princípio é um pouco deselegante, por exemplo, com os meninos, aprende a conhecer seu lugar na sociedade e a construir laços virtuosos com a comunidade ao seu redor.[91][92] Em particular, os valores de educação e o respeito aos mais velhos, são enfatizados no filme.[94][95] Kiki conhece muitos personagens secundários (como Osono, Tombo e Ursula), e faz amizade com eles graças à sua bondade; é isso que lhe permite suavizar seu exílio e, finalmente, integrar-se pouco a pouco.[96] As personagens do filme — Osono, que gerencia sua padaria brilhantemente, ou Ursula, que é orgulhosa e independente — servem de modelo ou de guia para Kiki.[95]

O início do filme mostra a importância do relacionamento com o outro através da representação lírica da família de Kiki, mais idealizada do que real.[97] Miyazaki demonstra que Kiki cresceu em um espaço familiar ideal, onde o ambiente é encantador, a mãe trabalha em casa e o pai chega cedo do trabalho.[91] Osono e seu marido tornam-se uma família substituta para Kiki, destacando mais uma vez a importância da família para o diretor.[97][91]

Emancipação femininaEditar

O enredo se destaca de muitas animações pela escolha de uma garota como protagonista, de fato, os temas da autonomia, autoconfiança, necessidade de sustentar-se ou a preparação com o futuro são frequentemente apresentados através de garotos e não por meninas.[21][90][86] Na maioria das culturas tradicionais, especialmente no Japão, é incomum para uma menina de treze anos ir sozinha a um lugar estrangeiro para se estabelecer financeiramente.[90] Miyazaki altera muitas histórias, substituindo o herói por uma heroína, dando um tom original à sua história.[21][90] Na cena final do filme, essa inversão de papéis pode ser observada, quando Kiki resgata seu amigo Tombo, ao contrário da clássica sinopse do conto de fadas em que é o jovem que salva sua princesa.[98] Através da força de caráter e teimosia de Kiki, o longa-metragem também difere dos mangás em que as meninas são frequentemente presas em papéis passivos ou idealizados.[99]

Análise críticaEditar

Vida cotidianaEditar

 
Kiki é inspirada pela clássica representação europeia sobre a bruxa, enquanto o filme é, na verdade, sobre a vida cotidiana da menina, não seus poderes mágicos.

Uma produção sobre o cotidiano, Majo no Takkyūbin, muitas vezes vai contra as expectativas do espectador, apresentando temas típicos de maneiras inesperadas, notadamente tendo uma garota como protagonista, buscando pela sua independência.[98] Isso ajuda a tornar o filme mais realista do que fantasioso.[88] Para reforçar o aspecto realista do longa-metragem, Miyazaki vai contra a representação clássica do desenho animado da menina com poderes mágicos, que pode satisfazer todos os seus desejos.[93] Ao contrário desse padrão, a animação centraliza-se na vida cotidiana de Kiki, que de fato tira muito pouco proveito de seus poderes de bruxa, além de que ela enfrenta os mesmos problemas que todas as adolescentes de sua idade.[94][93][86] Seu aprendizado sobre a vida, que se dá em contato com o cotidiano e não através da educação de adultos, está assim repleta de pequenos e inesperados obstáculos que Kiki deve enfrentar com esforço, não com mágica, de modo a encontrar seu lugar no mundo.[86] Em particular, o dinheiro desempenha importância na busca pela independência de Kiki, o que aumenta muito o realismo da história.[98]

A personagem Ursula é um modelo para Kiki: mais velha, ela vive independente e feliz em uma pequena cabana na floresta, Ursula ajuda Kiki a superar sua única crise no filme, a perda de seu poder de voar.[90] Miyazaki vai contra os padrões dos desenhos animados, mostrando que os poderes mágicos da personagem principal não são inatos e que, ela pode perdê-los a qualquer momento,[90][91] o que é, portanto, uma dimensão psicológica e não fantasiosa.[87] Após deixar de pensar em suas preocupações e imperfeições, para tentar ajudar o seu amigo, Kiki consegue voar novamente.[90] A vulnerabilidade de Kiki que leva à perda de seu poder não é necessariamente uma falha, pois, lhe permite compreender melhor a si mesma.[100] Além disso, o fato de que os poderes mágicos não são inatos reforça a mensagem realista do filme, mostrando a necessidade constante de trabalhar duro.[91]

Escolha artísticaEditar

O roteiro sendo desprovido de vilões ou conflitos externos,[87] o filme é caracterizado principalmente pelos estados de espírito de Kiki, entre alegria, tédio e preocupações, assim como por sua confiança em crise, que também é interior e, portanto, psicológica.[101][91] Esta caracterização também reflete a caótica transição de Kiki para a vida adulta.[101] Muitas cenas em particular não adiantam em nada a história, mas têm a função de transmitir uma emoção mais ou menos intensa.[102] Segundo Jonathan Ellis, algumas cenas prestam discretamente homenagem ao trabalho dos animadores simbolizando a dificuldade de dar vida às imagens estáticas, talvez ecoando a situação ainda delicada do Studio Ghibli recentemente fundado por Miyazaki e Takahata, que escolheram a animação tradicional enquanto a computação gráfica estava começando a se impor.[91]

Diferenças entre as versõesEditar

 Ver artigo principal: Majo no Takkyūbin (romance)

O romance homônimo é mais episódico e mais delicado do que o filme.[89] Miyazaki queria retratar a passagem para a vida adulta de uma maneira mais realista e, portanto, contrastante, então ele modificou o roteiro para que sua personagem enfrentasse ansiedade, desilusão e solidão.[98] Miyazaki dá um aspecto mais contemporâneo e social ao seu longa-metragem, para que as jovens possam se identificar com sua produção.[89]

Outras mudanças significativas foram feitas: por exemplo, no livro, Ursula é apenas uma cliente anônima de Kiki; Tombo vê Kiki em seu trabalho depois dela quebrar sua vassoura; Kiki termina seu ano de aprendizagem; o gato Jiji não tem namorada; Kiki não perde sua capacidade de falar com Jiji e voar.[103] No romance, Kiki é retratada com cabelos compridos, mas na animação são curtos.[104] Estas mudanças no filme desagradaram muito a autora do romance, ameaçando intervir a produção na fase de storyboard.[24][23]

Entorno do filmeEditar

 
Toshio Suzuki, produtor associado de Majo no Takkyūbin, juntou-se ao Studio Ghibli em 1989, logo após o lançamento do filme.

Para Toshio Suzuki, o sucesso de Majo no Takkyūbin, marca o "início da segunda fase do Studio Ghibli".[105] Fundado em 1985, o estúdio se baseia num modelo econômico que consiste em produzir filmes de alta qualidade, com um grande orçamento e, portanto, arriscando-se; no entanto, as três primeiras produções do Studio Ghibli tiveram um sucesso honroso nas bilheterias, mas insuficiente para permitir a sustentabilidade financeira do estúdio que, portanto, permanecia em uma situação frágil.[106] A produção paralela de Tonari no Totoro e Hotaru no Haka, lançado em 1988, só foi lucrativo posteriormente, notadamente através da venda de produtos derivados do personagem Totoro.[107][108] Entretanto, estas primeiras produções, que foram amplamente aclamados pela crítica, ajudaram o estúdio a construir uma boa reputação.[109]

O lançamento de Majo no Takkyūbin, marca um passo importante para o Studio Ghibli, pois, é seu primeiro grande sucesso de bilheteria.[106] Os principais encarregados do estúdio, são então obrigados a pensar sobre o futuro da companhia.[107] Entre as decisões resultantes, o Studio Ghibli contratou definitivamente alguns de seus animadores de tempo integral — com um salário fixo, enquanto anteriormente eram pagos temporariamente — e decidiram contratar e formar novos talentos.[24][92]

Majo no Takkyūbin foi o primeiro filme do estúdio, no qual Toshio Suzuki trabalhou diretamente como produtor associado, Suzuki, que era o editor da revista Animage, conhecia Miyazaki há vários anos.[24] Suzuki entrou oficialmente para o Studio Ghibli logo após o lançamento de Majo no Takkyūbin, em outubro de 1989 e tornou-se o principal produtor e presidente do estúdio.[110]

Referências

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BibliografiaEditar