Maldição Andretti

A Maldição Andretti é uma história popular envolvendo os 5 pilotos da família que disputaram as 500 Milhas de Indianápolis válidas pela CART e pela IndyCar (IRL entre 1996 e 2008, quando as duas categorias se fundiram)[1][2].

CronologiaEditar

Mario AndrettiEditar

 
Mario Andretti, o patriarca da família e vencedor das 500 Milhas de Indianápolis de 1969.
 
Mario Andretti (à esquerda) e seu sobrinho John (à direita) durante as 500 Milhas de Indianápolis de 2007.

A história da maldição começou em 1969, quando Mario Andretti conquistou sua primeira (e única) vitória nas 500 Milhas de Indianápolis. Na comemoração, o chefe Andy Granatelli deu um beijo no rosto do piloto, então com 29 anos[3]. Mesmo com uma vitoriosa carreira que culminou com o título da Fórmula 1 em 1978 e 29 participações nas 500 Milhas, Mario não voltaria a vencer a corrida até se aposentar dos monopostos em 1994 - em 1981, sua equipe, a Patrick Racing, entrou com um recurso para cassar a vitória de Bobby Unser, que teria feito ultrapassagens em bandeira amarela. Após análise das imagens, o piloto da Penske foi desclassificado e Mario Andretti foi declarado vencedor.

Revoltado, Roger Penske entrou com 2 recursos pedindo que Mario Andretti também fosse punido pelo mesmo motivo que Bobby Unser, sem sucesso. Depois de alguns meses, 3 comissários decidiriam quem seria o vencedor das 500 Milhas: por 2 votos a 1, Bobby Unser recuperou a vitória e sua desclassificação revertida para uma multa de 40 mil dólares. Ao saber do resultado, Mario jogou fora o anel de campeão. Ele também perdeu a chance de vencer a prova em 1985 (Danny Sullivan, que liderava a corrida, rodou e ainda voltou à frente)[4][5] e 1987, quando liderou 170 voltas e abandonou com problemas mecânicos, faltando apenas 23 para o final[6][7][8].

Mario Andretti ainda chegou a ensaiar uma volta às pistas em 2003, quando testou o carro de Tony Kanaan, afastado com uma fratura no braço devido a um acidente na etapa de Motegi. Faltando apenas 2 minutos para o final do treino, o patriarca da família Andretti passou por cima de detritos do carro de Kenny Bräck e decolou a 320 quilômetros por hora, aterrissando na pista. Apesar da força do acidente, Mario escapou com ferimentos leves e pensou em voltar apenas para tentar colocar o carro no grid, mas repensou a decisão e não voltou a guiar monopostos de forma oficial.

Michael Andretti e a equipe Andretti AutosportEditar

 
Michael Andretti, em maio de 2008.

Com 42 vitórias na CART e o título de 1991, Michael Andretti possui 16 participações como piloto nas 500 Milhas de Indianápolis e, ao contrário de seu pai, nunca venceu a prova[9]. Chegou próximo da vitória na edição do mesmo ano em que foi campeão, quando liderou por 97 voltas até abandonar faltando 13 para o encerramento, dando a vitória a Rick Mears, e em 1992, dominou a prova e foi líder por 160 voltas, quando uma falha na bomba de combustível tirou suas chances. Após a prova (foi classificado como 13[10]º), Michael foi ao hospital para visitar seu pai, que havia sofrido um acidente. Em 2005, anunciou que estava suspendendo a aposentadoria para correr a edição do ano seguinte junto de seu filho, Marco Andretti, e ambos brigaram pela vitória com Sam Hornish, Jr., que terminou a corrida na frente. Michael ainda participou das 500 Milhas de 2007, mas não repetiu o desempenho anterior e chegou em 13º lugar, mas garantiu a vitória como dono de equipe com Dario Franchitti, que viria a ser campeão da IRL no mesmo ano.

Entre 2010 e 2011, a Andretti Autosport viveu um drama nos treinos de classificação, com Tony Kanaan garantindo sua vaga no último instante e Ryan Hunter-Reay e Mike Conway desclassificados. Um acordo feito com a A. J. Foyt Enterprises garantiu a participação de Hunter-Reay, que substituiu Bruno Junqueira.

Como chefe de equipe, Michael Andretti venceu 5 edições das 500 Milhas, com Dan Wheldon (2005), Dario Franchitti (2007), Ryan Hunter-Reay (2014), Alexander Rossi (2016) e Takuma Sato (2017).

Marco AndrettiEditar

 
Marco Andretti (carro azul, vermelho e branco) treinando com seu pai Michael (carro preto e cinza), em 2007

Filho de Michael e neto de Mario, Marco Andretti correu 12 edições das 500 Milhas de Indianápolis, e em sua segunda participação na prova, em 2006, ficou próximo de quebrar a escrita de 37 anos sem vitórias da família Andretti. Depois de uma bandeira amarela causada por uma quebra do brasileiro Felipe Giaffone, seu pai assumiu a liderança e o jovem piloto, então com apenas 19 anos de idade, herdou a primeira posição após a relargada e contava com a ajuda de Michael, que tentava segurar os ataques de Sam Hornish, Jr., mas o piloto da Penske só faria a ultrapassagem que daria a vitória apenas na reta de chegada, cruzando-a apenas 0,0635 segundos à frente de Marco. Esta foi a segunda chegada mais apertada na história da Indy 500, perdendo apenas para a corrida de 1992. Para muitos, esta foi o final de corrida mais triste da carreira de Michael Andretti ( como piloto ou dono de equipe), que fez elogios ao seu filho[11], mas não escondia a frustração.

Marco ainda chegou a liderar boa parte da edição de 2007, que chegou a ser interrompida pelas fortes chuvas que caíam sobre a região do Indianapolis Motor Speedway (caso a chuva atingisse a pista, a prova poderia ser encerrada). No final da corrida, o piloto se envolveu num acidente com Dan Wheldon na reta oposta e capotou, mas saiu ileso. Ele ainda terminou as 500 Milhas do ano seguinte em 3º lugar[12].

Em 2011, flertou com a não classificação direta para o grid, mas conseguiu o 27º lugar, rebaixando seus companheiros de equipe Ryan Hunter-Reay e Mike Conway ao bump day. Marco terminou a prova em 9º. Ele chegou a prever que, se vencesse a corrida em 2016, seu pai e seu avô "chorariam compulsivamente"[13]

Em 2020, surpreendeu ao conquistar a pole-position, encerrando um jejum que durava desde 1987, quando Mario Andretti largou na mesma posição. Pilotando o carro #98, fez uma brincadeira sobre a maldição da família em Indianápolis ao afirmar que "não achava que a maldição existia em agosto"[14], citando o mês em que a Indy 500 seria disputada em decorrência da pandemia de COVID-19. O piloto não liderou nenhuma volta da corrida, onde chegou em 13º.

Jeff AndrettiEditar

 
Danos no carro de Jeff Andretti após o acidente sofrido por ele em 1992.

Filho mais novo de Mario, irmão de Michael e tio de Marco Andretti, Jeff Andretti disputou 4 edições das 500 Milhas, entre 1990 e 1993, largando em 3. Sua melhor posição de chegada foi em 1991, quando chegou na 15ª posição, ficando com o prêmio de melhor novato da corrida.

Ele é mais lembrado por ter sofrido um violento acidente na prova de 1992, quando o cubo do pneu traseiro direito de seu Lola-Chevrolet da equipe Foyt quebrou na curva 2 e bateu de frente - o pneu ainda chegou a atingir o carro de Gary Bettenhausen, que também abandonaria a corrida. Jeff lesionou gravemente as pernas e seu resgate durou 18 minutos.

John AndrettiEditar

 
John Andretti pilota o Dallara #24 da Roth Racing nos treinos da Indy 500 de 2008.

Sobrinho de Mario Andretti e primo de Michael e Jeff, John Andretti possui 12 largadas nas 500 Milhas de Indianápolis: na fase CART, entre 1990 e 1994, seu melhor desempenho foi em 1991, com um quinto lugar.

Tendo se dedicado somente à NASCAR, voltou a pilotar monopostos em 2007 e conquistou a classificação para a Indy 500 pela Panther Racing, tornando-se o terceiro Andretti no grid, abandonando a prova depois de bater na curva 2. Em 2008 pilotou pela Roth Racing e, de 2009 a 2011, correu com apoio do ex-piloto Richard Petty.

John faleceu em 30 de janeiro de 2020 após lutar contra um câncer colorretal[15].

Desempenho da Newman-HaasEditar

Ligada frequentemente a Mario e Michael Andretti, a equipe Newman-Haas nunca venceu as 500 Milhas de Indianápolis em toda sua história. O melhor resultado que obteve foi em 1993, quando Nigel Mansell terminou em terceiro lugar.

Ver tambémEditar

Referências

  1. «"Maldição Andretti" é folclore das 500 Milhas da Indy». Extra. 27 de maio de 2012. Consultado em 1 de janeiro de 2022 
  2. «Andretti Curse: a maldição da Indy 500». GP Total. 21 de maio de 2014. Consultado em 1 de janeiro de 2022 
  3. Glick, Shav (9 de abril de 1994). «Mario's Finish Line : Phoenix Is Very Special in Andretti's Final Season and Crew Chief McGee Has Been a Big Part of His Career». Los Angeles Times. Consultado em 8 de junho de 2015 
  4. Miller, Robin (27 de maio de 1985). «Sullivan spins and still wins; second victory eludes Mario (Part 1)». The Indianapolis Star. p. 1. Consultado em 26 de abril de 2018 – via Newspapers.com 
  5. Miller, Robin (27 de maio de 1985). «Sullivan spins and still wins; second victory eludes Mario (Part 2)». The Indianapolis Star. p. 4. Consultado em 26 de abril de 2018 – via Newspapers.com 
  6. «Greatest 33 Profile: Mario Andretti». Cópia arquivada em 1 de julho de 2014  Parâmetro desconhecido |url-status= ignorado (ajuda)
  7. «Mario Andretti» 
  8. «Doyel: 'Andretti Curse' at Indy 500 can't possibly be real. Maybe.» 
  9. «Indianapolis Star - Best driver never to win the Indy 500» 
  10. «Video of Michael Andretti stopping during the 1992 Indianapolis 500». Consultado em 28 de maio de 2007. Cópia arquivada em 4 de maio de 2007  Parâmetro desconhecido |url-status= ignorado (ajuda)
  11. «More Frustration for Andrettis». The Indianapolis Star. 29 de maio de 2006. p. R3 
  12. «Marco Andretti cites adjustments for knocking him off pace». indyStar.com. 28 de maio de 2008. Consultado em 28 de maio de 2008  [ligação inativa]
  13. «Andretti prevê choro compulsivo da família se acabar com maldição em Indianápolis com vitória. E também seu casamento». Grande Prêmio. 28 de maio de 2016. Consultado em 1 de janeiro de 2022 
  14. «Andretti brinca com histórico da família em Indianápolis: "Não há maldição em agosto"». Portal Terra. 18 de agosto de 2020. Consultado em 1 de janeiro de 2022 
  15. Guskey, Jordan (30 de janeiro de 2020). «IndyCar and NASCAR driver John Andretti dies after long, public battle with cancer». The Indianapolis Star (em inglês). Consultado em 30 de janeiro de 2020