Abrir menu principal
Ficheiro:Maniobra de Kristeller.JPG
Ilustração sobre a técnica

Manobra de Kristeller (ou técnica de Kristeller) é uma manobra obstétrica executada durante o parto que consiste na aplicação de pressão na parte superior do útero com o objetivo de facilitar a saída do bebê. A manobra foi idealizada pelo ginecologista alemão Samuel Kristeller (1820–1900)[1], que a descreveu em 1867.

É realizada por auxiliar do obstetra, juntando-se as duas mãos no fundo do útero, sobre a parede abdominal, com os polegares voltados para frente, tracionando-se o fundo do útero em direção à pelve, no exato momento em que ocorre uma contração uterina durante o parto natural. Pode também ser utilizada durante a cirurgia cesárea.

É importante ressaltar que "A Manobra de Kristeller é reconhecidamente danosa à saúde e, ao mesmo tempo, ineficaz, causando à parturiente o desconforto da dor provocada e também o trauma que se seguirá indefinidamente” (REIS, 2005). Além disso, a utilização da manobra de Kristeller no período expulsivo (categoria C da OMS), em cerca da metade dos partos, evidencia o alto grau de interferência na evolução do parto, contrariando as evidências para que esse transcorra com o mínimo de intervenções possíveis. A frequente utilização de soro interfere na evolução natural do trabalho de parto por prejudicar a deambulação e limitar a parturiente ao leito.

Existem casos jurídicos em que o responsável legal pelo parto foi condenado a pagar por danos físicos, estéticos e pensão, a um recém nascido que sofreu paralisia por conta da aplicação deste procedimento que pode ser igualmente danoso a mãe.

O ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde desencorajam esse tipo de procedimento e em alguns lugares do mundo ele é, inclusive, proibido.

Referências

  1. (em inglês) Isidore Singer & Frederick T. Haneman, Samuel Kristeller in Jewish Encyclopedia.com (Consultado em 1-10-2009)

2. World Health Organization. Principles of perinatal care: the essential antenatal perinatal, and postpartum care course. Geneva: WHO; 2002. (Promoting

Effective Perinatal    Care).    

3. REIS, L.G.C.; PEPE, V.L.E.; CAETANO, R. Maternidade segura no Brasil: o longo percurso para a efetivação de um direito. Physis Revista de Saúde C

oletiva, Rio de Janeiro, 21 [3]: 1139-1159, 2011

4. APELAÇÃO CÍVEL Nº 0001060 -92.2000.8.19.0037. http://www1.tjrj.jus.br/gedcacheweb/default.aspx?UZIP=1&GEDID=0004FD3DD4C235AD65B159208159CCEB34F1C502473D1518