Manuel Henriques de Nazareth

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Manuel Henriques de Nazareth
Nascimento 10 de maio de 1911
Quelimane
Morte 6 de março de 2003 (91 anos)
Cidadania Portugal
Ocupação médico

Manuel Henriques de Nazareth (Quelimane, Moçambique, 10 de Maio de 1911 - Lisboa, 6 de Março de 2003) foi um médico,[1] diplomata, professor universitário, político e dirigente desportivo português.[2][3]

BiografiaEditar

AscendênciaEditar

Era o quinto de 10 filhos e filhas de Vitorino Romão de Nazareth (Quelimane, 4 de Julho de 1880 - Quelimane, 1937), (Administrador da Companhia do Madal, Prazeiro de Pepino e Quelimane do Sal, em substituição da sua irmã Dª Cristina da Nazareth, que falecera ainda muito jovem e que deixou 2 ( DOIS) filhos, Celeste Possolo Albazini e Ilídio Nazaré). Os referidos prazos mediam cerca de 45000 hectares com 20000 palmares e largas pastagens para gado, e de sua mulher Abiba Hadji Mussa Guli (Quedivato do Egipto- Quelimane),de Religião Muçulmana Sunita e depois baptizada em Quelimane com o nome de Palmira da Conceição, filha de Ismail Hadji Mussa Ibrahimo Guli e de sua mulher. Estudou em Inglaterra e Irlanda, onde conheceu o futuro marido, que aí também estudava. O namoro foi, no entanto, absolutamente contrariado pela família dela, dada a diferença de Religiões. Vitorino Romão de Nazareth optou pela solução romântica - raptou-a e levou-a para Moçambique, com a bênção do seu próprio pai! Vitorino Romão de Nazareth era o segundo mas primeiro varão sobrevivente do segundo casamento e de doze filhos e filhas, um filho do primeiro casamento com Joaquina Feliciana Rodrigues, nove filhos e filhas do segundo casamento e duas filhas bastardas de Mariano Henriques de Nazareth "Senhor dos Prazos de Pepino e Quelimane do Sal"(Quelimane, 1849, Prazo Quelimane Sal, 8 de Março de 1910, sendo sepultado no Cemitério Saudade, em sepultura de família, com o seguinte epitáfio: «AQUI JAZEM OS RESTOS MORTAES DE / MARIANO HENRIQUES DE NAZARETH / FALLECIDO EM QUILIMANE DO SAL / EM 8 DE MARÇO DE 1910. / COM 61 ANOS DE IDADE. / POR SUA RECOMMENDAÇÃO / OS SEUS INCONSOLAVEIS FILHOS / VICTORINO THEODORA LUIZA CATHARINA / MARIANNO CHRISTINA IGNACIO E ROQUE / LHE MANDARAM LEVANTAR ESTA MEMORIA».), Proprietário, Negociante de escravos, e Senhor dos Prazos de Pepino e Quelimane do Sal, (território a norte do Rio Zambeze, em toda a Província da Zambézia) e de sua segunda mulher Ana Cecília Coutinho Barbosa Sena- Moçambique, filha de Francisco Xavier Coutinho Barbosa e Lemos e de sua mulher Luísa Natália Vicente Madeira, ambos naturais de Sena. Mariano Henriques de Nazareth era filho natural e único varão de Joaquim Henriques de Nazareth (Estado da Índia, Goa, Pangim), 1818 -Quelimane), Goeses católicos, Proprietário e Negociante de escravos, prata, ouro e Marfim em Quelimane, e de Catarina José Rodrigues da Silva- Quelimane, Portugueses|Portuguesa e Moçambicanos|Moçambicana. Joaquim Henriques de Nazareth era o primogénito de dois filhos e o único com geração de João Miguel Constâncio de Nazareth (Índia, Goa, último quartel do século XVIII) e de sua mulher Maria da Conceição de Meneses (Índia, Goa), moradores em Pangim, Goa, Índia.[3]

Resta-lhe apenas 1 (um) primo direito, Ilídio Fernando Nazaré Martins, com descendência de Goa, Pangim- Índia, Moçambique e Portugal, único neto sobrevivo de Mariano Henriques Nazareth-Senhor dos Prazos de Pepino e Quelimane do Sal - Moçambique, filho de Dª Cristina da Nazareth e de Manuel Inácio Martins, natural de Lourenço Marques, Moçambique, nascido a 2 de Agosto de 1941, actualmente a residir na Cidade do Porto,casado com Dª Helena Maria Grego de Freitas Leal Nazaré Martins, de onde nasceram fruto do casamento 4 filhos, (também eles com descendência de Goa, Pangim - Índia, Moçambique e Portugal), Cristina Grego Leal Nazaré Martins Seixas Marques, (19-12-1975), Maria das Dores Grego Leal Nazaré Martins Moreira, (04-05-1979) e os gêmeos Helena Maria Grego Leal Nazaré Martins de Sousa Lopes, e o filho Varão Manuel Grego Leal Nazaré Martins, (03-05-1981), que usa o nome profissional Dr. Manuel Grego Nazaré, conhecido Advogado do Porto, com escritório na Rua de Ceuta, nº 53- 1º andar, (Bisneto do Indiano Goês Mariano Henriques Nazareth - Senhor dos Prazos de Pepino e Quelimane do Sal Moçambique.

MedicinaEditar

Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Especialista em Análises Clínicas no St. Georg Hospital em Hamburgo, Alemanha, onde viveu vários anos, até que, obrigado pelas circunstâncias da Segunda Guerra Mundial, teve de se ausentar para Copenhaga, Dinamarca, onde, por dominar o Alemão, exerceu durante algum tempo as funções de Cônsul de Portugal.[3]

Depois, regressou a Portugal, onde leccionou e foi Professor Assistente da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, no Instituto Bacteriológico de Câmara Pestana, na Cadeira de Bacteriologia. Exerceu, ainda, funções de Chefe de Laboratório no Hospital de Santa Maria, no Serviço de Clínica Cirúrgica do Professor Raimundo dos Santos, e Director Clínico do Hospital Kobayashi, em Lisboa. Durante mais de 20 anos foi Médico Analista Privativo do Prof. Doutor António de Oliveira Salazar, até ao falecimento deste, a 27 de Julho de 1970.[2][3]

PolíticaEditar

Eleito Deputado para a Asssembleia Nacional durante a IX Legislatura, de 1965 a 1969, pelo Círculo Eleitoral de Moçambique,[3] foi Vogal da Comissão Parlamentar de Trabalho, Previdência e Assistência Social. Durante os trabalhos da Assembleia Nacional preocupou-se, essencialmente, com as condições habitacionais das populações ultramarinas. Assim, em Janeiro de 1966, anunciou um aviso prévio sobre o problema habitacional das classes economicamente desfavorecidas nas Províncias do Ultramar Português e, dois meses depois, não só efectivou o referido aviso, como foi ele próprio a encerrar o debate em torno do mesmo. A propósito da questão da propriedade rural em Moçambique, anunciou, em 1967, um aviso prévio que, mais tarde, viria também a efectivar. No ano seguinte, em 1968, foi a problemática da difusão e defesa da Língua Portuguesa nessa Província Ultramarina que o levou a apresentar uma nota à Assembleia Nacional e, postriormente, em 1969, a efectivar a mesma em aviso prévio, tendo sido ele a concluir também o debate respectivo e a apresentar, ainda, uma moção relativa ao mesmo assunto. Disponível para debater o referido problema, não se limitou a aceitar uma emenda sugerida pelo Deputado Henrique Ferreira da Veiga de Macedo em Janeiro de 1969, como também a subscreveu, à semelhança doutros Deputados.[2]

DesportoEditar

Foi admitido como Sócio do Sporting Clube de Portugal a 18 de Março de 1943, fez parte do respectivo Conselho Geral, do qual foi Membro Vitalício desde 1952,[3] e foi distinguido como Sócio Grande Benemérito do Clube pelo seu empenho na construção do Estádio José Alvalade, inaugurado a 10 de Junho de 1956.[1]

Foi Vice-Presidente para as Actividades Desportivas na Direcção de Joel Azevedo da Silva Pascoal, durante a Gerência de 19 de Março de 1962 a 10 de Maio de 1963, e foi também como Vice-Presidente, mas para as Relações Exteriores, que foi eleito, a 29 de Março de 1973, na lista liderada por Orlando Valadão Chagas, o qual, no dia seguinte, renunciaria ao cargo de Presidente, provocando uma crise institucional no Clube.[1][3]

Assim, a 5 de Abril de 1973, assumiu interinamente a Presidência do Sporting Clube de Portugal, como seu 31.º Presidente, até que fosse encontrada uma solução para a crise, pois afirmou não desejar ser Presidente por lhe faltar capacidade e tempo para o desempenho do cargo. No entanto, assegurou a gerência do Clube durante cinco meses, até 6 de Setembro de 1973 e à subida à Presidência de João António dos Anjos Rocha, ocorrida no dia 7 de Setembro de 1973, defendendo intransigentemente as directrizes traçadas por Orlando Valadão Chagas, que passavam por uma gestão financeiramente equilibrada, numa altura em que os custos do futebol e do ecletismo disparavam para valores incomportáveis. Defendeu, também, o bom relacionamento com os clubes rivais e a resolução do conflito com o jogador Fernando Peres da Silva, afirmando não concordar com a Lei da Opção que vigorava na altura. Uma das primeiras medidas tomadas pela sua Direcção, foi o despedimento do treinador inglês Ronald "Ronnie" Allen, que foi substituído por Mário Goulart Lino, no qual afirmou confiar plenamente, e que levou a equipa de futebol do Sporting à conquista da Taça de Portugal referente à Temporada de 1972/1973, ocorrida durante o seu mandato.[1][3]

Casamento e descendênciaEditar

Casou em Lisboa, Santa Isabel, a 28 de Junho de 1947 com Maria Ofélia Manrique (Lisboa, Anjos, 22 de Abril de 1910 - Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 19 de Outubro de 1997), filha de Carlos Manrique e de sua mulher Maria Emília ..., da qual teve uma filha:[3]

  • Maria Lúcia Manrique de Nazareth (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 13 de Abril de 1951), casada primeira vez em Lisboa, Lumiar, a 4 de Dezembro de 1976 com José Daniel Carreira de Lencastre e Meneses (Lisboa, 30 de Outubro de 1953), Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, filho de José Bruno de Lencastre e Meneses e de sua mulher Maria Ivone Carreira, divorciados e com um filho, e casada segunda vez civilmente em Lisboa a 31 de Outubro de 1992 com Pedro Maria Maltez Parreira Cortez (Lisboa, 12 de Março de 1958), Designer de Projectos, filho de João Diogo Peniz Parreira Cortez e de sua mulher Maria Cândida de Campos Penedo Correia Maltez e neto paterno de Leopoldo Peniz Parreira Cortez e de sua mulher Berta Cortez Bermeu de Lobão, e com um filho:[3]
    • Henrique de Nazareth de Lencastre e Meneses (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 17 de Agosto de 1978), casado com Diana Alvarinho d'Orey Gaivão, filha de Miguel Gomes de Amorim d'Orey Gaivão (Lisboa, 24 de Fevereiro de 1961), bisneto dum Alemão, trineto do Escritor Francisco Gomes de Amorim tio paterno do 1.º Barão de A-Ver-o-Mar, trineto dum Francês, pelo menos trineto dum Alemão e trineto dum Espanhol, e de sua mulher Maria Amélia do Espírito Santo Alvarinho, da qual teve um filha:
    • Afonso Manuel de Nazareth Parreira Cortez (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, a 3 de Outubro de 1995)

Final de carreiraEditar

Não exerceu actividade política após a Revolução de 25 de Abril de 1974 e, no ano de 1999, já se encontrava reformado.[2]

Referências

  1. a b c d Assembleia da República (PDF). App.parlamento.pt https://www.forumscp.com/wiki/index.php?title=Manuel_Nazareth  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  2. a b c d Manuel Braga da Cruz e António Costa Pinto (Lisboa, 2005). Dicionário Biográfico Parlamentar (1935-1974). [S.l.]: co-edição Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Assembleia da República. pp. Vol. V. 209  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  3. a b c d e f g h i j Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz (Angra do Heroísmo, 2016). Genealogias de Moçambique. [S.l.]: Instituto Açoriano de Cultura. pp. Volume II. 81-94  Verifique data em: |ano= (ajuda)

Ligações externasEditar

Precedido por
Orlando Valadão Chagas
Presidente do Sporting Clube de Portugal
5 de Abril de 1973 – 6 de Setembro de 1973
Sucedido por
João António dos Anjos Rocha